sábado, 12 de abril de 2014

Londres: Dia 4 - Zona Norte da cidade


Neste dia, faltava ainda explorar a zona de Londres situada a Norte da Oxford Street, uma das grandes artérias comerciais da cidade. O percurso levar-nos-ia a dois dos seus museus mais emblemáticos: o British Museum, um dos mais importantes museus do mundo, e o Madame Tussauds, célebre pelas suas figuras de cera e uma das atrações mais conhecidas da capital britânica. Mais tarde, seguiríamos ainda até Camden Town, talvez o bairro mais alternativo e vibrante de Londres, conhecido pelo seu ambiente indie, pelos mercados, lojas e pela sua forte identidade cultural.

Os percursos programados para este dia, num total de 10 km, seguem, aproximadamente, os trajetos assinalados no mapa abaixo:
 


Marbel Arch e Oxford Street

Começámos o percurso deste dia no Marble Arch e seguimos depois a pé ao longo da Oxford Street, até à Oxford Circus, um dos seus cruzamentos mais emblemáticos de Londres. Continuámos ainda pela mesma rua até ao encontro com a Tottenham Court Road e, avançando mais um pouco, chegámos ao British Museum.

No extremo Ocidental da Oxford Street, surge o Marble Arch, um monumental arco de mármore branco que, inicialmente, estava destinado a ser a entrada triunfal do Buckingham Palace. Em 1851, porém, foi transferido para a sua atual localização, tornando-se uma espécie de porta simbólica entre a agitação comercial da Oxford Street e a tranquilidade do Hyde Park.
A Oxford Street é a principal e mais famosa rua comercial de Londres, onde o movimento, as lojas e as multidões, parecem não ter fim. Embora a maior animação se concentre durante todo o dia, é de manhã ou ao final da tarde, que a rua adquire o seu melhor ambiente, com o constante vaivém de londrinos e turistas, apreciando as montras ou entrando e saindo das lojas.

A ideia é, sobretudo, deixar-nos levar por esta atmosfera cativante, caminhando pelos passeios e observando o movimento, entrando e saindo em algumas lojas e, quem sabe, aproveitar ainda para comprar alguns souvenires - afinal, ninguém vem a Londres apenas para ficar a olhar!

A rua é marcada pelos grandes edifícios comerciais, alguns deles verdadeiros ícones da cidade. Entre eles destaca-se a Selfridges, uma das mais famosas e prestigiadas lojas de departamentos londrinas, cuja imponente fachada se tornou praticamente num dos símbolos da própria Oxford Street.
Mas a imagem que mais se repete ao longo de toda esta rua é, sem dúvida, a dos tradicionais autocarros de dois andares, que parecem encher permanentemente a estrada. Cruzam-se uns com os outros, avançam lentamente no meio do trânsito e, com a sua inconfundível cor vermelha, transformam-se quase num borrão de cor que domina toda a Oxford Street - uma imagem tão londrina que parece saída de um postal.
Nesta caminhada percorremos toda a Oxford Street, passando pela Oxford Circus, e seguindo depois até ao cruzamento com a Tottenham Court Road e, daí, continuámos diretamente até ao Museu Britânico.


The British Museum

O British Museum é um dos grandes museus de história do mundo e reúne uma extraordinária coleção dedicada às civilizações, desde o Antigo Egito, à Grécia e a Roma, passando pela Mesopotâmia, Ásia, África e América.

Entre as peças mais famosas encontram-se a Pedra de Roseta, as esculturas do Parténon, as múmias egípcias, os relevos assírios e o busto de Ramsés I.

Reconheço que não é o meu estilo favorito de museus, mas já o visitei, uma única vez, mas já foi há milhares de anos… daí talvez existirem tantas múmias.
Mas o próprio edifício também é digno de uma visita, sobretudo pelas suas fachadas clássicas, e pelo impressionante Great Court, com a sua enorme cobertura de vidro.

E há uma vantagem importante para quem visita este museu. é que a entrada na coleção permanente é gratuita, embora algumas exposições temporárias sejam pagas.



Madame Tussauds Museum

O próximo percurso leva-nos até ao museu da Madame Tussaud, um dos museus de cera mais famosos do mundo, e que apresenta mais de 150 figuras em tamanho real, distribuídas por diferentes áreas temáticas.
Mais do que um simples museu, trata-se de uma experiência interativa, onde podemos ficar lado a lado e deixarmo-nos fotografar com algumas das personalidades mais conhecidas da história e da atualidade. Entre as figuras que ali nos surgem destacam-se alguns políticos internacionais e personalidades históricas, grandes nomes do cinema e da televisão, músicos e craques do desporto.


    
Um dos destaques neste museu vai para a coleção dedicada à família real britânica, que vai evoluindo sempre com o aparecimento de novos descendentes… como estas duas novas princesas.
Além das personagens reais, há também espaço para figuras de ficção, quer da banda desenhada quer dos heróis da Marvel, ou personagens da Star Wars.
Na verdade, o museu está organizado por cada um destes ambientes, incluindo o Royal Palace, dedicado à realeza, o Impossible Festival, com grandes nomes da música, o Marvel Hall of Heroes e a área Star Wars.

Mas a visita inclui ainda experiências como o Spirit of London, num tradicional táxi londrino, e o Chamber of Horrors, com uma participação imersiva naquela que seria a área mais sombria de Londres, onde se recriam crimes célebres da história da cidade, através de figuras de cera, cenários e efeitos especiais, representando criminosos famosos, como o Jack the Ripper (Jack o Estripador).
      

O bilhete standard de um adulto para o Madame Tussauds Museum, em agosto de 2026, pode ser comprado online por cerca de £24, enquanto o preço à entrada é de quase £40. Os valores variam consoante a data e a procura, sendo por isso aconselhável reservar antecipadamente. Para comprar, o mais seguro será utilizar o site oficial do Madame Tussauds, onde se escolhe a data e o horário da visita.


Regent's Park

A caminho do Canden Town vamos atravessar todo o Regent's Park, mais um dos maiores e mais elegantes parques de Londres, criado no início do século XIX, fazendo parte dos planos de transformação e renovação desta zona da cidade.

O parque alberga o London Zoo, instalado na sua zona Norte, e é um espaço muito agradável para caminhar e fugir, por momentos, da agitação da cidade. É um parque enorme que se destaca sobretudo pelos seus relvados, avenidas arborizadas, jardins e lagos.
A parte mais a Norte do Regent’s Park fica elevada em relação ao resto do jardim, permitindo apreciar uma paisagem fantástica, com todo o conjunto formado pelos seus grandes relvados e, ao fundo, o skyline desta zona da cidade.


Camden Town

O bairro de Camden Town foi praticamente o nosso último destino, antes de terminar este percurso pelo Norte de Londres.
Entrámos num bairro diferente de tudo o que tínhamos encontrado até então: mais irreverente, colorido e descontraído, onde as lojas, os mercados, a arte urbana e a música parecem disputar entre si o espaço das ruas.

Uma das imagens mais marcantes de Camden são as fachadas das suas lojas, muitas delas decoradas com enormes esculturas e elementos extravagantes que parecem sair diretamente dos edifícios: botas, sapatos, guitarras, animais ou figuras fantásticas. Mais do que simples publicidade, estas fachadas tornaram-se parte da identidade visual do bairro, refletindo o seu espírito alternativo, irreverente e criativo. Em Camden, até os próprios edifícios parecem querer chamar a atenção - e, neste caso, conseguem mesmo.


Em torno de Camden Market e Camden Lock, a cidade ganha outra personalidade, mais alternativa e criativa, quase como se Londres deixasse por momentos a sua tradicional postura britânica e se permitisse ser um pouco mais excêntrica.


King's Cross e St Pancras

Uma última caminhada levou-nos até King’s Cross e St Pancras, duas estações ferroviárias vizinhas e dois importantes pontos de ligação da cidade, onde convergem comboios nacionais e internacionais e várias linhas de metro. Mais do que simples estações, constituem hoje um dos grandes nós de transportes de Londres, por onde diariamente circulam milhares de passageiros.

São duas estações vizinhas, mas que revelam duas faces distintas da história ferroviária de Londres. De um lado, a sobriedade de King’s Cross; do outro, a imponência vitoriana de St Pancras. Duas estações lado a lado, duas arquiteturas diferentes, mas unidas por um dos mais importantes e movimentados pontos de encontro da rede ferroviária londrina.

A King’s Cross, mais sóbria e funcional, tornou-se mundialmente conhecida através das histórias de Harry Potter, pois guarda ali uma das referências mais populares da cultura cinematográfica londrina: a Plataforma 9¾. Embora a plataforma seja fictícia, a estação transformou a ideia num verdadeiro ponto de peregrinação para os fãs da saga. Junto à parede, um carrinho parece atravessá-la a caminho de Hogwarts, criando a fotografia obrigatória para quem não resiste à magia de Harry Potter.

Já St Pancras impressiona pela monumental fachada gótica e pelo antigo Midland Grand Hotel, formando um dos conjuntos ferroviários mais elegantes de Londres. No interior, a estação surpreende pela extraordinária estrutura vitoriana em ferro e vidro, marcada pelos grandes arcos azuis que cobrem as plataformas. É também daqui que parte o Eurostar, ligando Londres a Paris, Bruxelas e outras cidades europeias, numa interessante combinação entre a grandiosidade da arquitetura do século XIX e a modernidade da atual rede ferroviária.


E assim terminámos este quarto dia, percorrendo o lado mais a Norte de Londres, entre a agitação da Oxford Street, a grandiosidade do British Museum, o mundo imaginário do Madame Tussauds, a tranquilidade do Regent’s Park e a irreverência colorida de Camden Town. Terminámos junto a King’s Cross e St Pancras, onde a velha e a nova Londres parecem encontrar-se entre a história, a arquitetura e o movimento constante.


Carlos Prestes
Abril de 2014