sábado, 7 de março de 2026

Prestes a Partir – Blogue de Viagens


Chamo-me Carlos Prestes, sou engenheiro civil e professor na faculdade, mas sou também um apaixonado por viagens, por fotografia e pela escrita sobre as experiências vividas nos locais que vou visitando. Assim, este espaço surge de forma quase natural, permitindo o registo das crónicas de viagens que tenho feito, com descrições e relatos das aventuras e emoções vivenciadas, sempre ilustradas com as fotos mais representativas.   
Este Blogue surgiu pela sugestão, quase persistente, de vários amigos, que foram também companheiros de algumas das viagens que aqui vou relatar, e constitui, sobretudo, um veículo para fazer perdurar as memórias e emoções vividas ao longo de mais de três décadas, por quase 40 países e 300 locais, que aqui vou tentar recordar.

Aqui encontraremos crónicas detalhadas de cada viagem, sendo o acesso a cada uma dessas crónicas feito através dos links ativos que surgem ao longo do índice representado nas páginas que organizei por continentes, sendo que, até agora, a grande maioria dos locais visitados e aqui descritos, ficam no continente europeu, esperando gradualmente vir a visitar outros destinos mais longínquos, cujas crónicas irei trazendo a este espaço.



Complementando ainda a narrativa exibida na forma de crónicas detalhadas, mostro-vos um breve registo feito em vídeo, com algumas das viagens relatadas, apresentando as principais fotos que foram utilizadas.

Estas crónicas não são um espaço de escrita apenas pessoal, porque as viagens aqui descritas foram muitas vezes uma partilha de experiência e emoções com aqueles que me acompanharam. Desde logo a minha companheira de todas as aventuras de uma vida e cúmplice desta paixão de viajar, a minha mulher Ana Lúcia, a quem vou dedicar cada um dos textos e imagens que aqui venha a registar. Às minhas quatro filhas, nem sempre companheiras de viagem, mas sempre as principais fontes de inspiração, dedico também cada uma das memórias que aqui vou relatar.

Vou também escrever para quem me queira ler, quem queira conhecer os meus relatos, não apenas pela curiosidade mas também pela informação que vou tentar transmitir, tornando este Blogue numa espécie de guia de viagens. Não terei a preocupação de ser consensual nas escolhas que aqui vou relatar, pelo contrário, tentarei ser sempre fiel às viagens que fiz, tal como as fiz, sem quaisquer filtros, ainda que, em várias situações, um determinado destino ou uma determinada escolha não se tenham revelado como os mais favoráveis. O registo de viagens que aqui vou referir será necessariamente o meu, com a minha busca daquilo que mais gosto, da forma e no ritmo que entendi ser o mais adequado a cada situação e em cada local. Não existem fórmulas para que uma viagem cumpra o seu objetivo de nos encher a alma e nos fazer sentir vivos, por isso, cada um de vós, leitores, terá de seguir o seu próprio caminho e escolher o seu próprio ritmo, tal como eu e os meus parceiros de viagem, seguimos e escolhemos os nossos.

Antes de iniciar a escrita senti necessidade de organizar a forma de apresentação dos relatos de cada viagem, sabendo que algumas estão ainda bastante presentes e outras estão já muito distantes. Mas, para que esse efeito de memória, mais viva ou mais vaga, não se torne evidente na escrita, decidi recordar cada uma das viagens de forma totalmente aleatória. E será desta forma que serão publicados, pela ordem em que os vou escrevendo e não pela sua ordem cronológica.

Termino com a ligação a uma outra página, para quem pretenda uma visão mais instantânea de alguns lugares, sem entrar no detalhe que o formato da crónica impõe, recomendo também a ligação ao Blogue que criei recentemente com esse conceito mais light. Neste caso, e como o nome indica, a cada foto corresponderá apenas uma breve história ou descrição: 

(site em construção)


Carlos Prestes
Abril de 2015

José Carlos Prestes
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Engenheiro Civil e Professor no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

sexta-feira, 6 de março de 2026

Prestes a Partir - ÁSIA




     Tailândia
          - Bangkok e Krabi       

     Emirados Árabes Unidos
          - Dubai

     Turquia
         Istambul

     Maldivas



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Prestes a Partir - ÁFRICA



   Norte de África
   - Cidades de Marrocos
   - Praias e cidades da Tunísia

   Cabo Verde
   - Ilha da Boavista

   Moçambique
   - Província de Maputo
   - Gaza e Inhambane
   - Tete

   África do Sul e Swazilândia
    - No Kruger Park em safari
   - Cape Town


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Prestes a Partir - EUROPA



A grande maioria das viagens que realizei ao longo de cerca de quarenta anos foram feitas pelo continente europeu, que percorri de Norte a Sul, visitando mais de trinta países, como se representa no mapa seguinte. Nestas viagens visitei várias vezes alguns destes países, cujas crónicas podem ser consultadas nos links que apresento na lista abaixo (embora, alguns deles estejam inativos, por estarem ainda por escrever).
 


   Itália
   França
   - Paris 
   - Disneyland
   - Córsega

   Espanha
   - Barcelona
   - Menorca
   - Ibiza
   - Maiorca
   - Pirenéus
   - Andorra - Valldnort
   - País Basco, Cantábria, Navarra e La Rioja
   - Outras Cidades do Norte (Aragão e Castela-Leon)

   Ilhas Britânicas
   - Inglaterra
   - Londres
   - República da Irlanda
   - Escócia

   Europa Central
    - Alemanha
    - Áustria
    - Bélgica
    - Luxemburgo
    - Amesterdão

Europa de Leste
     - Praga
     - Bratislava
     - Budapeste
     - Polónia

Escandinávia
      - Copenhaga
     - Estocolmo
     - Helsínquia
     - Noruega, dos fiordes ao sol da meia-noite

   Grécia
   - Atenas 
   - Ilhas Gregas

   Portugal
        - Açores
        - Madeira e Porto Santo
    - Algarve - Pelas praias do Barlavento ao Sotavento
        - Porto e Douro
        - Minho
        - Alentejo

      

Prestes a Partir - AMÉRICA


  
 Estados Unidos
   - New York
   - Florida
   - Costa Leste

   México
   - Cidade do México
   - Riviera Maia

   Brasil
   - Natal
   - Pernambuco e Alagoas

  Caraíbas
   - Cuba
   - Bahamas
   - República Dominicana


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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Ao Nang


Vamos terminar estas crónicas sobre Krabi falando um pouco de Ao Nang, a pequena cidade que serve de base logística e turística a quem visita esta região. Este povoado é formado por uma rua principal que se dirige até ao mar, completamente preenchida por hotéis, restaurantes, bares e casas de massagens, e liga depois com a marginal, que acompanha a baía, onde se encontram dezenas de lojas, e também vários restaurantes e bares, e até um dos principais night markets da zona.

No mapa seguinte, registam-se a grená os locais mais notáveis na envolvente de Ao Nang e a própria Railay Beach, uma praia de que já falei e que é um dos locais mais interessantes da região:
      

Como já referi numa outra crónica, a baía de Ao Nang não é muito apetecível para aproveitarmos a praia, pois certamente será bastante poluída. Por isso, quando quisermos ter algum tempo para banhos de sol e de mar, ou devemos apanhar um dos barcos que fazem a ligação até à praia de Railay Beach, como já falei lá atrás, ou temos a alternativa de caminhar até à Pai Plong Beach.
Esta praia é bastante bonita, mas estava um pouco suja, pois decorrem por lá os trabalhos de reabilitação do hotel Centara Grand Beach Resort, e são os detritos dessas obras que deixam a praia conspurcada… ou seja, quando acabarem estas obras a praia voltará a ser uma boa opção.
O acesso a esta praia é feito através de um curioso trilho, o Monkey Trail, um caminho acidentado, formado maioritariamente por escadarias e passadiços de madeira, onde demoramos cerca de 10 minutos entre a zona de Ao Nang e a Pai Plong Beach, e podemo-nos cruzar com a comunidade de símios que por ali mora.

A travessia começa junto a um pequeno templo, e é logo ali que aparecem os primeiros macacos, que dão o nome a este trilho.

Depois seguimos caminho, enfrentando algumas subidas mais exigentes, até começarmos a vislumbrar a belíssima baía de Pai Plong Beach. Pelo percurso, é bastante provável cruzarmo-nos novamente com famílias de macacos - curiosos e aparentemente simpáticos, mas sempre atentos a qualquer oportunidade para apanhar comida que esteja menos protegida.


Voltando de novo a Ao Nang, encontramos várias alternativas de esplanadas junto ao mar, para comer ou beber alguma coisa, com as bonitas vistas da Ao Nang Beach. Podemos escolher os ótimos sumos de fruta, os meus favoritos, e que, nesta fase de fim de férias, já bebemos com o copo cheio de gelo, como apetece, pois o risco de intoxicação e o impacto que isso teria nas férias, começa a ser muito mais reduzido.

Ainda junto à baía principal de Ao Nang vamos fazendo uma caminhada relaxante, com o mar de um lado, e com a marginal, por vezes cheia de turistas, do dado oposto.

Pelo caminho, passamos por uma das estátuas de referência desta marginal, que retrata uma cena de pesca com uma animal corpulento, um imenso espadarte.


Durante a noite toda esta zona marginal adquire um ritmo frenético, com restaurantes e bares, e as suas lojas de artigos diversificados - e com muita pirataria - o que nos leva a passar por ali diariamente, ou para jantar ou para fazer compras.

Nesta cidade existem dois night markets importantes, que estão assinalados no mapa, e onde são vendidos todo o tipo de produtos e também com bancas de street food, com a variedade de petiscos.

Para finalizar os nossos serões acabávamos sempre a passear junto à praia e, por vezes, encontrámos por ali alguns eventos especiais – sobretudo porque passámos lá o Dia dos Namorados e o Ano Novo Chinês. Assim, assistimos a algumas decorações luminosas e fogos, como o hábito oriental de se lançar balões flutuantes luminosos, que sobem pelo ar quente produzido pelas chamas.


E assim terminámos algumas noites, contemplando o espetáculo que é seguir os balões luminosos que se elevavam suavemente pelo céu escuro, pintando-o com pontos mágicos de luz.

Assim termina o relato desta viagem pela Tailândia. De Krabi, voaríamos diretamente para o Dubai, fechando um percurso que se revelou, em todos os sentidos, extraordinário.

Foi uma viagem que surpreendeu - não pela grandiosidade anunciada, mas pela forma subtil como se foi revelando, dia após dia. Não esperava gostar tanto. E talvez por isso tenha sido ainda mais especial: porque me conquistou sem aviso, com a leveza das coisas que não se antecipam, mas que acabam por ficar.



Fevereiro de 2026

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Phi Phi Islands


Faltava-nos uma última viagem pelas ilhas da baía que se forma entre Krabi e Phuket, e tínhamos guardado o melhor destino para o fim, ou seja, aquele que achávamos que iria ser o melhor, o arquipélago das Phi Phi… mas, na verdade, não seria bem assim.

Voltámos a reservar com o GetYourGuide, uma viagem organizada pelo operador local Sea Eagle - com quem já tínhamos viajado noutros percursos. (Abro aqui um parêntese para registar que, sabendo previamente da existência deste operador, Sea Eagle, ainda ensaiei fazer as reservas diretamente no respetivo site, mas os preços eram exatamente iguais aos do GYG, e nesses podemos sempre cancelar até 24h da atividade).

Esta viagem custou-nos 41 €/pessoa, durante sete horas, numa lancha rápida, e incluía o almoço e as outras coisas do costume – água, fruta e máscaras para snorkeling.

A localização das Ilhas Phi Phi, é a que se representa a roxo neste mapa:
 


Pi Leh Bay

Ao fim de um pouco menos de uma hora a visita começa na Pi Leh Bay, uma lagoa impressionante, rodeada por falésias calcárias, onde a água calma e de cor esmeralda, convida a nadar e a tirar muitas fotografias.

Aqui, dão-nos a opção de passarmos para um barco de cauda-longa, para podermos explorar a baía, o que fica limitado se permanecermos na lancha, que fica parada no mesmo lugar, junto a outros barcos, enquanto podemos apenas nadar.
Assim, optámos por pagar os 300 Bath por pessoa, cerca de 7 €, e passámos para um barco de madeira no qual fomos percorrendo esta baía e apreciando alguns dos recantos mais bonitos e com a possibilidade de darmos uns mergulhos logo na pequena praia que ali se encontra.
Depois podemos também aproveitar o belíssimo enquadramento da baía, e também dos próprios barcos, para fazermos um tipo de fotografias que são imagens de marca das Phi Phi e mesmo da Tailândia… mas só para os mais fotogénicos.


A paragem seguinte deste barco foi junto a uma zona de mergulho, onde fizemos snorkeling, num mar tão azul por fora e tão transparente quando o vimos lá do fundo. Voltámos a ficar maravilhados com as bonitas imagens dos peixes e corais que vamos encontrando, desta vez, com vários peixes papagaio, bastante coloridos, e até algumas "Dory’s", recordando-nos o Finding Nemo, uma das vedetas da Disney.



A zona de snorkeling fica perto da chamada Viking Cave, uma gruta aberta nas falésias calcárias. Não é um local muito marcante para os visitantes, mas é algo que é referenciado pelos guias, dizem que a alusão aos navegadores escandinavos vem de antigos desenhos nas paredes destas cavernas, que foram identificados como barcos, mas hoje, o principal interesse é outro: é que a gruta é usada para a recolha de ninhos de andorinhas-do-mar, muito valiosos na Ásia para a gastronomia (as conhecidas sopas de ninho de andorinha... que nojo! Mas eles falam daquilo com muito entusiasmo). Por isso, não é visitável por dentro, os barcos apenas param à entrada para observar… e nós fizemos o mesmo, mas reconheço que não é nada particularmente interessante.
Para terminar este percurso no barco de cauda-longa damos mais umas voltinhas e tiramos mais umas fotos giríssimas - que não me canso de publicar.


Maya Bay

Este é um daqueles destinos que parecem saídos diretamente de um postal - ou, mais precisamente, de um filme - pois foi ali que foram rodadas várias cenas do filme The Beach, o que ajudou a catapultar este pequeno paraíso tailandês para a fama mundial, ao mesmo tempo que consolidava a carreira de Leonardo DiCaprio como um dos grandes nomes de Hollywood.

Mas a praia que encontramos nesta baía - muitas vezes descrita como “uma das melhores praias do mundo” - acaba por ser um lugar pouco acessível e que foi transformado numa espécie de Disneyland tropical. Ainda assim, e apesar de toda a logística e restrições, há algo inegavelmente especial neste lugar: a sua beleza natural continua lá, intacta o suficiente para justificar cada expectativa.
Localizada na ilha de Ko Phi Phi Leh, a baía é rodeada por imponentes falésias de calcário cobertas de vegetação tropical – mas, nesta altura, até já podemos dizer que é algo comum nestas paragens – só que neste caso, criam uma espécie de anfiteatro natural que protege as suas águas calmas e cristalinas. A areia é incrivelmente branca e fina, contrastando com os tons turquesa do mar, num cenário que parece quase irreal – lá está, podia ser mesmo a melhor praia do mundo.
Mas… e neste caso é um grande “mas”, durante muitos anos, a Maya Bay sofreu com o impacto do turismo em massa, como resultado da sua aparição no filme de DiCaprio, que divulgou a todo o mundo a existência deste paraíso. Assim, chegou a receber milhares de visitantes por dia, o que acabou por degradar significativamente os ecossistemas locais, especialmente os recifes de coral. Em resposta, o governo tailandês tomou uma decisão histórica em 2018: fechar a baía ao público para permitir a sua recuperação ambiental.

Após um período de regeneração, Maya Bay reabriu em 2022, mas com regras muito mais rigorosas, e continua a fechar nos meses de julho e agosto. Hoje, o acesso é limitado, os barcos já não podem entrar diretamente na baía e os visitantes devem seguir normas restritas para preservar este ecossistema frágil. Este novo modelo de turismo sustentável tem permitido que a natureza recupere gradualmente, devolvendo à baía parte da sua beleza original e permitindo que algumas espécies ali possam nidificar, como é o caso do tubarão black tip.

Atualmente, visitar a Maya Bay é uma experiência diferente, mais controlada e também mais consciente, para quem valoriza destinos naturais e quer viajar com responsabilidade.

Assim, os barcos acumulam-se fora da baía, e vão fazendo fila para descarregar os seus passageiros num pequeno pier que dá acesso à ilha. Os turistas vão chegando e seguem em fila indiana sobre os passadiços de madeira que garantem o caminho até à praia… e tudo isto é feito de uma forma tão mecânica e sem espaço para qualquer espontaneidade, que parecemos seguir o roteiro de atividades de um qualquer parque de diversões… lá está a Disneyland a manifestar-se.

Um pouco mais à frente conseguimos ver, pela primeira vez, a baía do filme A Praia, mas, certamente, com o areal repleto de gente. E esta é outra das medidas de proteção que foi implementada, ninguém pode tomar banho – que pecado, uma praia linda de morrer, a água quentinha, e não se pode nadar, é maldade – mas é assim mesmo que diz a lei. Então vê-se toda a gente a molhar os pés, e os vigilantes de megafone em riste sempre a gritar para não deixar que a água chegue até aos joelhos.

Esta primeira imagem da praia é um bocado estranha, com toda a gente a olhar para o mar, mas sem lá poder entrar, só fotografias e sem qualquer interação com o espaço.

Um pouco mais à frente, chegamos ao areal, onde podemos molhar os pés enquanto percorremos toda a baía. Aproveitamos também algumas abertas para tirar fotografias - algumas em modo “influencer”, outras simplesmente para registar a paisagem que ali se revela. O dia não estava totalmente soalheiro, mas ainda assim o mar mantinha o seu habitual tom azul-turquesa, enquanto os penhascos exibiam o verde vivo da sua vegetação.




Ko Phi Phi Don

O barco seguiu depois até à Ko Phi Phi Don, a principal ilha do arquipélago das Phi Phi e o seu centro logístico, com toda a infraestrutura turística.

Fizemos aqui o que é habitual para quem vem nos tours a partir de Krabi, uma paragem para almoço, com algum tempo livre para aproveitar as duas praias principais da ilha, a Ton Sai Beach e a Loh Dalum Beach

À medida que nos aproximamos da Ton Sai Beach, percebemos que grande parte da praia é ocupada por barcos que ali deixam os passageiros, regressando depois ao centro da baía, onde ficam a ancorados.
A envolvente desta praia é bastante bonita, marcada por uma língua de areia branca banhada por águas calmas e pela vegetação densa, que se estende do areal até às falésias que desenham a baía.

Ao descermos na praia de Ton Sai percebemos que, apesar do bonito areal e do mar calmo, este não será o melhor lugar para permanecer usufruindo daquilo que chamamos: fazer praia, pois há um constante rodopio de barcos e turistas que chegam e partem, quebrando qualquer hipótese de tranquilidade… de qualquer forma, como a zona é servida por vários hotéis e alojamentos, muita gente escolhe esta praia para passar o dia.

Mas o nosso programa levava-nos diretamente até ao restaurante onde nos serviram o almoço, e por isso entrámos logo nas ruas pedonais que estão sempre cheias de gente que se deslocam entre as praias, os restaurantes ou os hotéis.

Encontrámos o nosso restaurante e fomos almoçar, mais um buffet de comida tailandesa, por sinal bastante boa. Ainda assim, confesso que estes pratos tão condimentados já nos começam a enjoar um pouco, pelo que, nos últimos dias, temos optado por alternativas menos tradicionais.

Depois do almoço, ainda nos sobrava algum tempo para explorar a zona. No entanto, não seria suficiente para cumprir uma das principais atrações da ilha: a subida aos miradouros que se erguem de ambos os lados, um percurso exigente em qualquer das vertentes.

Do alto desses pontos de observação, seria possível contemplar a imagem icónica da ilha - com a sua estreita faixa de terra lá em baixo, precisamente onde se concentram os restaurantes e alguns hotéis, ladeada pelas duas baías de águas azul-turquesa e extensos areais… como nesta imagem, que não fui eu que fotografei, já que o tempo disponível não dava para um percurso tão longo.
Assim, ficámos por ali algum tempo, percorrendo os caminhos que ligam as duas baías – entre a Ton Sai Beach e a Loh Dalum Beach – esta última, embora esteja também rodeada por hotéis e restaurantes, é mais apropriada para se poder relaxar, já que os barcos das inúmeras excursões que visitam a ilha, não entram nesta baía.


Monkey Bay

Regressámos ao barco e voltámos a parar em breve, desta vez sem sair do barco, só para observar uma pequena praia que se encontra ocupada por uma comunidade de macacos. A Monkey Bay (ou Ao Ling) é uma pequena enseada, famosa pela colónia de macacos-de-cauda-longa que vivem por ali em liberdade. Rodeada por penhascos de calcário, o local não tem infraestruturas e só é acessível de barco. Algumas embarcações menores, como os barcos de cauda-longa, param junto à praia e os passageiros mais destemidos, vão mesmo até perto dos símios.
Recomenda-se não alimentar os macacos, proteger os pertences e manter distância dos animais, pois são selvagens e imprevisíveis – e a nossa opção é sempre manter uma distância de segurança, não queremos misturas com a bichesa. Aliás, neste caso, não houve outra hipótese, pois ninguém saiu do barco, limitámo-nos a observar os bichos pendurados nos rochedos e a tirar algumas fotografias


Nui Beach

Ao contornarmos a ilha de Ko Phi Phi Don, deparamo-nos com várias enseadas de beleza singular, uma delas a Nui Beach, onde fizemos a próxima paragem. Mais uma belíssima praia, com o habitual enquadramento dos contrastes entre o azul do mar e o verde da vegetação que envolve a praia e cobre os rochedos.

Aqui o programa permite uma paragem demorada para banhos ou para mergulhar de máscara e respirador, cada um pode escolher. Esta pequena enseada tem ótimas condições, quer para nadarmos até à areia, e ficarmos por ali, literalmente, de molho, ou para voltarmos a fazer snorkeling, pois trata-se de um spot extraordinário, com ótima visibilidade sobre os corais e cheio de peixes de todas as cores, tal como temos vindo a encontrar nos outros mergulhos que fizemos.

Foi assim que passámos quase uma hora, ora de máscara ora apenas a nadar, ou até, no final, quando ficámos no convés do barco, só a apreciar as paisagens, que são sempre tão bonitas… que os nossos coraçõezinhos já mal aguentam.



Bamboo Island

A última paragem deste dia gigante, foi na Bamboo Island, onde nos iriamos despedir destas praias paradisíacas, tendo direito àquilo que quiséssemos fazer - fosse nadar na praia junto ao areal, ou escolher a zona de corais, voltando a usar a máscara e o respirador para explorar a vida marinha.
Ao sair do barco, do lado direito encontramos a parte da ilha onde existem corais, mas reconheço que já não queríamos voltar a mergulhar nestas águas, pois já tínhamos feito snorkeling duas vezes neste dia e limitámo-nos apenas a nadar um pouco… porque águas quentes como estas é algo que nunca recusamos... porém, quando chegámos à ilha começavam a aparecer algumas nuvens que não prometiam nada de bom.
Na Bamboo Island os guias pedem aos turistas para usarem colete salva-vidas por uma combinação de segurança e preservação ambiental. Em primeiro lugar, embora a água pareça calma e pouco profunda, ali podem existir correntes inesperadas, mudanças rápidas de profundidade e zonas com coral ou rochas, o que representa um risco, sobretudo para quem não seja um nadador experiente. O colete garante flutuabilidade constante e reduz significativamente a probabilidade de acidentes. Por outro lado, há também uma preocupação ambiental: ao manter as pessoas à superfície, evita-se que pisem ou danifiquem os corais, que são ecossistemas muito frágeis. Assim, toda a gente andava pela ilha em tons do laranja vivo dos coletes.

E aquilo que parecia estar a ser avisado acabou mesmo por acontecer, quando uma enorme chuvada se abateu sobre a ilha, e nos obrigou a correr para dentro de água - pois mais molhados já não poderíamos ficar. Algum tempo depois juntámo-nos àqueles que não se quiseram expor e que preferiram resguardar-se sob uma pequena cobertura.
A chuva não dava tréguas, daquelas tropicais que parecem varrer tudo à sua passagem. Acabámos por desistir de esperar que abrandasse e corremos para o barco. No final ainda chovia quando o barco zarpou... foi pena, porque poderíamos ter aproveitado muito mais a ilha, desfrutando da qualidade da praia. Mas, perante aquela chuva quase assustadora, não tivemos alternativa senão recuar e procurar abrigo no barco. Foi de lá que nos despedimos, com uma última imagem da Bamboo Island, agora deserta, fustigada por uma chuva que mais parecia uma verdadeira tempestade tropical.
Ao regressarmos ao pier de Ao Nang, detivemo-nos por um instante a observar o conjunto de barcos de cauda-longa ali ancorados - o cenário ideal para fazer o balanço deste dia completo nas Phi Phi Islands.

Mais uma vez, vivemos uma sucessão de momentos quase irreais… águas mornas de um azul improvável, falésias imponentes que se erguem do mar e praias de areia clara, numa combinação quase perfeita, entre beleza e tranquilidade. 

Mas aquela ideia inicial de que estávamos a guardar o melhor para fim, era um engano. As Phi Phi não são o melhor, pois têm muito mais gente e são, por isso, menos naturais do que, por exemplo as 4 ilhas ou o arquipélago das ilhas Hong. Ainda assim não deixamos de fazer um balanço muito positivo deste dia de viagem.

Mas esta despedida assinalava também o fim de um conjunto de viagens pela vasta baía que se estende em frente a Krabi, onde explorámos, ao longo da última semana, alguns dos seus lugares mais marcantes… que nos deixaram um sentimento de encanto difícil de traduzir e um conjunto de memórias profundas, ainda mais difíceis de esquecer.