Neste dia participámos numa viagem que é algo diferente do que é habitual aqui em Krabi, percorrendo a baía Phang Nga, e chegando até à chamada Ilha James Bond.
Desde logo, em vez de sairmos de barco, começámos numa van, que nos levou por cerca de uma hora e meia até ao ponto de início da atividade. Este tour, também encomendado no GetYourGuide, custou cerca de 54 €/pessoa, com almoço incluído, para além de todo o percurso, de van, de barco e até um passeio de kayak, que aqui vou descrever, e que durou em torno de 9 horas.
Phang Nga Bay
Na primeira paragem, no Surakul Pier, mudámos da van para um barco, uma espécie semelhante aos de cauda longa, mas maiores e com pinturas decorativas no casco… são os tradicionais long-tail boats tailandeses.
À medida que o barco deixa o cais, a paisagem transforma-se rapidamente. O percurso inicia-se por canais estreitos que serpenteiam pelos mangais, criando uma sensação de imersão total na natureza. As águas calmas refletem o verde denso das árvores, enquanto as raízes expostas formam padrões quase esculturais ao longo das margens.
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À medida que o barco avança, o cenário abre-se gradualmente e revela que aqui também existem os icónicos e imponentes penhascos calcários que se erguem abruptamente do mar. Estas formações, moldadas ao longo de milhares de anos, criam um contraste impressionante com a serenidade das águas e a suavidade dos mangais.
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O percurso é simultaneamente tranquilo e surpreendente - ora mais íntimo, na zona dos canais estreitos, ora grandioso, quando se entra nas áreas mais abertas da baía. É comum avistar pequenas grutas, enseadas escondidas e até vida selvagem, como aves exóticas e peixes que saltam nas águas pouco profundas.
Lot Cave
A paragem seguinte ocorre junto a uma das atrações da baía, conhecida como Lot Cave. Aqui, em torno de uma ilha formada por imponentes rochedos calcários, abre-se um verdadeiro labirinto natural de grutas e estreitos canais que conduzem a lagoas escondidas, criando um cenário simultaneamente misterioso e curioso.
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O barco em que seguimos abranda e atraca numa das plataformas flutuantes existentes no local. A partir daí, a experiência torna-se ainda mais imersiva: somos encaminhados para pequenos kayaks, conduzidos por guias locais experientes, que nos levam a explorar este intricado sistema de grutas e lagoas. À medida que avançamos, muitas vezes através de passagens estreitas e sob tetos rochosos baixos, entramos em espaços resguardados e silenciosos, onde a luz natural se reflete nas águas calmas e revela toda a beleza escondida no interior destas formações calcárias.
James Bond island
A visita à famosa Ilha James Bond constitui um dos pontos altos do percurso pela baía de Phang Nga. Conhecida mundialmente após a sua aparição no filme The Man with the Golden Gun, esta ilha - cujo nome original é Koh Tapu - destaca-se pelo icónico pináculo calcário que se ergue verticalmente do mar, criando uma imagem cinematográfica imediatamente reconhecível.
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A chegada faz-se pela ilha vizinha, a Khao Phing Kan, onde existe um pequeno cais que serve de ponto de desembarque. Este local está cheio de grutas, que os turistas gostam de visitar, mas o seu ponto alto é a pequena baía onde se forma uma praia, de onde temos o primeiro contacto com a vista da Ilha James Bond.
Apesar de não termos ainda dado um mergulho durante toda esta manhã, não nos apeteceu entrar nas águas desta baía. A verdade é que, pela proximidade dos mangais e de toda a rede de canais, as águas nesta baía são de um verde acastanhado, e bastante turvas – nada a ver com as águas transparentes das outras ilhas visitadas nos dias anteriores – e por isso, não são nada apetecíveis.
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Nesta praia há sempre quem leve a coisa muito a sério, e recrie o famoso duelo de The Man with the Golden Gun, com direito a poses dramáticas e pistolas douradas - que os guias distribuem para alimentar a palhaçada.
Entre os Roger Moore improvisados e os vilões de ocasião, o cenário natural dá lugar a um pequeno teatrinho ao ar livre p’ra fotografia. Nós, claro, ficámos no papel mais digno: não alinhámos na fantochada.
Ao passarmos pela praia é possível caminhar por trilhos curtos que conduzem a diferentes perspectivas sobre o famoso rochedo, onde podemos fazer as nossas selfies, para a posteridade, bem como explorar pequenas enseadas, de onde nos oferecem as vistas de outras zonas da baía, também muito verdes e com os habituais penhascos.
De novo junto ao ancorador, existem algumas infraestruturas de apoio - como bancas de souvenirs e áreas de descanso - que tornam a visita mais acessível, embora menos selvagem do que noutras zonas da baía… sobretudo num pequeno trilho que nos conduz a um patamar elevado, de onde a vista sobre o icónico rochedo de James Bond é ainda mais vistosa..JPG)
Ko Panyi Island
No próximo trajeto seguimos para a Ko Panyi Island onde se encontra uma aldeia lacustre. Já tinha tropeçado na fotografia desta ilha, mas quase sempre vista de cima, tirada de um avião ou de um drone. Essa imagem é, de facto, fantástica, e revela-se como um cenário quase irreal: uma pequena comunidade inteiramente construída sobre estacas, que parece flutuar sobre as águas calmas da baía.
Do alto, percebe-se claramente a organização compacta das casas de madeira, interligadas por passadiços estreitos, formando um autêntico labirinto sobre o mar… onde se destaca a Mesquita, com as suas cúpulas douradas, que fica encostada ao grande rochedo, que parece servir de apoio a toda a aldeia.
Apesar de não ter levado qualquer drone, não deixo de incluir aqui a belíssima imagem aérea, retirada da net, desta ilha onde passámos um par de horas.
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Ao chegarmos de barco, a Ko Panyi surge como um lugar que revela o equilíbrio entre a mão humana e a natureza - uma aldeia que parece flutuar, suspensa entre o mar tranquilo e os imponentes penhascos calcários que a envolvem.
A Ko Panyi nasceu como uma aldeia piscatória, inteiramente construída sobre estacas, onde uma malha de passadiços de madeira permite organizar o quotidiano numa cadência própria, marcada também pelos hábitos da religião muçulmana, aqui predominante.
Com o tempo, porém, o turismo passou a moldar profundamente o modo de vida local: surgiram restaurantes que recebem as embarcações - como aquele onde almoçámos - e um conjunto de lojas que ocupam agora grande parte dos corredores que se formam entre as casas, e que funcionam simultaneamente como ruas e como mercado.
As casas, típicas palafitas que recordam as aldeias lacustres aprendidas nos livros da escola, apresentam-se pobres e frágeis, quase no limite da estabilidade, pelo menos ao olhar de quem chega de fora. Ainda assim, a vida parece decorrer com naturalidade, como se essa aparente precariedade fizesse parte do equilíbrio do lugar.
Entre os elementos mais inesperados que ali se encontram, destaca-se o campo de futebol flutuante: uma infraestrutura quase improvável, formando uma mancha colorida com forte impacto visual. Mais do que uma curiosidade, este “estádio” é um símbolo do engenho e da adaptação desta comunidade ao espaço limitado de que dispõe. Onde não há terra firme, constrói-se numa plataforma flutuante - e até o futebol, paixão universal, encontra aqui o seu lugar.
Ainda assim, admito que uma partida de futebol neste campo não seja nada confortável, para quem joga e também para o mergulhador de serviço que ficar de apanha-bolas.
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Ao nos afastarmos da aldeia, fixamos a paisagem por uma última vez, com o grande penhasco que a parece proteger dos perigos terrenos, e a mesquita, o seu coração espiritual, que certamente a defenderá dos males que afligem da alma.
Uma última imagem que traduz as bases de vida desta comunidade tão inusitada… e que convida mais a uma reflexão do que a grandes explicações.
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Wat Tham
No percurso seguinte o barco leva-nos de novo até ao continente, e votámos à nossa van para fazer as restantes visitas do dia, começando por um templo muito especial que aqui se encontra, na província de Phang Nga.
O Suwan Khuha Temple, ou Wat Tham, em tailandês, é também conhecido como “Templo da Caverna”, e é um importante espaço espiritual, que fica localizado no interior de imensa gruta calcária. A caverna é ampla e silenciosa, o que cria um ambiente natural de recolhimento e contemplação, que sentimos logo que ali entramos.
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No seu interior destacam-se várias estátuas de Buda, sendo a mais emblemática a do Buda reclinado gigante, símbolo de serenidade e da passagem para o nirvana. Existem ainda outras imagens em diferentes posições, representando momentos da vida e ensinamentos de Buda.
No exterior, junto à entrada da caverna, vive uma numerosa comunidade de macacos, que se tornou uma atração adicional para os visitantes, que compram comida para os atrair - embora seja recomendável manter alguma cautela ao interagir com estes bichos, não são nada confiáveis, têm demasiados tiques dos humanos… nada a ver com cães, e diria até, elefantes, em quem podemos confiar.
De qualquer forma, mesmo sem termos alimentado os macacos que por ali andam, não deixámos de os observar a uma certa distância de segurança… aproveitando todo o potencial deste local: onde a natureza, a espiritualidade e a vida selvagem coexistem de forma singular.
Namtok Raman Forest Park
Este parque revela-se como um refúgio natural, onde uma cascata se deixa envolver por uma densa floresta tropical. Ao longo de trilhos e passadiços acessíveis, somos convidados a abrandar o ritmo e a mergulhar num ambiente de quietude, marcado pelo som constante da água e pela presença de uma vegetação exuberante. Em certos pontos, é possível nadar em zonas seguras, tornando a experiência ainda mais sensorial.
Longe das multidões, este é um lugar de autenticidade e contemplação, onde a paisagem natural harmoniza com alguns vestígios humanos - pequenas casas e pontes - criando um cenário íntimo e profundamente tranquilo.
Porém, as águas da cascata nem sempre formam a imagem exuberante que encontramos nos folhetos turísticos, que refletem a época das chuvas, quando o rio é muito mais abundante. Nesta altura, encontrámos um local interessante, sobretudo pelo ambiente tropical e a envolvente da cascata, mas não tanto pela possibilidade de nadarmos nas piscinas naturais que se vão formando… aliás, só um louco entraria numa água fria, quando estamos numa zona rodeada por um mar de 28º.
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Esta não é, de todo, uma das viagens imprescindíveis na região de Krabi - não oferece as clássicas praias de águas cristalinas e areias brancas de coral, que definem o imaginário local. Ainda assim, revela-se um percurso profundamente enriquecedor, pontuado por lugares singulares e inesperados.
À medida que a tarde se dissolve, despedimo-nos da província de Phang Nga, levando connosco as paisagens mais marcantes deste dia - algumas quase irreais, como a forma insólita da James Bond Island, erguendo-se solitária sobre águas serenas, ou a vida suspensa sobre o mar na aldeia lacustre de Ko Panyi.
E, já sob a luz suave do entardecer, a jornada conduz-nos ainda a um templo e a uma floresta tropical - cenários que convidam naturalmente ao silêncio, à reflexão e à contemplação. Talvez seja precisamente aí, mais do que nas praias que habitualmente nos encantam, que reside a essência desta experiência… numa beleza mais discreta, mas profundamente sentida.
Fevereiro de 2026
Carlos Prestes
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