sexta-feira, 12 de junho de 2009

New York - Percurso 3 - Os arranha-céus do East Midtown


Depois do cruzeiro pelo rio Hudson, que terminou a meio da manhã, tínhamos ainda um dia longo pela frente que seria utilizado para fazermos o Percurso 3, numa caminhada que nos iria levar ao longo dos edifícios e arranha-céus mais emblemáticos da zona do East Midtown.
Começámos na esquina da 5th Avenue com a 59th Street, na Grand Army Plaza, encostada ao Central Park, onde ficamos completamente rodeados por um conjunto de arranha-céus que são autênticas pérolas da arquitetura. Nem seria necessário salientar qualquer dos edifícios desta zona, porque são todos preciosos, mas não posso deixar de fazer referência a um edifício em particular, o do Hotel The Plaza, pela sua arquitetura clássica e charmosa, mas sobretudo porque alberga um dos hotéis mais emblemáticos da cidade.
Nas ruas e avenidas envolventes sentimo-nos tão pequeninos no meio daqueles arranha-céus, quase todos bem peculiares e autênticas jóias da arquitetura.
Como tínhamos já percorrido a 5th Avenue no dia anterior, cruzámos desta vez até à Lexington Avenue, onde se localizam vários edifícios bastante interessantes, mas sobretudo aquele que é considerado como um dos mais bonitos arranha-céus de todo o mundo, o edifício da Chrysler, que se localiza na esquina da Lexington com a 42nd Street.

Chrysler Building foi inaugurado em 1931 para instalar a sede da empresa americana de automóveis Chrysler. Tem uma altura de 319m e é, neste momento, o terceiro edifício mais alto da cidade. 

O projeto original foi do arquiteto Van Alen e o edifício é sobretudo assinalado pela coroa que se assemelha a uma lanterna que, à noite, parece flutuar no centro de Nova Iorque. Há ainda a particularidade do edifício ter sido integralmente forrado a alvenaria de tijolo, contendo quase 4 milhões de tijolos, e é mesmo considerado atualmente como a mais alta estrutura de todo o mundo revestida a tijolo.
Continuando pela 42nd Street até ao rio East encontramos outro dos edifícios icónicos da cidade, o United Nations Building

Trata-se do edifício-sede da Organização das Nações Unidas que foi construído entre 1949 e 1952, e foi projetado pelo arquiteto brasileiro Óscar Niemeyer, sendo bem evidentes as semelhanças com alguns traços arquitetónicos que se encontram na cidade de Brasília.
Voltámos para Oeste pela 42nd Street até ao Bryant Park, um pequeno jardim rodeado por arranha-céus.
Descemos depois a Madison Avenue até à Madison Square Park, um jardim onde se cruzam a 5th Avenue com a Broadway, e onde se encontram dois dos edifícios mais antigos da cidade.
O edifício da Metropolitan Life Insurance Company, conhecido como a Met Life Tower, foi construído em 1909 com 50 andares. Na época era mesmo o edifício mais alto do mundo e manteve esse título até 1913. A sua imagem é sobretudo marcada pela cúpula, inspirada no campanário de San Marco de Veneza. 

Quando da nossa viagem o edifício era utilizado exclusivamente por escritórios mas, atualmente, desde 2015, a torre está parcialmente ocupada por um hotel de luxo com 273 quartos, o New York Edition Hotel.
Na interceção da 5th avenida com a Broadway fica o Flatiron Building. Foi um dos primeiros arranha-céus construídos na cidade e tem esse nome por ter uma forma semelhante à de um ferro de engomar. Foi inaugurado em 1902 e possui 22 andares e 87 metros de altura. 

Quando foi inaugurado era um dos prédios mais altos do mundo, mas atualmente parece-nos um edifício bastante baixo. O seu projeto foi concebido pelo arquiteto Daniel Burnham no estilo Beaux-Arts, ou Renascimento francês.   

Já ao final da tarde subimos a 5th Avenue até à 34th Street e entrámos no Empire State Building de forma a chegarmos ao topo ainda com luz solar. 

Como referi é conveniente levar os ingressos já comprados para minimizar demoras, no entanto, e mesmo com os bilhetes, será expectável que se perca algum tempo na fila para o elevador... e quando digo algum tempo, quero dizer mais de uma hora (que foi o que demorámos). Mas vão ver que vale a pena, no final a paisagem é inesquecível.
O Empire State Building é um arranha-céu com 102 andares e uma altura de 381m até ao terraço de cobertura, mas chega aos 443m incluindo a torre da antena. Desde a sua inauguração em 1931 o edifício era o mais alto do mundo, e manteve esse estatuto durante quase 40 anos, quando foi concluída a Torre Norte do complexo do World Trade Center, no final de 1970. 
O edifício foi projetado em estilo art déco e foi classificado como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis. 

Algumas curiosidades marcaram também a história deste edifício. Por exemplo, em 1933 a torre ficou associada a um filme que se tornou um clássico, o King Kong, onde o gorila se pendura no prédio para combater os aviões que o tentavam caçar. Mais tarde, em 1976, o edifício volta a aparecer no remake desse mesmo filme. 

E já fora da ficção, em 1945, um bombardeio B-25 perdeu as referências devido a um forte nevoeiro e colidiu com a fachada Norte do edifício entre os andares 78 e 80, causando 14 mortes. O incêndio provocado pela colisão foi controlado em apenas 40 min, o que garantiu que o edifício não se tivesse desmoronado.


No final da longa espera chegámos finalmente ao patamar de observação. Primeiro ainda no meio de alguma confusão até nos aproximarmos da grade de proteção para conseguirmos contemplar a paisagem. 

Estávamos no final de uma tarde quente de junho e quando conseguimos olhar sobre a cidade, fomos engolidos por uma sensação indescritível que nos deixou arrepiados, como se o mundo estivesse ali aos nossos pés... e já não quisemos sair mais daquele lugar.

Começámos por contemplar a cidade ainda ao entardecer, esperámos pela chegada das cores pôr-do-sol e, por fim, deixámo-nos ficar até que a noite caísse e a cidade se fosse iluminando através de milhões de pontos luminosos... transformando aquela noite numa noite inesquecível, e aquela cidade na mais bela cidade jamais vista.

Não será fácil reproduzir as sensações esmagadoras que nos tomaram no alto daquela torre e por isso vou deixar aqui algumas fotos que mostram um bocadinho daquilo que pudemos contemplar.


  

Acabámos este dia completamente maravilhados e perfeitamente rendidos aos encantos desta cidade.


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New York - Percurso 2 - Cruzeiro no rio Hudson


Este foi um percurso feito de barco, num cruzeiro em torno da ilha de Manhattan.

Mas começámos primeiro pelo Pier 86, apenas para observar o museu do Intrepid Sea, Air & Space Museum. Vêem-se alguns aviões e o porta-aviões cá de fora, não sendo imprescindível visitar o museu para ficarmos com uma ideia das peças bélicas de maior dimensão que ali estão expostas. 
Percorremos depois a pé até ao Pier 83 e ao ponto de partida dos cruzeiros da Companhia Circleline.
Fizemos a volta de barco completa à ilha de Manhattan (360 graus), mas apenas porque correspondia ao horário mais conveniente, e porque o preço nos era indiferente, visto que estava incluído no CityPASS que tínhamos adquirido previamente. 

Mas a alternativa mais razoável e mais barata será a volta mais pequena que nos leva até à Estátua da Liberdade e à ponte de Brooklin, o que, na minha opinião, será suficiente. Este percurso é operado pela companhia Circleline, saem todos os dias às 10h e a viagem dura cerca de 1h e custa 29U$D e cumpre, mais ou menos, a seguinte trajetória.
Durante o passeio atravessa-se o rio Hudson e temos oportunidade de contemplar algumas das paisagens mais bonitas do skyline de Manhattan. 

Já próximo do downtown chegamos ao ponto alto deste cruzeiro, quando passamos a poucos metros da Liberty Island e do símbolo mais importante da cidade de Nova Iork, e um dos mais marcantes de todo o mundo, The Statue of Liberty.

Haverá a opção de se fazer uma viagem específica para visitar o interior da Estátua da Liberdade, solução que atrai milhões de turistas todos os anos, mas confesso que me agrada mais ficar apenas perto da ilha e contemplar a estátua de fora, sem perdas de tempo nas filas enormes, mas garantindo da mesma forma a magnífica vista sobre o skyline da cidade.

De qualquer modo será interessante conhecermos um pouco mais sobre um monumento tão icónico como este.

Antes de mais a Estátua é uma referência à Liberdade como um valor que a América tem adotado como grande prioridade (só é pena que mais recentemente, na era Trump, esses valores de democracia e liberdade tivessem sido postos em causa).

A Estátua atinge uma altura de 93m, sendo que cerca de metade corresponde ao seu pedestal. Foi projetada e construída em França e oferecida aos Estados Unidos pelo chefe de estado francês, agradecendo o facto dos americanos terem vencido uma batalha contra os ingleses. A estátua pesa 160 toneladas e foi transportada de barco desde França, separada em 350 peças, numa viagem que levou mais de um ano. Depois da sua montagem na Liberty Island abriu ao público no ano de 1886.
Regressando de novo à proximidade do downtown surge-nos a imagem marcante da Ponte de Brooklyn, a ponte mais icónica de Nova Iorque que, como tantos outros lugares nesta cidade, nos faz viajar até ao imaginário da sétima arte. De qualquer forma, desta vez, iriamos apenas apreciar a silhueta da ponte, deixando para depois uma visita mais demorada. 
Invertendo a marcha de regresso ao cais passamos de novo na proximidade do downtown, e podemos contemplar o seu skyline, uma das referências da cidade, delineando-se perfeitamente o contorno dos arranha-céus daquela zona da cidade.

E é aqui que, pela primeira vez, quem conheceu Nova Iorque antes de setembro de 2001, sentirá uma forte ausência da antiga referência da cidade, o World Trade Center com as suas Twin Towers. E é impossível não se pensar naqueles instantes em que a história do mundo mudou ao mesmo tempo que aquela cidade se transformava para sempre, não só o seu skyline, que agora observávamos notando a ausência das torres, mas pelas cicatrizes que se abriram naquele dia fatídico, o inesquecível nine-eleven. 

Mas a memória tenta fazer com que as imagens perdurem e que o espírito da cidade se mantenha.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

New York - Percurso 1 - O Midtown


No primeiro dia começámos por percorrer algumas das ruas do Midtown, entre as avenidas 7th e 5th, na zona envolvente da Times Square.


O MoMA

O destino inicial era ao Museum of Modern Art (MoMA), cujo ingresso deve ser adquirido previamente, para evitar as longas filas na bilheteira. 

Como a maioria das coisas nesta cidade o MoMA é um espaço perfeitamente incrível e foi talvez o museu de que mais gostei dos muitos que tenho visitado em todo o mundo. Não é possível descrever um museu como este numa crónica de viagens e, por isso, vou apenas referir as particularidades que mais me impressionaram, ilustrando com algumas fotos das obras mais marcantes.

A visita ao museu vai evoluindo em crescente, melhorando cada vez mais o nível das obras expostas. A primeira coisa que me impressionou foi uma zona de exposição da arte da Bauhaus com coleções bastante completas. Mas em seguida começaram a desfilar algumas das peças mais interessantes da pintura do século XX... pelo menos na minha opinião. 

E assim foram-se sucedendo obras cada vez mais brilhantes, das quais saliento as de Andy Warhol, as de Paul Gauguin, de Gustav Klimt ou o quadro “Dance” de Henri Matisse. 



Mais à frente surgiram alguns dos meus pintores favoritos, como são os casos de Wassily Kandinsky, Pollock ou Pablo Picasso, com uma das coleções mais completas que já vi do génio espanhol. 
A sala dedicada a Jackson Pollock deslumbrou-me com os seus quadros enormes que forravam integralmente as paredes daquele espaço, criando uma sensação impressionante.
Pablo Picasso é um dos pintores mais exposto nesta galeria, e de todas as suas obras destaco duas delas que considero sublimes, o “Girl Before a Mirror” e o icónico “Les Demoiselles d'Avignon”, sendo este último um dos quadros mais importantes de toda a obra do génio Picasso.

Este museu não é só mais um local de exposições, é um espaço que nos deixa esmagados de tanta preciosidade que ali nos surge, tão disponível e tão ao nosso alcance, cheia de referências artísticas importantíssimas, algumas que sempre preencheram o nosso imaginário. É um local marcante que nos sensibiliza e que a mim me chegou mesmo a emocionar. Quem quer que visite a cidade de Nova Iorque não deve deixar de visitar este espaço tão singular, contendo algumas das coleções mais preciosas da pintura e da escultura mundial.


O Midtown

À saída do MoMA deambulámos um par de horas no chamado Midtown, a zona entre as 5th e a 7th avenidas, e entre as ruas 30th e 59th. Toda esta área está preenchida por arranha-céus elegantíssimos, que são o rosto desta cidade.

Escolho aqui apenas alguns dos locais de destaque. De um lado, o West Side, as movimentadas Broadway e 7th Avenue que desembocam na frenética Times Square. Do outro lado, no East Side, surgem as charmosas e requintadas Park e 5th Avenues. 

Nesta zona da 5th avenida, para além do charme de algumas das lojas mais chiques da cidade, surgem locais incontornáveis, como uma das Trump Towers ou a catedral da cidade, a Saint Patrick's Cathedral.

Surge também nesta zona um dos locais mais marcantes da cidade, o Rokefeller Center.

O Rockefeller Center e a Rockefeller Plaza, fazem parte de um complexo de 19 edifícios comerciais, construído pela família Rockefeller, que ocupam uma área de quase 100 mil m² entre as ruas 48th e 51th do Midtown de Manhattan.

No Inverno, e especialmente no Natal, a visita a este local já faz parte da tradição da cidade, quando a praça principal do complexo oferece uma pista de patinagem no gelo e é decorada com uma grande árvore de Natal.

O complexo do Rockefeller Center integra também a sala de espetáculos Radio City Music Hall e a sede da NBC, em cujo estúdio 8H, é gravado o famoso Saturday Night Live.
Uma das avenidas mais interessantes desta zona é a Park Avenue, que é uma das poucas cujo nome difere da nomenclatura da maioria das avenidas da cidade, que são designadas por uma numeração da 1st à 12th. 
Na junção da Park Avenue com a 42th Street localiza-se uma das referências da cidade, a estação ferroviária, a mítica Grand Central Station. Mais do que uma estação de comboios este espaço é uma referência da cidade, tem sido o cenário de muitos filmes, o que o torna num lugar familiar, como se já por lá tivéssemos passado para apanhar algum comboio. 

A estação foi construída entre 1903 e 1913 e o seu projeto foi concebido por dois ateliers de arquitetura americanos e pelo escultor francês Jules-Alexis Coutan, que foi o criador do relógio da fachada. 
Continuámos a deambular pelas ruas e avenidas do Midtown até atingirmos a rua 33rd junto à 7th Avenue, onde encontramos o edifício da Pennsylvania Station, a outra grande estação ferroviária de Nova Iorque, e a maior sala de espetáculos da cidade, o Madison Square Garden
Uma das coisas que gostava de ter feito em New York, mas que não consegui concretizar, era assistir a um espetáculo no Madison Square Garden. Na verdade não seria um espetáculo qualquer, o que eu queria mesmo ver era um jogo da NBA, da equipa local, os Knicks. Podemos tentar arranjar bilhetes com antecedência, mas não é fácil, porque os jogos esgotam depressa e, sobretudo, porque os preços são demasiado caros, os mais baixos andam em torno dos 200 U$D. Mas haverá outro tipo de espetáculos de música a preços mais decentes e pode-se tentar arranjar ingressos.


A Times Square

Percorremos depois a 7ª avenida até à esmagadora Times Square, um nome que foi dado à zona de interceção da Broadway com a Sétima Avenida, entre as ruas 42nd e 47th.

Trata-se de uma área comercial, onde quase todos os arranha-céus exibem outdoors luminosos com imagens e néons. E é engraçado, mas a Times Square não é sequer uma rua ou uma avenida, ou mesmo uma praça… não há qualquer edifício cujo endereço se localize nesta praça, é sempre localizado numa das ruas ou das avenidas que lá se cruzam.

Na Times Square estão localizadas algumas empresas ou instituições de referência, como o NASDAQ, uma das principais bolsas de valores do mundo, os estúdios da rede de televisão ABC, de onde o programa matinal Good Morning America é transmitido ao vivo, ou os famosos estúdios da MTV e da Virgin Records. O local possui uma das maiores concentrações da indústria do entretenimento no mundo, com dezenas de teatros na sua envolvente, e possui também grandes lojas das mais famosas marcas internacionais. 

O nome da praça resultou da existência de um edifício, o Times Building, que durante muitos anos serviu de base a um dos principais jornais da cidade, o New York Times.

Neste momento, a Times Square é mesmo o local mais visitado do mundo, com cerca de 40 milhões de visitantes por ano. Uma das suas principais atrações é a festa de fim de ano, na véspera de Ano Novo. Uma bola de cristal iluminada localizada num poste no topo de um dos prédios da praça, vai descendo pelo poste com a passagem do tempo, até chegar à sua base sinalizando a meia-noite e o ano novo.

Se New York é uma espécie de capital do mundo, a Times Square é o centro de gravidade da cidade e, portanto, será também, o centro de gravidade do planeta... e o que é mais curioso é que essa sensação é perfeitamente percetível, sentimos mesmo que estamos no centro do mundo e com um poder imenso que essa sensação nos transmite.
E enquanto estivemos na cidade passámos por lá sempre ao final da tarde e início da noite, exatamente quando a praça mais vibra, com a concentração de nova-iorquinos e turistas de todas as partes do mundo, que se deixam apenas ficar ou estão de passagem para um dos muitos teatros da zona. E durante a nossa estadia nunca nos cansámos de desfrutar daquele local, na maior parte das vezes estivemos só por lá a observar aquele circo.

E o que é curioso é que nem há muito que possamos descrever sobre este local... porque não são os arranha-céus, nem as fachadas dos edifícios, nem sequer os outdoors de néon, que nos marcam desta forma tão decisiva... é um conjunto quase impercetível, são as sensações, a vibração, a emoção, é isso que nos toca, é isso que nos apaixona.
A sua imagem torna-se ainda mais dominante durante a noite, quando os inúmeros painéis luminosos de publicidade vão acendendo e apagando, tornando esta praça numa espécie de palco de emoções, sempre vivo, sempre palpitante.



Os espetáculos na Broadway

Quem vai a New York devia sempre tentar ver um dos muitos espetáculos que estão em cartaz nos vários teatros da zona da Broadway.

Porém, atualmente, são bastante caros, sobretudo para uma família, e os bilhetes esgotam com facilidade, pelo que recomendo que se faça a reserva prévia. 

Nesta altura existiam ainda quase todos os grandes clássicos, como o Hair, West Side Story ou o Fantasma da Ópera, e alguns a que já tive a oportunidade de assistir, como o Miss Saigon ou o Chicago. Mas já será difícil voltar a assistir a uma pérola irrepetível, o musical do filme Victor Victória, ainda com a própria Julie Andrews. 
Este ano escolhemos o musical que estava em alta, o Mamma Mia, que seria um valor seguro, pela banda sonora que todos conhecíamos desde pequenos.

No entanto, embora um espetáculo na Broadway seja sempre um acontecimento marcante, reconheço que não assistimos ao melhor Mamma Mia, talvez tivéssemos tido azar com os atores, que eram um bocado canastrões.


Um passeio de limousine

Não passa de uma brincadeira, mas é muito engraçado percorrer as ruas de Nova Iorque de limousine. Arranja-se e negoceia-se na rua, e pede-se para fazerem o percurso que quisermos. 

Estávamos a sair do teatro na Broadway, depois do Mamma Mia, e tivemos um impulso coletivo que nos fez entrar naquela limusine. 
Pedimos para ir a Brooklin, junto à ponte, a ideia era ver a paisagem de Manhattan iluminada... e em menos de nada lá estávamos nós, sem saber bem se estávamos acordados ou a sonhar, fazendo parte de um imaginário que só conhecíamos do cinema, as ruas movimentadas, as luzes, os néons, e nós ali, no meio daquilo tudo... num autêntico mundo de fantasia.
O preço não foi estupidamente caro, até porque éramos seis pessoas... mas ainda que fosse, daria por muito bem empregue cada dólar gasto naquele desvario.


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quarta-feira, 10 de junho de 2009

New York

(Julho de 2009)

Nova Iorque é, e sempre foi, a minha principal referência planetária, uma espécie de capital do mundo, que conhecemos desde sempre, mesmo antes de a termos visitado, por ser uma cidade que nos habituámos a reconhecer pelos filmes, pelas séries e pelas notícias, que nos entram diariamente em casa. Mas a realidade é sempre bem diferente e sempre surpreendente e, na cidade de New York, essa surpresa é mesmo avassaladora e chega-nos em cada avenida, cada praça, cada recanto, e envolve-nos de forma tão marcante que nunca mais deixamos de considerar esta cidade como um dos nossos locais favoritos em todo o mundo.
Conheci a cidade em 1996 numa viagem que fiz ao longo da costa Leste dos Estados Unidos, mas vou sobretudo referir-me a uma outra viagem que fiz em junho de 2009, na companhia da Ana, a minha mulher, e da Marisa Martins, o Rui Cabrita, a Palmira Carvalho e a Tânia Meneses.

A descrição desta viagem será feita através dos vários percursos que fomos fazendo ao longo da cidade, mas a duração de cada percurso e da própria estadia irá depender do ritmo que cada um queira imprimir aos seus passeios e às suas pausas. A nossa estadia durou cinco dias completos, mas admito que se possa prolongar a viagem por mais um ou dois dias, de forma a sobrar tempo para fazer outras coisas, ou para fazer exatamente o mesmo, mas com mais calma. De qualquer maneira, apesar dos cinco dias, nem fiquei com a sensação que tivesse sido uma correria desenfreada.

Em qualquer dos casos recomendo que se faça alguma preparação e planeamento para tentar minimizar o tempo mal perdido, sobretudo numa cidade onde o tempo é precioso porque a estadia é bastante cara (isto é uma deformação profissional, mas uma viagem começa por ser gerida como um projeto... e depois tem desvios que vamos adaptando e corrigindo, tal como em todos os projetos). De qualquer forma esse planeamento que nos leva a estabelecer um guião para visitarmos a cidade nunca poderá ser uma peça rígida, tem que existir espaço para improvisarmos, essa é uma regra universal e que é bastante recomendável numa cidade tão surpreendente como esta. 

Quando falo em preparação refiro-me à definição dos espaços que vamos querer visitar, para que possamos comprar previamente os ingressos ou fazer reservas, quando necessárias, e só dessa forma evitaremos filas e não correremos o risco de perder algo que gostaríamos de visitar, o que será um benefício relevante para a qualidade da nossa estadia. E refiro-me, por exemplo, ao acesso a museus, às subidas a arranha-céus, aos espetáculos, a cruzeiros de barco e às reservas em restaurantes.

No nosso caso adquirimos um CityPASS que incluía a utilização de transportes públicos, mas também o acesso a museus, subidas aos arranha-céus visitáveis e um cruzeiro de barco à volta da ilha de Manhattan. Não vos refiro qual o preço e nem sequer qual o nome exato deste passe porque já passaram vários anos e certamente existirão coisas novas. De qualquer forma lembro-me bem que o passe era bastante caro. Talvez a aquisição prévia de ingressos apenas para os espaços escolhidos seja uma solução mais económica. E mesmo o uso de transportes talvez não justifique um passe, porque os maiores percursos são feitos a pé e os regressos ou as saídas à noite normalmente são feitos de táxi. 

Ainda no âmbito da preparação da viagem queria mencionar que esta é uma cidade servida por dois aeroportos, o JFK, em New York, e o aeroporto de Newark, no estado de New Jersey e ambos ficam a cerca de 30 km do centro de Manhattan. Desta forma a escolha dos voos poderá recair em qualquer destes dois aeroportos podendo-se optar pelas alternativas mais económicas. 

Já a escolha dos hotéis é quase sempre uma dificuldade. Não porque não exista oferta, mas porque os preços têm vindo a tornar-se insuportavelmente elevados (recordo que em 1996 o dólar estava em baixa e tudo era baratíssimo, e mesmo em 2009 os preços estavam ainda razoáveis e deu para escolher um hotel junto à Times Square). 

No entanto, apesar a subida em flecha dos preços dos hotéis, sugiro que isso não vos faça desistir de visitar a cidade e, se for necessário, escolham um hotel em Newark. Procurem hotéis na proximidade da estação ferroviária (a Penn Station de Newark) e terão ligação direta de comboio em 20 min até à Pennsylvania Station na 7th Avenida, no coração de Manhattan.


A chegada à cidade:

Antes de entramos nos percursos e atrações a visitar quero falar-vos de um momento que me marcou decisivamente… o momento da chegada à cidade. Como a abertura de uma ópera ou de uma sinfonia, a chegada à cidade de New York é incontornavelmente um dos instantes decisivos de toda a nossa visita. Naquele momento em que pomos pela primeira vez os pés na ilha de Manhattan, a cidade arrasa-nos, faz-nos estremecer, como se entrássemos num imenso carrossel de vibrações e emoções. 

Não é fácil descrever aquilo que se sente e deixo-vos aqui um desafio… tentem registar (ou recordar, para quem já lá foi) as emoções na vossa chegada à cidade, tentem perceber como é que se estão a sentir quando a cidade vos esmagar… e depois vejam se tenho ou não razão, se não é mesmo um instante decisivo, para a vossa viagem e mesmo para a vossa vida, porque as coisas nunca mais serão vistas da mesma forma, a partir daquele momento o mundo será diferente... ”haverá sempre New York”.

No nosso caso, depois de aterrarmos no aeroporto JFK e apanharmos o transfer, a nossa chegada à cidade aconteceu já à noite, depois de pararmos no Paramount Hotel na 46th Street e após um breve percurso de 150 m, chegámos ao coração palpitante da cidade, a incrível Times Square... e não podíamos ter tido melhor cartão de visita, fomos imediatamente engolidos por uma vibração que ainda hoje me deixa arrepiado.

Ao longo de cinco dias seguintes fizemos vários percursos por toda a cidade cujas crónicas se apresentam nas  seguintes publicações:


Carlos Prestes
Junho de 2009