quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Santuário de elefantes de Ao Nang

Este santuário de elefantes é muito mais do que uma simples atração, pois proporciona uma experiência profundamente imersiva na natureza e no contacto com estes animais impressionantes.

Reservámos um tour de meio-dia por 68 €/pessoa, o mais caro de todos os programas que experimentámos, mas também um dos mais marcantes em toda a viagem. Saímos numa van, que nos foi buscar ao hotel, e ao fim de menos de meia hora estávamos a chegar ao abrigo de elefantes de Ao Nang, uma infraestrutura que pode ser descrita como um exemplo claro da mudança de paradigma no turismo na Tailândia - passando da antiga forma de exploração destes animais para um modelo em que o mais importante é a sua proteção e reabilitação.

Trata-se de um espaço inserido num ambiente completamente natural, amplo e aberto, pensado para reproduzir, tanto quanto possível, o habitat natural dos elefantes. Em vez de recintos fechados ou espaços artificiais, o santuário privilegia áreas verdes, caminhos de terra, zonas de água e com charcas de lama, garantindo sempre espaços onde os animais podem circular livremente, socializar e expressar os seus comportamentos naturais.
A maioria dos elefantes que ali vivem não nasceu no santuário - foram resgatados de contextos, muitas vezes, adversos, como a indústria madeireira ou antigos campos turísticos onde eram usados para passeios ou espetáculos. Muitos são já idosos, tendo passado grande parte da vida a trabalhar. O santuário surge precisamente como resposta a uma questão crítica: o que acontece a estes animais quando deixam de ser úteis para a indústria? Aqui, encontram finalmente um espaço seguro para viver com dignidade.

Os cuidados prestados são centrados no bem-estar físico e emocional dos elefantes. Cada animal é acompanhado por tratadores experientes (os mahouts), que conhecem profundamente o seu comportamento e necessidades. A alimentação é adequada e, muitas vezes, preparada com a participação dos visitantes, existindo também acompanhamento veterinário, apoio hospitalar e práticas de gestão sustentável do espaço.

Ao chegarmos, o ambiente faz-se sentir de imediato: selva densa, trilhos de terra batida e um silêncio apenas interrompido pelos sons da natureza. Não há grades, nem palcos, nem qualquer sensação de espetáculo… os elefantes vivem em espaços amplos e andam completamente à vontade.

Durante a visita, o mais marcante é a proximidade, não só física, mas também emocional. Cria-se uma empatia entre as pessoas e os elefantes, que é curiosíssima, não sei se é uma coisa de cada um de nós, ou se é algo que vem do próprio animal, mas a verdade é que criámos uma proximidade preferencial sempre com a mesma elefanta, que praticamente nos adotou.

Ao chegarmos ao local somos recebidos pela equipa de tratadores, os tais mahouts, que nos contam a história interessantíssima deste refúgio, e da vida de cada um dos elefantes que ali estão.

Inicialmente preparam a interação com todos os cuidados, começando gradualmente e a medo, com a entrega de alguma comida, nesta fase apenas bananas ou cana-de-açúcar, que colocamos na tromba.
Mas ao fim de algum tempo e de vários contactos, já se quebrou o gelo e já conseguimos interagir com mais proximidade, chegando mesmo ao toque e até aos abraços apertados.

     
Depois do couvert, das bananas que lhes demos, iriamos agora preparar uma das refeições do dia com mais nutrientes, neste caso, uma mistura de banana esmagada à mão, com aveia e mais uma série de ingredientes, até fazer umas bolas apetitosas… pelo menos para eles, porque para nós, nem por isso.

Fomos de novo para perto dos nossos mais recentes amigos e, desta vez, demos-lhe as almondegas nutritivas que tínhamos acabado de preparar, e foi aí que conquistámos aqueles coraçõezinhos gigantes.

A seguir somos convidados a caminhar pelos trilhos, seguindo o percurso que os elefantes iam fazendo calmamente, até chegarmos perto de um pântano enlameado, onde estes paquidermes gostam de se espojar no lamaçal e, melhor ainda, gostam que as pessoas lhes esfreguem a pele com muita lama, numa espécie de tratamento SPA, que os faz sentir bem… e nós lá esfregámos.
A última atividade no abrigo foi quando entrámos num imenso lago para dar banho a estes senhores. Esfregámos aqueles lombos gigantes com uma escova e um baldinho para atirar água, metidos no charco com água até à cintura, até tirar toda a lama que eles tinham na pele.

Pelo meio, havia água para todo o lado, nós encharcados e eles claramente a curtir o momento e até faziam, de vez em quando, daquelas chuveiradas com a tromba, para atingir toda a gente. Não eram só os elefantes que estavam contentes, nós também nos divertimos bastante… no final, eles ficaram limpinhos e nós completamente encharcados… mas toda a gente saiu bem feliz.


Temos depois acesso a um chuveiro bastante razoável, para nos livrarmos dos vestígios da lama, e fizemos ainda um lanche que nos foi oferecido, e que incluía as habituais frutas tropicais devidamente descascadas, sempre muito apetitosas… e aproveitámos ainda para um último cumprimento, já em tom de despedida, à nossa elefanta favorita.

Ao fim da visita, fica-nos a certeza de que aquilo que torna este abrigo verdadeiramente especial é a sua essência ética. Aqui, não há lugar para exploração - apenas respeito. Os elefantes vivem ao seu ritmo, livres para se aproximar ou se afastar, enquanto nós, visitantes, nos limitamos a entrar com cuidado no seu mundo, acompanhando gestos simples e rotinas naturais.

Mais do que um lugar a visitar, este é um espaço que nos ensina. Uma lição silenciosa de equilíbrio entre o ser humano e a natureza, onde o contacto é quase empático, e acontece sem imposição, apenas com consciência e respeito.

Saímos com uma sensação difícil de traduzir em palavras - não foi apenas observar elefantes - mas sim sentir, por instantes, uma harmonia rara e genuína, numa experiência profunda que, para nós, se tornou completamente inesquecível.



Krabi


O sul da Tailândia revelou-se um cenário perfeito para umas férias extraordinárias, onde a beleza natural e a aventura se cruzam a cada momento. Instalados em Ao Nang, o local mais turístico na região de Krabi, somos envolvidos por paisagens muito especiais e raras, com falésias calcárias imponentes que mergulham nas águas mornas e cristalinas que banham as praias de areia branca… oferecendo imagens que parecem saídas de um cartão-postal.


Ao longo da viagem, explorámos algumas das ilhas mais icónicas da região através de diferentes tours, cada um com a sua magia própria: desde o famoso passeio das quatro ilhas, passando pelas águas tranquilas e lagoas escondidas das ilhas Hong, até à emblemática ilha James Bond, com o seu cenário cinematográfico, e às vibrantes e paradisíacas ilhas Phi Phi, essas um bocado mais confusas…. cada dia trouxe sempre uma nova descoberta.

Entre mergulhos nas águas azul-turquesa, passeios de barco e momentos de puro relaxamento, esta viagem foi uma combinação perfeita de aventura, beleza natural e experiências memoráveis que ficarão para sempre na nossa memória.

Este conjunto de atrações que nos são oferecidas a partir da zona de Krabi, espalha-se geograficamente ao longo da imensa baía, que se forma entre as províncias de Phuket e Krabi, conforme se representa neste mapa:

Nos links que se apresentam de seguida, vamos ter acesso às crónicas que descrevem todas viagens que fizemos nesta região de Krabi, começando por um dos tours favoritos ao santuário de elefantes, passando depois para as várias praias e ilhas que se estendem pela imensa baía que fica entre Krabi e Phuket:






A região de Krabi é daqueles locais que nos deixam marcas que vão ficar na memória - das falésias imponentes e de águas de um azul quase irreal, cada dia parecia sempre saído de um bilhete-postal.

As ilhas encantaram-nos, autênticos pedaços de paraíso, com praias de areia branca, mar quente e cristalino e uma tranquilidade difícil de encontrar noutros lugares.

Outro momento importante foi a interação com os elefantes. Muito mais do que uma simples atividade, foi uma experiência genuinamente emocionante. Poder estar tão perto destes animais incríveis, observá-los e interagir de forma respeitosa, foi algo que nos marcou profundamente.

Esta zona de Krabi não é apenas um destino bonito, é também um lugar que nos faz viver com intensidade e sentir em cada momento. Partimos agora com a certeza de que deixámos por lá um bocadinho de nós, mas levamos connosco memórias que vão durar para sempre.


Fevereiro de 2026
Carlos Prestes

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Mercado Ferroviário e Mercado Aquático


Fizemos uma reserva para um tour que nos levou para sul de Bangkok ao longo de cerca de 100 quilómetros, com o objetivo de visitarmos dois mercados muito especiais: o Mercado Ferroviário Maeklong e o Mercado Aquático Damnoen Saduak.

A viagem começou às seis da manhã, quando nos foram buscar ao hotel, para podermos vir a apanhar o primeiro comboio do dia em direção ao mercado, que iriamos visitar ainda antes da maior afluência de turistas.

O primeiro percurso, realizado numa van, teve a duração aproximada de uma hora e meia, até chegarmos à primeira paragem, junto a uma linha de caminho-de-ferro, onde se iniciava a visita ao mercado ferroviário. Mais tarde, seguiríamos para a segunda atração desta experiência - um mercado aquático.

Assim, durante o dia percorremos mais ou menos o trajeto assinalado neste mapa:



Mercado Ferroviário de Maeklong

A experiência começou ainda de madrugada, num despertar precoce que rapidamente se justificou pela expectativa de vivenciar algo verdadeiramente singular. O objetivo era apanhar o primeiro comboio em direção ao famoso Mercado Ferroviário de Maeklong, e foi isso que fizemos – esperámos num estranho apeadeiro, no meio do nada, onde o comboio iria chegar, ainda pouco depois do sol ter nascido, com uma luminosidade que tornava a paisagem envolvente extremamente bonita, mostrando as salinas que ali se formam, e que são a principal fonte de receita daquelas populações.

Entrámos no comboio numa viagem que se revelou, desde logo, bastante especial, aumentando a expetativa à medida que nos aproximávamos do destino.
O cenário tornava-se progressivamente mais curioso, até atingir um momento quase surreal: o comboio avançava lentamente por uma linha totalmente ocupada por um mercado de rua - bancas, toldos, uma enorme variedade de produtos e pessoas, muitas pessoas, coexistiam sobre os carris, num equilíbrio impressionante entre a rotina e o espetáculo.

À medida que o comboio se aproximava, tudo se transformou num movimento rápido e coordenado: as pessoas encolhiam-se junto às bancas, entre toldos, entretanto recolhidos, e expositores afastados segundos antes. Em simultâneo, uma multidão de turistas erguia os telemóveis, ansiosa por captar a imagem mais ousada - aquela em que o comboio parece prestes a engolir toda aquela massa compacta de feirantes e visitantes.
    
Depois de atravessarmos esta zona dentro da carruagem, saímos na pequena estação da cidade. A partir daí, iniciámos o regresso a pé, percorrendo os cerca de 280 metros do mercado, desta vez caminhando diretamente sobre a linha férrea.


Este percurso permitiu observar com mais detalhe a diversidade das bancas: desde souvenirs e artesanato pensados para turistas, até produtos do dia-a-dia, como peixe fresco, frutas, legumes e uma infinidade de outros artigos.

Caminhar ao longo dos trilhos do caminho-de-ferro é, por si só, uma experiência inesperadamente contemplativa. De um lado e do outro, as bancas do mercado alinham-se como um corredor vivo, onde cada passo revela um novo detalhe - cores intensas de frutas maduras, o brilho do peixe acabado de chegar, o cheiro das especiarias que paira no ar.

Os carris, normalmente associados ao movimento e à pressa, tornam-se aqui um convite à pausa. Caminha-se devagar, absorvendo a cadência do lugar. Há uma proximidade física com tudo: com os vendedores, com os produtos, com a própria linha que, a qualquer momento, voltará a retomar a sua função original, cumprindo a curiosidade dos visitantes.

A meio do trajeto, o comboio voltou a surgir, desta vez no sentido oposto e numa marcha igualmente lenta. Repetiu-se o ritual numa transformação coreografada: os vendedores recolhem rapidamente as suas tendas, levantam coberturas e afastam os produtos, enquanto clientes e visitantes se encostam às fachadas das lojas e todos de máquinas fotográficas prontas.

Tudo isto aconteceu com uma naturalidade desconcertante, como se fosse apenas mais um momento banal do dia.

   
E é aqui, através deste pequeno vídeo, que melhor se percebe a forma como o comboio atravessa os 280 metros por onde este mercado se espalha. 
E depois do comboio ter passado quase a tocar em tudo e em todos nós, em apenas alguns segundos, e já o mercado voltava à sua forma original, como se nada tivesse acontecido, com as bancas a serem repostas repentinamente enquanto observamos o comboio a se afastar já à distância.


No final, fica uma sensação ambivalente. Por um lado, é uma experiência extremamente interessante e incomum, difícil de encontrar em qualquer outro lugar do mundo. Por outro, apesar de se tratar de um mercado local com uma longa história, é impossível ignorar que se transformou num verdadeiro spot turístico. Há uma encenação implícita, quase como um espetáculo cuidadosamente repetido ao longo do dia - uma espécie de Disneyworld da vida real, onde a autenticidade e o turismo coexistem lado a lado.



Mercado Flutuante de Damnoen Saduak

O Mercado Flutuante de Damnoen, o Saduak Floating Market é, acima de tudo, uma experiência sensorial, mais do que um mercado no sentido tradicional, é um cenário vivo onde tudo acontece à beira (e dentro) de água. Os canais são estreitos e estão ocupado por pequenas embarcações carregadas de produtos, por onde passam os barcos que transportam os muitos turistas que visitam o local, criando um conjunto que parece ser uma imagem quase cinematográfica, onde cores, cheiros e sons se misturam num movimento constante.
Assim que os visitantes chegam ao cais deste mercado, são encaminhados para embarcações de madeira, desde as mais pequenas, movidas com uma pagaia, até aos típicos barcos de cauda-longa, equipados com motores de eixo alongado e uma hélice na extremidade.

O passeio de barco é, sem dúvida, o ponto alto. Navegar lentamente por entre os canais, cruzando-nos com vendedores que equilibram frutas, bebidas e iguarias nas suas embarcações, dá-nos uma perspetiva única deste modo de vida tão característico.

E, como se não bastasse, fomos surpreendidos por uma chuva torrencial a meio do percurso - daquelas tropicais, intensas e repentinas - que nos deixou completamente encharcados, mas que acabou por tornar a experiência ainda mais memorável e autêntica.


Ao longo do passeio, e apesar da chuva persistente - que demorou a dar tréguas - fomos absorvendo a atmosfera do local. Embora hoje se tenha tornado numa atração turística muito popular, o ambiente continua a transmitir uma sensação de autenticidade, sendo evidente que as populações locais ainda recorrem a estes mercados para fazer as suas compras do dia a dia. Ainda assim, é inevitável que a forte presença de visitantes influencie a oferta, levando a uma adaptação dos produtos disponibilizados, cada vez mais orientados para o interesse dos turistas.

Pelo caminho, sempre com inúmeros barcos com outros turistas, sucediam-se pequenas lojas de madeira assentes sobre estacas, repletas de cores, e revelando, por vezes, a simpatia dos feirantes.


Mas nestes canais as lojas nem sempre são fixas, algumas também circulam em pequenas embarcações, carregados com todo o tipo de artigos, desde frutas frescas, flores e iguarias locais, que vão sendo preparadas no momento.



Depois do passeio, mal conseguimos abrigo no mercado para nos tentarmos secar - e, como manda a tradição - a chuva decidiu parar naquele exato momento. Ficámos por ali cerca de uma hora e meia, com tempo de sobra para fazer compras ou até almoçar, caso fosse esse o plano… mas não era bem isso que tínhamos em mente.

Acabámos por fazer apenas uma compra de emergência, um vestido em SOS, para substituir uma das indumentárias completamente encharcada. De resto, fomos petiscando aqui e ali, sobretudo frutas frescas e uns gelados para adoçar a boca. Quanto às comidas mais “aventureiras”, optámos por jogar pelo seguro, pois estávamos ainda no início da viagem e ninguém queria arriscar uma má decisão gastronómica, que viesse a estragar os dias seguintes.

Ficámos por ali, apenas caminhando, a explorar calmamente toda a zona do mercado e dos canais. Na verdade, enquanto espaço de compras, acaba por desiludir um pouco: predominam alguns artigos de “fancaria” e uma oferta de lembranças turísticas sem grande interesse.



O verdadeiro encanto revela-se sobretudo na dinâmica constante que nunca abranda. Os barcos, carregados de novos visitantes, percorrem os canais num vaivém contínuo, quase coreografado. E nós, agora a partir de cima, limitamo-nos a observar e a apreciar este cenário tão singular, e é precisamente por ser tão diferente do que conhecemos - um mercado que vive sobre a água - que tudo se torna fascinante.