sábado, 7 de março de 2026

Prestes a Partir – Blogue de Viagens


Chamo-me Carlos Prestes, sou engenheiro civil e professor na faculdade, mas sou também um apaixonado por viagens, por fotografia e pela escrita sobre as experiências vividas nos locais que vou visitando. Assim, este espaço surge de forma quase natural, permitindo o registo das crónicas de viagens que tenho feito, com descrições e relatos das aventuras e emoções vivenciadas, sempre ilustradas com as fotos mais representativas.   
Este Blogue surgiu pela sugestão, quase persistente, de vários amigos, que foram também companheiros de algumas das viagens que aqui vou relatar, e constitui, sobretudo, um veículo para fazer perdurar as memórias e emoções vividas ao longo de mais de três décadas, por quase 40 países e 300 locais, que aqui vou tentar recordar.

Aqui encontraremos crónicas detalhadas de cada viagem, sendo o acesso a cada uma dessas crónicas feito através dos links ativos que surgem ao longo do índice representado nas páginas que organizei por continentes, sendo que, até agora, a grande maioria dos locais visitados e aqui descritos, ficam no continente europeu, esperando gradualmente vir a visitar outros destinos mais longínquos, cujas crónicas irei trazendo a este espaço.



Complementando ainda a narrativa exibida na forma de crónicas detalhadas, mostro-vos um breve registo feito em vídeo, com algumas das viagens relatadas, apresentando as principais fotos que foram utilizadas.

Estas crónicas não são um espaço de escrita apenas pessoal, porque as viagens aqui descritas foram muitas vezes uma partilha de experiência e emoções com aqueles que me acompanharam. Desde logo a minha companheira de todas as aventuras de uma vida e cúmplice desta paixão de viajar, a minha mulher Ana Lúcia, a quem vou dedicar cada um dos textos e imagens que aqui venha a registar. Às minhas quatro filhas, nem sempre companheiras de viagem, mas sempre as principais fontes de inspiração, dedico também cada uma das memórias que aqui vou relatar.

Vou também escrever para quem me queira ler, quem queira conhecer os meus relatos, não apenas pela curiosidade mas também pela informação que vou tentar transmitir, tornando este Blogue numa espécie de guia de viagens. Não terei a preocupação de ser consensual nas escolhas que aqui vou relatar, pelo contrário, tentarei ser sempre fiel às viagens que fiz, tal como as fiz, sem quaisquer filtros, ainda que, em várias situações, um determinado destino ou uma determinada escolha não se tenham revelado como os mais favoráveis. O registo de viagens que aqui vou referir será necessariamente o meu, com a minha busca daquilo que mais gosto, da forma e no ritmo que entendi ser o mais adequado a cada situação e em cada local. Não existem fórmulas para que uma viagem cumpra o seu objetivo de nos encher a alma e nos fazer sentir vivos, por isso, cada um de vós, leitores, terá de seguir o seu próprio caminho e escolher o seu próprio ritmo, tal como eu e os meus parceiros de viagem, seguimos e escolhemos os nossos.

Antes de iniciar a escrita senti necessidade de organizar a forma de apresentação dos relatos de cada viagem, sabendo que algumas estão ainda bastante presentes e outras estão já muito distantes. Mas, para que esse efeito de memória, mais viva ou mais vaga, não se torne evidente na escrita, decidi recordar cada uma das viagens de forma totalmente aleatória. E será desta forma que serão publicados, pela ordem em que os vou escrevendo e não pela sua ordem cronológica.

Termino com a ligação a uma outra página, para quem pretenda uma visão mais instantânea de alguns lugares, sem entrar no detalhe que o formato da crónica impõe, recomendo também a ligação ao Blogue que criei recentemente com esse conceito mais light. Neste caso, e como o nome indica, a cada foto corresponderá apenas uma breve história ou descrição: 

(site em construção)


Carlos Prestes
Abril de 2015

José Carlos Prestes
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Engenheiro Civil e Professor no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

sexta-feira, 6 de março de 2026

Prestes a Partir - ÁSIA




     Tailândia
          - Bangkok e Krabi       

     Emirados Árabes Unidos
          - Dubai

     Turquia
         Istambul

     Maldivas



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Prestes a Partir - ÁFRICA



   Norte de África
   - Cidades de Marrocos
   - Praias e cidades da Tunísia

   Cabo Verde
   - Ilha da Boavista

   Moçambique
   - Província de Maputo
   - Gaza e Inhambane
   - Tete

   África do Sul e Swazilândia
    - No Kruger Park em safari
   - Cape Town


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Prestes a Partir - EUROPA



A grande maioria das viagens que realizei ao longo de cerca de quarenta anos foram feitas pelo continente europeu, que percorri de Norte a Sul, visitando mais de trinta países, como se representa no mapa seguinte. Nestas viagens visitei várias vezes alguns destes países, cujas crónicas podem ser consultadas nos links que apresento na lista abaixo (embora, alguns deles estejam inativos, por estarem ainda por escrever).
 


   Itália
   França
   - Paris 
   - Disneyland
   - Córsega

   Espanha
   - Barcelona
   - Menorca
   - Ibiza
   - Maiorca
   - Pirenéus
   - Andorra - Valldnort
   - País Basco, Cantábria, Navarra e La Rioja
   - Outras Cidades do Norte (Aragão e Castela-Leon)

   Ilhas Britânicas
   - Inglaterra
   - Londres
   - República da Irlanda
   - Escócia

   Europa Central
    - Alemanha
    - Áustria
    - Bélgica
    - Luxemburgo
    - Amesterdão

Europa de Leste
     - Praga
     - Bratislava
     - Budapeste
     - Polónia

Escandinávia
      - Copenhaga
     - Estocolmo
     - Helsínquia
     - Noruega, dos fiordes ao sol da meia-noite

   Grécia
   - Atenas 
   - Ilhas Gregas

   Portugal
        - Açores
        - Madeira e Porto Santo
    - Algarve - Pelas praias do Barlavento ao Sotavento
        - Porto e Douro
        - Minho
        - Alentejo

      

Prestes a Partir - AMÉRICA


  
 Estados Unidos
   - New York
   - Florida
   - Costa Leste

   México
   - Cidade do México
   - Riviera Maia

   Brasil
   - Natal
   - Pernambuco e Alagoas

  Caraíbas
   - Cuba
   - Bahamas
   - República Dominicana


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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Dubai


Ao regressarmos de uma viagem à Tailândia, voando com a Emirates, fizemos um stop-over no Dubai, onde ficámos dois dias bastante preenchidos. A ideia era conhecer, ainda que de forma superficial, a principal cidade do emirado, parte dos Emirados Árabes Unidos, relativamente à qual tínhamos expectativas bastante baixas - por a imaginarmos demasiado artificial, quase sem alma e nem chama. 

Mas, apesar dessa perceção de artificialidade e alguma falta de identidade se tenha, em parte, confirmado, a verdade é que acabámos por gostar bastante da visita. Houve até momentos surpreendentemente emocionantes - sensação que se intensificou uma semana depois do nosso regresso, quando os misseis iranianos começaram a sobrevoar o emirado e o espaço aéreo foi fechado... e ficámos com aquela impressão inquietante de termos escapado por um triz.

Mas durante a estadia, nada fazia antecipar tal cenário. Mesmo admitindo que o louco do Trump e o facínora do Netanyahu pudessem atacar o Irão, ninguém imaginaria uma escalada que afetasse diretamente os países do Golfo e, em particular, os Emirados.

Por isso, andámos por lá com a sensação de estar num dos países mais seguros do mundo - um lugar que se orgulha, com evidente vaidade, do luxo e da grandiosidade das suas infraestruturas: o maior centro comercial do mundo, a maior marina do mundo e, claro, a vedeta da companhia - o arranha-céus mais alto do planeta, o Burj Khalifa, principal símbolo do emirado.

O voo em que viajámos, vindo de Krabi, no sul da Tailândia, aterrou pouco depois das 3h da manhã. Isso deu-nos tempo suficiente para fazer o check-in no hotel, deixar as bagagens e tratar de um detalhe bastante útil: a instalação de um cartão de dados móveis que nos foi oferecido no aeroporto - 10 GB por pessoa, válidos por 24 horas.

Depois de nos prepararmos para um dia que se previa longo, apanhámos um Uber - que por aqui funciona de forma bastante eficiente - diretamente para o centro da cidade, onde se ergue o icónico Burj Khalifa.

Mas antes de começar a descrever a nossa visita, deixo aqui o mapa do emirado, onde estão assinalados os locais que fomos explorando ao longo destes dois dias:
 



Burj Khalifa e Dubai Mall

O Burj Khalifa é o edifício mais alto do mundo e um dos maiores símbolos da modernidade do emirado do Dubai. A construção começou em 2004 e foi concluída em 2010, tendo sido oficialmente inaugurado a 4 de janeiro desse ano.

A ideia de construir esta torre surgiu como parte de um plano para diversificar a economia do Dubai, tornando-a menos dependente do petróleo e mais focado no turismo, comércio e investimento internacional. O projeto foi desenvolvido pela empresa Emaar Properties, cuja referência se encontra por todo o lado, e contou com tecnologias avançadas de engenharia para atingir os seus impressionantes 828 metros de altura… lá está, é algo claramente artificial, mas, para nós, que somos engenheiros civis, tem um interesse particular.

O Burj Khalifa tornou-se um verdadeiro símbolo do crescimento e da ambição do Dubai. Mais do que um feito de engenharia, representa a capacidade do emirado para  concretizar projetos inovadores e de grande escala, afirmando-se no panorama global como um centro moderno, competitivo e altamente diferenciado.

Para além disso, o edifício assume-se como um dos principais polos turísticos da região. Milhões de visitantes deslocam-se anualmente ao Burj Khalifa para subir aos seus miradouros, contemplar a vista sobre a cidade e assistir aos espetáculos de luz e água que decorrem diariamente na Dubai Fountain, situada na sua base. Desta forma, não só reforça a imagem do Dubai enquanto destino de luxo, como contribui de forma significativa para a economia local, impulsionada pelo turismo.


Quando chegámos, a noite estava ainda escura, e ainda ficámos algum tempo cá em baixo, a percorrer a envolvente do lago que existe junto ao prédio, com a beleza de um bonito skyline formado pelos edifícios do downtown da cidade.

É nesta altura que nos impressionamos com a grandiosidade deste extraordinário edifício, e com a sua elegância singular. Visto cá de baixo, junto ao lago, revela a robustez de um arranha-céus maciço; mas, à medida que se eleva, vai afinando em sucessivos patamares cada vez mais estreitos, desenhando uma silhueta esguia e harmoniosa, que culmina numa agulha delicada apontada ao céu.
Tínhamos reservado uma visita para as 6h30, que incluía a subida aos pisos 124 e 125, os mais procurados pelos visitantes. Existem, no entanto, opções para aceder a níveis superiores, destinadas a quem procura uma experiência mais exclusiva, embora significativamente mais dispendiosa. No horário e modalidade que escolhemos, o preço rondou os 40€ por pessoa, podendo, contudo, ser bastante mais elevado consoante o piso e a hora que selecionarmos.

Já lá de cima é possível ver grande parte da cidade de Dubai, o deserto e o mar, com uma vista panorâmica impressionante… e como subimos à noite, ainda tivemos oportunidade de ver a cidade toda iluminada.


Permanecemos por ali, no terraço do piso 124 – curiosamente, estava bastante frio, quem diria que ia passar frio no Dubai – e fomos observando a subtil transformação das cores, à medida que o sol nascia e o céu se ia iluminando gradualmente.


Depois de assistirmos ao nascer do sol, permanecemos ainda algum tempo a apreciar os edifícios que envolvem esta parte da cidade, denotando-se uma luminosidade algo difusa - provavelmente causada pelas poeiras do deserto, tão típicas desta região.

Aos poucos, junto à base do edifício, iam-se tornando mais nítidas as formas do Dubai Mall, conhecido como o maior centro comercial do mundo, bem como da Dubai Fountain, a maior fonte coreografada do planeta e, em redor, destacava-se ainda o conjunto de edifícios modernos que compõem o downtown, reforçando a imagem de uma cidade marcada pela escala e pela ambição.


Só descemos quando já era completamente de dia, mas, pelo caminho, ainda nos demorámos nas diversas instalações que exibem as fases da construção e os processos construtivos - conteúdos que, na verdade, interessam sobretudo aos engenheiros.

Mas foi só quando chegámos cá em baixo, que sentimos o verdadeiro impacto da dimensão do Burj Khalifa, um arranha-céus verdadeiramente extraordinário.
Era já uma manhã enorme e precisávamos de um pequeno almoço reforçado, por isso entrámos no centro comercial, e arranjámos, de facto, um local onde nos serviram uma refeição que nos soube pela vida.

Aqui usam o Dirham, que corresponde a 0,23€, mas nunca chegámos a trocar dinheiro, pagámos tudo com Revolut, e numa travessia de barco aceitaram-nos as notas de Euro.

Depois do pequeno almoço recuperámos forças para dar umas voltas explorando, por fora e por dentro, o maior shopping do mundo, mas sem grande interesse em comprar fosse o que fosse, foi mais para apreciar o luxo e a dimensão e extravagância, deste espaço.


Quanto ao tipo de extravagâncias que aqui se encontram, são imensas, sobretudo ao nível dos artigos mais luxuosos, alguns com incorporação de ouro ou diamantes. Mas há também, por exemplo, uma enorme pista de hóquei no gelo, algo bizarro num país onde as temperaturas chegam a atingir quase 50º.
Como não somos consumistas de joias nem de marcas de luxo, fomos apenas apreciando o que nos rodeava, primeiro no interior daquele espaço infinito; e depois, já no exterior, junto à fonte, onde voltaríamos à noite, quando tudo isto anima. Mas, por agora, só havia tempo para mais uma contemplação do conjunto de arranha-céus do downtown, que constrói um belíssimo skyline, naturalmente dominado pela estrela da companhia… o Burj Khalifa.




Museum of the Future e o Dubai Frame

Ao final da manhã, depois de explorarmos o vasto shopping e toda a área envolvente, marcada por edifícios elegantes que parecem gravitar em torno do mais imponente de todos, o Burj Khalifa, iriamos agora voltar ao hotel, e esperar para que um driver nos fosse apanhar para um percurso durante toda a tarde, até ao deserto.

Pelo caminho encontrámos duas das atrações da cidade, o Museum of the Future e o Dubai Frame, sobre as quais vou deixar uma breve referência.

Inaugurado em 2022, quando teve lugar a Expo Dubai 2020 (que atrasou dois anos devido à pandemia), o Museu do Futuro destaca-se tanto pela arquitetura futurista como pelo seu conceito inovador. A arquitetura é completamente disruptiva, concebida em forma de um anel alongado, com cerca de 77 metros de altura, revestido a aço onde se distinguem textos em caligrafia árabe, formando sulcos que funcionam também como janelas. Não existindo pilares ou colunas no interior, esta estrutura torna-se numa obra de engenharia bastante complexa… e já se sabe, nós gostamos deste tipo de coisas, naturalmente por deformação profissional.

Ao contrário dos museus tradicionais, este não se foca no passado, mas sim em imaginar e explorar o futuro, com experiências imersivas ligadas à tecnologia, sustentabilidade, saúde e exploração espacial. No interior, os visitantes percorrem diferentes cenários interativos que simulam como poderá ser a vida nas próximas décadas. Mais do que um museu convencional, é uma experiência sensorial e visual, especialmente apelativa para quem se interessa por inovação e design… mas é bastante caro, cerca de 40€/pessoa.

O Dubai Frame é uma estrutura icónica em forma de moldura gigante, com cerca de 150 metros de altura, localizada no Zabeel Park. Foi inaugurado em 2018 e funciona como miradouro e museu, permitindo observar simultaneamente o Dubai antigo e a zona moderna do downtown, a partir do topo, onde existe uma ponte com o piso em vidro para otimizar as vistas panorâmicas. A experiência inclui ainda uma exposição sobre a evolução da cidade, desde o passado até a uma visão do futuro. Neste caso o preço é mais barato, cerca de 13€/pessoa, mas não tínhamos tempo para subir e ficámos a observar cá de baixo.



Deserto de Lahbab

Fizemos mais de uma hora até chegar ao deserto, não tanto pela distância, mas pelo trânsito, surpreendente caótico em todo o emirado.

Estávamos já nas proximidades da fronteira com Oman, quando chegámos ao Deserto de Lahbab, que constitui uma das paisagens marcantes dos arredores da cidade do Dubai, conhecido pelas suas dunas de areia fina com tonalidades avermelhadas e alaranjadas, que contrastam com o céu limpo e intenso, e que formam belas noites estreladas. Aqui as dunas são altas e ondulantes e até dinâmicas, formando um relevo quase escultórico, moldado constantemente pelo vento.
O deserto é sempre assim, dá-nos uma sensação absoluta de espaço: um horizonte aberto, praticamente sem fim, onde o silêncio só é interrompido pelo sopro do vento ou pelo som de um veículo a atravessar a areia. Durante o dia, a luz forte realça as cores quentes do terreno, enquanto ao final da tarde o cenário ganha tons mais suaves e dourados, criando um ambiente particularmente envolvente.

Apesar da aparência árida, o deserto tem uma beleza serena e quase hipnótica, convidando tanto à contemplação como à aventura, seja num passeio pelas dunas ou numa experiência mais intensa a atravessá-las.
Ao chegarmos ao local, aguardavam-nos vários camelos prontos para nos transportar - coitados - confesso que não é algo que aprecie particularmente, apesar de saber que são animais naturalmente adaptados a este tipo de esforço e que o fazem com aparente tranquilidade.

   
Começámos com um curto passeio de camelo pelas dunas, onde a areia fina, em tons quentes e avermelhados, parece estender-se sem fim. Ainda assim, não é uma experiência propriamente imersiva - acaba por ser mais um faz-de-conta que evoca as antigas caravanas que atravessavam o deserto. Apesar disso, não deixa de ser divertido - afinal, como acontece com muitas experiências no Dubai, também os passeios de camelo têm um certo toque de artificialidade.
   

Ao longo do passeio surgem inevitavelmente as típicas imagens das sombras da caravana, projetadas sobre a areia - sempre bonitas e sugestivas - que nos fizeram recordar experiências semelhantes noutros lugares, nomeadamente no Norte de África, onde também já tínhamos feito passeios de camelo.
Seguiu-se uma tentativa divertida de “ski” nas dunas - na verdade, não havia skis, apenas pranchas de snowboard ou umas tábuas para nos sentarmos, o que nos levou a escolher essa opção de deslizar sentados, entre risos e algum desequilíbrio - se tivessem skis talvez ainda pudéssemos ter dado um show sobre a areia.

Depois da atividade, fomos recebidos com um pequeno lanche, onde não faltaram algumas frutas descascadas e uma coisa mais do deserto - o café com tâmaras – e eu adoro tâmaras e também gosto de café, foi perfeito.

Houve ainda mais algum tempo livre para simplesmente apreciar a paisagem e, para os mais aventureiros, a possibilidade de explorar as dunas em moto-quatro, pagando o extra (uma tentação que deixei para os mais destemidos).


O regresso trouxe uma das partes mais intensas da experiência: um longo raid de jipe, com mais de uma hora, em que atravessámos quilómetros de dunas a alta velocidade, subindo e descendo encostas de areia como se estivéssemos numa etapa do Dakar, numa mistura constante de adrenalina e algum receio.


Já no final, parámos em pleno deserto para assistir ao pôr do sol, fechando o ciclo de um dia que começara com o sol a nascer do lado oposto destas dunas.

Sendo o primeiro dia do Ramadão, o nosso driver, em jejum até então, aproveitou esse momento para comer a sua primeira refeição, apenas uns frutos secos e, à hora certa, estendeu o seu tapete na areia, orientado para Meca (que nem fica assim tão longe daqui), e fez a sua oração, discretamente atrás do jipe.

Enquanto isso, deixámo-nos ficar a contemplar o sol que desaparecia lentamente por detrás das dunas - um instante de rara beleza, marcado, não só pela paisagem, mas também por toda a envolvente espiritual que ali se fazia sentir.




Dubai Souk

Na manhã do dia seguinte resolvemos visitar a zona da cidade-velha, ou bairro de Deira, onde moram os habitantes nativos do Dubai, que, na maioria, não vivem nos arranha-céus que formam as partes mais modernas desta cidade.

Chegámos ao chamado Boating Point, um porto junto ao Dubai Creek, um braço de mar meio artificial que entra terra adentro a partir do Golfo Pérsico. Voltámos a usar um Uber, que foi o que fizemos sempre, pareceu-nos uma boa alternativa, embora o custo seja ligeiramente superior ao que pagamos aqui em Portugal. Se ficássemos mais tempo fazia sentido explorar a hipótese de andar de Metro, um comboio que aqui corre sobre viadutos.

Neste pequeno pier, é visível toda a margem oposta, onde ficam os bairros onde os locais habitam, e onde fica também um dos mercados mais típicos da cidade-velha, o Gold Souk. Mas na margem de onde saímos, destaca-se a imagem de uma das principais mesquitas desta zona, e que aqui surge difusa, pelo sol ainda baixo do início da manhã.



Apanhámos um curioso barco de carreira pública que atravessa o Dubai Creek, a um preço quase insignificante – mas como não tínhamos moeda local, tivemos que lhes dar uma nota de 5€, quase 10 vezes mais do que o valor dos três bilhetes.

Estes barcos da carreira pública que atravessam o Dubai Creek são conhecidos como Abras e podem ser descritos como pequenas embarcações tradicionais de madeira, totalmente abertos e equipados com um motor. No interior, têm dois bancos corridos paralelos ao centro, onde os passageiros se sentam costas com costas, muitas vezes quase encostados uns dos outros.

Visitar os souks do Dubai é mergulhar num lado mais autêntico e tradicional da cidade, bem diferente do brilho moderno dos arranha-céus. Na zona de Deira, junto ao canal Creek, encontramos um labirinto de ruas estreitas onde o comércio acontece como há décadas… mas não se pense que vamos encontrar algo parecido com os souks marroquinos, pois aqui o ambiente é menos intenso e visualmente menos marcante.

A entrada do mercado faz-se pela rua Old Baladiya, assinalada por um pórtico de entrada, que encontramos assim que saímos do porto.
O mercado das especiarias, o Dubai Spice Souk, é um verdadeiro convite aos sentidos, envolvendo-nos com os aromas intensos de produtos vindos de várias partes do mundo - açafrão, canela, cardamomo ou incenso - dispostos de forma a realçar o contraste de cores e criar um cenário marcadamente exótico. Os vendedores, sempre atentos, incentivam a aproximação e a conversa, contribuindo para um ambiente animado e genuíno.


De regresso à Old Baladiya Street, a principal artéria da zona, encontramos um ambiente que também funciona como mercado, embora com lojas mais modernas em vez das bancas tradicionais. Aqui, além das especiarias - igualmente disponíveis - surgem outros produtos mais direcionados para os turistas, como peças de artesanato ou os famosos chocolates do Dubai.

Ainda na mesma rua surge a chamada Mesquita Verde, cujo nome oficial é Khalifa Al Tajer Mosque. É facilmente reconhecível pelos seus tons esverdeados e azulados, que lhe valeram a designação popular. Ao contrário de outras mesquitas mais tradicionais da cidade, apresenta um estilo mais moderno e simples, destacando-se menos pela ornamentação e mais pelo conceito arquitetónico.
A poucos passos dali encontra-se o Gold Souk, que revela um contraste impressionante. Apesar da rua principal deste mercado, a Al Khor Street, estar coberta por uma vasta estrutura de madeira, com tons de castanho e pouco exuberante, as lojas - e, sobretudo, as suas montras - brilham intensamente com peças de ouro de todas as formas e tamanhos, desde joias delicadas a colares exuberantes que parecem verdadeiras obras de arte. É difícil não ficar surpreendido com a quantidade e a opulência expostas num mercado que é, justamente, um dos mais famosos do mundo neste tipo de comércio.

Mas à hora a que visitámos estes mercados, ainda de manhã, o ambiente encontrava-se algo morno, com pouco movimento de clientes e até de lojistas, que só começam a surgir mais tarde. Por isso, acabámos por não assistir ao seu verdadeiro dinamismo, sobretudo no que diz respeito às transações no mercado do ouro… que estava meio vazio.

Regressando ao porto, torna-se agora mais evidente a mesquita situada na margem oposta do canal, no bairro de Bur Dubai: a chamada Grande Mesquita de Dubai. A sua silhueta é facilmente reconhecida pelo imponente minarete, com cerca de 70 metros de altura, o mais alto da cidade.

Trata-se de um dos mais importantes e emblemáticos locais de culto de Dubai. Embora as fachadas revelem uma certa sobriedade, é na sua arquitetura de inspiração islâmica tradicional que se reconhece a herança cultural da região. Ainda assim, é sobretudo no interior que a mesquita mais impressiona, com as suas nove cúpulas principais e dezenas de cúpulas menores a compor o conjunto. Como é habitual, o acesso ao interior está reservado aos fiéis, particularmente durante o período do Ramadão, quando as práticas religiosas assumem maior relevância.
Já no pier, foi necessário regatear o bilhete do barco, que desta vez acabou por ser numa embarcação privada, só para nós – pois não havia qualquer opção pública disponível num prazo razoável. Situações típicas em contextos onde a negociação faz parte do quotidiano. Ainda assim, a diferença foi mínima: acabámos por pagar 6€, em vez dos 5€ do percurso anterior, feito num barco público.

Neste trajeto de volta, e com o privilégio de termos o barco só para nós, tivemos oportunidade de apreciar uma última vez a zona de Deira, a chamada cidade-velha, com a sua silhueta à beira do Creek… uma imagem que contrasta claramente com a face mais moderna e arrojada, mas também menos genuína, que hoje define este emirado.




A marina do Dubai

A Dubai Marina é um dos espaços urbanos mais impressionantes e emblemáticos da cidade, representando na perfeição o lado moderno e sofisticado do emirado.

A ideia de um Dubai moderno e luxuoso, e um refúgio apelativo para as grandes fortunas (pela privacidade, segurança - pelo menos pensava-se assim – e, sobretudo, pela isenção fiscal), surgiu da ideia do Emir Maktoum bin Rashid Al Maktoum, na década de 1990, quando este chegou ao poder após a morte do seu pai, o anterior Sheikh. Depois da morte do Emir, em 2006, subiu ao poder o seu irmão mais novo, o atual emir, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, que tem continuado as obras de modernização do emirado.

Uma das primeiras imagens de marca de um Dubai em processo de modernização, foi a do hotel Jumeirah Burj Al Arab, inaugurado em 1999.
Voltando à marina, trata-se de um espaço totalmente artificial, construída ao longo de um canal escavado, rodeada por uma densa floresta de arranha-céus que criam um dos skylines mais marcantes do planeta… e, claro, é a maior marina artificial do mundo.

De qualquer forma, e apesar de ser algo artificial e muito recente, para um engenheiro, é fácil deixar-se fascinar por tantos arranha-céus modernos e bonitos, como estes que aqui encontramos.

Neste imenso bairro destaca-se o agradável passeio pedonal, sempre animado, onde se sucedem restaurantes, cafés e esplanadas com vista para o espelho de água. Durante o dia, a zona convida a caminhadas tranquilas, mas é ao final da tarde e à noite que ganha uma atmosfera mais vibrante, com as luzes dos edifícios a refletirem na marina, criando um cenário particularmente fotogénico.

Neste dia em particular, por estarmos em pleno Ramadão, a mesquita local assumia uma importância ainda mais marcante, tornando-se um ponto de referência, não só espiritual, mas também social, acompanhando o ritmo próprio desta época tão significativa.


Um dos traços mais distintivos deste espaço é a presença constante de iates e embarcações de luxo, que acentuam o seu caráter exclusivo. Mas mais do que uma simples marina, trata-se de um notável exemplo de engenharia e planeamento urbano em grande escala, onde cada detalhe parece cuidadosamente concebido para otimizar a funcionalidade e valorizar o impacto visual. Para os apreciadores de grandes empreendimentos - por exemplo, o caso dos engenheiros - a Dubai Marina destaca-se como um verdadeiro caso de estudo: uma área inteiramente artificial que se afirmou como um dos principais polos da cidade.

Tínhamos marcado um passeio de barco, que foi, sem dúvida, o momento mais marcante da nossa visita à marina - uma experiência dinâmica e privilegiada que nos permitiu observar esta zona marginal do Dubai, bem como o complexo de ilhas que forma uma imensa palmeira, chamada de Palm Jumeirah. A bordo de uma lancha rápida da Xclusive Yachts, percorremos a linha de costa passando por alguns dos ícones mais reconhecidos da cidade.
Logo à saída, junto à JBR Beach, começámos a sentir o contraste entre a animação da praia e a imponência dos edifícios que a envolvem. Pouco depois, surge no horizonte a impressionante Ain Dubai, a maior roda-gigante do mundo… lá está, cuja escala se torna ainda mais evidente vista do mar.


O percurso prossegue em direção ao icónico Atlantis The Palm, situado na extremidade do conjunto de ilhas que compõem a Palm Jumeirah. Este hotel de luxo, reconhecido como um dos mais emblemáticos do mundo, inspira-se no mito da cidade perdida de Atlântida. Destaca-se pela sua arquitetura monumental e pelo imponente arco central, que se afirmou como um dos principais símbolos visuais da cidade do Dubai.
Pouco depois, chegamos ao Atlantis The Royal, um dos hotéis mais recentes e luxuosos da Palm Jumeirah. Destaca-se pela sua arquitetura moderna e arrojada, com um design singular formado por blocos sobrepostos, constituindo mais um impressionante exemplo de engenharia e arquitetura. Mais do que um simples hotel, o resort proporciona uma experiência exclusiva, com quartos sofisticados, muitos com piscinas privadas, e uma ampla oferta de restaurantes e outras atrações. No fundo, simboliza o luxo extremo e a inovação que definem o Dubai… mas, para nós, só nos resta observar à distância.
Um dos pontos altos do trajeto é, sem dúvida, a aproximação ao emblemático Burj Al Arab, cuja silhueta em forma de vela se destaca sobre o mar. Visto deste ângulo, reforça-se a ideia de exclusividade e ousadia arquitetónica que caracteriza a cidade.
O Burj Al Arab é um dos hotéis mais icónicos do mundo e um verdadeiro símbolo do Dubai. Inaugurado em 1999, destaca-se pelo seu formato em vela e pela sua localização sobre uma ilha artificial, ligada à costa por uma ponte privada. Reconhecido pelo luxo extremo, oferece suítes espaçosas, serviço altamente personalizado e experiências exclusivas. Mais do que um hotel, o Burj Al Arab representa a ambição e o pioneirismo do Dubai no turismo de alto padrão.

Para os turistas de pé-descalço - que é aquilo que nos sentimos neste conglomerado de luxo faraónico – resta-nos apenas apreciar a silhueta do hotel, única e impressionante, que se destaca não só pelo seu design icónico, mas também como um notável exemplo de engenharia e arquitetura.
No restante percurso, fomos deixando para trás esta grande referência do emirado e contornámos algumas praias de ilhas privadas, incluindo a ilha particular do Sheikh, onde se ergue um imponente palácio de veraneio, parcialmente oculto por um denso coqueiral. Ao fundo, surgia o contorno de mais um conjunto de grandes edifícios, sinal de uma nova zona urbana em pleno crescimento.

Entrámos depois no complexo de ilhas que se dispõem em forma de palmeira, completamente ocupadas por resorts privados – a Palm Jumeirah.

Passámos na proximidade de uma das suas costas mais referenciadas, a Palm West Beach, com os belíssimos edifícios dos resorts que ali existem, servidos pelas suas praias de uso privado.


Nesta posição, ao nível do mar, ou se nos deslocarmos a pé, não temos qualquer noção de estarmos junto a um conjunto de ilhas e penínsulas que formam uma imensa palmeira. Para conseguirmos obter esse tipo de vista, em que seja possível observar o formato da Palm Jumeirah, teremos de subir a locais elevados ou recorrer a meios aéreos, já que este desenho inacreditável só se revela claramente quando visto de cima.

A melhor solução será subirmos ao The View at The Palm, um miradouro no piso 52 da Palm Tower, localizada em frente ao "tronco" da palmeira, por um custo de 110 Dirham (cerca de 26€). Ali, teremos acesso a vistas panorâmicas de 360 graus sobre o golfo pérsico, o skyline do Dubai e a icónica forma de palmeira desta ilha.

Ao longo de todo o percurso, a velocidade da lancha acrescenta uma dose extra de adrenalina, tornando a experiência ainda mais envolvente. Mais do que um simples passeio turístico, este trajeto revelou-se uma forma privilegiada de compreender a escala, a ambição e a diversidade dos grandes projetos costeiros do Dubai - muitos deles verdadeiras obras de engenharia que ganham uma nova dimensão quando observadas a partir do mar, como este novo conjunto de arranha-céus que vai crescendo de um dos lados da marina.


Regressámos à marina, onde nos despedimos daquela envolvente extraordinária, com grandes edifícios e um belíssimo canal ocupado por barcos de recreio… mas o dia não terminava aqui - iríamos ainda aproveitar para sair e jantar, tentando desfrutar de um dos locais onde a vida noturna do emirado se revela mais vibrante e interessante.



Um serão no Dubai

O local onde se concentra a vida noturna mais intensa, sobretudo durante o Ramadão, quando os fiéis só podem comer depois do pôr-do-sol, é na envolvente ao Dubai Mall - o maior shopping do mundo, repleto de restaurantes para todos os gostos - ou nas suas proximidades, junto à Fonte do Dubai - também ela a maior do mundo - localizada aos pés do Burj Khalifa - cujo ranking mundial nem vale a pena questionar, teria de ser o maior do mundo.

A caminho desta zona fomos apreciando a paisagem urbana, marcada pelos arranha-céus iluminados, que vamos encontrando ao longo das vias rápidas que percorremos. Voltámos ainda a passar pelo Museu do Futuro, que é tão bonito à noite como de dia.

Mas o mais incrível foi quando fomos surpreendidos pelo outdoor promocional de uma seleção de futebol. Podia ser da seleção dos Emirados, ou do Catar ou até da Arábia Saudita, países onde o futebol está a crescer, e com investimentos gigantescos. Mas não, para grande surpresa minha a equipa publicitada era mesmo a seleção portuguesa.

E lá estavam os nossos craques, equipados a rigor, ocupando vários outdoors enormes… uma vergonhosa promoção dos ativos do super-agente Jorge Mendes, paga pela Federação Portuguesa de Futebol, ou seja, pelos dinheiros públicos nacionais.
A noite no downtown estava de facto fantástica. Milhares de pessoas percorriam os corredores do centro e enchiam os restaurantes, enquanto, a cada meia hora, se reuniam junto à fonte para assistir a um espetáculo impressionante. Luzes, música e dança de jatos de água, criavam um jogo fascinante de movimento e pulverização, complementado pelas projeções de imagens no próprio Burj Khalifa, tornando a experiência ainda mais memorável… completamente artificial, como quase tudo no Dubai, mas um excelente entretenimento.


      
O espetáculo noturno da Fonte do Dubai faz parte do conjunto de atrações mais icónicas da cidade, e é já visto como um verdadeiro símbolo do carácter grandioso do emirado. As águas desta fonte criam uma experiência envolvente, repetindo em intervalos regulares - que me pareceu ser a cada meia hora - que acompanham os jatos de água que se elevam a dezenas de metros de altura, ao ritmo de diferentes bandas sonoras - que vão desde música clássica a temas contemporâneos e tradicionais do Médio Oriente.

Enquanto isso, milhares de pessoas amontoam-se à beira do lago, contemplando o belíssimo espetáculo que ali vai acontecendo… enquanto algumas escolhem uma experiência mais imersiva, percorrendo o lago em pequenas embarcações.

A iluminação deste espetáculo é cuidadosamente sincronizada com a dança das águas, e acrescenta cores vivas e profundidade, num efeito visual hipnotizante. Mas o que torna este espetáculo ainda mais singular é a integração do próprio Burj Khalifa na coreografia. A fachada do arranha-céus serve de tela para projeções de luz e imagem que dialogam com os movimentos da água, ampliando a escala e a intensidade do momento. O resultado é uma fusão harmoniosa entre arquitetura e espetáculo, onde o edifício mais alto do mundo deixa de ser apenas cenário para se tornar parte ativa da performance.

Assistir ao espetáculo da Fonte do Dubai é muito mais do que ver um simples jogo de água - é vivenciar uma experiência sensorial completa, onde a grandiosidade técnica se alia à emoção estética, criando um dos momentos mais memoráveis de qualquer visita à cidade.

O balanço da visita ao Dubai acaba por ser marcadamente positivo, e muito surpreendente. À partida, poderia esperar-se uma experiência algo artificial - afinal, trata-se de uma cidade construída de raiz e num período muito curto. No entanto, essa mesma característica acaba por se transformar num dos seus maiores pontos de interesse.

O Dubai revela-se como um verdadeiro laboratório à escala real, onde a ambição, a visão e a capacidade técnica se materializam em projetos de enorme dimensão e complexidade. Para quem tem formação em engenharia civil, a cidade ganha uma camada adicional de significado: cada edifício, infraestrutura ou empreendimento não é apenas impressionante à vista, mas é também um exemplo concreto de inovação, planeamento e execução.

A magnitude de muitas das obras é difícil de ignorar - desde arranha-céus icónicos a ilhas artificiais, passando por centros comerciais gigantescos e sistemas urbanos altamente eficientes. Muitos destes projetos podem ser considerados verdadeiras proezas da engenharia contemporânea, desafiando limites técnicos e logísticos.

No final, mais do que a sua imagem futurista ou o luxo frequentemente associado, o Dubai conquista pela sua capacidade de surpreender e pela forma como transforma ideias ambiciosas em realidade. É uma cidade que, apesar da sua natureza artificial, consegue ser genuinamente interessante - sobretudo para quem olha para ela com um olhar técnico e curioso.


Fevereiro de 2026
Carlos Prestes