sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Prestes a Partir – Blogue de Viagens



Chamo-me José Carlos Prestes, sou engenheiro civil e professor na faculdade, mas sou também um apaixonado por viagens, por fotografia e pela escrita sobre as experiências vividas nos locais que vou visitando. Assim, este espaço surge de forma quase natural, permitindo a partilha das crónicas de viagens que tenho feito, com descrições e relatos das aventuras e emoções vivenciadas, sempre ilustradas pelas fotografias que melhor guardam a memória desses momentos.

Este espaço encontra ainda continuidade num outro projeto, nascido de uma paixão diferente, mas igualmente importante para mim: a música. No meu canal de vídeo, partilho alguns momentos em que toco e canto covers de canções de que gosto, e que, por alguma razão, me têm acompanhado. 

Se as viagens são uma forma de descobrir o mundo, e as palavras e fotografias, uma maneira de guardar os lugares, os instantes e as emoções que encontramos pelo caminho, a música é talvez uma outra forma de viajar, uma viagem mais íntima, feita de memórias, sentimentos e lugares que não precisam de mapa nem destino. É nesse espírito que vou deixando neste canal alguns momentos pessoais, ao sabor das canções que me dizem alguma coisa e das melodias que, de uma forma ou de outra, ficaram comigo, sem outra pretensão que não seja o prazer de tocar, cantar e, por esta via, também partilhar: Canal Youtube


Voltando às viagens, este Blogue surgiu pela sugestão, quase persistente, de vários amigos, que foram também companheiros de algumas das viagens que aqui vou relatar, e constitui, sobretudo, um veículo para fazer perdurar as memórias e emoções vividas ao longo de mais de três décadas, por quase 40 países e mais de 300 locais, que aqui procurarei, pouco a pouco, trazer de volta à memória.

Aqui encontram-se as crónicas dessas viagens, escritas não apenas para contar por onde passei, mas também para recuperar um pouco do que senti em cada lugar, das paisagens que me ficaram na memória, dos encontros, das descobertas e daqueles pequenos instantes que, muitas vezes, acabam por ser a verdadeira essência de uma viagem.

O acesso a cada crónica pode ser feito através dos links ativos que acompanham o índice, organizado por continentes. Até agora, a Europa ocupa naturalmente a maior parte deste mapa de memórias, por ser o continente que mais vezes visitei. Mas ficam ainda muitos outros caminhos por descobrir, e espero que, com o tempo, outras viagens me levem a destinos mais distantes, acrescentando a este espaço novas paisagens, outras histórias e diferentes emoções, que, pouco a pouco, darão origem a novas páginas de memórias que aqui irei construir:



Complementando ainda a narrativa exibida na forma de crónicas detalhadas, mostro-vos um breve registo feito em vídeo, com algumas das viagens relatadas, apresentando as principais fotos que foram utilizadas.

Estas crónicas não são um espaço de escrita apenas pessoal, porque as viagens aqui descritas foram muitas vezes uma partilha de experiência e emoções com aqueles que me acompanharam. Desde logo a minha companheira de todas as aventuras de uma vida e cúmplice desta paixão de viajar, a minha mulher Ana Lúcia, a quem vou dedicar cada um dos textos e imagens que aqui venha a registar. Às minhas quatro filhas, nem sempre companheiras de viagem, mas sempre as principais fontes de inspiração, dedico também cada uma das memórias que aqui vou relatar.

Vou também escrever para quem me queira ler, quem queira conhecer os meus relatos, não apenas pela curiosidade mas também pela informação que vou tentar transmitir, tornando este Blogue numa espécie de guia de viagens. Não terei a preocupação de ser consensual nas escolhas que aqui vou transmitir, pelo contrário, tentarei ser sempre fiel às viagens que fiz, tal como as fiz, sem quaisquer filtros, ainda que, em várias situações, um determinado destino ou uma determinada escolha não se tenham revelado como os mais favoráveis. O registo de viagens que aqui vou referir será necessariamente o meu, com a minha busca daquilo que mais gosto, da forma e no ritmo que entendi ser o mais adequado a cada situação e em cada local. Não existem fórmulas para que uma viagem cumpra o seu objetivo de nos encher a alma e nos fazer sentir vivos, por isso, cada um de vós, leitores, terá de seguir o seu próprio caminho e escolher o seu próprio ritmo, tal como eu e os meus parceiros de viagem, seguimos e escolhemos os nossos.

Antes de iniciar a escrita senti necessidade de organizar a forma de apresentação dos relatos de cada viagem, sabendo que algumas estão ainda bastante presentes e outras estão já muito distantes. Mas, para que esse efeito de memória, mais viva ou mais vaga, não se torne evidente na escrita, decidi recordar cada uma das viagens de forma totalmente aleatória. E será desta forma que serão publicados, pela ordem em que os vou escrevendo e não pela sua ordem cronológica.

Termino com a ligação a uma outra página, para quem pretenda uma visão mais instantânea de alguns lugares, sem entrar no detalhe que o formato da crónica longa impõe. Deixo, assim, o link de acesso ao Blogue que criei recentemente com esse conceito mais light. Neste caso, e como o nome indica, a cada foto corresponderá apenas uma breve história ou descrição (registo apenas que esta página está ainda muito vazia, mas talvez um dia consiga acrescentar muito mais conteúdos a este Blogue): 

(site em construção)


Carlos Prestes
Abril de 2015

José Carlos Prestes
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Engenheiro Civil e Professor no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Londres à noite

Londres: Dia 4 - Zona Norte da cidade

Londres: Dia 3 - Zona Sul e centro da cidade


Começámos este dia por uma das principais igrejas da cidade de Londres, a St Paul’s Cathedral, percorrendo depois grande parte da marginal Sul do Tamisa, até entrarmos no centro da cidade, onde permanecemos grande parte do dia.

Ao longo desta jornada fizemos entre 13 e 15 km, por isso, tivemos que começar bem cedo, seguindo mais ou menos pelos percursos que estão assinalados neste mapa:


Catedral de São Paulo

A St Paul’s Cathedral é um dos grandes símbolos de Londres e domina a paisagem da City com a sua enorme cúpula, uma das maiores do mundo. A atual catedral foi projetada por Sir Christopher Wren depois do Grande Incêndio de 1666, que destruiu a anterior, construída em 1710, tornou-se uma das principais referências de edifícios barrocos da Europa, não só pela imponente cúpula, mas também pela belíssima fachada.

A St Paul’s Cathedral é um dos grandes símbolos de Londres e domina a paisagem da City com a sua enorme cúpula, uma das mais impressionantes do mundo. A atual catedral foi projetada por Sir Christopher Wren, depois da anterior ter sido destruída pelo Grande Incêndio de 1666. Foi construída entre 1675 e 1710 e tornou-se numa das grandes referências da arquitetura barroca europeia, não só pela sua monumental cúpula, mas também pela magnífica fachada, marcada pelas colunas, torres e pelo imponente frontão que lhe conferem uma presença verdadeiramente majestosa.

Em algumas das minhas visitas à cidade, o acesso ao interior da igreja era gratuito, mas, atualmente paga-se cerca de 27£, e pode ser reservado online. Continuam a referir que não é necessário pagar para entrar para culto religioso ou oração, mas convém confirmar se é mesmo assim, e quais os horários.

No interior, destaca-se a monumental cúpula, sob a qual se encontra a famosa Whispering Gallery. Quem tiver fôlego pode subir até às galerias superiores, de onde se obtêm excelentes vistas sobre a cidade.
A catedral foi palco de alguns dos momentos mais marcantes da história britânica, incluindo o funeral de Winston Churchill e, mais recentemente, o célebre casamento do príncipe Carlos e Diana, em 1981.


College of Arms e Millennium Bridge

Pelo caminho até ao rio, passámos pelo College of Arms, a instituição oficial responsável pela heráldica em Inglaterra, incluindo a concessão e o registo de brasões. Foi fundado em 1484 - portanto, é uma coisa muito antiga - e continua, ainda hoje, ligado às cerimónias oficiais da monarquia britânica. Tudo isto, convenhamos, com pouco ou nenhum interesse para nós… porque aquilo que realmente merece a nossa atenção são as fachadas do edifício, relativamente discretas, mas muito típicas, com o tradicional tijolo vermelho, pedra clara e alguns apontamentos de inspiração clássica.
Logo a seguir, chegamos à margem do Tamisa, onde surge uma das pontes mais modernas e elegantes de Londres, ligando a City à margem Sul, onde se ergue um dos museus mais importantes da cidade. Mas, antes de lá chegarmos, vamos primeiro atravessar e apreciar a própria ponte. A Millennium Bridge, inaugurada em 2000, é uma ponte pedonal feita em aço, com linhas simples e um design minimalista, que rapidamente se tornou numa das imagens mais características da Londres contemporânea.

Uma travessia curta, mas com duas das melhores perspetivas sobre o Tamisa... surgindo ao fundo, de um dos lados, a imponente cúpula da St Paul’s Cathedral e, do outo lado, o edifício do Tate Modern, dominado pela sua torre central.



Tate Modern

A Tate Modern está instalada numa antiga central elétrica, com uma arquitetura muito peculiar, especialmente quando a observamos da margem Norte ou da ponte. Abriu em 2000 e é hoje um dos grandes museus mundiais de arte moderna e contemporânea.

    
Lá dentro encontramos nomes e obras de referência na arte contemporânea, que, para alguns, serão arte de primeira qualidade e, para outros, uma excelente oportunidade para descobrir que também nós conseguiríamos fazer aquilo - e eu estou a meio caminho entre estas duas correntes.

Mas, na verdade, sou completamente fã de alguns dos nomes que ali têm as suas obras, como é o caso de Picasso.

Mas também aprecio particularmente muitos outros, como Matisse, Kandinsky ou Pollock.
   

E não escondo sequer o gosto por algumas correntes mais exóticas, como os surrealistas ou a Pop Art, com nomes como Dalí ou Warhol.

Mas acho completamente abjeta, a arte produzida por alguns pseudo-artistas para os quais não tenho estudos suficientes... como os quadros de tela cortada a x-ato de Lúcio Fontana.
Apesar da dimensão e importância dos trabalhos expostos, há uma coisa que nos agrada particularmente neste museu, é que a entrada na coleção permanente é gratuita.

Nos pisos superiores desta galeria de arte há ainda uma atração adicional, que é a vista sobre a paisagem envolvente, com o rio, a ponte Millennium e a Catedral de São Paulo.


Shakespeare's Globe Theatre

Junto à margem do rio, mesmo ao lado da Tate Modern, fica aquele que é provavelmente o teatro mais icónico de Londres, o Shakespeare’s Globe Theatre.

É verdade que não é o edifício original - até porque os edifícios medievais, convenhamos, não costumam resistir assim tantos séculos - mas esta é uma reconstrução bastante fiel do famoso teatro onde William Shakespeare apresentou muitas das suas peças no final do século XVI. O Globe original, inaugurado em 1599, ficava muito próximo deste local, mas acabou destruído por um incêndio em 1613.

O atual edifício, inaugurado em 1997, procura reproduzir o ambiente do teatro elisabetano, com a sua característica planta circular, o palco aberto e os lugares de pé junto à cena, ocupados pelos famosos groundlings (como costumavam chamar aos espetadores mais pobres).

E há aqui um pormenor interessante, é que isto não é apenas uma reconstrução histórica para vermos por fora e tirarmos umas fotografias. É um teatro em funcionamento, onde ainda hoje se representam peças de Shakespeare, praticamente no mesmo cenário e num formato muito próximo daquele para o qual foram originalmente concebidas. É possível comprar bilhetes online e assistir a uma representação; os preços variam naturalmente, mas os lugares de pé, na arena, podem custar pouco mais de £10, enquanto os lugares sentados nas galerias podem chegar aos £80, dependendo da peça. Uma experiência interessante para quem quiser assistir, por exemplo, a um Sonho de uma Noite de Verão no próprio Globe.

Nós, no entanto, ficámo-nos pela experiência mais simples e gratuita… nem ao nível dos groundlings quisemos chegar! Limitámo-nos a apreciar as fachadas deste curioso edifício, que procuram reproduzir o aspeto do teatro original onde Shakespeare e a sua companhia fizeram história.




The Queen's Walk, Oxo Tower, National Theatre London e Golden Jubilee Bridges

Saímos agora numa longa caminhada pela marginal do lado Sul do Tamisa, percorrendo sempre a The Queen's Walk, e que pertence ao mesmo percurso junto ao rio que já fizemos há dois dias, mais perto da Tower Bridge.

Neste caso, vamo-nos aproximando do centro da cidade, até chegarmos ao London Eye, com o principal objetivo de apreciar a vivencia e as paisagens ao longo deste troço do rio.

Pelo caminho passamos por alguns edifícios notáveis, como a Oxo Tower e o National Theatre London. A Oxo Tower é uma antiga fábrica e armazém, que foi transformada num espaço de restaurantes, lojas, galerias e escritórios, mantendo a sua característica arquitetura industrial. É um dos edifícios mais reconhecíveis da margem Sul do Tamisa, famosa pela torre com a enorme palavra OXO iluminada.


Passamos também junto ao O National Theatre, uma das mais importantes instituições de teatro do Reino Unido. Foi inaugurado em 1976, e destaca-se pelo enorme edifício modernista, várias salas onde são apresentadas peças ao longo de todo o ano.


Já mais à frente passamos também por as Golden Jubilee Bridges, um conjunto de duas pontes pedonais que atravessam o Tamisa, ligando Embankment ao South Bank. Inauguradas em 2002, destacam-se pelas suas estruturas suspensas em aço e proporcionam excelentes vistas sobre o rio, o London Eye e o skyline de Londres.




Estação Ferroviária de Waterloo

Ao chegarmos aos Jubilee Gardens, afastamo-nos por momentos do rio para chegarmos a uma das principais estações ferroviárias da cidade, a Waterloo Station. É uma das maiores e mais movimentadas estações de Londres, e também das mais antigas, abriu em 1848, com o nome a fazer recordar uma das batalhas mais famosas da história europeia: Waterloo, em 1815, onde Napoleão sofreu a derrota que pôs fim às suas ambições imperiais. Durante mais de um século foi uma das principais portas de entrada e saída de Londres para o Sul de Inglaterra e, mais recentemente, entre 1994 e 2007, foi também o terminal londrino dos Eurostar, antes de estes serviços passarem para St Pancras, após a abertura da nova linha de alta velocidade.

A estação recebe-nos com a imponente entrada do Victory Arch, um arco monumental construído como memorial aos funcionários da antiga companhia ferroviária mortos na Primeira Guerra Mundial. Lá dentro, somos envolvidos por um enorme espaço ferroviário, com o vasto átrio e as grandes coberturas metálicas que protegem as plataformas, num cenário onde o movimento constante de passageiros faz parte da própria arquitetura da estação.





Jubilee Gardens e London Eye

Voltámos depois aos Jubilee Gardens, um agradável espaço verde junto ao Tamisa, criado em 1977, por ocasião do Jubileu de Prata da Rainha Isabel II. O jardim foi posteriormente renovado e requalificado, transformando-se num espaço agradável para descansar e, sobretudo, para apreciar as vistas sobre o rio e o centro de Londres.

E, desde 2000, passou a ter como vizinha a nova grande atração de Londres, a London Eye, que se ergue mesmo junto ao jardim e rapidamente se tornou uma das imagens mais reconhecíveis da cidade.


A London Eye é a famosa roda-gigante junto ao rio, inaugurada em 2000 para assinalar a entrada no novo milénio. Com cerca de 135 metros de altura, tornou-se rapidamente um dos grandes símbolos de Londres, oferecendo das suas cabinas panorâmicas uma vista impressionante sobre a cidade e o Tamisa.

A volta completa demora cerca de 30 minutos, proporcionando uma visão privilegiada de alguns dos grandes símbolos da cidade. O bilhete de adulto custa, atualmente, entre 30 a 40 libras, consoante se compre online ou no local, sendo por isso aconselhável a compra antecipada.

Não me lembro quanto custava na única vez em que demos uma voltinha nesta roda, pois foi há muito tempo, em 2006, e estava um dia um bocado nublado… mas deixo aqui algumas imagens que recordam essa experiência.



Já em 2014, estava um dia soalheiro, mas não tivemos tempo para subir, e apreciámos a roda a vista cá de baixo… e estava espetacular.




Big Ben e Houses of Parliament

Depois de passarmos algum tempo em torno do London Eye, mesmo não tendo entrado para uma voltinha, não deixaremos de apreciar as paisagens sobre a margem esquerda do rio, marcada por alguns dos edifícios e monumentos mais característicos da cidade de Londres.

Quando nos aproximamos da Westminster Bridge, teremos à nossa frente a paisagem mais inglesa de Inglaterra, com a imagem do Big Ben e das Houses of Parliament, duas referências incontornáveis da cidade e do próprio país.


As Houses of Parliament, oficialmente Palace of Westminster, são um dos grandes símbolos de Londres e um dos edifícios mais reconhecíveis da cidade. O atual palácio foi construído no século XIX, em estilo neogótico, depois de um grande incêndio, em 1834, ter destruído grande parte do antigo edifício… como já se percebeu, nesta cidade quase tudo já teve direito a arder em algum momento!

A sua impressionante fachada, virada para o Tamisa, é marcada pelas inúmeras torres e pináculos, entre os quais se destaca a mais famosa de todas, o célebre Big Ben.

É aqui que funciona o Parlamento britânico, constituído por duas câmaras: a House of Commons, onde se reúnem os deputados eleitos, e a House of Lords, composta pelos membros da Câmara dos Lordes. É, por isso, não apenas um dos edifícios mais emblemáticos de Londres, mas também um dos principais centros da vida política e democrática do Reino Unido.


O Big Ben é um dos símbolos mais reconhecíveis de Londres, com o seu enorme relógio de quatro mostradores, que se tornou uma das imagens mais emblemáticas da cidade.

A torre, concluída em 1859, é na realidade a Elizabeth Tower, nome que recebeu em 2012, por ocasião do Jubileu de Diamante da Rainha Isabel II. O nome Big Ben refere-se, na verdade, ao enorme sino instalado no interior da torre, embora seja comum utilizá-lo para designar todo o conjunto.

Mas a presença do Big Ben em Londres vai muito além daquilo que os nossos olhos conseguem alcançar. A sua silhueta domina a paisagem junto ao Tamisa e, mesmo quando não o vemos, as suas profundas badaladas, marcando as horas, fazem-se ouvir pela cidade, tornando-se uma espécie de banda sonora da capital inglesa.





Westminster Abbey

A Westminster Abbey é um dos monumentos religiosos mais importantes de Londres e um dos lugares mais ligados à história da monarquia britânica. Atualmente, é uma igreja protestante-anglicana, mas a sua história é muito anterior à criação da própria religião Anglicana, que só surgiu no século XVI, durante o reinado de Henrique VIII, quando o rei decidiu romper com Roma e criar uma igreja que lhe permitisse, entre outras coisas, resolver alguns dos seus problemas matrimoniais - uma religião criada para que o rei se pudesse divorciar, o que alias fez recorrentemente, pois teve seis mulheres - num estilo de governação que hoje reconhecemos em algumas lideranças, tipo Donald Trump!

A atual igreja começou a ser construída em 1245, durante o reinado de Henrique III, ainda como um templo católico. É, por isso, um edifício que atravessa quase toda a história da monarquia inglesa, tendo sido palco das coroações dos monarcas britânicos desde 1066 e testemunha de alguns dos momentos mais importantes da história do país.



Do ponto de vista arquitetónico, a Westminster Abbey é um magnífico exemplo do gótico inglês. A fachada principal, ladeada por duas grandes torres, impressiona pela riqueza dos detalhes, pelos arcos apontados, pináculos e esculturas que decoram o conjunto.

A fachada lateral, sobretudo a que está voltada para a Parliament Square, permite apreciar melhor a riqueza do gótico inglês, com os seus grandes vitrais, arcos e contrafortes, e numerosos pináculos.





Para acesso ao interior o preço tem vindo a subir de ano para ano, e já está em torno das 30 £, embora, nas anteriores visitas fosse muito mais acessível. No interior, destaca-se a enorme nave, com as suas colunas esbeltas, abóbadas elevadas e grandes vitrais, o que cria um ambiente grandioso e solene. Mas são sobretudo as capelas, túmulos e monumentos que fazem da Abadia um verdadeiro livro de história, onde repousam reis e rainhas e são homenageadas algumas das maiores figuras da cultura e da ciência britânicas, como o túmulo de Isaac Newton, que ali foi sepultado em 1727, e que é um dos mais famosos monumentos funerários da Abadia.





Mais do que uma igreja, a Westminster Abbey é quase um verdadeiro livro feito em pedra da história britânica, onde se cruzam séculos de religião, monarquia, política, cultura e tradição.

Churchill Museum & Cabinet War Rooms

Na envolvente da abadia fica um museu muito peculiar, o Churchill Museum & Cabinet War Rooms.

Trata-se de um dos lugares mais interessantes de Londres para se conhecer a história da Segunda Guerra Mundial. Situado nos antigos subterrâneos do governo britânico, o complexo funcionou como centro de comando durante a guerra, onde Winston Churchill e o seu gabinete tomavam decisões enquanto Londres era alvo dos bombardeamentos alemães. As salas, mantidas praticamente como estavam em 1945, permitem perceber como funcionava esta verdadeira “Londres subterrânea”, incluindo a famosa War Room, onde eram acompanhados os movimentos das tropas e planeadas as operações militares. O museu é dedicado à vida e carreira de Churchill, com especial destaque para o seu papel durante a guerra.

O preço da visita ronda atualmente as 35 £, e o bilhete inclui a entrada nos Cabinet War Rooms e no Churchill Museum. É recomendável reservar com antecedência, sobretudo porque a entrada é feita por horários pré-definidos. Mas, se começamos a pagar para entrar em todas estas atrações que não são gratuitas, a viagem começa rapidamente a ficar demasiado cara, e também precisaríamos de mais um dia para conseguir visitar tudo com calma.

Por isso, decidimos fazer uma seleção e deixar algumas coisas de fora e, neste caso, de todas as vezes que por ali passei, optei simplesmente por passar pela entrada, ver o exterior e seguir caminho!




10 Downing Street

A próxima paragem foi junto à porta do famoso nº 10 da Downing Street… pelo menos, estivemos tão perto quanto nos deixaram!

A célebre morada do Primeiro-Ministro britânico é um dos endereços mais famosos do mundo. É aqui, que desde 1735, vive e trabalha o chefe do Governo do Reino Unido, naquela conhecida casa de fachada preta e porta igualmente preta que tantas vezes vemos nas notícias.

Só que, nos dias de hoje, chegar perto da famosa porta é outra história. A rua está protegida por um forte gradeamento e por um dispositivo policial que não deixa os visitantes aproximarem-se, nem sequer o suficiente para conseguirmos ver a porta do Primeiro-Ministro!

Por isso, a nossa visita ao número 10 resumiu-se a ficar do lado de fora das grades, a olhar para uma rua que mal conseguimos ver. E tirar uma fotografia da famosa porta, nem pensar! A segurança britânica não está propriamente para brincadeiras.


Mas recordo que na primeira visita à cidade, em 1985 a Downing Street ainda não estava fechada ao público como está agora, havia apenas dois polícias junto à porta do nº10. As barreiras de segurança só foram introduzidas na final década de 1980, durante terceiro mandato de governação de Margaret Thatcher, devido às ameaças do IRA.



Horse Guards Parade, Old Admiralty Building e Admiralty Arch

Vamos agora entrar num espaço, envolvido por um conjunto de edifícios emblemáticos do coração político e militar de Londres.

O Horse Guards Parade é um grande terreiro onde decorrem cerimónias militares e onde podemos assistir, em determinados horários, à famosa troca da guarda da Household Cavalry, com os seus imponentes cavalos.

À sua volta encontramos o Old Admiralty Building e outros edifícios ligados à história da Royal Navy, enquanto que, no extremo desta área, surge o monumental Admiralty Arch, que marca a entrada do The Mall, a avenida cerimonial que conduz ao Palácio de Buckingham, e que percorremos no dia anterior.

Tudo isto pode ser visitado gratuitamente pelo exterior, bastando percorrer o terreiro e as ruas envolventes, apreciar as fachadas, monumentos e guardas, numa excelente oportunidade para conhecer uma das importantes zonas históricas de Londres.




National Gallery, Trafalgar Square e Nelson's Column

Logo que passamos pelo Admiralty Arch, chegamos a um dos locais mais emblemáticos de Londres: a Trafalgar Square. Esta grande praça foi criada no século XIX para celebrar a vitória britânica na Batalha de Trafalgar, em 1805, onde a frota britânica, comandada pelo almirante Horatio Nelson, derrotou as forças francesas e espanholas. Hoje, é um dos grandes espaços públicos da cidade, sempre movimentado e palco de celebrações, manifestações e diversos eventos.

No centro da praça ergue-se a Nelson’s Column, uma imponente coluna de granito com cerca de 52 metros de altura, concluída em 1843. No topo encontra-se a estátua de Lord Nelson, que morreu durante a batalha e se tornou um dos grandes heróis navais britânicos. Na base, quatro enormes painéis de bronze representam episódios das suas vitórias e foram fundidos a partir de canhões capturados aos franceses.


Apetece ficar nesta praça e aproveitar o excelente ambiente que aqui se vive, sobretudo ao final da tarde. A arquitetura envolvente é magnífica, com a imponente National Gallery, as fontes, os famosos leões e a coluna de Nelson, formando em conjunto um dos cenários mais emblemáticos e reconhecíveis de Londres.

Dominando o lado Norte da praça está a National Gallery, instalada num belíssimo edifício neoclássico. Fundada em 1824, reúne uma extraordinária coleção de pintura europeia, com obras de grandes mestres como Van Gogh, Monet, Rembrandt ou Velázquez.


A entrada na coleção permanente é gratuita e, por isso, mesmo com pouco tempo disponível, vale a pena fazer uma visita rápida, nem que seja apenas para apreciar algumas das obras mais importantes da coleção, entre as quais destaco os Girassóis, de Van Gogh; O Lago das Ninfeias, de Monet; e o Auto-retrato aos 34 anos, de Rembrandt.







Piccadilly Circus

Seguimos depois em direção a Piccadilly Circus, uma praça que é também um cruzamento, onde convergem algumas das principais ruas do West End, como Piccadilly, Regent Street e Shaftesbury Avenue, formando um dos espaços mais conhecidos e movimentados de Londres. O local tem alguns edifícios de arquitetura clássica, mas é sobretudo marcado pelos enormes painéis luminosos, que desde o início do século XX transformaram este cruzamento num dos lugares mais icónicos da cidade.

É principalmente ao fim do dia, quando os painéis luminosos ganham protagonismo, que o Piccadilly Circus revela todo o seu ambiente cosmopolita e vibrante… e, por isso, iriamos voltar mais tarde, já durante noite, para apreciar todo o potencial deste local.




No centro da praça encontra-se a famosa Shaftesbury Memorial Fountain, encimada pela estátua alada de Eros, uma representação do deus grego do amor, frequentemente confundida com um cupido, que se tornou, ao longo do tempo, num dos símbolos mais reconhecíveis de Londres. À sua volta numa zona sempre animada, repleta de lojas, teatros, restaurantes e vida noturna.




Leicester Square

A poucos minutos de Piccadilly Circus chegamos a Leicester Square, uma das praças mais conhecidas e animadas do West End. Rodeada por teatros, cinemas, restaurantes, lojas e enormes cartazes luminosos, é um dos principais centros de entretenimento de Londres.

É aqui que se realizam frequentemente as estreias dos grandes filmes em Londres, com direito a passadeiras vermelhas, estrelas de cinema e muita agitação.

No centro da praça encontra-se um pequeno jardim, onde se destacam as estátuas de algumas figuras ligadas ao mundo do cinema e da literatura, entre elas William Shakespeare, Harry Potter e Charlie Chaplin, e até do urso Paddington.







Chinatown

Saindo da Leicester Square, estamos praticamente junto à entrada do Chinatown, onde entramos num ambiente completamente diferente, marcado pelos tradicionais portais chineses, lanternas vermelhas e uma enorme variedade de restaurantes e lojas asiáticas. É uma zona particularmente animada ao final do dia, quando as ruas ganham ainda mais movimento e os aromas da cozinha chinesa começam a dominar o ambiente.






Soho District

Atravessando Chinatown, entramos no Soho, um dos bairros mais vibrantes e cosmopolitas de Londres. De ruas estreitas e uma arquitetura muito característica, o Soho é conhecido pela enorme diversidade de restaurantes, pubs, bares, cafés, teatros e lojas, mantendo uma atmosfera descontraída e irreverente, sobretudo ao final da tarde e à noite.

Para conhecer este bairro podemo-nos deixar levar sem grande destino pela área onde este se desenvolve, mas também podemos seguir um roteiro com alguns pontos de referência, e é o que aqui faço, registo alguns locais por onde devemos passar, e que estão assinalados no mapa:

Sondheim Theatre – É um dos históricos teatros do West End londrino, situado na Shaftesbury Avenue, no coração do Soho, muito perto de Chinatown. Inaugurado em 1907 como Queen’s Theatre, passou a chamar-se Sondheim Theatre em 2019, em homenagem ao famoso compositor e letrista Stephen Sondheim. É atualmente a casa da peça Les Misérables, um dos musicais mais célebres e duradouros de Londres, em cena neste teatro desde 2004. O edifício mantém uma arquitetura clássica, mas a fachada ganha especial destaque pelo enorme cartaz de Les Misérables, que, à noite, iluminado, se torna ainda mais chamativo.


Já tive a oportunidade de assistir a uma peça no West End, no Cambridge Theatre, do musical Chicago, mas se agora voltasse a Londres, iria ver os Miseráveis, neste teatro na Shaftesbury Avenue, no Soho.



Kingly Court – Um pequeno espaço de três pisos, escondido junto à Carnaby Street, com um pátio central rodeado de restaurantes, bares e cafés. Um lugar agradável para uma pausa.


Carnaby Street – Uma das ruas mais emblemáticas do Soho, famosa pela moda e pelo ambiente da Londres dos anos 1960, ligado à música e à cultura. Hoje mantém uma forte componente comercial, com lojas independentes e um ambiente colorido.




Edifício Liberty – Uma das lojas mais icónicas de Londres, instalada num magnífico edifício em estilo Tudor Revival, parecendo as antigas casas de enxaimel. É conhecida pela moda, decoração e, sobretudo, pelos seus famosos tecidos e padrões.


Berwick Street Market – Um dos mercados de rua históricos do Soho, com bancas de comida, produtos frescos e pequenos negócios. A própria rua mantém um ambiente descontraído e independente.


House of MinaLima – Paragem obrigatória para os fãs de Harry Potter. Trata-se de uma loja criada pelos designers responsáveis por grande parte do universo gráfico dos filmes, apresenta reproduções e objetos inspirados nesse trabalho.



Soho Square – Uma pequena e agradável praça ajardinada do século XVII, rodeada por edifícios históricos. No centro destaca-se um curioso pavilhão de madeira do século XIX.




Outernet London (Now Building) – Este edifício representa o lado mais moderno do bairro. O enorme Now Building, revestido por gigantescos ecrãs LED, apresenta espetaculares obras de arte digital, com acesso gratuito e vale especialmente a pena ao anoitecer.

Se procurarmos um espetáculo gratuito e de grande impacto visual, vale a pena visitar o Outernet London, uma das experiências mais surpreendentes desta zona de Londres. Este espaço de entretenimento imersivo combina arte digital, música e tecnologia, com experiências abertas ao público. A principal atração é o Now Building, uma enorme estrutura equipada com ecrãs de alta resolução que criam um ambiente imersivo de 360º, onde são exibidas espetaculares performances audiovisuais. É uma paragem rápida, gratuita e especialmente impressionante quando o dia escurece, e as imagens ganham ainda mais impacto.


O percurso pelo Soho acaba por ser uma viagem entre duas cidades: a histórica e boémia, das ruas estreitas, pubs e edifícios antigos, e a moderna, da moda, gastronomia e arte digital.

Para terminar deixo uma referência de um restaurante, neste caso uma pizzaria, a Pizza Pilgrims, com duas filiais na zona do Soho ao West End, ambas assinaladas no mapa. Servem pizzas napolitanas autênticas a preços bastante moderados.



West End e Covent Garden

O West End é o grande coração cultural e teatral de Londres. O nome refere-se à zona Oeste do centro da cidade, conhecida sobretudo pelos seus teatros, lojas, restaurantes e intensa vida noturna. É também aqui que encontramos alguns dos lugares mais emblemáticos da capital, como Piccadilly Circus, a Leicester Square e o Soho. É no West End que se concentram alguns dos mais famosos teatros londrinos, palco, há décadas, dos grandes musicais e peças de teatro que fazem de Londres uma das capitais mundiais do espetáculo.

Uma das principais artérias desta zona é a Shaftesbury Avenue, que começa junto ao Piccadilly Circus e atravessa o coração do West End. É particularmente conhecida pela sua forte concentração de teatros, sendo uma das ruas mais associadas à tradição teatral e aos grandes musicais da capital britânica.

Ao longo da avenida encontramos vários teatros históricos, como o Shaftesbury Theatre, o Apollo Theatre, o Lyric Theatre e o Gielgud Theatre, além de inúmeros restaurantes, cafés e lojas. É uma rua interessante para percorrer a pé, sobretudo ao fim da tarde, quando ganha uma atmosfera especial, com as fachadas iluminadas e os grandes outdoors das peças e musicais em cartaz a anunciarem os espetáculos de cada noite.


Afastando-nos um pouco da Shaftesbury Avenue, entramos num dos recantos mais característicos desta zona de Londres, a Seven Dials, uma pequena praça circular de onde partem sete ruas. É aqui que encontramos o Cambridge Theatre, um histórico teatro onde, em 2006, assistimos ao musical Chicago. Mais recentemente, o palco tem estado ocupado com o popular musical Matilda.



Ainda antes de chegarmos à zona mais vibrante desta parte da cidade, o Covent Garden Market, desviámos um pouco do percurso para conhecer o Neal’s Yard, um pequeno e pitoresco pátio escondido no coração do West End, rodeado por edifícios estreitos e pintados em cores vivas, que se tornou num dos recantos mais fotogénicos de Londres.

O espaço nasceu no século XIX, ligado ao comércio de frutas e legumes, mas hoje está ocupado por cafés, restaurantes, pequenas lojas e negócios independentes. O ambiente descontraído e as fachadas coloridas contrastam com a arquitetura mais tradicional das ruas envolventes.

É um daqueles lugares que facilmente passam despercebidos, entramos por uma estreita passagem e, de repente, surge diante de nós este pequeno pátio cheio de cor, vida e personalidade.


Terminámos o dia no Covent Garden Market, o coração do bairro de Covent Garden e um dos espaços mais emblemáticos do West End. A praça ocupa o lugar do antigo mercado de frutas, legumes e flores, cuja origem remonta ao século XVII. Hoje, é um espaço vibrante, rodeado por lojas, restaurantes, cafés e artistas de rua, tendo no centro o atual mercado, instalado no histórico edifício de estrutura metálica que substituiu as antigas instalações.





A praça é particularmente conhecida pelo seu ambiente descontraído e pela presença constante de artistas de rua, que transformam o espaço num verdadeiro palco ao ar livre, com música, dança, teatro e pequenos espetáculos que atraem naturalmente quem por ali passa.

Ao seu redor, as ruas estreitas, as pequenas lojas, cafés, restaurantes e galerias completam o ambiente, convidando a um passeio sem pressa e a descobrir, a cada esquina, um pouco mais da personalidade de Covent Garden.





Terminámos assim mais um dia pela capital britânica, depois de atravessarmos a cidade pelos caminhos da arte, do teatro e da história, que encontramos pelos seus lugares mais emblemáticos. Da cúpula de St Paul’s ao Big Ben, passando pela Tate Modern, pelo Shakespeare's Globe ou pelas margens do Tamisa e, finalmente, pelo ambiente vibrante do Soho, West End e do Covent Garden, foi mais um daqueles dias em que a cidade parece ter sempre qualquer coisa de novo para nos mostrar.

Foram muitos quilómetros, é verdade… mas também já percebemos que, em Londres, o melhor meio de transporte continuam a ser as pernas. As nossas, no entanto, talvez não partilhem exatamente dessa mesma opinião!









Carlos Prestes
Abril de 2014