Conhecer a Tailândia foi uma experiência verdadeiramente especial, quando, em fevereiro de 2026, partimos à descoberta deste extraordinário país, numa viagem de 15 dias marcada por paisagens inesquecíveis, uma cultura vibrante e belíssimos momentos de verdadeira contemplação.
Desta vez fomos só os três que moramos cá em casa, eu a Ana e a Martinha, e passámos os primeiros quatro dias na zona de Bangkok, onde nos deixámos envolver pelo ritmo intenso da cidade, pelos seus mercados e pelos templos dourados, e por uma vida animada que pulsa a cada esquina. Depois seguimos para Sul, até à região de Krabi, onde a natureza assume todo o protagonismo. Ali, entre águas cristalinas, falésias imponentes e praias de areia branca, encontrámos alguns dos cenários mais belos que a Tailândia tem para oferecer, e que são o verdadeiro ex-líbris deste país fascinante.

A história da Tailândia estende-se por séculos e ajuda a compreender parte do que hoje se observa no país. As suas origens remontam aos povos Tai, que migraram do sul da China há cerca de mil anos e formaram vários pequenos reinos. Já no século XIII surgiu o reino de Sukhothai, considerado o primeiro grande reino tailandês independente. Um século mais tarde nasceu o poderoso Reino de Ayutthaya, que dominou grande parte da região até ser destruído pelos birmaneses em 1767.
Após esse período turbulento, o território foi reunificado e, em 1782, iniciou-se a dinastia Chakri (que se mantém até hoje), que estabeleceu Bangkok como capital do reino e abriu caminho à modernização do país. Em 1932, uma revolução pacífica transformou a Tailândia numa monarquia constitucional.
Atualmente, a Tailândia continua a ser uma monarquia constitucional, em que o Rei é o chefe de Estado e o governo é liderado por um primeiro-ministro. O atual monarca é Maha Vajiralongkorn (Rama X), que subiu ao trono em 2016, após a morte do seu pai, Bhumibol Adulyadej, uma figura profundamente respeitada no país. Apesar de existir um sistema parlamentar e eleições, a monarquia mantém um peso simbólico e cultural muito forte na sociedade tailandesa.
Durante a nossa viagem, em fevereiro de 2026, o país encontrava-se a cumprir um ano de luto pela morte da rainha-mãe Sirikit, falecida em outubro de 2025. A Rainha consorte durante o longo reinado de Bhumibol Adulyadej, permanece ainda na memória coletiva como uma figura profundamente querida pelos tailandeses. A sua presença parece ainda percorrer as ruas e os templos, ao surgir nos retratos e nos posters (mostrando a rainha ainda jovem) cuidadosamente expostos pelas autoridades e pelas próprias pessoas, ou nos pequenos altares improvisados em santuários de bairro, sobretudo em Bangkok, mas também nas outras regiões por onde passámos, onde a sua imagem é uma presença constante, lembrando que, naquele país, a família real não habita apenas os palácios, mora também no coração do povo.

Enquanto destino turístico, a Tailândia é um dos locais mais vibrantes do Sudeste Asiático, combinando a cultura religiosa e os seus impressionantes templos budistas, com uma vida especialmente animada, com mercados e gastronomia de rua. Mas reflete também a combinação entre a cultura e a tradição do seu povo, com a modernidade que é especialmente visível em Bangkok. O país investe cada vez mais em experiências autênticas e sustentáveis, atraindo viajantes interessados na sua cultura, a sua natureza prodigiosa e exuberante, e a hospitalidade das pessoas, que é reconhecida mundialmente.
Um dos preconceitos que levava comigo antes de chegar a Bangkok era a imagem de uma cidade que poderia ser marcada pelo turismo sexual e até pela prostituição de menores. No entanto, felizmente a experiência foi bem diferente. Durante a nossa estadia não encontrámos sinais evidentes de prostituição de rua com menores e acabei por descobrir uma cidade bastante rica e diversificada, e não chocante, como estava à espera... um bom exemplo de que os destinos são sempre mais complexos do que a imagem simplificada e, por vezes, preconceituosa, que muitas vezes circula no exterior.
Para conhecermos a Tailândia (quer Bangkok quer a zona das praias, pois não fomos para o Norte, o que seria igualmente interessante, mas o tempo disponível não chegava para tudo), a melhor forma será participarmos em sucessivas viagens organizadas. Embora em Bangkok possamos usar algum tempo livre para explorarmos sozinhos os recantos da cidade, as principais visitas devem ser organizadas. O custo não é muito elevado e é bom ter as explicações de um guia. Existem várias alternativas de operadores locais, e até das agências portuguesas que organizam estas viagens, mas preferi fazer a maioria das reservas pelo
GetYourGuide, não me pareceu que os preços fossem mais altos do que os dos operadores locais e dá-nos alguma segurança, usando sempre a mesma aplicação para obter os
voushers e garantem sempre as confirmações no dia anterior. Desta forma podemos fazer todas as reservas antecipadas, e só iremos pagar 24h antes do evento, pelo que teremos folga para cancelar sem qualquer custo se resolvermos reprogramar as visitas.
Nas crónicas seguintes serão descritas as viagens realizadas ao longo deste país, divididas pela capital tailandesa, por uma zona de mercados a Sul de Bangkok, e pelas praias do Sul do país, em torno da região de Krabi:
Mercados a Sul de Bangkok
Região de Krabi
Desta vez, e ao contrário do que é habitual, recorremos a uma agência de viagens para nos marcar os voos, os hotéis e os transferes, garantindo um pacote completo com seguro, que nos pareceu ser mais confortável face a um destino tão longínquo. Contratámos a agência do Parque das Nações das viagens El Corte Inglés, e foi impecável, em particular a Sandra Vila, que nos ajudou em tudo o que precisámos.
Registo agora algumas informações úteis sobre o país e a cidade de Bangkok:
Desde maio de 2025 os cidadãos portugueses e brasileiros, que não precisam de visto, têm obrigatoriamente de preencher e submeter o Cartão de Chegada Digital da Tailândia (TDAC) através do
site oficial, dentro dos três dias que antecedem a chegada à Tailândia. É também imprescindível que a validade do passaporte seja superior a 6 meses a partir da data de saída da Tailândia.
Recomendo que seja adquirido um SIM virtual para o telemóvel, de forma a garantir dados móveis, desde logo para comunicar com a família, mas também para recebermos as confirmações de visitas e dos voos, e até para usarmos o GPS online. Escolhi previamente um cartão virtual da
Holafly, que funcionou bastante bem... paguei cerca de 35€ por 11 dias de dados ilimitados, e sempre com uma boa rede.
Quanto aos cuidados especiais de saúde para esta viagem, deve ser marcada uma consulta do viajante (pode ser através do SNS, mas também há no privado), sempre com mais de um mês de antecedência. Vão ser passadas algumas receitas de medicamentos para situações de emergência, como febres ou problemas gástricos. O país não é endémico à febre amarele, sendo apenas recomendável que sejam feitas as vacinas, ou reforços, do tétano e das hepatites. Quanto ao problema dos mosquitos, embora não exista malária, devem ser usados repelentes.
Os cuidados a ter com a comida são os normais neste tipo de países, não devemos usar água da torneira, nem gelo… e resistimos a isso nos primeiros dias, mas acabámos por ceder aos sumos de fruta com gelo granizado que serviam no Sul, e correu tudo bem. Mas podemos sempre perguntar qual é a origem do gelo, e se for comprado será seguro. Também recebemos indicação para usar água engarrafada para lavar os dentes. Foi assim que começámos, mas uns dias depois já nos deixámos disso. É muito fácil arranjar água mineral, é inclusive oferecida em todos os percursos ou visitas que fazemos. A comida pode ser picante, mesmo que se peça picante zero, devido às pimentas, o gengibre e sei lá mais o quê. Mas a fruta excecional que lá encontramos pode ser uma saída segura para fugir ao picante, sobretudo manga, ananás e banana.
Quanto à moeda local, embora o Revolut seja uma boa alternativa, será necessário ter também algum dinheiro vivo, e devemos trocar Euros em casas de câmbio, pela moeda local, o Baht Tailandês (THB), representado pelo símbolo ฿. É uma moeda desvalorizada face ao Euro, tornando a Tailândia um destino acessível para turistas. Em fevereiro de 2026, 1€ equivalia a cerca de 37 Bahts, ou 100 Bahts valiam aproximadamente 2,7€.
Falando um pouco dos transportes que podemos usar na Tailândia, como já referi, devemos fazer alguns tours que, por vezes, incluem transporte. Mas, sobretudo em Bangkok, vamos precisar de nos deslocar, pois a cidade é bastante grande e não dará para andar sempre a pé. O tráfego automóvel é um caos, muitos carros e motorizadas, mas também com uma gestão de trânsito que me fez alguma confusão, pois os semáforos demoram imenso tempo, o que aumenta os tempos de espera, tanto nos cruzamentos como nas passadeiras. Assim, se possível devemos fugir dos núcleos urbanos e chegar ao rio, onde existem muitos portos das carreiras públicas, que são a melhor forma de percorrermos as distâncias mais longas. Os preços não são muito caros, mas temos de ter atenção, se não estaremos a entrar numa carreira turística em vez do transporte público. E assim, sempre que estejamos próximos do rio, esta será a melhor forma de percorrer Bangkok, com a vantagem de podermos apreciar as paisagens das margens, onde surgem alguns dos principais templos da cidade.

As outras alternativas de transporte são o Metro, os táxis, os tuk-tuks e os autocarros. Não usámos o Metro, que anda sobre viadutos, mas na zona mais periférica da cidade, e também não usámos os táxis convencionais, preferindo ir de tuk-tuk que tem mais mobilidade e é mais divertido. No entanto, será conveniente combinar sempre o preço previamente.

Mas o transporte que mais usámos, tirando o barco, foi o autocarro. Na net até dá para descobrir os trajetos e, teoricamente, os horários - digo “teoricamente” porque a pontualidade ali é mais um conceito filosófico do que uma regra. Existem alguns autocarros modernos, é verdade, mas a maioria parece ter saído diretamente de um museu do ferro-velho. E claro, foram precisamente esses que mais apanhámos. Autênticas relíquias sobre rodas, barulhentas, mas cheias de personalidade e com ar de quem já viu muita história passar. Vidros sempre abertos para garantir a ventilação tropical e viagens tão baratas que, quando fazemos a conversão para euros, quase parece que estamos a andar de graça. Uma velharia? Sem dúvida. Mas também uma das experiências mais divertidas de Bangkok. 🚍😄
Para fazer compras na Tailândia, vamos encontrar os nigth markets com algumas marcas “pirata”, de fábricas que existem na região, não sei se saem das fábricas clandestinamente, ou se serão artigos que não passaram na malha do controlo de qualidade. A verdade é que os artigos nos parecem genuínos e em perfeitas condições. As melhores marcas para comprarmos na Tailândia são as mochilas e sacos da The North Face ou da Patagonia, e as sapatilhas Adidas e New Balance, entre outras. Os melhores preços que encontrámos foram em Bangkok, na rua Khao San ou no night market Patpong, este já um pouco mais caro. Mas os principais mercados, com grande quantidade de lojas, são aqueles que encontramos em Ao Nang, na zona de Krabi. Aqui a oferta é imensa, mas os preços já são superiores aos de Bangkok. De qualquer maneira, é muito habitual comprar tanta coisa que depois acabamos por ter de comprar também um saco de viagem da North Face, para podermos transportar o “contrabando”.

Termino com um breve balanço sobre os locais visitados, numa viagem que nos marcou, entre a energia vibrante de Bangkok, com os seus templos, mercados e as ruas cheias de vida, até à tranquilidade das praias de Krabi, de uma beleza que parece irreal, num contraste quase perfeito. Um país onde se destacam a cultura, paisagens incríveis e as pessoas, que são simpatiquíssimas e nos receberam sempre com um sorriso afável e radiante.
No fim, ficou uma sensação serena e verdadeira de termos gostado profundamente deste país. Voltámos para casa com a alma cheia e mais ricos naquilo que realmente importa, as memórias e as emoções, de lugares que agora vivem na nossa imaginação. E mesmo que a distância torne estas viagens inevitavelmente exigentes e dispendiosas, essa acaba por ser apenas uma pequena dificuldade no caminho de algo que valeu plenamente a pena.
Fevereiro de 2026
Carlos Prestes