Este santuário de elefantes é muito mais do que uma simples atração, pois proporciona uma experiência profundamente imersiva na natureza e no contacto com estes animais impressionantes.
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Reservámos um tour de meio-dia por 68 €/pessoa, o mais caro de todos os programas que experimentámos, mas também um dos mais marcantes em toda a viagem. Saímos numa van, que nos foi buscar ao hotel, e ao fim de menos de meia hora estávamos a chegar ao abrigo de elefantes de Ao Nang, uma infraestrutura que pode ser descrita como um exemplo claro da mudança de paradigma no turismo na Tailândia - passando da antiga forma de exploração destes animais para um modelo em que o mais importante é a sua proteção e reabilitação.
Trata-se de um espaço inserido num ambiente completamente natural, amplo e aberto, pensado para reproduzir, tanto quanto possível, o habitat natural dos elefantes. Em vez de recintos fechados ou espaços artificiais, o santuário privilegia áreas verdes, caminhos de terra, zonas de água e com charcas de lama, garantindo sempre espaços onde os animais podem circular livremente, socializar e expressar os seus comportamentos naturais.
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A maioria dos elefantes que ali vivem não nasceu no santuário - foram resgatados de contextos, muitas vezes, adversos, como a indústria madeireira ou antigos campos turísticos onde eram usados para passeios ou espetáculos. Muitos são já idosos, tendo passado grande parte da vida a trabalhar. O santuário surge precisamente como resposta a uma questão crítica: o que acontece a estes animais quando deixam de ser úteis para a indústria? Aqui, encontram finalmente um espaço seguro para viver com dignidade.
Os cuidados prestados são centrados no bem-estar físico e emocional dos elefantes. Cada animal é acompanhado por tratadores experientes (os mahouts), que conhecem profundamente o seu comportamento e necessidades. A alimentação é adequada e, muitas vezes, preparada com a participação dos visitantes, existindo também acompanhamento veterinário, apoio hospitalar e práticas de gestão sustentável do espaço.
Ao chegarmos, o ambiente faz-se sentir de imediato: selva densa, trilhos de terra batida e um silêncio apenas interrompido pelos sons da natureza. Não há grades, nem palcos, nem qualquer sensação de espetáculo… os elefantes vivem em espaços amplos e andam completamente à vontade.
Durante a visita, o mais marcante é a proximidade, não só física, mas também emocional. Cria-se uma empatia entre as pessoas e os elefantes, que é curiosíssima, não sei se é uma coisa de cada um de nós, ou se é algo que vem do próprio animal, mas a verdade é que criámos uma proximidade preferencial sempre com a mesma elefanta, que praticamente nos adotou.
Ao chegarmos ao local somos recebidos pela equipa de tratadores, os tais mahouts, que nos contam a história interessantíssima deste refúgio, e da vida de cada um dos elefantes que ali estão.
Inicialmente preparam a interação com todos os cuidados, começando gradualmente e a medo, com a entrega de alguma comida, nesta fase apenas bananas ou cana-de-açúcar, que colocamos na tromba.
Mas ao fim de algum tempo e de vários contactos, já se quebrou o gelo e já conseguimos interagir com mais proximidade, chegando mesmo ao toque e até aos abraços apertados.
Depois do couvert, das bananas que lhes demos, iriamos agora preparar uma das refeições do dia com mais nutrientes, neste caso, uma mistura de banana esmagada à mão, com aveia e mais uma série de ingredientes, até fazer umas bolas apetitosas… pelo menos para eles, porque para nós, nem por isso.
Fomos de novo para perto dos nossos mais recentes amigos e, desta vez, demos-lhe as almondegas nutritivas que tínhamos acabado de preparar, e foi aí que conquistámos aqueles coraçõezinhos gigantes.
A seguir somos convidados a caminhar pelos trilhos, seguindo o percurso que os elefantes iam fazendo calmamente, até chegarmos perto de um pântano enlameado, onde estes paquidermes gostam de se espojar no lamaçal e, melhor ainda, gostam que as pessoas lhes esfreguem a pele com muita lama, numa espécie de tratamento SPA, que os faz sentir bem… e nós lá esfregámos.
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A última atividade no abrigo foi quando entrámos num imenso lago para dar banho a estes senhores. Esfregámos aqueles lombos gigantes com uma escova e um baldinho para atirar água, metidos no charco com água até à cintura, até tirar toda a lama que eles tinham na pele.
Pelo meio, havia água para todo o lado, nós encharcados e eles claramente a curtir o momento e até faziam, de vez em quando, daquelas chuveiradas com a tromba, para atingir toda a gente. Não eram só os elefantes que estavam contentes, nós também nos divertimos bastante… no final, eles ficaram limpinhos e nós completamente encharcados… mas toda a gente saiu bem feliz.
Temos depois acesso a um chuveiro bastante razoável, para nos livrarmos dos vestígios da lama, e fizemos ainda um lanche que nos foi oferecido, e que incluía as habituais frutas tropicais devidamente descascadas, sempre muito apetitosas… e aproveitámos ainda para um último cumprimento, já em tom de despedida, à nossa elefanta favorita.
Ao fim da visita, fica-nos a certeza de que aquilo que torna este abrigo verdadeiramente especial é a sua essência ética. Aqui, não há lugar para exploração - apenas respeito. Os elefantes vivem ao seu ritmo, livres para se aproximar ou se afastar, enquanto nós, visitantes, nos limitamos a entrar com cuidado no seu mundo, acompanhando gestos simples e rotinas naturais.
Mais do que um lugar a visitar, este é um espaço que nos ensina. Uma lição silenciosa de equilíbrio entre o ser humano e a natureza, onde o contacto é quase empático, e acontece sem imposição, apenas com consciência e respeito.
Saímos com uma sensação difícil de traduzir em palavras - não foi apenas observar elefantes - mas sim sentir, por instantes, uma harmonia rara e genuína, numa experiência profunda que, para nós, se tornou completamente inesquecível.
Fevereiro de 2026
Carlos Prestes
Carlos Prestes
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