O sul da Tailândia revelou-se um cenário perfeito para umas férias extraordinárias, onde a beleza natural e a aventura se cruzam a cada momento. Instalados em Ao Nang, o local mais turístico na região de Krabi, somos envolvidos por paisagens muito especiais e raras, com falésias calcárias imponentes que mergulham nas águas mornas e cristalinas que banham as praias de areia branca… oferecendo imagens que parecem saídas de um cartão-postal.
Ao longo da viagem, explorámos algumas das ilhas mais icónicas da região através de diferentes tours, cada um com a sua magia própria: desde o famoso passeio das quatro ilhas, passando pelas águas tranquilas e lagoas escondidas das ilhas Hong, até à emblemática ilha James Bond, com o seu cenário cinematográfico, e às vibrantes e paradisíacas ilhas Phi Phi, essas um bocado mais confusas…. cada dia trouxe sempre uma nova descoberta.
Entre mergulhos nas águas azul-turquesa, passeios de barco e momentos de puro relaxamento, esta viagem foi uma combinação perfeita de aventura, beleza natural e experiências memoráveis que ficarão para sempre na nossa memória.
Este conjunto de atrações que nos são oferecidas a partir da zona de Krabi, espalha-se geograficamente ao longo da imensa baía, que se forma entre as províncias de Phuket e Krabi, conforme se representa neste mapa:
Mas ainda antes de iniciarmos os vários
tours às ilhas, passámos um primeiro dia junto a Ao Nang, onde ficava o nosso hotel, aproveitando a manhã para visitar a um dos santuários de elefantes que existem na Tailândia, e a tarde toda, na belíssima Praia de Railay.
Santuário de elefantes de Krabi Este santuário de elefantes é muito mais do que uma simples atração, pois proporciona uma experiência profundamente imersiva na natureza e no contacto com estes animais impressionantes.
Reservámos um tour de meio-dia por 68 €/pessoa, o mais caro de todos os programas que experimentámos, mas também um dos mais marcantes em toda a viagem. Saímos numa van, que nos foi buscar ao hotel, e ao fim de menos de meia hora estávamos a chegar ao abrigo de elefantes de Ao Nang, uma infraestrutura que pode ser descrita como um exemplo claro da mudança de paradigma no turismo na Tailândia - passando da antiga forma de exploração destes animais para um modelo em que o mais importante é a sua proteção e reabilitação.
Trata-se de um espaço inserido num ambiente completamente natural, amplo e aberto, pensado para reproduzir, tanto quanto possível, o habitat natural dos elefantes. Em vez de recintos fechados ou espaços artificiais, o santuário privilegia áreas verdes, caminhos de terra, zonas de água e com charcas de lama, garantindo sempre espaços onde os animais podem circular livremente, socializar e expressar os seus comportamentos naturais.
A maioria dos elefantes que ali vivem não nasceu no santuário - foram resgatados de contextos, muitas vezes, adversos, como a indústria madeireira ou antigos campos turísticos onde eram usados para passeios ou espetáculos. Muitos são já idosos, tendo passado grande parte da vida a trabalhar. O santuário surge precisamente como resposta a uma questão crítica: o que acontece a estes animais quando deixam de ser úteis para a indústria? Aqui, encontram finalmente um espaço seguro para viver com dignidade.
Os cuidados prestados são centrados no bem-estar físico e emocional dos elefantes. Cada animal é acompanhado por tratadores experientes (os mahouts), que conhecem profundamente o seu comportamento e necessidades. A alimentação é adequada e, muitas vezes, preparada com a participação dos visitantes, existindo também acompanhamento veterinário, apoio hospitalar e práticas de gestão sustentável do espaço.
Ao chegarmos, o ambiente faz-se sentir de imediato: selva densa, trilhos de terra batida e um silêncio apenas interrompido pelos sons da natureza. Não há grades, nem palcos, nem qualquer sensação de espetáculo… os elefantes vivem em espaços amplos e andam completamente à vontade.
Durante a visita, o mais marcante é a proximidade, não só física, mas também emocional. Cria-se uma empatia entre as pessoas e os elefantes, que é curiosíssima, não sei se é uma coisa de cada um de nós, ou se é algo que vem do próprio animal, mas a verdade é que criámos uma proximidade preferencial sempre com a mesma elefanta, que praticamente nos adotou.
Ao chegarmos ao local somos recebidos pela equipa de tratadores, os tais mahouts, que nos contam a história interessantíssima deste refúgio, e da vida de cada um dos elefantes que ali estão.
Inicialmente preparam a interação com todos os cuidados, começando gradualmente e a medo, com a entrega de alguma comida, nesta fase apenas bananas ou cana-de-açúcar, que colocamos na tromba.
Mas ao fim de algum tempo e de vários contactos, já se quebrou o gelo e já conseguimos interagir com mais proximidade, chegando mesmo ao toque e até aos abraços apertados.
Depois do couvert, das bananas que lhes demos, iriamos agora preparar uma das refeições do dia com mais nutrientes, neste caso, uma mistura de banana esmagada à mão, com aveia e mais uma série de ingredientes, até fazer umas bolas apetitosas… pelo menos para eles, porque para nós, nem por isso.
Fomos de novo para perto dos nossos mais recentes amigos e, desta vez, demos-lhe as almondegas nutritivas que tínhamos acabado de preparar, e foi aí que conquistámos aqueles coraçõezinhos gigantes.
A seguir somos convidados a caminhar pelos trilhos, seguindo o percurso que os elefantes iam fazendo calmamente, até chegarmos perto de um pântano enlameado, onde estes paquidermes gostam de se espojar no lamaçal e, melhor ainda, gostam que as pessoas lhes esfreguem a pele com muita lama, numa espécie de tratamento SPA, que os faz sentir bem… e nós lá esfregámos.
A última atividade no abrigo foi quando entrámos num imenso lago para dar banho a estes senhores. Esfregámos aqueles lombos gigantes com uma escova e um baldinho para atirar água, metidos no charco com água até à cintura, até tirar toda a lama que eles tinham na pele.
Pelo meio, havia água para todo o lado, nós encharcados e eles claramente a curtir o momento e até faziam, de vez em quando, daquelas chuveiradas com a tromba, para atingir toda a gente. Não eram só os elefantes que estavam contentes, nós também nos divertimos bastante… no final, eles ficaram limpinhos e nós completamente encharcados… mas toda a gente saiu bem feliz.
Temos depois acesso a um chuveiro bastante razoável, para nos livrarmos dos vestígios da lama, e fizemos ainda um lanche que nos foi oferecido, e que incluía as habituais frutas tropicais devidamente descascadas, sempre muito apetitosas… e aproveitámos ainda para um último cumprimento, já em tom de despedida, à nossa elefanta favorita.
Ao fim da visita, fica-nos a certeza de que aquilo que torna este abrigo verdadeiramente especial é a sua essência ética. Aqui, não há lugar para exploração - apenas respeito. Os elefantes vivem ao seu ritmo, livres para se aproximar ou se afastar, enquanto nós, visitantes, nos limitamos a entrar com cuidado no seu mundo, acompanhando gestos simples e rotinas naturais.
Mais do que um lugar a visitar, este é um espaço que nos ensina. Uma lição silenciosa de equilíbrio entre o ser humano e a natureza, onde o contacto é quase empático, e acontece sem imposição, apenas com consciência e respeito.
Saímos com uma sensação difícil de traduzir em palavras - não foi apenas observar elefantes - mas sim sentir, por instantes, uma harmonia rara e genuína, numa experiência profunda que, para nós, se tornou completamente inesquecível.
Railay Beach
A zona urbana de Ao Nang, que mais à frente voltarei a referir, é o polo turístico de maior dimensão na zona de Krabi, que se trata de um conjunto de pequenos povoados, mas servida por um aeroporto, que fica a cerca de 25 km.
Ao Nang concentra grande parte dos hotéis, restaurantes, bares e lojas, desta zona turística, que se diferencia bastante do que encontramos, por exemplo, em Bangkok, aqui é muito menos típico, mais parecido com um qualquer outro espaço de concentração turística.
Ao Nang destaca-se sobretudo pela sua bela baía, com areia branca, rochedos ao fundo, e os típicos barcos de cauda longa, parados à beira-mar.
Mas como não há bela sem senão, esta praia não é suficiente limpa para que se possa tomar banho – basta pensar um pouco e entendemos logo que o esgoto de todo este aglomerado só poderia ir maioritariamente para o mar… e confirmámos isso, depois de uma noite de chuva, em que as ribeiras ficaram sujas, parecendo esgoto a céu-aberto. Por isso, apesar de alguns turistas fazerem ali praia, nós não o quisemos fazer… de todo. Aliás, basta a olhar para a areia junto aos barcos para perceber que não é de uma praia limpa.
Assim sendo, a praia mais próxima - embora a uma distância de segurança, para evitar a conspurcação da águas – é a Railay Beach.
Para chegarmos a esta praia vamos ter de comprar um bilhete de ida e volta num dos quiosques na marginal, que custa 200 bath, cerca de 5 euros. Depois entramos num dos tradicionais barcos de cauda-longa e podemos passar todo o dia numa praia realmente deslumbrante, mas só até às 18h, que é quando saem de lá os últimos barcos do dia.
A baía de Railay faz parte de uma península, mas apesar de estar ligada ao continente, não tem qualquer acesso por estrada, chega-se apenas de barco, como se fosse um refúgio escondido do mundo. Entre alguns resorts discretamente integrados na paisagem e algumas praias de areia branca e águas quentes, toda a envolvente é altamente convidativa.
A principal praia é a Railay Beach, ponto de chegada para os barcos de cauda longa que partem continuamente de Ao Nang, num vaivem permanente. É ali que a baía se revela pela primeira vez, com toda a sua imponência.
A Railay Beach é o melhor lugar da zona de Krabi para aproveitarmos uma boa praia. Ali não encontramos a típica fileira de chapéus de sol - normalmente os turistas não trazem estes acessórios - por isso, aquilo que mais se vê são toalhas estendidas diretamente na areia, algumas à sombra generosa das árvores, como pequenos refúgios improvisados. Mas muito cuidado, que aquele sol é fortíssimo e queima a sério, por isso, para além do protetor 50, que é obrigatório, o melhor mesmo é passar a maior parte do tempo dentro de água, e de chapéu na cabeça.
Mas estar naquela água é mesmo o melhor que estas praias têm para oferecer… morna e transparente, de onde não apetece sair. Não sei ao certo a temperatura, mas anda seguramente ali perto dos 28º. No fundo, mais do que a areia ou a paisagem, é ali, dentro de água, que estas praias revelam o seu melhor.
Mais adiante, já a pé, é possível atravessar – embora com grande dificuldade – os trilhos estreitos e sinuosos que serpenteiam pela floresta que cobre o rochedo que separa a praia principal da Tonsai Beach, mais tranquila, quase como um segredo guardado entre falésias.
Apesar da existência de um pequeno resort, esta praia é bastante natural, rodeada por falésias rochosas muito verdes, devido a uma vegetação densa, terminando numa floresta de coqueiros, já perto do areal… com um ambiente muito selvagem e natural, que leva a que seja muito apreciada por escaladores e viajantes independentes, fora dos tours.
No difícil regresso à praia de Railay, voltámos a escalar o sopé das falésias calcárias que são a imagem de marca de todas estas praias – enormes e quase verticais, erguendo-se de forma dramática ao redor da baía. No extremo da Railay Beach, destaca-se um rochedo de forma pontiaguda, quase escultórico, que assinala o fim de toda esta baía.
Do outro lado da península encontra-se a Phra Nang Beach, igualmente deslumbrante, acessível por uma caminhada de pouco mais de um quilómetro. Não a visitámos neste momento, pois ficou guardada para mais tarde, já que faria parte de um dos passeios dos dias seguintes.
Railay não é apenas uma praia muito boa, é também a única da qual podemos desfrutar a nosso bel-prazer, sem a pressão dos tours que nos levam às restantes praias que iremos visitar nos próximos dias. Aqui podemos usufruir verdadeiramente de uma praia paradisíaca e apreciar a sua principal atração, a água morna e transparente… num recorte de natureza onde o tempo parece parar, e nos faz sentir algo realmente especial.
As quatro ilhas
Ilhas HongIlha James Bond e Ko Panyi
Ilhas Phi Phi
Ao Nang
Fevereiro de 2026
Carlos Prestes