domingo, 13 de abril de 2014

Londres à noite


Em todas as noites em que dormimos na capital inglesa, não deixámos de aproveitar essa outra face de Londres, quando a noite transforma as ruas e as praças, enchendo-as de luz, movimento e uma atmosfera simultaneamente frenética e sedutora.

Londres tem uma vida noturna muito própria e diversificada, com ambientes para todos os gostos. Desde a nightlife dos bares e discotecas, que a mim, pouco me atrai, até à animação mais descontraída e familiar em torno do Piccadilly Circus e das ruas dos teatros do West End; da animação do Covent Garden aos ambientes mais alternativos e cosmopolitas do Soho.

Foi por estes lugares que nos deixámos levar, caminhando sem pressa e absorvendo, noite após noite, um pouco dessa Londres iluminada, vibrante e surpreendentemente diferente daquela que conhecemos durante o dia.


Mas, para além dos lugares mais característicos da vida noturna, há ainda uma outra forma de descobrir Londres depois do anoitecer, que será regressar aos locais por onde passámos durante o dia e vê-los agora sob uma luminosidade completamente diferente.

Os grandes monumentos, as praças e as avenidas que durante o dia vivem mergulhados no movimento e no ruído da cidade, ganham à noite uma nova dimensão. Iluminados de forma estratégica, parecem adquirir outra imponência, enquanto as ruas, progressivamente mais tranquilas, lhes devolvem uma atmosfera mais silenciosa e intimista. A multidão de turistas que à luz do dia envolve cada um destes monumentos, desaparece dissolvida nas sombras da noite, deixando os edifícios quase entregues a si próprios.

É como se a mesma cidade que conhecemos durante o dia se transformasse depois do pôr-do-sol, e a arquitetura ganhasse protagonismo, com as luzes a desenharem novas formas e os lugares a revelarem uma personalidade diferente. Foi por isso que algumas das nossas caminhadas noturnas nos levaram de volta aos lugares já visitados, não para os conhecer de novo, mas para os descobrir de uma outra forma.

Assim, numa das noites, percorremos no sentido inverso o acesso ao centro da cidade, entre a Trafalgar Square e o Big Ben, e atravessando o rio até ao London Eye.


Numa outra noite, percorremos as margens do rio e aproximámo-nos dos monumentos que marcam a parte mais a Leste da cidade, a Catedral de São Paulo e a Tower Bridge.


E foi assim que, entre ruas iluminadas, praças quase silenciosas e monumentos que pareciam ganhar uma nova vida depois do pôr-do-sol, fomos descobrindo uma outra face da capital britânica. Uma cidade menos apressada, mais misteriosa e talvez até mais próxima de nós, onde a luz e a sombra transformam aquilo que já conhecíamos durante o dia.


Carlos Prestes