segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Phi Phi Islands


Faltava-nos uma última viagem pelas ilhas da baía que se forma entre Krabi e Puket, e tínhamos guardado o melhor destino para o fim, ou seja, aquele que achávamos que iria ser o melhor, o arquipélago das Phi Phi… mas, na verdade, não seria bem assim.

Voltámos a reservar com o GetYourGuide, uma viagem organizada pelo operador local Sea Eagle - com quem já tínhamos viajado noutros percursos. (Abro aqui um parêntese para registar que, sabendo previamente da existência deste operador, Sea Eagle, ainda ensaiei fazer as reservas diretamente no respetivo site, mas os preços eram exatamente iguais aos do GYG, e nesses podemos sempre cancelar até 24h da atividade).

Esta viagem custou-nos 41 €/pessoa, durante sete horas, numa lancha rápida, e incluía o almoço e as outras coisas do costume – água, fruta e máscaras para snorkeling.

A localização das Ilhas Phi Phi, é a que se representa a roxo neste mapa:
 


Pi Leh Bay

Ao fim de um pouco menos de uma hora a visita começa na Pi Leh Bay, uma lagoa impressionante, rodeada por falésias calcárias, onde a água calma e de cor esmeralda, convida a nadar e a tirar muitas fotografias.

Aqui, dão-nos a opção de passarmos para um barco de cauda longa, para podermos explorar a baía, o que fica limitado se permanecermos na lancha, que fica parada no mesmo lugar, junto a outros barcos, enquanto podemos apenas nadar.
Assim, optámos por pagar os 300 Bath por pessoa, cerca de 7 €, e passámos para um barco de madeira no qual fomos percorrendo esta baía apreciando alguns dos recantos mais bonitos e com a possibilidade de darmos uns mergulhos logo na pequena praia que ali se encontra.
Depois podemos também aproveitar o belíssimo enquadramento da baía, e também dos próprios barcos, para fazermos um tipo de fotografias que são imagens de marca das Phi Phi e mesmo da Tailândia… mas só para os mais fotogénicos.


A paragem seguinte deste barco foi junto a uma zona de mergulho, onde fizemos snorkeling, num mar tão azul por fora e tão transparente quando o vimos lá do fundo. Voltámos a ficar maravilhados com as bonitas imagens dos peixes e corais que vamos encontrando, desta vez, com vários peixes papagaio, bastante coloridos, e até algumas "Dory’s", recordando-nos o Finding Nemo, uma das vedetas da Disney.



A zona de snorkeling ficava perto da chamada Viking Cave, uma gruta aberta nas falésias calcárias. Não é um local muito marcante para os visitantes, mas é algo que é referenciado pelos guias, dizem que a alusão aos navegadores escandinavos vem de antigos desenhos nas paredes destas cavernas, que foram identificados como barcos, mas hoje, o principal interesse é outro: é que a gruta é usada para a recolha de ninhos de andorinhas-do-mar, muito valiosos na Ásia para a gastronomia (as conhecidas sopas de ninho de andorinha... que nojo, mas eles falam daquilo com muito entusiasmo). Por isso, não é visitável por dentro, os barcos apenas param à entrada para observar… e nós fizemos o mesmo, mas reconheço que não é nada particularmente interessante.
Para terminar este percurso no barco de cauda longa damos mais umas voltinhas e tiramos mais umas fotos giríssimas - que não me canso de publicar.


Maya Bay

Este é um daqueles destinos que parecem saídos diretamente de um postal - ou, mais precisamente, de um filme - pois foi ali que foram rodadas várias cenas do filme The Beach, o que ajudou a catapultar este pequeno paraíso tailandês para a fama mundial, ao mesmo tempo que consolidava a carreira de Leonardo DiCaprio como um dos grandes nomes de Hollywood.

Mas a praia que encontramos nesta baía - muitas vezes descrita como “uma das melhores praias do mundo” - acaba por ser um lugar pouco acessível e foi transformada numa espécie de Disneyland tropical. Ainda assim, e apesar de toda a logística e restrições, há algo inegavelmente especial neste lugar: a sua beleza natural continua lá, intacta o suficiente para justificar cada expectativa.
Localizada na ilha de Ko Phi Phi Leh, a baía é rodeada por imponentes falésias de calcário cobertas de vegetação tropical – mas, nesta altura, até já podemos dizer que é algo comum nestas paragens – neste caso, criando uma espécie de anfiteatro natural que protege as suas águas calmas e cristalinas. A areia é incrivelmente branca e fina, contrastando com os tons turquesa do mar, num cenário que parece quase irreal – lá está, podia ser mesmo a melhor praia do mundo.
Mas… e neste caso é um grande “mas”, durante muitos anos, a Maya Bay sofreu com o impacto do turismo em massa, como resultado da sua aparição no filme de DiCaprio, que divulgou a todo o mundo a existência deste paraíso. Assim, chegou a receber milhares de visitantes por dia, o que acabou por degradar significativamente os ecossistemas locais, especialmente os recifes de coral. Em resposta, o governo tailandês tomou uma decisão histórica em 2018: fechar a baía ao público para permitir a sua recuperação ambiental.

Após um período de regeneração, Maya Bay reabriu em 2022 com regras muito mais rigorosas, e continua a fechar nos meses de julho e agosto. Hoje, o acesso é limitado, os barcos já não podem entrar diretamente na baía e os visitantes devem seguir normas estritas para preservar este ecossistema frágil. Este novo modelo de turismo sustentável tem permitido que a natureza recupere gradualmente, devolvendo à baía parte da sua beleza original e permitindo que algumas espécies ali possam nidificar, como é o caso do tubarão black tip.

Atualmente, visitar a Maya Bay é uma experiência diferente, mais controlada e também mais consciente, para quem valoriza destinos naturais e quer viajar com responsabilidade.

Assim, os barcos acumulam-se fora da baía, e vão fazendo fila para descarregar os seus passageiros num pequeno pier que dá acesso à ilha. Os turistas vão chegando nos vários barcos e seguem em fila indiana sobre os passadiços de madeira que garantem o acesso até à praia… e tudo isto é feito de uma forma tão mecânica e sem espaço para qualquer espontaneidade, que parecemos seguir o roteiro de atividades de um qualquer parque de diversões… lá está a Disneyland a manifestar-se.

Um pouco mais à frente conseguimos ver, pela primeira vez, a baía do filme A Praia, mas, certamente, com o areal repleto de gente. E esta é outra das medidas de proteção que foi implementada, ninguém pode tomar banho – que pecado, uma praia linda de morrer, a água quentinha, e não se pode nadar, é maldade – mas é assim mesmo que diz a lei. Então vê-se toda a gente a molhar os pés, e os vigilantes de megafone em riste sempre a gritar para não deixar que a água chegue até aos joelhos.

Esta primeira imagem da praia é um bocado estranha, com toda a gente a olhar para o mar, mas sem lá poder entrar, só fotografias e sem qualquer interação com o espaço.

Um pouco mais à frente, chegamos ao areal, onde podemos molhar os pés enquanto percorremos toda a baía. Aproveitamos também algumas abertas para tirar fotografias - algumas em modo “influencer”, outras simplesmente para registar a paisagem que ali se revela. O dia não estava totalmente soalheiro, mas ainda assim o mar mantinha o seu habitual tom azul-turquesa, enquanto os penhascos exibiam o verde vivo da sua vegetação.




Ko Phi Phi Don

O barco seguiu depois até à Ko Phi Phi Don, a principal ilha do arquipélago das Phi Phi e o seu centro logístico, com toda a infraestrutura turística.

Fizemos aqui o que é habitual para quem vem nos tours a partir de Krabi, uma paragem para almoço, com algum tempo livre para aproveitar as duas praias principais da ilha, a Ton Sai Beach e a Loh Dalum Beach

À medida que nos aproximamos da Ton Sai Beach, percebemos que grande parte da praia é ocupada por barcos que ali deixam os passageiros, regressando depois ao centro da baía, onde ficam a ancorados.
A envolvente desta praia é bastante bonita, marcada por uma língua de areia branca banhada por águas calmas e pela vegetação densa, que se estende do areal até às falésias que desenham a baía.

Ao descermos na praia de Ton Sai percebemos que, apesar do bonito areal e do mar calmo e apetecível, este não será melhor lugar para permanecer usufruindo daquilo que chamamos: fazer praia, pois há um constante rodopio de barcos e turistas que chegam e partem, quebrando qualquer hipótese de tranquilidade… de qualquer forma, como a zona é servida por vários hotéis e alojamentos, muita gente escolhe esta praia para passar o dia.

Mas o nosso programa levava-nos diretamente até ao restaurante onde nos serviram o almoço, e por isso entrámos logo nas ruas pedonais que estão sempre cheias de gente que se deslocam entre as praias, os restaurantes, ou os hotéis.

Encontrámos o nosso restaurante e fomos almoçar, mais um buffet de comida tailandesa, por sinal bastante boa. Ainda assim, confesso que estes pratos tão condimentados já nos começam a enjoar um pouco, pelo que, nos últimos dias, temos optado por alternativas menos tradicionais.

Depois do almoço, ainda nos sobrava algum tempo para explorar a zona. No entanto, não seria suficiente para cumprir uma das principais atrações da ilha: a subida aos miradouros que se erguem de ambos os lados, um percurso exigente em qualquer das vertentes.

Do alto desses pontos de observação, seria possível contemplar a imagem icónica da ilha - com a sua estreita faixa de terra lá em baixo, precisamente onde se concentram os restaurantes e alguns hotéis, ladeada pelas duas baías de águas azul-turquesa e extensos areais… como nesta imagem, que não fui eu que fotografei, já que o tempo disponível não dava para um percurso tão longo.
Assim, ficámos por ali algum tempo, percorrendo os caminhos que ligam as duas baías – entre a Ton Sai Beach e a Loh Dalum Beach – esta última, embora esteja também rodeada por hotéis e restaurantes, é mais apropriada para se poder relaxar, já que os barcos das inúmeras excursões que visitam a ilha, não entram nesta baía.


Monkey Bay

Regressámos ao barco e voltámos a parar em breve, desta vez sem sair do barco, só para observar uma pequena praia que se encontra ocupada por uma comunidade de macacos. A Monkey Bay (ou Ao Ling) é uma pequena enseada, famosa pela colónia de macacos-de-cauda-longa que vivem por ali em liberdade. Rodeada por penhascos de calcário, o local não tem infraestruturas e só é acessível de barco. Algumas embarcações menores, como os barcos de cauda longa, param junto à praia e os passageiros mais destemidos, vão mesmo até perto dos símios.
Recomenda-se não alimentar os macacos, proteger os pertences e manter distância dos animais, pois são selvagens e imprevisíveis – e a nossa opção é sempre manter uma distância de segurança, não queremos misturas com a bichesa. Aliás, neste caso, não houve outra hipótese, pois ninguém saiu do barco, limitámo-nos a observar os bichos pendurados nos rochedos e a tirar algumas fotografias


Nui Beach

Ao contornarmos a ilha de Ko Phi Phi Don, deparamo-nos com várias enseadas de beleza singular, uma delas a Nui Beach, onde fizemos a próxima paragem. Mais uma belíssima praia, com o habitual enquadramento dos contrastes entre o azul do mar e o verde da vegetação que envolve a praia e cobre os rochedos.

Aqui o programa permite uma paragem demorada para banhos ou para mergulhar de máscara e respirador, cada um pode escolher. Esta pequena enseada tem ótimas condições, quer para nadarmos até à areia, e ficarmos por ali, literalmente, de molho, ou para voltarmos a fazer snorkeling, pois trata-se de um spot extraordinário, com ótima visibilidade sobre os corais e cheio de peixes de todas as cores, tal como temos vindo a encontrar nos outros mergulhos que fizemos.

Foi assim que passámos quase uma hora, ora de máscara ora apenas a nadar, ou até, no final, quando ficámos no convés do barco, apenas a apreciar as paisagens, que são sempre tão bonitas… que os nossos coraçõezinhos já mal aguentam.



Bamboo Island

A última paragem deste dia gigante, foi na Bamboo Island, onde nos iriamos despedir destas praias paradisíacas, tendo direito àquilo que quiséssemos fazer - fosse nadar na praia junto ao areal, ou escolher a zona de corais, voltando a usar a máscara e o respirador para explorar a vida marinha.
Ao sair do barco, do lado direito encontramos a parte da ilha onde existem corais, mas reconheço que já não queríamos voltar a mergulhar nestas águas, pois já tínhamos feito snorkeling duas vezes neste dia e limitámo-nos apenas a nadar um pouco… porque águas quentes como estas é algo que nunca recusamos... porém, quando chegámos à ilha começavam a aparecer algumas nuvens que não prometiam nada de bom.
Na Bamboo Island os guias pedem aos turistas para usarem colete salva-vidas por uma combinação de segurança e preservação ambiental. Em primeiro lugar, embora a água pareça calma e pouco profunda, ali podem existir correntes inesperadas, mudanças rápidas de profundidade e zonas com coral ou rochas, o que representa um risco, sobretudo para quem não seja um nadador experiente. O colete garante flutuabilidade constante e reduz significativamente a probabilidade de acidentes. Por outro lado, há também uma preocupação ambiental: ao manter as pessoas à superfície, evita-se que pisem ou danifiquem os corais, que são ecossistemas muito frágeis. Assim, toda a gente andava pela ilha em tons do laranja vivo dos coletes.

E aquilo que parecia estar a ser avisado acabou mesmo por acontecer, quando uma enorme chuvada se abateu sobre a ilha, e nos obrigou a correr para dentro de água - pois mais molhados já não poderíamos ficar. Algum tempo depois juntámo-nos àqueles que não se quiseram expor e que preferiram resguardar-se sob uma pequena cobertura.
A chuva não dava tréguas, daquelas tropicais que parecem varrer tudo à sua passagem. Acabámos por desistir de esperar que abrandasse e corremos para o barco. No final ainda chovia quando o barco zarpou... foi pena, porque poderíamos ter aproveitado muito mais a ilha, desfrutando da qualidade da praia e do seu fundo do mar. Mas, perante aquela chuva quase assustadora, não tivemos alternativa senão recuar e procurar abrigo no barco. Foi de lá que nos despedimos, com uma última imagem da Bamboo Island, agora deserta, fustigada por uma chuva que mais parecia uma verdadeira tempestade tropical.
Ao regressarmos ao pier de Ao Nang, detivemo-nos por um instante a observar o conjunto de barcos de cauda longa ali ancorados - o cenário ideal para fazer o balanço de um dia completo nas Phi Phi Islands.

Mais uma vez, vivemos uma sucessão de momentos quase irreais… águas mornas de um azul improvável, falésias imponentes que se erguem do mar e praias de areia clara, numa combinação quase perfeita, entre beleza e tranquilidade. 

Mas aquela ideia inicial de que estávamos a guardar o melhor para fim, era um engano. As Phi Phi não são o melhor, pois têm muito mais gente e são, por isso, menos naturais do que, por exemplo as 4 ilhas ou o arquipélago das ilhas Hong. Ainda assim não deixamos de fazer um balanço muito positivo deste dia de viagem.

Mas esta despedida assinalava também o fim de um conjunto de viagens pela vasta baía que se estende em frente a Krabi, onde explorámos, ao longo da última semana, alguns dos seus lugares mais marcantes… que nos deixaram um sentimento de encanto difícil de traduzir e um conjunto de memórias profundas, ainda mais difíceis de esquecer.