sábado, 7 de março de 2026

Prestes a Partir – Blogue de Viagens


Chamo-me Carlos Prestes, sou engenheiro civil e professor na faculdade, mas sou também um apaixonado por viagens, por fotografia e pela escrita sobre as experiências vividas nos locais que vou visitando. Assim, este espaço surge de forma quase natural, permitindo o registo das crónicas de viagens que tenho feito, com descrições e relatos das aventuras e emoções vivenciadas, sempre ilustradas com as fotos mais representativas.   
Este Blogue surgiu pela sugestão, quase persistente, de vários amigos, que foram também companheiros de algumas das viagens que aqui vou relatar, e constitui, sobretudo, um veículo para fazer perdurar as memórias e emoções vividas ao longo de mais de três décadas, por quase 40 países e 300 locais, que aqui vou tentar recordar.

Aqui encontraremos crónicas detalhadas de cada viagem, sendo o acesso a cada uma dessas crónicas feito através dos links ativos que surgem ao longo do índice representado nas páginas que organizei por continentes, sendo que, até agora, a grande maioria dos locais visitados e aqui descritos, ficam no continente europeu, esperando gradualmente vir a visitar outros destinos mais longínquos, cujas crónicas irei trazendo a este espaço.



Complementando ainda a narrativa exibida na forma de crónicas detalhadas, mostro-vos um breve registo feito em vídeo, com algumas das viagens relatadas, apresentando as principais fotos que foram utilizadas.

Estas crónicas não são um espaço de escrita apenas pessoal, porque as viagens aqui descritas foram muitas vezes uma partilha de experiência e emoções com aqueles que me acompanharam. Desde logo a minha companheira de todas as aventuras de uma vida e cúmplice desta paixão de viajar, a minha mulher Ana Lúcia, a quem vou dedicar cada um dos textos e imagens que aqui venha a registar. Às minhas quatro filhas, nem sempre companheiras de viagem, mas sempre as principais fontes de inspiração, dedico também cada uma das memórias que aqui vou relatar.

Vou também escrever para quem me queira ler, quem queira conhecer os meus relatos, não apenas pela curiosidade mas também pela informação que vou tentar transmitir, tornando este Blogue numa espécie de guia de viagens. Não terei a preocupação de ser consensual nas escolhas que aqui vou relatar, pelo contrário, tentarei ser sempre fiel às viagens que fiz, tal como as fiz, sem quaisquer filtros, ainda que, em várias situações, um determinado destino ou uma determinada escolha não se tenham revelado como os mais favoráveis. O registo de viagens que aqui vou referir será necessariamente o meu, com a minha busca daquilo que mais gosto, da forma e no ritmo que entendi ser o mais adequado a cada situação e em cada local. Não existem fórmulas para que uma viagem cumpra o seu objetivo de nos encher a alma e nos fazer sentir vivos, por isso, cada um de vós, leitores, terá de seguir o seu próprio caminho e escolher o seu próprio ritmo, tal como eu e os meus parceiros de viagem, seguimos e escolhemos os nossos.

Antes de iniciar a escrita senti necessidade de organizar a forma de apresentação dos relatos de cada viagem, sabendo que algumas estão ainda bastante presentes e outras estão já muito distantes. Mas, para que esse efeito de memória, mais viva ou mais vaga, não se torne evidente na escrita, decidi recordar cada uma das viagens de forma totalmente aleatória. E será desta forma que serão publicados, pela ordem em que os vou escrevendo e não pela sua ordem cronológica.

Termino com a ligação a uma outra página, para quem pretenda uma visão mais instantânea de alguns lugares, sem entrar no detalhe que o formato da crónica impõe, recomendo também a ligação ao Blogue que criei recentemente com esse conceito mais light. Neste caso, e como o nome indica, a cada foto corresponderá apenas uma breve história ou descrição: 

(site em construção)


Carlos Prestes
Abril de 2015

José Carlos Prestes
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Engenheiro Civil e Professor no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

sexta-feira, 6 de março de 2026

Prestes a Partir - ÁSIA




     Tailândia
          - Bangkok e Krabi         

     Turquia
         Istambul

     Maldivas



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Prestes a Partir - ÁFRICA



   Norte de África
   - Cidades de Marrocos
   - Praias e cidades da Tunísia

   Cabo Verde
   - Ilha da Boavista

   Moçambique
   - Província de Maputo
   - Gaza e Inhambane
   - Tete

   África do Sul e Swazilândia
    - No Kruger Park em safari
   - Cape Town


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Prestes a Partir - EUROPA



A grande maioria das viagens que realizei ao longo de cerca de quarenta anos foram feitas pelo continente europeu, que percorri de Norte a Sul, visitando mais de trinta países, como se representa no mapa seguinte. Nestas viagens visitei várias vezes alguns destes países, cujas crónicas podem ser consultadas nos links que apresento na lista abaixo (embora, alguns deles estejam inativos, por estarem ainda por escrever).
 


   Itália
   França
   - Paris 
   - Disneyland
   - Córsega

   Espanha
   - Barcelona
   - Menorca
   - Ibiza
   - Maiorca
   - Pirenéus
   - Andorra - Valldnort
   - País Basco, Cantábria, Navarra e La Rioja
   - Outras Cidades do Norte (Aragão e Castela-Leon)

   Ilhas Britânicas
   - Inglaterra
   - Londres
   - República da Irlanda
   - Escócia

   Europa Central
    - Alemanha
    - Áustria
    - Bélgica
    - Luxemburgo
    - Amesterdão

Europa de Leste
     - Praga
     - Bratislava
     - Budapeste
     - Polónia

Escandinávia
      - Copenhaga
     - Estocolmo
     - Helsínquia
     - Noruega, dos fiordes ao sol da meia-noite

   Grécia
   - Atenas 
   - Ilhas Gregas

   Portugal
        - Açores
        - Madeira e Porto Santo
    - Algarve - Pelas praias do Barlavento ao Sotavento
        - Porto e Douro
        - Minho
        - Alentejo

      

Prestes a Partir - AMÉRICA


  
 Estados Unidos
   - New York
   - Florida
   - Costa Leste

   México
   - Cidade do México
   - Riviera Maia

   Brasil
   - Natal
   - Pernambuco e Alagoas

  Caraíbas
   - Cuba
   - Bahamas
   - República Dominicana


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Krabi


O sul da Tailândia revelou-se um cenário perfeito para umas férias extraordinárias, onde a beleza natural e a aventura se cruzam a cada momento. Instalados em Ao Nang, o local mais turístico na região de Krabi, somos envolvidos por paisagens muito especiais e raras, com falésias calcárias imponentes que mergulham nas águas mornas e cristalinas que banham as praias de areia branca… oferecendo imagens que parecem saídas de um cartão-postal.


Ao longo da viagem, explorámos algumas das ilhas mais icónicas da região através de diferentes tours, cada um com a sua magia própria: desde o famoso passeio das quatro ilhas, passando pelas águas tranquilas e lagoas escondidas das ilhas Hong, até à emblemática ilha James Bond, com o seu cenário cinematográfico, e às vibrantes e paradisíacas ilhas Phi Phi, essas um bocado mais confusas…. cada dia trouxe sempre uma nova descoberta.

Entre mergulhos nas águas azul-turquesa, passeios de barco e momentos de puro relaxamento, esta viagem foi uma combinação perfeita de aventura, beleza natural e experiências memoráveis que ficarão para sempre na nossa memória.

Este conjunto de atrações que nos são oferecidas a partir da zona de Krabi, espalha-se geograficamente ao longo da imensa baía, que se forma entre as províncias de Phuket e Krabi, conforme se representa neste mapa:

Mas ainda antes de iniciarmos os vários tours às ilhas, passámos um primeiro dia junto a Ao Nang, onde ficava o nosso hotel, aproveitando a manhã para visitar a um dos santuários de elefantes que existem na Tailândia, e a tarde toda, na belíssima Praia de Railay.



Santuário de elefantes de Krabi

Este santuário de elefantes é muito mais do que uma simples atração, pois proporciona uma experiência profundamente imersiva na natureza e no contacto com estes animais impressionantes.
Reservámos um tour de meio-dia por 68 €/pessoa, o mais caro de todos os programas que experimentámos, mas também um dos mais marcantes em toda a viagem. Saímos numa van, que nos foi buscar ao hotel, e ao fim de menos de meia hora estávamos a chegar ao abrigo de elefantes de Ao Nang, uma infraestrutura que pode ser descrita como um exemplo claro da mudança de paradigma no turismo na Tailândia - passando da antiga forma de exploração destes animais para um modelo em que o mais importante é a sua proteção e reabilitação.

Trata-se de um espaço inserido num ambiente completamente natural, amplo e aberto, pensado para reproduzir, tanto quanto possível, o habitat natural dos elefantes. Em vez de recintos fechados ou espaços artificiais, o santuário privilegia áreas verdes, caminhos de terra, zonas de água e com charcas de lama, garantindo sempre espaços onde os animais podem circular livremente, socializar e expressar os seus comportamentos naturais.
A maioria dos elefantes que ali vivem não nasceu no santuário - foram resgatados de contextos, muitas vezes, adversos, como a indústria madeireira ou antigos campos turísticos onde eram usados para passeios ou espetáculos. Muitos são já idosos, tendo passado grande parte da vida a trabalhar. O santuário surge precisamente como resposta a uma questão crítica: o que acontece a estes animais quando deixam de ser úteis para a indústria? Aqui, encontram finalmente um espaço seguro para viver com dignidade.

Os cuidados prestados são centrados no bem-estar físico e emocional dos elefantes. Cada animal é acompanhado por tratadores experientes (os mahouts), que conhecem profundamente o seu comportamento e necessidades. A alimentação é adequada e, muitas vezes, preparada com a participação dos visitantes, existindo também acompanhamento veterinário, apoio hospitalar e práticas de gestão sustentável do espaço.

Ao chegarmos, o ambiente faz-se sentir de imediato: selva densa, trilhos de terra batida e um silêncio apenas interrompido pelos sons da natureza. Não há grades, nem palcos, nem qualquer sensação de espetáculo… os elefantes vivem em espaços amplos e andam completamente à vontade.

Durante a visita, o mais marcante é a proximidade, não só física, mas também emocional. Cria-se uma empatia entre as pessoas e os elefantes, que é curiosíssima, não sei se é uma coisa de cada um de nós, ou se é algo que vem do próprio animal, mas a verdade é que criámos uma proximidade preferencial sempre com a mesma elefanta, que praticamente nos adotou.

Ao chegarmos ao local somos recebidos pela equipa de tratadores, os tais mahouts, que nos contam a história interessantíssima deste refúgio, e da vida de cada um dos elefantes que ali estão.

Inicialmente preparam a interação com todos os cuidados, começando gradualmente e a medo, com a entrega de alguma comida, nesta fase apenas bananas ou cana-de-açúcar, que colocamos na tromba.
Mas ao fim de algum tempo e de vários contactos, já se quebrou o gelo e já conseguimos interagir com mais proximidade, chegando mesmo ao toque e até aos abraços apertados.

     
Depois do couvert, das bananas que lhes demos, iriamos agora preparar uma das refeições do dia com mais nutrientes, neste caso, uma mistura de banana esmagada à mão, com aveia e mais uma série de ingredientes, até fazer umas bolas apetitosas… pelo menos para eles, porque para nós, nem por isso.

Fomos de novo para perto dos nossos mais recentes amigos e, desta vez, demos-lhe as almondegas nutritivas que tínhamos acabado de preparar, e foi aí que conquistámos aqueles coraçõezinhos gigantes.

A seguir somos convidados a caminhar pelos trilhos, seguindo o percurso que os elefantes iam fazendo calmamente, até chegarmos perto de um pântano enlameado, onde estes paquidermes gostam de se espojar no lamaçal e, melhor ainda, gostam que as pessoas lhes esfreguem a pele com muita lama, numa espécie de tratamento SPA, que os faz sentir bem… e nós lá esfregámos.
A última atividade no abrigo foi quando entrámos num imenso lago para dar banho a estes senhores. Esfregámos aqueles lombos gigantes com uma escova e um baldinho para atirar água, metidos no charco com água até à cintura, até tirar toda a lama que eles tinham na pele.

Pelo meio, havia água para todo o lado, nós encharcados e eles claramente a curtir o momento e até faziam, de vez em quando, daquelas chuveiradas com a tromba, para atingir toda a gente. Não eram só os elefantes que estavam contentes, nós também nos divertimos bastante… no final, eles ficaram limpinhos e nós completamente encharcados… mas toda a gente saiu bem feliz.


Temos depois acesso a um chuveiro bastante razoável, para nos livrarmos dos vestígios da lama, e fizemos ainda um lanche que nos foi oferecido, e que incluía as habituais frutas tropicais devidamente descascadas, sempre muito apetitosas… e aproveitámos ainda para um último cumprimento, já em tom de despedida, à nossa elefanta favorita.

Ao fim da visita, fica-nos a certeza de que aquilo que torna este abrigo verdadeiramente especial é a sua essência ética. Aqui, não há lugar para exploração - apenas respeito. Os elefantes vivem ao seu ritmo, livres para se aproximar ou se afastar, enquanto nós, visitantes, nos limitamos a entrar com cuidado no seu mundo, acompanhando gestos simples e rotinas naturais.

Mais do que um lugar a visitar, este é um espaço que nos ensina. Uma lição silenciosa de equilíbrio entre o ser humano e a natureza, onde o contacto é quase empático, e acontece sem imposição, apenas com consciência e respeito.

Saímos com uma sensação difícil de traduzir em palavras - não foi apenas observar elefantes - mas sim sentir, por instantes, uma harmonia rara e genuína, numa experiência profunda que, para nós, se tornou completamente inesquecível.



Railay Beach

A zona urbana de Ao Nang, que mais à frente voltarei a referir, é o polo turístico de maior dimensão na zona de Krabi, que se trata de um conjunto de pequenos povoados, mas servida por um aeroporto, que fica a cerca de 25 km.

Ao Nang concentra grande parte dos hotéis, restaurantes, bares e lojas, desta zona turística, que se diferencia bastante do que encontramos, por exemplo, em Bangkok, aqui é muito menos típico, mais parecido com um qualquer outro espaço de concentração turística.

Ao Nang destaca-se sobretudo pela sua bela baía, com areia branca, rochedos ao fundo, e os típicos barcos de cauda longa, parados à beira-mar.

Mas como não há bela sem senão, esta praia não é suficiente limpa para que se possa tomar banho – basta pensar um pouco e entendemos logo que o esgoto de todo este aglomerado só poderia ir maioritariamente para o mar… e confirmámos isso, depois de uma noite de chuva, em que as ribeiras ficaram sujas, parecendo esgoto a céu-aberto. Por isso, apesar de alguns turistas fazerem ali praia, nós não o quisemos fazer… de todo. Aliás, basta a olhar para a areia junto aos barcos para perceber que não é de uma praia limpa.

Assim sendo, a praia mais próxima - embora a uma distância de segurança, para evitar a conspurcação da águas – é a Railay Beach.
Para chegarmos a esta praia vamos ter de comprar um bilhete de ida e volta num dos quiosques na marginal, que custa 200 bath, cerca de 5 euros. Depois entramos num dos tradicionais barcos de cauda-longa e podemos passar todo o dia numa praia realmente deslumbrante, mas só até às 18h, que é quando saem de lá os últimos barcos do dia.

A baía de Railay faz parte de uma península, mas apesar de estar ligada ao continente, não tem qualquer acesso por estrada, chega-se apenas de barco, como se fosse um refúgio escondido do mundo. Entre alguns resorts discretamente integrados na paisagem e algumas praias de areia branca e águas quentes, toda a envolvente é altamente convidativa.

A principal praia é a Railay Beach, ponto de chegada para os barcos de cauda longa que partem continuamente de Ao Nang, num vaivem permanente. É ali que a baía se revela pela primeira vez, com toda a sua imponência.
A Railay Beach é o melhor lugar da zona de Krabi para aproveitarmos uma boa praia. Ali não encontramos a típica fileira de chapéus de sol - normalmente os turistas não trazem estes acessórios - por isso, aquilo que mais se vê são toalhas estendidas diretamente na areia, algumas à sombra generosa das árvores, como pequenos refúgios improvisados. Mas muito cuidado, que aquele sol é fortíssimo e queima a sério, por isso, para além do protetor 50, que é obrigatório, o melhor mesmo é passar a maior parte do tempo dentro de água, e de chapéu na cabeça.

Mas estar naquela água é mesmo o melhor que estas praias têm para oferecer… morna e transparente, de onde não apetece sair. Não sei ao certo a temperatura, mas anda seguramente ali perto dos 28º. No fundo, mais do que a areia ou a paisagem, é ali, dentro de água, que estas praias revelam o seu melhor.


Mais adiante, já a pé, é possível atravessar – embora com grande dificuldade – os trilhos estreitos e sinuosos que serpenteiam pela floresta que cobre o rochedo que separa a praia principal da Tonsai Beach, mais tranquila, quase como um segredo guardado entre falésias.

Apesar da existência de um pequeno resort, esta praia é bastante natural, rodeada por falésias rochosas muito verdes, devido a uma vegetação densa, terminando numa floresta de coqueiros, já perto do areal… com um ambiente muito selvagem e natural, que leva a que seja muito apreciada por escaladores e viajantes independentes, fora dos tours.

No difícil regresso à praia de Railay, voltámos a escalar o sopé das falésias calcárias que são a imagem de marca de todas estas praias – enormes e quase verticais, erguendo-se de forma dramática ao redor da baía. No extremo da Railay Beach, destaca-se um rochedo de forma pontiaguda, quase escultórico, que assinala o fim de toda esta baía.


Do outro lado da península encontra-se a Phra Nang Beach, igualmente deslumbrante, acessível por uma caminhada de pouco mais de um quilómetro. Não a visitámos neste momento, pois ficou guardada para mais tarde, já que faria parte de um dos passeios dos dias seguintes.


Railay não é apenas uma praia muito boa, é também a única da qual podemos desfrutar a nosso bel-prazer, sem a pressão dos tours que nos levam às restantes praias que iremos visitar nos próximos dias. Aqui podemos usufruir verdadeiramente de uma praia paradisíaca e apreciar a sua principal atração, a água morna e transparente… num recorte de natureza onde o tempo parece parar, e nos faz sentir algo realmente especial.



As quatro ilhas















Ilhas Hong














Ilha James Bond e Ko Panyi













Ilhas Phi Phi












Ao Nang








Fevereiro de 2026
Carlos Prestes

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Mercado Ferroviário e Mercado Aquático


Fizemos uma reserva para um tour que nos levou para Sul de Bangkok ao longo de cerca de 100 quilómetros, com o objetivo de visitarmos dois mercados muito especiais: o Mercado Ferroviário Maeklong e o Mercado Aquático Damnoen Saduak.

A viagem começou às seis da manhã, quando nos foram buscar ao hotel, para podermos vir a apanhar o primeiro comboio do dia em direção ao mercado, que iriamos visitar ainda antes da maior afluência de turistas.

O primeiro percurso, realizado numa van, teve a duração aproximada de uma hora e meia, até chegarmos à primeira paragem, junto a uma linha de caminho-de-ferro, onde se iniciava a visita ao mercado ferroviário. Mais tarde, seguiríamos para a segunda atração desta experiência - um mercado aquático.

Assim, durante o dia percorremos mais ou menos o trajeto assinalado neste mapa:



Mercado Ferroviário de Maeklong

A experiência começou ainda de madrugada, num despertar precoce que rapidamente se justificou pela expectativa de vivenciar algo verdadeiramente singular. O objetivo era apanhar o primeiro comboio em direção ao famoso Mercado Ferroviário de Maeklong, e foi isso que fizemos – esperámos num estranho apeadeiro, no meio do nada, onde o comboio iria chegar, ainda pouco depois do sol ter nascido, com uma luminosidade que tornava a paisagem envolvente extremamente bonita, mostrando as salinas que ali se formam, e que são a principal fonte de receita daquelas populações.

Entrámos no comboio numa viagem que se revelou, desde logo, bastante especial, aumentando a expetativa à medida que nos aproximávamos do destino.
O cenário tornava-se progressivamente mais curioso, até atingir um momento quase surreal: o comboio avançava lentamente por uma linha totalmente ocupada por um mercado de rua - bancas, toldos, uma enorme variedade de produtos e pessoas, muitas pessoas, coexistiam sobre os carris, num equilíbrio impressionante entre a rotina e o espetáculo.

À medida que o comboio se aproximava, tudo se transformou num movimento rápido e coordenado: as pessoas encolhiam-se junto às bancas, entre toldos, entretanto recolhidos, e expositores afastados segundos antes. Em simultâneo, uma multidão de turistas erguia os telemóveis, ansiosa por captar a imagem mais ousada - aquela em que o comboio parece prestes a engolir toda aquela massa compacta de feirantes e visitantes.
    
Depois de atravessarmos esta zona dentro da carruagem, saímos na pequena estação da cidade. A partir daí, iniciámos o regresso a pé, percorrendo os cerca de 280 metros do mercado, desta vez caminhando diretamente sobre a linha férrea.


Este percurso permitiu observar com mais detalhe a diversidade das bancas: desde souvenirs e artesanato pensados para turistas, até produtos do dia-a-dia como peixe fresco, frutas, legumes e uma infinidade de outros artigos.

Caminhar ao longo dos trilhos do caminho-de-ferro é, por si só, uma experiência inesperadamente contemplativa. De um lado e do outro, as bancas do mercado alinham-se como um corredor vivo, onde cada passo revela um novo detalhe - cores intensas de frutas maduras, o brilho do peixe acabado de chegar, o cheiro das especiarias que paira no ar.

Os carris, normalmente associados ao movimento e à pressa, tornam-se aqui um convite à pausa. Caminha-se devagar, absorvendo a cadência do lugar. Há uma proximidade física com tudo: com os vendedores, com os produtos, com a própria linha que, a qualquer momento, voltará a retomar a sua função original, cumprindo a curiosidade dos visitantes.

A meio do trajeto, o comboio voltou a surgir, desta vez no sentido oposto e numa marcha igualmente lenta. Repetiu-se o ritual numa transformação coreografada: os vendedores recolhem rapidamente as suas tendas, levantam coberturas e afastam os produtos, enquanto clientes e visitantes se encostam às fachadas das lojas e todos de máquinas fotográficas prontas.

Tudo isto aconteceu com uma naturalidade desconcertante, como se fosse apenas mais um momento banal do dia.

   
E é aqui, através deste pequeno vídeo, que melhor se percebe a forma como o comboio atravessa os 280 metros por onde este mercado se espalha. 
E depois do comboio ter passado quase a tocar em tudo e em todos nós, em apenas alguns segundos, e já o mercado voltava à sua forma original, como se nada tivesse acontecido, com as bancas a serem repostas repentinamente enquanto observamos o comboio a se afastar já à distância.


No final, fica uma sensação ambivalente. Por um lado, é uma experiência extremamente interessante e incomum, difícil de encontrar em qualquer outro lugar do mundo. Por outro, apesar de se tratar de um mercado local com uma longa história, é impossível ignorar que se transformou num verdadeiro spot turístico. Há uma encenação implícita, quase como um espetáculo cuidadosamente repetido ao longo do dia - uma espécie de Disneyworld da vida real, onde a autenticidade e o turismo coexistem lado a lado.



Mercado Flutuante de Damnoen Saduak

O Mercado Flutuante de Damnoen, o Saduak Floating Market é, acima de tudo, uma experiência sensorial, mais do que um mercado no sentido tradicional, é um cenário vivo onde tudo acontece à beira (e dentro) de água. Os canais são estreitos e estão ocupado por pequenas embarcações carregadas de produtos, por onda passam os barcos que transportam os muitos turistas que visitam o local, criando um conjunto que parece ser uma imagem quase cinematográfica, onde cores, cheiros e sons se misturam num movimento constante.
Assim que os visitantes chegam ao cais deste mercado, são encaminhados para embarcações de madeira, desde as mais pequenas, movidas com uma pagaia, até aos típicos barcos de cauda longa, equipados com motores de eixo alongado e uma hélice na extremidade.

O passeio de barco é, sem dúvida, o ponto alto. Navegar lentamente por entre os canais, cruzando-nos com vendedores que equilibram frutas, bebidas e iguarias nas suas embarcações, dá-nos uma perspetiva única deste modo de vida tão característico.

E, como se não bastasse, fomos surpreendidos por uma chuva torrencial a meio do percurso - daquelas tropicais, intensas e repentinas - que nos deixou completamente encharcados, mas que acabou por tornar a experiência ainda mais memorável e autêntica.


Ao longo do passeio, e apesar da chuva persistente - que demorou a dar tréguas - fomos absorvendo a atmosfera do local. Embora hoje se tenha tornado numa atração turística muito popular, o ambiente continua a transmitir uma sensação de autenticidade, sendo evidente que as populações locais ainda recorrem a estes mercados para fazer as suas compras do dia a dia. Ainda assim, é inevitável que a forte presença de visitantes influencie a oferta, levando a uma adaptação dos produtos disponibilizados, cada vez mais orientados para o interesse dos turistas.

Pelo caminho, sempre com inúmeros barcos com outros turistas, sucediam-se pequenas lojas de madeira assentes sobre estacas, repletas de cores, e revelando, por vezes, a simpatia dos feirantes.


Mas nestes canais as lojas nem sempre são fixas, algumas também circulam em pequenas embarcações, carregados com todo o tipo de artigos, desde frutas frescas, flores e iguarias locais, que vão sendo preparadas no momento.



Depois do passeio, mal conseguimos abrigo no mercado para tentar secar - e, como manda a tradição, a chuva decidiu parar naquele exato momento. Ficámos por ali cerca de uma hora e meia, com tempo de sobra para fazer compras ou até almoçar, caso fosse esse o plano… mas não era bem isso que tínhamos em mente.

Acabámos por fazer apenas uma compra de emergência, um vestido em SOS, para substituir uma das indumentárias completamente encharcada. De resto, fomos petiscando aqui e ali, sobretudo frutas frescas e uns gelados para adoçar a boca. Quanto às comidas mais “aventureiras”, optámos por jogar pelo seguro, pois estávamos ainda no início da viagem e ninguém queria arriscar uma má decisão gastronómica, que viesse a estragar os dias seguintes.

Ficámos por ali, apenas caminhando, a explorar calmamente toda a zona do mercado e dos canais. Na verdade, enquanto espaço de compras, acaba por desiludir um pouco: predominam alguns artigos de “fancaria” e uma oferta de lembranças turísticas sem grande interesse.



O verdadeiro encanto revela-se sobretudo na dinâmica constante que nunca abranda. Os barcos, carregados de novos visitantes, percorrem os canais num vaivém contínuo, quase coreografado. E nós, agora a partir de cima, limitamo-nos a observar e a apreciar este cenário tão singular, e é precisamente por ser tão diferente do que conhecemos - um mercado que vive sobre a água - que tudo se torna tão fascinante.