Saímos de Nápoles para visitar a zona mais glamourosa do Sul de Itália, a Costa Amalfitana. Apesar desta zona costeira ficar a pouco mais de 40 km de Nápoles, resolvemos mudar de hotel e instalámo-nos na pequena cidade de Cava de' Tirreni, localizada no lado Nascente desta zona turística, já na província de Salerno.
Cava de'Tirreni:
Foi escolhida apenas por estar perto da Costa Amalfitana e ter uma oferta de alojamento a preços normais, sem o disparate que se encontra nas povoações costeiras, que pedem fortunas por um quarto de hotel. Além disso, ao contrário do que acontece nos locais mais turísticos, aqui não há problemas com o estacionamento. Mas foi só por isso que escolhemos Cava de'Tirreni, não contávamos com nada mais deste local, mas, na realidade, acabou por ser uma agradável surpresa.
Trata-se de uma pequena cidade, bastante simpática, com um ambiente histórico e monumental, muito interessante.
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Aquilo que mais caracteriza esta terra é a existência de uma rua, o Corso Umberto I, que nos seus primeiros 500m é acompanhada por fachadas em arcos de ambos os lados, o que dá um total de 1km de arcadas, ocupadas por todo o tipo de comércio e por bastantes restaurantes e esplanadas. É esta imagem de marca da cidade que a torna especial, e foi isso que mais nos agradou na nossa visita.
Pelo caminho vamos passando por algumas piazzas, bem ao estilo das cidades italianas de província.
Mas do que mais gostei nesta cidade foi o facto de ser também um espaço bastante agradável durante a noite, pois, quem aqui se aloja para visitar a Costa Amalfitana, só cá regressa ao final da tarde. E, na verdade, quando saímos à noite para jantar, encontramos uma cidade movimentada, bastante bonita, com as suas arcadas iluminadas, e com vários restaurantes bem acolhedores.
Exprimentámos a Braceria Scacciaventi, um restaurante com uma decoração interessante, muito ao estilo wine-house, que se estende pelo exterior numa esplanada sob as arcadas. Tem uma ótima garrafeira, com todo o tipo de vinhos italianos, e um menu variado, muito para além das habituais pastas… uma ótima escolha, tanto o restaurante como a cidade.
Exprimentámos a Braceria Scacciaventi, um restaurante com uma decoração interessante, muito ao estilo wine-house, que se estende pelo exterior numa esplanada sob as arcadas. Tem uma ótima garrafeira, com todo o tipo de vinhos italianos, e um menu variado, muito para além das habituais pastas… uma ótima escolha, tanto o restaurante como a cidade.
A Costa de Amalfi:
Ao chegar junto à costa, que é conhecida pelo nome da sua principal cidade, Amalfi, entramos por uma estrada sinuosa que é um autêntico carrossel de adrenalina, entre a excitação da beleza daquele local e o risco que adivinhamos ao percorrer um caminho tão estreito e tortuoso. Vamos vencendo as enseadas que se sucedem ao longo da encosta, sempre perante paisagens lindíssimas, com o verde vivo da vegetação em redor e o mar azul por baixo, e começamos a encontrar as primeiras povoações turísticas da zona.
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Os locais de veraneio vão-se sucedendo, todos eles com as suas praias muito típicas, com as areias pretas densamente ocupadas por toldos com cores vivas, como em Minori ou em Marmorata, ou noutros locais que revelam, para além das praias, algumas construções monumentais que marcam a silhueta da paisagem de quem percorre a estrada, como nos casos de Maiori e de Atrani.
Mas a viagem pelas estradas desta costa tem tanto de belo e fascinante, como de assustador e desconfortável. A estrada estreita, as curvas apertadas e o trânsito intenso na contramão, sempre a fazer-nos pensar que é desta que vamos bater, ou que na próxima o carro não vai passar… demoramos tempos sem fim para fazer meia dúzia de quilómetros.
E foi por isso inevitável parar o carro e continuar o nosso percurso de barco. Esta era uma alternativa que já tínhamos previsto e, por isso, tinha como referência um parque de estacionamento em Amalfi… mas não pensem que é algo corriqueiro, porque se enganam, o estacionamento na Costa Amalfitana é um bem raro e precioso. Selecionei o único parque de jeito desta zona, o Luna Rossa, à entrada de Amalfi, do lado Nascente, todo ele feito em túneis escavados na rocha e, apesar de ser bastante grande, ainda faz uma fila cá fora num pinga-pinga, esperando a saída de cada cliente, para a entrada do seguinte. E quanto ao preço, nem quero saber… que é uma coisa que faço de vez em quando, nem olhar para o preço para não me sentir mal, e foi o que fiz aqui.
Assim, largámos a estrada sinuosa e perigosa e fomos apanhar uma das várias carreiras de barco que nos são oferecidas no porto de Amalfi, e que nos iriam dar uma paisagem privilegiada desta costa, agora a partir do mar, mas sempre lindíssima, com as suas encostas íngremes e verdejantes.
Foi assim que percorremos o trajeto entre duas das principais terras desta costa, de Amalfi a Positano.
Positano:
Que lugar fantástico - foi do mais gostei em toda esta zona do Sul de Itália - o glamour, o ambiente, os aromas, as cores, as paisagens de nos tirar o fôlego - tudo é tremendamente tentador e deixa-nos completamente encantados.
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Mal chegamos ao porto e a paisagem desta vila a partir do mar prende-nos logo e revela-nos que estamos perante um lugar belíssimo e especial, o que nos deixa até com algum nervosismo e impaciência, para começarmos a descoberta.
As praças e as ruas dispõem-se ao longo de duas encostas íngremes, onde as casas se aglomeram em sucessivos degraus, por entre a vegetação e alguns limoeiros, numa mistura de cores que parece criada por um artista plástico.
Mas, num sítio tão bonito como este, não será certamente uma igreja que nos vai deslumbrar. O que realmente nos encanta nesta terra, são as ruas cheias de gente, algumas não passam de pequenos becos, com os turistas que as sobem e descem por escadas e rampas, visitam as lojas e deliciam-se as paisagens fascinantes que, aqui e ali, nos são oferecidas… e é também o glamour que se adivinha, reservado aos melhores hotéis e restaurantes, mas que encontramos um pouco por todo o lado, como nas lojas ou boutiques, sempre com um toque de requinte.
E chegados ao topo da encosta, por onde passa a estrada sinuosa que contorna toda a Costa Amalfitana, começamos a ter acesso a vários pontos de observação que nos permitem contemplar o enquadramento fantástico que junta esta vila magnífica com os azuis vivos do Mediterrâneo e as cores da vegetação que envolve o casario.
E não conseguimos deixar de contemplar insistentemente esta preciosidade, paramos sempre mais uma vez e tiramos uma nova foto, uma após a outra, só mais uma vez, sempre a mesma imagem, sempre a mesma emoção em forma de fotografia, mas que não queremos deixar de repetir, tal a beleza de toda aquela envolvente... que paisagens maravilhosas, que local inesquecível.
E num local tão extraordinário como este não poderíamos deixar de usufruir de outro dos grandes prazeres do dolce far niente italiano, que é a comida maravilhosa que este país sempre oferece, neste caso una bellissima pasta que resolvemos desfrutar no Ristorante Bruno... com uma paisagem de tirar o fôlego, que valeria por si só, mas que, qual cereja em cima do bolo, ainda nos proporcionou umas massas fantásticas, daquelas que nos ficam na memória.
E, para terminar o dia em beleza, depois de termos ficado maravilhados vezes sem conta, faltava ainda aproveitar o prazer das águas tépidas e transparentes do mar que banha toda esta costa.
Amalfi:
Tendo estado antes em Positano, Amalfi já não nos deslumbra da mesma forma. É algo muito injusto para certos locais que acabam por perder algum do seu brilho, porque são ofuscados pela proximidade de outros lugares ainda mais especiais e deslumbrantes. Talvez devesse ter invertido a ordem, deixando Positano para o fim, mas, a verdade, é que não sabia que isto poderia acontecer.
Porque, à primeira vista, Amalfi tem tudo para nos encantar… uma bonita vila junto ao mar, com uma belíssima baía rodeada por penhascos íngremes, onde nascem construções históricas dispostas de forma prodigiosa e em perfeita harmonia. O resultado é uma paisagem extraordinária… maldito Positano, que não nos deixa apreciar toda dimensão desta beleza.
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Mas, apesar de ter um certo aspeto de aldeia histórica, Amalfi não deixa de ser um centro de veraneio, visitado por quem procura o mar, para um dia de praia ou para a prática de um dos desportos náuticos que por aqui se podem experimentar. E lá encontramos de novo as praias da areia preta e calhau, mas com aquelas águas quentinhas que o Mediterrâneo nos oferece.
Mas, de qualquer forma, são sempre bonitas estas praias italianas, pelo enquadramento, claro, que é lindíssimo, mas também pelo jogo de cores criado pelos chapéus de sol que cobrem o areal.
E todas estas zonas costeiras parecem-nos ainda mais bonitas quando saímos de barco e as contemplamos a partir do mar, aí torna-se mais evidente o enquadramento da paisagem, com os habituais contrastes entre as encostas e o mar, e a forma rara com que esta aldeia se dispôs, meio encavalitada nos rochedos, como que posando para que um pintor consiga fazer uma aguarela perfeita.
Mas, mesmo quando regressamos a terra, Amalfi surge-nos como uma vila simpática, cheia de gente que anda entre lojas e esplanadas, apreciando o ambiente, que é bastante agradável e tem um toque de glamour… mas não tanto como o “maldito” Positano, claro.
Esta terra cresce sobretudo ao longo das encostas sobrando apenas uma pequena zona ao nível do mar, por detrás da marginal que faz o contorno da praia e do porto. É nessa zona que encontramos a praça central da vila, a Piazza Duomo, conhecida pela Fontana Sant'Andrea, onde todos aproveitam para se refrescar.
Mas aquilo que mais impressiona nesta praça é a presença da imponente Catedral de Amalfi e da sua escadaria colossal.
Ninguém esperaria encontrar uma catedral tão exuberante em plena costa amalfitana. O Duomo di Amalfi, também chamado por Duomo de Sant'Andrea, é uma igreja católica romana medieval, com uma fachada bizantina listada, muito bonita, e em ótimo estado de conservação. A catedral é dedicada ao apóstolo Santo André, cujas relíquias estão guardadas na sua cripta.
O dia aproximava-se do fim… mais um dia fantástico, sobretudo pela beleza e glamour da pequena aldeia de Positano, mas também pela bonita vila de Amalfi, para além das paisagens encantadoras ao longo desta costa, vistas do mar ou pela estrada tortuosa que percorremos.
É daqueles locais que abandonamos com a ideia de que goraríamos de regressar, e já com um aperto nostálgico da despedida… era já a tal saudade, algo tão nosso, tão português, mas que vamos sentindo por onde as nossas viagens nos vão levando.
Mas aqui, em plena Amalfi, tão de repente e tão inesperadamente, enquanto pensava neste sentimento bem português, já no regresso ao carro para terminar o dia, deparei-me com uma bela referência portuguesa que jamais imaginava poder encontrar ali, a poucos metros da praia da Amalfi… um imenso mural de azulejos do nosso Cargaleiro.
Estes pequenos apontamentos lusitanos que encontramos pelo mundo fora, fazem-me sempre sentir um orgulho, talvez meio patético, de ser português, e foi assim que deixei para trás estas terras italianas, com emoções que, na verdade, são universais.