sábado, 7 de março de 2026

Prestes a Partir – Blogue de Viagens


Chamo-me Carlos Prestes, sou engenheiro civil e professor na faculdade, mas sou também um apaixonado por viagens, por fotografia e pela escrita sobre as experiências vividas nos locais que vou visitando. Assim, este espaço surge de forma quase natural, permitindo o registo das crónicas de viagens que tenho feito, com descrições e relatos das aventuras e emoções vivenciadas, sempre ilustradas com as fotos mais representativas.   
Este Blogue surgiu pela sugestão, quase persistente, de vários amigos, que foram também companheiros de algumas das viagens que aqui vou relatar, e constitui, sobretudo, um veículo para fazer perdurar as memórias e emoções vividas ao longo de mais de três décadas, por quase 40 países e 300 locais, que aqui vou tentar recordar.

Aqui encontraremos crónicas detalhadas de cada viagem, sendo o acesso a cada uma dessas crónicas feito através dos links ativos que surgem ao longo do índice representado nas páginas que organizei por continentes, sendo que, até agora, a grande maioria dos locais visitados e aqui descritos, ficam no continente europeu, esperando gradualmente vir a visitar outros destinos mais longínquos, cujas crónicas irei trazendo a este espaço.



Complementando ainda a narrativa exibida na forma de crónicas detalhadas, mostro-vos um breve registo feito em vídeo, com algumas das viagens relatadas, apresentando as principais fotos que foram utilizadas.

Estas crónicas não são um espaço de escrita apenas pessoal, porque as viagens aqui descritas foram muitas vezes uma partilha de experiência e emoções com aqueles que me acompanharam. Desde logo a minha companheira de todas as aventuras de uma vida e cúmplice desta paixão de viajar, a minha mulher Ana Lúcia, a quem vou dedicar cada um dos textos e imagens que aqui venha a registar. Às minhas quatro filhas, nem sempre companheiras de viagem, mas sempre as principais fontes de inspiração, dedico também cada uma das memórias que aqui vou relatar.

Vou também escrever para quem me queira ler, quem queira conhecer os meus relatos, não apenas pela curiosidade mas também pela informação que vou tentar transmitir, tornando este Blogue numa espécie de guia de viagens. Não terei a preocupação de ser consensual nas escolhas que aqui vou relatar, pelo contrário, tentarei ser sempre fiel às viagens que fiz, tal como as fiz, sem quaisquer filtros, ainda que, em várias situações, um determinado destino ou uma determinada escolha não se tenham revelado como os mais favoráveis. O registo de viagens que aqui vou referir será necessariamente o meu, com a minha busca daquilo que mais gosto, da forma e no ritmo que entendi ser o mais adequado a cada situação e em cada local. Não existem fórmulas para que uma viagem cumpra o seu objetivo de nos encher a alma e nos fazer sentir vivos, por isso, cada um de vós, leitores, terá de seguir o seu próprio caminho e escolher o seu próprio ritmo, tal como eu e os meus parceiros de viagem, seguimos e escolhemos os nossos.

Antes de iniciar a escrita senti necessidade de organizar a forma de apresentação dos relatos de cada viagem, sabendo que algumas estão ainda bastante presentes e outras estão já muito distantes. Mas, para que esse efeito de memória, mais viva ou mais vaga, não se torne evidente na escrita, decidi recordar cada uma das viagens de forma totalmente aleatória. E será desta forma que serão publicados, pela ordem em que os vou escrevendo e não pela sua ordem cronológica.

Termino com a ligação a uma outra página, para quem pretenda uma visão mais instantânea de alguns lugares, sem entrar no detalhe que o formato da crónica impõe, recomendo também a ligação ao Blogue que criei recentemente com esse conceito mais light. Neste caso, e como o nome indica, a cada foto corresponderá apenas uma breve história ou descrição: 

(site em construção)


Carlos Prestes
Abril de 2015

José Carlos Prestes
Email
Canal Youtube
Instagram
Facebook
Engenheiro Civil e Professor no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

sexta-feira, 6 de março de 2026

Prestes a Partir - ÁSIA




     Tailândia
          - Bangkok e Krabi         

     Turquia
         Istambul

     Maldivas



Voltar à página inicial do Blog


Prestes a Partir - ÁFRICA



   Norte de África
   - Cidades de Marrocos
   - Praias e cidades da Tunísia

   Cabo Verde
   - Ilha da Boavista

   Moçambique
   - Província de Maputo
   - Gaza e Inhambane
   - Tete

   África do Sul e Swazilândia
    - No Kruger Park em safari
   - Cape Town


Voltar à página inicial do Blog


Prestes a Partir - EUROPA



A grande maioria das viagens que realizei ao longo de cerca de quarenta anos foram feitas pelo continente europeu, que percorri de Norte a Sul, visitando mais de trinta países, como se representa no mapa seguinte. Nestas viagens visitei várias vezes alguns destes países, cujas crónicas podem ser consultadas nos links que apresento na lista abaixo (embora, alguns deles estejam inativos, por estarem ainda por escrever).
 


   Itália
   França
   - Paris 
   - Disneyland
   - Córsega

   Espanha
   - Barcelona
   - Menorca
   - Ibiza
   - Maiorca
   - Pirenéus
   - Andorra - Valldnort
   - País Basco, Cantábria, Navarra e La Rioja
   - Outras Cidades do Norte (Aragão e Castela-Leon)

   Ilhas Britânicas
   - Inglaterra
   - Londres
   - República da Irlanda
   - Escócia

   Europa Central
    - Alemanha
    - Áustria
    - Bélgica
    - Luxemburgo
    - Amesterdão

Europa de Leste
     - Praga
     - Bratislava
     - Budapeste
     - Polónia

Escandinávia
      - Copenhaga
     - Estocolmo
     - Helsínquia
     - Noruega, dos fiordes ao sol da meia-noite

   Grécia
   - Atenas 
   - Ilhas Gregas

   Portugal
        - Açores
        - Madeira e Porto Santo
    - Algarve - Pelas praias do Barlavento ao Sotavento
        - Porto e Douro
        - Minho
        - Alentejo

      

Prestes a Partir - AMÉRICA


  
 Estados Unidos
   - New York
   - Florida
   - Costa Leste

   México
   - Cidade do México
   - Riviera Maia

   Brasil
   - Natal
   - Pernambuco e Alagoas

  Caraíbas
   - Cuba
   - Bahamas
   - República Dominicana


Voltar à página inicial do Blog


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Krabi


O Sul da Tailândia revelou-se um cenário perfeito para umas férias extraordinárias, onde a beleza natural e a aventura se cruzam a cada momento. Instalados em Ao Nang, o local mais turístico na região de Krabi, somos envolvidos por paisagens muito especiais e raras, com falésias calcárias imponentes que mergulham nas águas mornas e cristalinas que banham as praias de areia branca… oferecendo imagens que parecem saídas de um cartão-postal.


Ao longo da viagem, explorámos algumas das ilhas mais icónicas da região através de diferentes tours, cada um com a sua magia própria: desde o famoso passeio das quatro ilhas, passando pelas águas tranquilas e lagoas escondidas das ilhas Hong, até à emblemática ilha James Bond, com o seu cenário cinematográfico, e às vibrantes e paradisíacas ilhas Phi Phi, essas um bocado mais confusas…. cada dia trouxe sempre uma nova descoberta.

Entre mergulhos nas águas azul-turquesa, passeios de barco e momentos de puro relaxamento, esta viagem foi uma combinação perfeita de aventura, beleza natural e experiências memoráveis que ficarão para sempre na nossa memória.

Este conjunto de atrações que nos são oferecidas a partir da zona de Krabi, espalha-se geograficamente ao longo da imensa baía, que se forma entre as províncias de Phuket e Krabi, conforme se representa neste mapa:

Mas ainda antes de iniciarmos os vários tours às ilhas, passámos um primeiro dia junto a Ao Nang, onde ficava o nosso hotel, aproveitando a manhã para visitar a um dos santuários de elefantes que existem na Tailândia, e a tarde toda, na belíssima Praia de Railay.



Santuário de elefantes de Krabi

Este santuário de elefantes é muito mais do que uma simples atração, pois proporciona uma experiência profundamente imersiva na natureza e no contacto com estes animais impressionantes.
Reservámos um tour de meio-dia por 68 €/pessoa, o mais caro de todos os programas que experimentámos, mas também um dos mais marcantes em toda a viagem. Saímos numa van, que nos foi buscar ao hotel, e ao fim de menos de meia hora estávamos a chegar ao abrigo de elefantes de Ao Nang, uma infraestrutura que pode ser descrita como um exemplo claro da mudança de paradigma no turismo na Tailândia - passando da antiga forma de exploração destes animais para um modelo em que o mais importante é a sua proteção e reabilitação.

Trata-se de um espaço inserido num ambiente completamente natural, amplo e aberto, pensado para reproduzir, tanto quanto possível, o habitat natural dos elefantes. Em vez de recintos fechados ou espaços artificiais, o santuário privilegia áreas verdes, caminhos de terra, zonas de água e com charcas de lama, garantindo sempre espaços onde os animais podem circular livremente, socializar e expressar os seus comportamentos naturais.
A maioria dos elefantes que ali vivem não nasceu no santuário - foram resgatados de contextos, muitas vezes, adversos, como a indústria madeireira ou antigos campos turísticos onde eram usados para passeios ou espetáculos. Muitos são já idosos, tendo passado grande parte da vida a trabalhar. O santuário surge precisamente como resposta a uma questão crítica: o que acontece a estes animais quando deixam de ser úteis para a indústria? Aqui, encontram finalmente um espaço seguro para viver com dignidade.

Os cuidados prestados são centrados no bem-estar físico e emocional dos elefantes. Cada animal é acompanhado por tratadores experientes (os mahouts), que conhecem profundamente o seu comportamento e necessidades. A alimentação é adequada e, muitas vezes, preparada com a participação dos visitantes, existindo também acompanhamento veterinário, apoio hospitalar e práticas de gestão sustentável do espaço.

Ao chegarmos, o ambiente faz-se sentir de imediato: selva densa, trilhos de terra batida e um silêncio apenas interrompido pelos sons da natureza. Não há grades, nem palcos, nem qualquer sensação de espetáculo… os elefantes vivem em espaços amplos e andam completamente à vontade.

Durante a visita, o mais marcante é a proximidade, não só física, mas também emocional. Cria-se uma empatia entre as pessoas e os elefantes, que é curiosíssima, não sei se é uma coisa de cada um de nós, ou se é algo que vem do próprio animal, mas a verdade é que criámos uma proximidade preferencial sempre com a mesma elefanta, que praticamente nos adotou.

Ao chegarmos ao local somos recebidos pela equipa de tratadores, os tais mahouts, que nos contam a história interessantíssima deste refúgio, e da vida de cada um dos elefantes que ali estão.

Inicialmente preparam a interação com todos os cuidados, começando gradualmente e a medo, com a entrega de alguma comida, nesta fase apenas bananas ou cana-de-açúcar, que colocamos na tromba.
Mas ao fim de algum tempo e de vários contactos, já se quebrou o gelo e já conseguimos interagir com mais proximidade, chegando mesmo ao toque e até aos abraços apertados.

     
Depois do couvert, das bananas que lhes demos, iriamos agora preparar uma das refeições do dia com mais nutrientes, neste caso, uma mistura de banana esmagada à mão, com aveia e mais uma série de ingredientes, até fazer umas bolas apetitosas… pelo menos para eles, porque para nós, nem por isso.

Fomos de novo para perto dos nossos mais recentes amigos e, desta vez, demos-lhe as almondegas nutritivas que tínhamos acabado de preparar, e foi aí que conquistámos aqueles coraçõezinhos gigantes.

A seguir somos convidados a caminhar pelos trilhos, seguindo o percurso que os elefantes iam fazendo calmamente, até chegarmos perto de um pântano enlameado, onde estes paquidermes gostam de se espojar no lamaçal e, melhor ainda, gostam que as pessoas lhes esfreguem a pele com muita lama, numa espécie de tratamento SPA, que os faz sentir bem… e nós lá esfregámos.
A última atividade no abrigo foi quando entrámos num imenso lago para dar banho a estes senhores. Esfregámos aqueles lombos gigantes com uma escova e um baldinho para atirar água, metidos no charco com água até à cintura, até tirar toda a lama que eles tinham na pele.

Pelo meio, havia água para todo o lado, nós encharcados e eles claramente a curtir o momento e até faziam, de vez em quando, daquelas chuveiradas com a tromba, para atingir toda a gente. Não eram só os elefantes que estavam contentes, nós também nos divertimos bastante… no final, eles ficaram limpinhos e nós completamente encharcados… mas toda a gente saiu bem feliz.


Temos depois acesso a um chuveiro bastante razoável, para nos livrarmos dos vestígios da lama, e fizemos ainda um lanche que nos foi oferecido, e que incluía as habituais frutas tropicais devidamente descascadas, sempre muito apetitosas… e aproveitámos ainda para um último cumprimento, já em tom de despedida, à nossa elefanta favorita.

Ao fim da visita, fica-nos a certeza de que aquilo que torna este abrigo verdadeiramente especial é a sua essência ética. Aqui, não há lugar para exploração - apenas respeito. Os elefantes vivem ao seu ritmo, livres para se aproximar ou se afastar, enquanto nós, visitantes, nos limitamos a entrar com cuidado no seu mundo, acompanhando gestos simples e rotinas naturais.

Mais do que um lugar a visitar, este é um espaço que nos ensina. Uma lição silenciosa de equilíbrio entre o ser humano e a natureza, onde o contacto é quase empático, e acontece sem imposição, apenas com consciência e respeito.

Saímos com uma sensação difícil de traduzir em palavras - não foi apenas observar elefantes - mas sim sentir, por instantes, uma harmonia rara e genuína, numa experiência profunda que, para nós, se tornou completamente inesquecível.



Railay Beach

A zona urbana de Ao Nang, que mais à frente voltarei a referir, é o polo turístico de maior dimensão na zona de Krabi, que se trata de um conjunto de pequenos povoados, mas servida por um aeroporto, que fica a cerca de 25 km.

Ao Nang concentra grande parte dos hotéis, restaurantes, bares e lojas, desta zona turística, que se diferencia bastante do que encontramos, por exemplo, em Bangkok, aqui é muito menos típico, mais parecido com um qualquer outro espaço de concentração turística.

Ao Nang destaca-se sobretudo pela sua bela baía, com areia branca, rochedos ao fundo, e os típicos barcos de cauda longa, parados à beira-mar.

Mas como não há bela sem senão, esta praia não é suficiente limpa para que se possa tomar banho – basta pensar um pouco e entendemos logo que o esgoto de todo este aglomerado só poderia ir maioritariamente para o mar… e confirmámos isso, depois de uma noite de chuva, em que as ribeiras ficaram sujas, parecendo esgoto a céu-aberto. Por isso, apesar de alguns turistas fazerem ali praia, nós não o quisemos fazer… de todo. Aliás, basta a olhar para a areia junto aos barcos para perceber que não é de uma praia limpa.

Assim sendo, a praia mais próxima - embora a uma distância de segurança, para evitar a conspurcação da águas – é a Railay Beach.
Para chegarmos a esta praia vamos ter de comprar um bilhete de ida e volta num dos quiosques na marginal, que custa 200 bath, cerca de 5 euros. Depois entramos num dos tradicionais barcos de cauda-longa e podemos passar todo o dia numa praia realmente deslumbrante, mas só até às 18h, que é quando saem de lá os últimos barcos do dia.

A baía de Railay faz parte de uma península, mas apesar de estar ligada ao continente, não tem qualquer acesso por estrada, chega-se apenas de barco, como se fosse um refúgio escondido do mundo. Entre alguns resorts discretamente integrados na paisagem e algumas praias de areia branca e águas quentes, toda a envolvente é altamente convidativa.

A principal praia é a Railay Beach, ponto de chegada para os barcos de cauda longa que partem continuamente de Ao Nang, num vaivem permanente. É ali que a baía se revela pela primeira vez, com toda a sua imponência.
A Railay Beach é o melhor lugar da zona de Krabi para aproveitarmos uma boa praia. Ali não encontramos a típica fileira de chapéus de sol - normalmente os turistas não trazem estes acessórios - por isso, aquilo que mais se vê são toalhas estendidas diretamente na areia, algumas à sombra generosa das árvores, como pequenos refúgios improvisados. Mas muito cuidado, que aquele sol é fortíssimo e queima a sério, por isso, para além do protetor 50, que é obrigatório, o melhor mesmo é passar a maior parte do tempo dentro de água, e de chapéu na cabeça.

Mas estar naquela água é mesmo o melhor que estas praias têm para oferecer… morna e transparente, de onde não apetece sair. Não sei ao certo a temperatura, mas anda seguramente ali perto dos 28º. No fundo, mais do que a areia ou a paisagem, é ali, dentro de água, que estas praias revelam o seu melhor.


Mais adiante, já a pé, é possível atravessar – embora com grande dificuldade – os trilhos estreitos e sinuosos que serpenteiam pela floresta que cobre o rochedo que separa a praia principal da Tonsai Beach, mais tranquila, quase como um segredo guardado entre falésias.

Apesar da existência de um pequeno resort, esta praia é bastante natural, rodeada por falésias rochosas muito verdes, devido a uma vegetação densa, terminando numa floresta de coqueiros, já perto do areal… com um ambiente muito selvagem e natural, que leva a que seja muito apreciada por escaladores e viajantes independentes, fora dos tours.

No difícil regresso à praia de Railay, voltámos a escalar o sopé das falésias calcárias que são a imagem de marca de todas estas praias – enormes e quase verticais, erguendo-se de forma dramática ao redor da baía. No extremo da Railay Beach, destaca-se um rochedo de forma pontiaguda, quase escultórico, que assinala o fim de toda esta baía.


Do outro lado da península encontra-se a Phra Nang Beach, igualmente deslumbrante, acessível por uma caminhada de pouco mais de um quilómetro. Não a visitámos neste momento, pois ficou guardada para mais tarde, já que faria parte de um dos passeios dos dias seguintes.


Railay não é apenas uma praia muito boa, é também a única da qual podemos desfrutar a nosso bel-prazer, sem a pressão dos tours que nos levam às restantes praias que iremos visitar nos próximos dias. Aqui podemos usufruir verdadeiramente de uma praia paradisíaca e apreciar a sua principal atração, a água morna e transparente… num recorte de natureza onde o tempo parece parar, e nos faz sentir algo realmente especial.



As quatro ilhas

Ao segundo dia em Krabi fizemos um dos percursos mais populares nesta zona da Tailândia, que nos leva a visitar as chamadas quatro ilhas. Esta viagem custou 34€/pessoa no GetYourGuide, com recolha no hotel, passeio num barco de cauda longa, equipamento para usarmos numa paragem para snorkeling e um almoço com comida típica tailandesa, e ainda água engarrafada e fruta para o lanche… tudo isto durante cerca de seis horas.

van que nos apanhou no hotel levou-nos até ao porto principal de Ao Nang, um braço de mar natural que serve de marina.
A visita às quatro ilhas na região de Krabi foi, sem dúvida, um dos pontos altos desta viagem, combinando paisagens deslumbrantes, praias paradisíacas e experiências únicas no mar.


East Railay Bay

Começou com a chegada à península de Railay, a mesma onde tínhamos estado ontem, mas seguindo para o lado oposto, na East Railay Bay, onde passámos pelas grandes falésias calcárias que se elevam do mar, cobertas de vegetação tropical e criando um cenário dramático e ao mesmo tempo tranquilo. Aliás, estes maciços são mesmo uma parte da atração turística destas baías, pois oferecem ótimas condições para se fazer escalada, que é muito procurada pelos visitantes. Existem vias para todos os níveis, desde iniciantes a escaladores experientes, e é comum encontrar escolas que organizam experiências com instrutores. A rocha tem boa aderência e muitos apoios naturais, o que torna a escalada acessível e segura.

Quem subir as paredes destes rochedos com vista para o mar e para toda a vegetação tropical da envolvente, certamente vai ter uma experiência memorável… mas não foi o nosso caso, que nos limitámos a observar cá de baixo, com os pés bem assentes na terra.

A East Railay Bay é uma bela baía onde o barco fez a sua primeira paragem. Aqui, o mar é calmo, quase sem ondulação, mas a paisagem não é dominada por areais extensos, em vez disso, a linha de costa é marcada pela concentração de coqueiros, e por zonas de mangal e lamaçais, que se tornam mais visíveis durante a maré baixa, dando à baía um aspeto natural e intocado.

As águas têm tons mais escuros, reflexo da vegetação e do fundo lodoso, contrastando com o azul-turquesa típico de outras praias da região, o que faz com que esta zona não seja nada apetecível para banhos.

Ao longo do espelho de água é comum ver barcos de cauda longa ancorados ou a chegar lentamente, reforçando a sensação de autenticidade e formando um belíssimo enquadramento com a paisagem da costa.



Phra Nang Beach

A partir daí, seguimos caminhando por trilhos rodeados de vegetação densa até alcançar a incrível Phra Nang Beach. Esta praia é simplesmente fantástica, com águas mornas e cristalinas que convidam imediatamente a mergulhos relaxantes num cenário quase idílico. Ficámos por aí algum tempo, sempre dentro de água… que sol temos nós muito cá na nossa terra.

De regresso ao barco, seguimos viagem passando junto à belíssima Ko Poda Beach, que ficaria guardada para mais tarde, mas deixou-nos, desde já, com água na boca.


Tub Islands

O próximo destino estava logo ali à frente, as fascinantes Tub Islands, provavelmente o ponto mais marcante de todo o percurso. Trata-se de um autêntico cartão-postal tropical, formado por uma pequena língua de areia que liga estas duas ilhotas em pleno mar.

É das coisas mais belas que podem ser encontradas na Tailândia… areia branca e águas mornas com tons azul-turquesa, pouco profundas e cristalinas, ideais para relaxar, e à volta, ilhas cobertas por vegetação verde e barcos de cauda longa, completam um cenário simples, mas absolutamente deslumbrante.

Este areal e estas águas magníficas formam um cenário de uma beleza que é difícil de descrever, e foi, sem dúvida, um dos locais mais impressionantes de toda esta viagem ao Sul da Tailândia.

Apenas uma pequena língua de areia fina e tão branca que quase encandeia, emerge por entre as águas mornas e cristalinas, num convite que não recusámos, para mais uns mergulhos demorados, sempre deslumbrados por estas paisagens inacreditáveis.

Em frente às Tub Islands fica a Ko Po Da Nok, uma pequena ilha que pode ser alcançada a pé quando a maré está baixa, graças a um banco de areia que emerge. Embora, no momento da visita, a maré não estivesse totalmente vazia, ainda era possível ver alguns visitantes a tentar a travessia, caminhando com a água pelas pernas, num equilíbrio curioso entre mar e terra.
Antes de partirmos para outra paragem, fica um último olhar, em tom de despedida, deste pequeno recanto que nos encantou.


Chicken Island

A experiência seguinte levou-nos a explorar o fundo do mar num spot de snorkeling próximo da Chicken Island. À volta de um maciço de coral, mergulhámos num autêntico aquário natural - apesar de não haver peixes de grande porte, como nos mergulhos com garrafa - aqui, a abundância de pequenos peixes coloridos cria um espetáculo fascinante. Desde o primeiro instante, somos rodeados por dezenas deles, que nos acompanham durante todo o percurso.

Entre os momentos mais especiais, destacou-se o encontro com uma anémona onde viviam dois peixes-palhaço - dignos de um filme que todos conhecemos - e a inesperada aparição de um pequeno tubarão da espécie black tip. Apesar de inofensivo, dentro de água parece bem maior, e causou algum susto. A Marta estava pouco à vontade no seu batismo de mergulho, e até incomodada com a proximidade dos peixes pequenos… e foi ela quem primeiro viu o tubarão, imaginem o susto!

No final deste emocionante mergulho, passámos ainda junto à Chicken Island, cujo nome se torna óbvio ao observar o seu perfil: a formação rochosa lembra claramente o pescoço de uma galinha.



Ko Poda Island

A última paragem foi na Ko Poda Island… e se há lugares que parecem inventados pela mão do divino, esta ilha será certamente um deles.

As rochas calcárias, moldadas por séculos de vento e sal, erguem-se como sentinelas quietas, observando o vai-vem da maré. À distância, parecem proteger a ilha, como se soubessem que aquele pedaço de mundo não pertence inteiramente à realidade, mas a algo mais delicado, mais raro.

Ali, o tempo vai-se dissolvendo e apetece-nos ir ficando, se possível ficar por lá até nos cansarmos, dormindo cada noite de luar e acordando sempre neste pedaço de céu… mas, infelizmente – ou felizmente – não há quaisquer alojamentos nesta ilha, e ao final do dia todos a abandonam, deixando este lugar numa quietude absoluta, sem humanos que o possam testemunhar.

O coração da ilha é sombreado por uma intensa vegetação tropical, rodeada por uma língua de areia branca e águas que oscilam entre o verde-esmeralda e um azul impossível. Foi nessa floresta acolhedora, onde pontuam algumas mesas e bancos, que nos serviram um almoço típico tailandês, com vários pratos para degustação e terminando, como sempre, com frutas suculentas e doces, previamente descascadas.

O restante tempo foi passado a aproveitar as praias. De um lado, encontrava-se a zona mais frequentada, perfeita para banhos e descanso.

Mas foi do lado onde os barcos atracam que se revelaram as paisagens mais impressionantes: menos gente, mais tranquilidade e uma vista privilegiada para a Ko Ma Tang Ming, mais um daqueles imponentes rochedos verticais que parecem nascer diretamente do mar. Este cenário, combinado com os tradicionais barcos de cauda longa e as águas de um azul-turquesa intenso, cria uma imagem perfeita e digna de um postal.
Foi um dia verdadeiramente memorável, repleto de instantes únicos que se foram revelando a cada paragem, como pequenos tesouros inesperados. Em cada recanto, a natureza parecia reinventar-se, confirmando a magia quase intocada desta região da Tailândia.


No fim, levamos connosco mais do que estas belas imagens que as fotos eternizam, fica também uma sensação de incredibilidade, como se tivéssemos tocado algo raro e efémero… lugares tão deslumbrantes que desafiam a própria realidade, deixando-nos com a certeza de que certos níveis de beleza, já não se explicam, apenas se sentem.



Ilhas Hong

A visita às ilhas Hong foi mais um dos momentos marcantes desta viagem à Tailândia. O tour que reservámos incluía o transfere do hotel, o passeio de barco e o almoço, que foi servido numa das ilhas, para além das habituais águas, fruta descascada para o lanche e o equipamento de snorkeling, tudo isso por cerca de 40€/pessoa.

Desta vez, não fomos de barco de cauda longa, mas sim de lancha rápida, para não perdermos muito tempo nos percursos. Numa lancha destas, podemos tentar ficar nos lugares ao ar livre, que ficam à frente, o que recomendo, mas há que ter cuidado e usar sempre protetor solar.


Ko Hong Island

Ao nos aproximarmos do arquipélago das ilhas Hong, começámos pela Ko Hong Island, onde a paisagem tropical nos impressiona pela sua beleza intocada, onde dominam, uma vez mais, as grandes falésias calcárias, cobertas de vegetação densa.
Nesta ilha começámos por atravessar o estreito Koh Hong Canal, que dá acesso à deslumbrante Hong Lagoon. Este percurso é, por si só, uma experiência especial, ao atravessarmos um canal que rasga as formações rochosas que se erguerem abruptamente de ambos os lados, dando a sensação de estarmos a entrar numa passagem secreta para um cenário que esperamos ser paradisíaco. Mas a verdade é um bocado diferente - nem a entrada é secreta, pois fazem-se filas de barcos para entrar e sair, nem a lagoa é assim tão paradisíaca, embora seja bastante bonita.
Já no interior, permanecemos algum tempo sempre dentro do barco, que foi rodeando calmamente as margens, permitindo-nos apreciar cada detalhe da paisagem. As águas verdes e cristalinas, que contrastam com as encostas cobertas de vegetação densa, criam um ambiente sereno e de grande beleza.
No final, aproveitámos para tirar a fotografia da praxe, um simples registo, mas essencial para provar que ali estivemos e para ajudar a guardar na memória toda a experiência que ali vivemos.
No trajeto seguinte, contornámos a ilha até chegarmos ao lado oposto, onde o barco ancorou num pequeno pier, meio improvisado, junto à Ko Hong Beach, ao pé do qual encontrámos vários barcos de cauda longa que aguardavam pelo regresso dos seus passageiros.
Saímos do barco e fomos entrando numa paisagem de floresta tropical, rodeada por areia branca e águas calmas, de um intenso azul-turquesa - o típico desta zona da Tailândia, como se fosse só mais um dia normal - uma vez mais, um verdadeiro cenário de cartão-postal.

Para além das paisagens fantásticas, temos também as águas mornas e um clima de tranquilidade que nos envolve e do qual podemos usufruir. E usufruímos… ficámos por ali algum tempo, a aproveitar cada momento, explorando, não só a praia, mas também o fundo do mar, numa zona rica em corais, usando o equipamento de snorkeling que nos foi dado.

Quem nos conhece sabe bem que a nossa atividade neste tipo de praias de água quentinha é um bocado monótona - permanecemos de molho, ora de máscaras a espreitar o fundo, ora simplesmente a existir, sem pressas, e por ali nos deixamos ficar até que a pele fique engelhada.

Durante o tempo que passámos nesta praia, e sempre que conseguíamos sair da água, ainda aproveitámos para uns pequenos períodos de banhos de sol, e deu também para percorrer de lés-a-lés as duas baías que ali se formam, sempre com as bonitas paisagens a acompanhar-nos.

Durante a nossa estadia, aproveitámos ainda para escalar uma imensa escadaria que nos levou a vários pontos de observação no alto de um dos penhascos. Nestes miradouros, que atingimos a duras penas, temos uma visão privilegiada da envolvente, anunciada como um View Point 360º… e, de facto, à medida que avançamos, vão-se revelando diferentes perspectivas: ora sobre a própria Ko Hong Beach, ora sobre o mar, matizado em tons de azul infinito e salpicado pelas ilhas deste arquipélago.



Koh Pakbia

O próximo percurso de barco levou-nos até à praia da ilha de Koh Pakbia, um pequeno banco de areia com rochedos e corais, de um lado e de outro, e com águas muito apetecíveis e sempre mornas, E talvez fosse o calor que nos acompanha, sempre húmido, ou talvez seja o convite silencioso que nos é feito pelas águas - mas a verdade é que não resistimos e voltámos a mergulhar… parece quase doentio. Aquele gesto simples, quase automático, de entrar no mar como quem regressa a um lugar que nos é familiar, está a tornar-se uma constante aqui na Tailândia.

À nossa frente, como parte integrante deste cenário quase irreal, ergue-se a Rai Island. Não é apenas um pano de fundo - é uma presença constante, moldando a paisagem e dando-lhe profundidade, com as suas formas recortadas, cobertas de vegetação, que combinam com a imagem do mar, aqui também esverdeado, formando um quadro que parece ter sido cuidadosamente desenhado.


Rai Island

A última paragem do dia aconteceu na Lading Beach, a praia da ilha Rai. A Rai Island é mais uma das belas ilhas do arquipélago das Hong, algo semelhante às restantes ilhas que visitámos durante o dia. Vista do mar, destaca-se pelas suas encostas calcárias cobertas de vegetação densa, que descem abruptamente até à água, criando um contraste bonito com os tons claros e transparentes do mar.
A sua praia principal, a Lading Beach, mantém essa mesma simplicidade natural, não é uma praia de grandes dimensões nem tem grandes infraestruturas, mas é precisamente isso que lhe dá carácter. A areia clara, a água calma e a relativa tranquilidade fazem dela um bom ponto de paragem para finalizarmos este belíssimo dia.
É o tipo de lugar que se saboreia devagar, sem pressa nem intenção de partir. Um refúgio perfeito para mais uma pausa entre mergulhos - que nunca nos cansam - e para deixar que o olhar se perca ao redor da paisagem.

Ali, não há propriamente nada para fazer… e ainda bem. Resta-nos o essencial, que é estender o corpo ao sol, sobre a areia morna, ou ficar de molho naquelas águas irresistíveis, enquanto o tempo parece ficar suspenso.

A praia de Lading Beach, tal como a maioria das praias por onde passámos ao longo deste dia, segue a mesma tendência: um ambiente resguardado, de areia clara, mar calmo e vegetação densa, compondo um cenário íntimo que nos convida a ficar - nem que seja só mais um pouco - a absorver cada detalhe, antes de seguir de viagem.



Ilha James Bond e Ko Panyi

Neste dia participámos numa viagem que é algo diferente do que é habitual aqui em Krabi, percorrendo a baía Phang Nga, e chegando até à chamada Ilha James Bond.

Desde logo, em vez de sairmos de barco, começámos numa van, que nos levou por cerca de uma hora e meia até ao ponto de início da atividade. Este tour, também encomendado no GetYourGuide, custou cerca de 54 €/pessoa, com almoço incluído, para além de todo o percurso, de van, de barco e até um passeio de kayak, que aqui vou descrever, e que durou em torno de 9 horas.


Phang Nga Bay

Na primeira paragem, no Surakul Pier, mudámos da van para um barco, uma espécie semelhante aos de cauda longa, mas maiores e com pinturas decorativas no casco… são os tradicionais long-tail boats tailandeses.

À medida que o barco deixa o cais, a paisagem transforma-se rapidamente. O percurso inicia-se por canais estreitos que serpenteiam pelos mangais, criando uma sensação de imersão total na natureza. As águas calmas refletem o verde denso das árvores, enquanto as raízes expostas formam padrões quase esculturais ao longo das margens.
À medida que o barco avança, o cenário abre-se gradualmente e revela que aqui também existem os icónicos e imponentes penhascos calcários que se erguem abruptamente do mar. Estas formações, moldadas ao longo de milhares de anos, criam um contraste impressionante com a serenidade das águas e a suavidade dos mangais.

O percurso é simultaneamente tranquilo e surpreendente - ora mais íntimo, na zona dos canais estreitos, ora grandioso, quando se entra nas áreas mais abertas da baía. É comum avistar pequenas grutas, enseadas escondidas e até vida selvagem, como aves exóticas e peixes que saltam nas águas pouco profundas.


Lot Cave

A paragem seguinte ocorre junto a uma das atrações da baía, conhecida como Lot Cave. Aqui, em torno de uma ilha formada por imponentes rochedos calcários, abre-se um verdadeiro labirinto natural de grutas e estreitos canais que conduzem a lagoas escondidas, criando um cenário simultaneamente misterioso e curioso.
O barco em que seguimos abranda e atraca numa das plataformas flutuantes existentes no local. A partir daí, a experiência torna-se ainda mais imersiva: somos encaminhados para pequenos kayaks, conduzidos por guias locais experientes, que nos levam a explorar este intricado sistema de grutas e lagoas. À medida que avançamos, muitas vezes através de passagens estreitas e sob tetos rochosos baixos, entramos em espaços resguardados e silenciosos, onde a luz natural se reflete nas águas calmas e revela toda a beleza escondida no interior destas formações calcárias.




James Bond island

A visita à famosa Ilha James Bond constitui um dos pontos altos do percurso pela baía de Phang Nga. Conhecida mundialmente após a sua aparição no filme The Man with the Golden Gun, esta ilha - cujo nome original é Koh Tapu - destaca-se pelo icónico pináculo calcário que se ergue verticalmente do mar, criando uma imagem cinematográfica imediatamente reconhecível.
A chegada faz-se pela ilha vizinha, a Khao Phing Kan, onde existe um pequeno cais que serve de ponto de desembarque. Este local está cheio de grutas, que os turistas gostam de visitar, mas o seu ponto alto é a pequena baía onde se forma uma praia, de onde temos o primeiro contacto com a vista da Ilha James Bond.

Apesar de não termos ainda dado um mergulho durante toda esta manhã, não nos apeteceu entrar nas águas desta baía. A verdade é que, pela proximidade dos mangais e de toda a rede de canais, as águas nesta baía são de um verde acastanhado, e bastante turvas – nada a ver com as águas transparentes das outras ilhas visitadas nos dias anteriores – e por isso, não são nada apetecíveis.
Nesta praia há sempre quem leve a coisa muito a sério, e recrie o famoso duelo de The Man with the Golden Gun, com direito a poses dramáticas e pistolas douradas - que os guias distribuem para alimentar a palhaçada.

Entre os Roger Moore improvisados e os vilões de ocasião, o cenário natural dá lugar a um pequeno teatrinho ao ar livre p’ra fotografia. Nós, claro, ficámos no papel mais digno: não alinhámos na fantochada.

Ao passarmos pela praia é possível caminhar por trilhos curtos que conduzem a diferentes perspectivas sobre o famoso rochedo, onde podemos fazer as nossas selfies, para a posteridade, bem como explorar pequenas enseadas, de onde nos oferecem as vistas de outras zonas da baía, também muito verdes e com os habituais penhascos.

De novo junto ao ancorador, existem algumas infraestruturas de apoio - como bancas de souvenirs e áreas de descanso - que tornam a visita mais acessível, embora menos selvagem do que noutras zonas da baía… sobretudo num pequeno trilho que nos conduz a um patamar elevado, de onde a vista sobre o icónico rochedo de James Bond é ainda mais vistosa.


Ko Panyi Island

No próximo trajeto seguimos para a Ko Panyi Island onde se encontra uma aldeia lacustre. Já tinha tropeçado na fotografia desta ilha, mas quase sempre vista de cima, tirada de um avião ou de um drone. Essa imagem é, de facto, fantástica, e revela-se como um cenário quase irreal: uma pequena comunidade inteiramente construída sobre estacas, que parece flutuar sobre as águas calmas da baía.

Do alto, percebe-se claramente a organização compacta das casas de madeira, interligadas por passadiços estreitos, formando um autêntico labirinto sobre o mar… onde se destaca a Mesquita, com as suas cúpulas douradas, que fica encostada ao grande rochedo, que parece servir de apoio a toda a aldeia.

Apesar de não ter levado qualquer drone, não deixo de incluir aqui a belíssima imagem aérea, retirada da net, desta ilha onde passámos um par de horas.
Ao chegarmos de barco, a Ko Panyi surge como um lugar que revela o equilíbrio entre a mão humana e a natureza - uma aldeia que parece flutuar, suspensa entre o mar tranquilo e os imponentes penhascos calcários que a envolvem.

A Ko Panyi nasceu como uma aldeia piscatória, inteiramente construída sobre estacas, onde uma malha de passadiços de madeira permite organizar o quotidiano numa cadência própria, marcada também pelos hábitos da religião muçulmana, aqui predominante.

Com o tempo, porém, o turismo passou a moldar profundamente o modo de vida local: surgiram restaurantes que recebem as embarcações - como aquele onde almoçámos - e um conjunto de lojas que ocupam agora grande parte dos corredores que se formam entre as casas, e que funcionam simultaneamente como ruas e como mercado.


As casas, típicas palafitas que recordam as aldeias lacustres aprendidas nos livros da escola, apresentam-se pobres e frágeis, quase no limite da estabilidade, pelo menos ao olhar de quem chega de fora. Ainda assim, a vida parece decorrer com naturalidade, como se essa aparente precariedade fizesse parte do equilíbrio do lugar.

Entre os elementos mais inesperados que ali se encontram, destaca-se o campo de futebol flutuante: uma infraestrutura quase improvável, formando uma mancha colorida com forte impacto visual. Mais do que uma curiosidade, este “estádio” é um símbolo do engenho e da adaptação desta comunidade ao espaço limitado de que dispõe. Onde não há terra firme, constrói-se numa plataforma flutuante - e até o futebol, paixão universal, encontra aqui o seu lugar.

Ainda assim, admito que uma partida de futebol neste campo não seja nada confortável, para quem joga e também para o mergulhador de serviço que ficar de apanha-bolas.
Ao nos afastarmos da aldeia, fixamos a paisagem por uma última vez, com o grande penhasco que a parece proteger dos perigos terrenos, e a mesquita, o seu coração espiritual, que certamente a defenderá dos males que afligem da alma.

Uma última imagem que traduz as bases de vida desta comunidade tão inusitada… e que convida mais a uma reflexão do que a grandes explicações.


Wat Tham

No percurso seguinte o barco leva-nos de novo até ao continente, e votámos à nossa van para fazer as restantes visitas do dia, começando por um templo muito especial que aqui se encontra, na província de Phang Nga.

O Suwan Khuha Temple, ou Wat Tham, em tailandês, é também conhecido como “Templo da Caverna”, e é um importante espaço espiritual, que fica localizado no interior de imensa gruta calcária. A caverna é ampla e silenciosa, o que cria um ambiente natural de recolhimento e contemplação, que sentimos logo que ali entramos.
No seu interior destacam-se várias estátuas de Buda, sendo a mais emblemática a do Buda reclinado gigante, símbolo de serenidade e da passagem para o nirvana. Existem ainda outras imagens em diferentes posições, representando momentos da vida e ensinamentos de Buda.

No exterior, junto à entrada da caverna, vive uma numerosa comunidade de macacos, que se tornou uma atração adicional para os visitantes, que compram comida para os atrair - embora seja recomendável manter alguma cautela ao interagir com estes bichos, não são nada confiáveis, têm demasiados tiques dos humanos… nada a ver com cães, e diria até, elefantes, em quem podemos confiar.

De qualquer forma, mesmo sem termos alimentado os macacos que por ali andam, não deixámos de os observar a uma certa distância de segurança… aproveitando todo o potencial deste local: onde a natureza, a espiritualidade e a vida selvagem coexistem de forma singular.



Namtok Raman Forest Park

Este parque revela-se como um refúgio natural, onde uma cascata se deixa envolver por uma densa floresta tropical. Ao longo de trilhos e passadiços acessíveis, somos convidados a abrandar o ritmo e a mergulhar num ambiente de quietude, marcado pelo som constante da água e pela presença de uma vegetação exuberante. Em certos pontos, é possível nadar em zonas seguras, tornando a experiência ainda mais sensorial.

Longe das multidões, este é um lugar de autenticidade e contemplação, onde a paisagem natural harmoniza com alguns vestígios humanos - pequenas casas e pontes - criando um cenário íntimo e profundamente tranquilo.

Porém, as águas da cascata nem sempre formam a imagem exuberante que encontramos nos folhetos turísticos, que refletem a época das chuvas, quando o rio é muito mais abundante. Nesta altura, encontrámos um local interessante, sobretudo pelo ambiente tropical e a envolvente da cascata, mas não tanto pela possibilidade de nadarmos nas piscinas naturais que se vão formando… aliás, só um louco entraria numa água fria, quando estamos numa zona rodeada por um mar de 28º.

Esta não é, de todo, uma das viagens imprescindíveis na região de Krabi - não oferece as clássicas praias de águas cristalinas e areias brancas de coral que definem o imaginário local. Ainda assim, revela-se um percurso profundamente enriquecedor, pontuado por lugares singulares e inesperados.

À medida que a tarde se dissolve, despedimo-nos da província de Phang Nga, levando connosco as paisagens mais marcantes deste dia - algumas quase irreais, como a forma insólita da James Bond Island, erguendo-se solitária sobre águas serenas, ou a vida suspensa sobre o mar na aldeia lacustre de Ko Panyi.

E, já sob a luz suave do entardecer, a jornada conduz-nos ainda a um templo e a uma floresta tropical - cenários que convidam naturalmente ao silêncio, à reflexão e à contemplação. Talvez seja precisamente aí, mais do que nas praias que habitualmente nos encantam, que reside a essência desta experiência… numa beleza mais discreta, mas profundamente sentida.



Ilhas Phi Phi

Faltava-nos uma última viagem pelas ilhas da baía que se forma entre Krabi e Puket, e tínhamos guardado o melhor destino para o fim, ou seja, aquele que achávamos que iria ser o melhor, o arquipélago das Phi Phi… mas, na verdade, não seria bem assim.

Voltámos a reservar com o GetYourGuide, uma viagem organizada pelo operador local Sea Eagle - com quem já tínhamos viajado noutros percursos. (Abro aqui um parêntese para registar que, sabendo previamente da existência deste operador, Sea Eagle, ainda ensaiei fazer as reservas diretamente no respetivo site, mas os preços eram exatamente iguais aos do GYG, e nesses podemos sempre cancelar até 24h da atividade).

Esta viagem custou-nos 41 €/pessoa, durante sete horas, numa lancha rápida, e incluía o almoço e as outras coisas do costume – água, fruta e máscaras para snorkeling.


Pi Leh Bay

Ao fim de um pouco menos de uma hora a visita começa na Pi Leh Bay, uma lagoa impressionante, rodeada por falésias calcárias, onde a água calma e de cor esmeralda, convida a nadar e a tirar muitas fotografias.

Aqui, dão-nos a opção de passarmos para um barco de cauda longa, para podermos explorar a baía, o que fica limitado se permanecermos na lancha, que fica parada no mesmo lugar, junto a outros barcos, enquanto podemos apenas nadar.
Assim, optámos por pagar os 300 Bath por pessoa, cerca de 7 €, e passámos para um barco de madeira no qual fomos percorrendo esta baía apreciando alguns dos recantos mais bonitos e com a possibilidade de darmos uns mergulhos logo na pequena praia que ali se encontra.
Depois podemos também aproveitar o belíssimo enquadramento da baía, e também dos próprios barcos, para fazermos um tipo de fotografias que são imagens de marca das Phi Phi e mesmo da Tailândia… mas só para os mais fotogénicos.


A paragem seguinte deste barco foi junto a uma zona de mergulho, onde fizemos snorkeling, num mar tão azul por fora e tão transparente quando o vimos lá do fundo. Voltámos a ficar maravilhados com as bonitas imagens dos peixes e corais que vamos encontrando, desta vez, com vários peixes papagaio, bastante coloridos, e até algumas Dory’s, recordando-nos o Finding Nemo, uma das vedetas da Disney.



A zona de snorkeling ficava perto da chamada Viking Cave, uma gruta aberta nas falésias calcárias. Não é um local muito marcante para os visitantes, mas é algo que é referenciado pelos guias, dizem que a alusão aos navegadores escandinavos vem de antigos desenhos nas paredes destas cavernas, que foram identificados como barcos, mas o principal interesse hoje é outro: é que a gruta é usada para a recolha de ninhos de andorinhas-do-mar, muito valiosos na Ásia para a gastronomia (não sei que comida fazem com estes ninhos, mas eles falam daquilo com entusiasmo). Por isso, não é visitável por dentro, os barcos apenas param à entrada para observar… e nós fizemos o mesmo, mas reconheço que não é nada particularmente interessante.
Para terminar este percurso no barco de cauda longa damos mais umas voltinhas e tiramos mais umas fotos giríssimas - que não me canso de publicar.


Maya Bay

Este é um daqueles destinos que parecem saídos diretamente de um postal - ou, mais precisamente, de um filme – pois foi ali que foram rodadas várias cenas do filme The Beach, o que ajudou a catapultar este pequeno paraíso tailandês para a fama mundial, ao mesmo tempo que consolidava a carreira de Leonardo DiCaprio como um dos grandes nomes de Hollywood.

Mas a praia que encontramos nesta baía - muitas vezes descrita como “uma das melhores praias do mundo” - acaba por ser um lugar pouco acessível e foi transformada numa espécie de Disneyland tropical. Ainda assim, e apesar de toda a logística e restrições, há algo inegavelmente especial neste lugar: a sua beleza natural continua lá, intacta o suficiente para justificar cada expectativa.
Localizada na ilha de Ko Phi Phi Leh, a baía é rodeada por imponentes falésias de calcário cobertas de vegetação tropical – mas, nesta altura, até já podemos dizer que é algo comum nestas paragens – neste caso, criando uma espécie de anfiteatro natural que protege as suas águas calmas e cristalinas. A areia é incrivelmente branca e fina, contrastando com os tons turquesa do mar, num cenário que parece quase irreal – lá está, podia ser mesmo a melhor praia do mundo.
Mas… e neste caso é um grande “mas”, durante muitos anos, a Maya Bay sofreu com o impacto do turismo em massa, como resultado da sua aparição no filme de DiCaprio, que divulgou a todo o mundo a existência deste paraíso. Assim, chegou a receber milhares de visitantes por dia, o que acabou por degradar significativamente os ecossistemas locais, especialmente os recifes de coral. Em resposta, o governo tailandês tomou uma decisão histórica em 2018: fechar a baía ao público para permitir a sua recuperação ambiental.

Após um período de regeneração, Maya Bay reabriu em 2022 com regras muito mais rigorosas, e continua a fechar nos meses de julho e agosto. Hoje, o acesso é limitado, os barcos já não podem entrar diretamente na baía e os visitantes devem seguir normas estritas para preservar este ecossistema frágil. Este novo modelo de turismo sustentável tem permitido que a natureza recupere gradualmente, devolvendo à baía parte da sua beleza original… e permitindo que algumas espécies ali possam nidificar, como é o caso do tubarão black tip.

Atualmente, visitar a Maya Bay é uma experiência diferente, mais controlada e também mais consciente, para quem valoriza destinos naturais e quer viajar com responsabilidade.

Assim, os barcos acumulam-se fora da baía, e vão fazendo fila para descarregar os seus passageiros num pequeno pier que dá acesso à ilha. Os turistas vão chegando nos vários barcos e seguem em fila indiana sobre os passadiços de madeira que garantem o acesso até à praia… e tudo isto é feito de uma forma tão mecânica e sem espaço para qualquer espontaneidade, que parecemos seguir o roteiro de atividades de um qualquer parque de diversões… lá está a Disneyland a manifestar-se.

Um pouco mais à frente conseguimos ver, pela primeira vez, a baía do filme A Praia, mas, certamente, com o areal repleto de gente. E esta é outra das medidas de proteção que foi implementada, ninguém pode tomar banho – que pecado, uma praia linda de morrer, a água quentinha, e não se pode nadar, é maldade – mas é assim mesmo que diz a lei. Então vê-se toda a gente a molhar os pés, e os vigilantes de megafone em riste sempre a gritar para não deixar que a água chegue até aos joelhos.

Esta primeira imagem da praia é um bocado estranha, com toda a gente a olhar para o mar, mas sem a poder entrar, só fotografias sem qualquer interação com o espaço.

Um pouco mais à frente, chegamos ao areal, onde podemos molhar os pés enquanto percorremos toda a baía. Aproveitamos também algumas abertas para tirar fotografias - algumas em modo “influencer”, outras simplesmente para registar a paisagem que ali se revela. O dia não estava totalmente soalheiro, mas ainda assim o mar mantinha o seu habitual tom azul-turquesa, enquanto os penhascos exibiam o verde vivo da sua vegetação.




Ko Phi Phi Don

O barco seguiu depois até à Ko Phi Phi Don, a principal ilha do arquipélago das Phi Phi e o seu centro logístico, com toda a infraestrutura turística.

Fizemos aqui o que é habitual para quem vem nos tours a partir de Krabi, uma paragem para almoço com algum tempo livre para aproveitar as duas praias principais da ilha, a Ton Sai Beach e a Loh Dalum Beach

À medida que nos aproximamos da Ton Sai Beach, percebemos que grande parte da praia é ocupada por barcos que ali deixam os passageiros, regressando depois ao centro da baía, onde ficam a ancorados.
A envolvente desta praia é bastante bonita, marcada por uma língua de areia branca banhada por águas calmas e pela vegetação densa, que se estende do areal até às falésias que desenham a baía.

Ao descermos na praia de Ton Sai percebemos que, apesar do bonito areal e do mar calmo e apetecível, este não será melhor lugar para permanecer usufruindo daquilo que chamamos: fazer praia, pois há um constante rodopio de barcos e turistas que chegam e partem, quebrando qualquer hipótese de tranquilidade… de qualquer forma, como a zona é servida por vários hotéis e alojamentos, muita gente escolhe esta praia para passar o dia.

Mas o nosso programa levava-nos diretamente até ao restaurante onde nos serviram o almoço, e por isso entrámos logo nas ruas pedonais que estão sempre cheias de gente que se deslocam entre as praias, os restaurantes, ou os hotéis.

Encontrámos o nosso restaurante e fomos almoçar, mais um buffet de comida tailandesa, por sinal bastante boa. Ainda assim, confesso que estes pratos tão condimentados já nos começam a enjoar um pouco, pelo que, nos últimos dias, temos optado por alternativas menos tradicionais.

Depois do almoço, ainda nos sobrava algum tempo para explorar a zona. No entanto, não seria suficiente para cumprir uma das principais atrações da ilha: a subida aos miradouros que se erguem de ambos os lados, um percurso exigente em qualquer das vertentes.

Do alto desses pontos de observação, seria possível contemplar a imagem icónica da ilha - com a sua estreita faixa de terra lá em baixo, precisamente onde se concentram os restaurantes e alguns hotéis, ladeada pelas duas baías de águas azul-turquesa e extensos areais… como nesta imagem, que não fui eu que fotografei, já que o tempo disponível não dava para um percurso tão longo.
Assim, ficámos por ali algum tempo, percorrendo os caminhos que ligam as duas baías – entre a Ton Sai Beach e a Loh Dalum Beach – esta última, embora esteja também rodeada por hotéis e restaurantes, é mais apropriada para se poder relaxar, já que os barcos das inúmeras excursões que visitam a ilha, não entram nesta baía.





Monkey Bay

Regressámos ao barco e voltámos a parar em breve, desta vez sem sair do barco, só para observar uma pequena praia que se encontra ocupada por uma comunidade de macacos. A Monkey Bay (ou Ao Ling) é uma pequena praia, famosa pela colónia de macacos-de-cauda-longa que vivem por ali em liberdade. Rodeada por penhascos de calcário, o local não tem infraestruturas e só é acessível de barco. Algumas embarcações menores, como os barcos de cauda longa, param junto à praia e os passageiros mais destemidos, vão mesmo até perto dos símios.



Recomenda-se não alimentar os macacos, proteger os pertences e manter distância dos animais, pois são selvagens e imprevisíveis – e a nossa opção é sempre manter uma distância de segurança, não queremos misturas com a bicheza. Aliás, neste caso, não houve outra hipótese, pois ninguém saiu do barco, limitámo-nos a observar os bichos pendurados nos rochedos e a tirar algumas fotografias







Nui Beach

Ao contornarmos a ilha de Ko Phi Phi Don, deparamo-nos com várias enseadas de beleza singular, uma delas a Nui Beach, onde fizemos a próxima paragem. Mais uma belíssima praia, com o habitual enquadramento dos contrastes entre o azul do mar e o verde da vegetação que envolve a praia e cobre os rochedos.







Aqui o programa permite uma paragem demorada para banhos ou para mergulhar de máscara e respirador, cada um pode escolher. Esta pequena enseada tem ótimas condições, quer para nadarmos até à areia, e ficarmos por ali, literalmente, de molho, ou para voltarmos a fazer snorkeling, pois trata-se de um spot extraordinário, com ótima visibilidade sobre os corais e cheio de peixes de todas as cores, tal como temos vindo a encontrar nos outros mergulhos que fizemos.

Foi assim que passámos quase uma hora, ora de máscara ora apenas a nadar, ou até, no final, quando ficámos no convés do barco apenas a apreciar as paisagens, que são sempre tão bonitas… que os nossos coraçõezinhos já mal aguentam.






Bamboo Island

A última paragem deste dia gigante, foi na Bamboo Island, onde nos iriamos despedir destas praias paradisíacas, tendo direito àquilo que quiséssemos fazer - fosse nadar na praia junto ao areal, ou escolher a zona de corais, voltando a usar a máscara e o respirador para voltarmos a explorar a vida marinha.

Porém, quando chegámos a esta ilha começavam a aparecer algumas nuvens que não prometiam nada de bom, mas antes disso ainda tivemos oportunidade de dar os últimos mergulhos do dia.

Ao sair do barco, do lado direito encontramos a parte da ilha onde existem corais, mas reconheço que já não queríamos voltar a mergulhar nestas águas, pois já tínhamos feito snorkeling duas vezes neste dia e limitámo-nos apenas a nadar um pouco… porque águas quentes é algo que nunca recusamos.





Na Bamboo Island os guias pedem aos turistas para usarem colete salva-vidas por uma combinação de segurança e preservação ambiental. Em primeiro lugar, embora a água pareça calma e pouco profunda, ali podem existir correntes inesperadas, mudanças rápidas de profundidade e zonas com coral ou rochas, o que representa um risco, sobretudo para quem não seja um nadador experiente. O colete garante flutuabilidade constante e reduz significativamente a probabilidade de acidentes. Por outro lado, há também uma preocupação ambiental: ao manter as pessoas à superfície, evita-se que pisem ou danifiquem os corais, que são ecossistemas muito frágeis. Assim, toda a gente andava pela ilha em tons do laranja vivo dos coletes.

E aquilo que parecia estar a ser avisado acabou mesmo por acontecer, quando uma enorme chuvada se abateu sobre a ilha, e nos obrigou a correr para dentro de água - pois mais molhados já não poderíamos ficar. Algum tempo depois juntámo-nos áqueles que não se quiseram expor e que preferiram resguardar-se numa sob uma pequena cobertura.



A chuva não dava tréguas, daquelas tropicais que parecem varrer tudo à sua passagem. Acabámos por desistir de esperar que abrandasse e corremos para o barco. No final ainda chovia quando o barco zarpou... foi pena, porque poderíamos ter aproveitado muito mais a ilha, desfrutando da qualidade da praia e do fundo do mar. Mas, perante aquela chuva quase assustadora, não tivemos alternativa senão recuar e procurar abrigo no barco. Foi de lá que nos despedimos, com uma última imagem da Bamboo Island, agora deserta, fustigada por uma chuva que mais parecia uma verdadeira tempestade tropical.



Ao regressarmos ao pier de Ao Nang, detivemo-nos por um instante a observar o conjunto de barcos de cauda longa ali ancorados - o cenário ideal para fazer o balanço de um dia completo nas Phi Phi Islands.

Mais uma vez, vivemos uma sucessão de momentos quase irreais… águas mornas de um azul improvável, falésias imponentes que se erguem do mar e praias de areia clara, numa combinação quase perfeita, entre beleza e tranquilidade. 

Mas aquela ideia inicial de que estávamos a guardar o melhor para fim, era um engano. As Phi Phi não são o melhor, pois têm muito mais gente e são, por isso, menos naturais do que, por exemplo as 4 ilhas ou o arquipélago das ilhas Hong. Ainda assim não deixamos de fazer um balanço muito positivo deste dia de viagem.





Mas esta despedida assinalava também o fim de um conjunto de viagens pela vasta baía que se estende em frente a Krabi, onde explorámos, ao longo da última semana, alguns dos seus lugares mais marcantes… que nos deixaram um sentimento de encanto difícil de traduzir e um conjunto de memórias profundas, ainda mais difíceis de esquecer.










































Ao Nang








Fevereiro de 2026
Carlos Prestes