sábado, 16 de abril de 2022

Astúrias

Ao entrarmos nas Astúrias vindos da Galiza vamos percorrendo vários quilómetros de costa onde se vão formando diversas praias, algumas delas bastante bonitas e com areia branca. Mas o nosso objetivo nesta viagem não era propriamente explorarmos as praias asturianas, porque de praias estamos nós bem servidos em Portugal, e estas, provavelmente, terão águas demasiado geladas para o nosso gosto.

Ainda assim, não deixámos de dar uma espreitadela, aqui ou ali, ao longo desta zona costeira da região das Astúrias.


Playa del Silêncio

Foi assim que encontrámos uma dessas praias que merece ser aqui assinalada, trata-se da chamada Playa del Silêncio.

Nem descemos ao areal, limitámo-nos a percorrer o acesso que nos permite observar a baía que se forma entre os rochedos, um acesso bastante estreito e desconfortável para quem conduz. Mas logo que conseguimos parar o carro e alcançar a vista sobre a praia, ficámos rendidos à paisagem que nos é oferecida.

Uns rochedos que se elevam do mar, formando uma baía lindíssima de águas calmas e com uma tonalidade de azul vivo... pelo menos era assim que estavam naquele dia.
O acesso ao areal parece ser difícil e, por isso, mais protegido das grandes multidões de banhistas… digo eu, mas estávamos ainda em abril e faltavam alguns meses para a época alta do Verão. Mas nem imagino como poderá ser esta zona numa época de maior afluência, visto que, apesar da praia estar deserta, o acesso para automóveis já se encontrava praticamente entupido. Por isso, aconselho a quem quiser visitar esta praia que não se aproxime muito de carro e estacione ainda na estrada, percorrendo depois a pé o acesso de terra batida que passa ao longo do topo da colina que envolve a praia. 

Percorrendo esse acesso vamos sendo brindados pelas bonitas imagens da baía que, neste dia e a esta hora, se encontrava completamente vazia e realmente silenciosa... como o nome da praia assim faria prever.
Ao sairmos desta bonita baía tínhamos pela frente toda a região das Astúrias e dos Picos de Europa, que iríamos agora explorar durante os próximos dias.

Das duas principais cidades asturianas escolhemos visitar apenas Oviedo, a capital do Principado, ficando Gijón para uma eventual próxima visita. Mas ainda antes de chegarmos à cidade, fizemos algumas paragens ao longo do Monte Naranco, localizado a cerca de cinco quilómetros do centro da capital asturiana. 

Neste monte encontram-se três referências religiosas bastante interessantes, e que justificam uma breve visita a quem se desloque em viatura própria.


Monte Naranco – Conjunto de relíquias religiosas

Começando por subir o monte até ao ponto mais alto vamos encontrando alguns trilhos para caminhadas e passeios de bicicleta, mas aquela área inclui também uma antiga zona de combate que foi palco de batalhas durante a Guerra Civil espanhola.

Chegando ao topo deparamo-nos com o Monumento al Sagrado Corazón de Jesús, o Cristo-Rei asturiano, que abre os braços sobre a cidade protegendo simbolicamente as suas pessoas. A escultura, em conjunto com o seu pedestal, atinge uma altura de 30m, e foi realizada em 1980 pelos escultores Gerardo Zaragoza e Rafael Rodríguez Urrusti.
Este monte é muito utilizado pelos habitantes da cidade como local de passeio, ou mesmo de peregrinação, para os mais crentes, percorrendo os trilhos que os levam até ao topo, junto ao Sagrado Corazón de Jesús, onde podem fazer as suas orações, ou apenas contemplar a vista ampla que ali se abre sobre a cidade… no dia da nossa visita deparámo-nos com um céu nublado, o que nos impediu de poder desfrutar das melhores paisagens, ainda assim, foi possível distinguir alguns dos marcos desta cidade, como o Palacio de Exposiciones y Congresos Ciudad de Oviedo, ou o estádio do clube local, que atualmente disputa a segunda divisão, mas que, em tempos, fez parte do principal escalão do futebol espanhol.
Ao descermos pelo Monte Naranco vamos depois encontrar outros dois edifícios religiosos antiquíssimos e tivemos de procurar estacionamento por forma a fazer a respetiva visita bem de perto.

Um destes edifícios é a Iglesia de San Miguel de Lillo, declarado como Património da Humanidade, é uma pequena igreja pré-românica dedicada a San Miguel Arcángel, mandada construir no ano 848 pelo rei Ramiro I.

O edifício é muito bonito, sobretudo no seu enquadramento com a envolvente arborizada da montanha. Não pudemos vê-lo por dentro, mas apenas apreciar a sua arquitetura exterior.
Caminhando depois apenas um pouco a partir desta pequena igreja, encontramos um relvado extenso onde se ergue a outra capela, a Igreja de Santa María del Naranco.
O edifício foi mandado construir também no ano 848, pelo rei Ramiro I, e foi mesmo utilizado como palácio real e residência deste monarca. Só mais tarde foi convertido numa igreja e é hoje um interessante monumento arquitetónico, entretanto declarado como Património Mundial pela UNESCO.
A localização destas três obras religiosas, tal como dos vários pontos que iríamos visitar mais tarde no centro da cidade de Oviedo, estão representados no próximo mapa:
 


Oviedo – A cidade das esculturas

Chegados à cidade estacionámos numa das ruas junto à Praza de Espanha e começámos a nossa caminhada entrando no Parque de San Francisco, um imenso jardim densamente arborizado, com fontes, alamedas e também algumas esculturas. Aliás, uma das particularidades da cidade de Oviedo é a existência de várias estátuas de rua, que surgem por todos os lados e representam os personagens mais diversos. 

A primeira destas estátuas foi também aquela que mais gostámos de encontrar, trata-se da Mafalda, a famosíssima personagem contestatária da banda desenhada que conhecemos há décadas, e que estava por ali sentada num dos bancos de jardim, aguardando pela nossa companhia e pronta para pousar para uma foto.

Foi só uma graça, fazer esta pose com uma personagem da literatura de quadradinhos, mas que iríamos depois repetir, logo poucos metros mais à frente, quando nos cruzámos com o grande Woody Allen, também ele representado numa estátua em tamanho natural, e dando a perceber que, afinal, e apesar do talento, ele não será assim tão grande.


Oviedo - Centro da Cidade

Ignorando agora as demais estátuas que iríamos continuar a encontrar, pusemo-nos a caminho pelas ruas da cidade. Primeiro andámos em torno do seu centro mais moderno, com uma arquitetura bastante cuidada, com edifícios clássicos e muito bonitos, que encontramos, por exemplo, na Calle Progreso e na Calle Pelayo, duas das ruas pedonais desta zona do centro.

É no final desta rua, a Calle Pelayo, que encontramos o Teatro Campoamor, que é um ponto de referência dos acontecimentos culturais da cidade e é o local onde é feita a entrega dos conceituados Prémios Príncipe das Astúrias. Trata-se de um conjunto de prémios que são atribuídos anualmente a pessoas, entidades ou organizações de qualquer parte do mundo que tenham alcançado feitos notáveis nas áreas das ciências, humanidades ou na vida pública.
Seguimos depois até à Plaza de la Escandalera continuando rodeados de edifícios lindíssimos.



Mais tarde, no regresso a esta zona mais moderna da cidade, haveríamos de chegar até à Basílica de San Juan el Real, uma igreja católica, mas com traços bizantinos bem visíveis, fazendo lembrar algumas igrejas turcas. Este templo foi construído na segunda década do século XX para substituir a antiga igreja românica com o mesmo nome, entretanto demolida, e que tinha sido erguida no século XI.

A atual basílica tem a fachada revestida com cantarias ornamentais, maioritariamente de cor rosa, e uma enorme janela de três corpos no portal principal, ladeada pelas duas torres onde se encontram os sinos. O conjunto é bastante bonito e muito diferente da imagem padrão das igrejas católicas de Espanha.
Saindo desta zona do centro mais contemporâneo pelo lado da Plaza de la Escandalera, já a caminho da Plaza de El Fontán e da chamada cidade velha, continuamos ainda por algumas ruas com edifícios notáveis, pela sua arquitetura neoclássica, e que conferem a esta cidade uma imagem de requinte, que a diferencia da maioria das cidades espanholas.



Oviedo - Cidade Velha

A imagem destes edifícios de grande porte e arquitetura monumental, vai-se misturando com a das casas mais pequenas e das ruas mais estreitas, que anunciam a chegada à parte velha da cidade. O primeiro ponto de referência desta zona é a Plaza de El Fontán que, por vezes, serve de palco a uma feira, mas não neste dia, em que estava quase vazia e em que as bancas de venda ambulante se encontravam do lado de fora, ao longo das ruas envolventes.

Logo depois atravessamos a rua estreita e animada junto ao Mercado El Fontán, um local de referência da cidade, que se enche todas as manhãs com os habitantes locais, mas também com os turistas que por lá passam.

Ao percorrermos a rua do mercado surge, logo em frente, a silhueta de uma bonita capela, a Iglesia de San Isidoro el Real.

Trata-se de um edifício do século XVII que foi construído para ser um colégio jesuíta, mas, mais tarde, já no século XVIII, como resultado da expulsão dos jesuítas, o edifício transformou-se na atual paróquia de San Isidoro. A igreja é de estilo barroco, em cores de terracota, e com uma única torre do sino que lhe confere um estilo muito particular, diferenciando-se das imagens mais comuns de outras igrejas católicas.

Está localizada na Plaza de la Constitución, ao lado do edifício do Ayuntamiento, também ele bastante bonito, formando um conjunto arquitetónico muito interessante.

Atravessámos depois pelo arco que fica sob a torre do relógio do edifício do Ayuntamento, seguindo pela Calle Cimadevilla, mais uma rua pedonal, que termina no Museo de Bellas Artes de Asturias, junto à Plaza de la Catedral.
A praça da catedral é um espaço amplo, cheia de edifícios históricos, alguns bastante bonitos, e funciona como o principal centro da cidade, onde se concentram sempre muitos turistas que apreciam a fachada fantástica da Catedral de Oviedo, que ocupa um dos lados da praça.
É uma catedral gótica e foi construída em homenagem ao santo San Salvador e é, por isso, designada formalmente como Catedral Metropolitana Basílica de San Salvador. Começou a ser edificada no final do século XIII, mas foi concluída apenas durante a segunda metade do século XVI. A sua fachada é uma preciosidade, sobretudo pela imagem da sua imensa torre, esbelta e terminando em agulha.

A beleza desta fachada é mesmo a maior joia deste local e, por isso, sentimo-nos devidamente preenchidos e nem explorámos o interior da catedral. Contudo, soubemos que ali se encontram importantes elementos arqueológicos e, na chamada Câmara Santa, que foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO, guarda-se um tesouro no qual se destacam a Cruz dos Anjos, a Cruz da Vitória, a Caixa das Ágatas e a Arca Sagrada.

De qualquer forma, a relíquia mais importante que ali se encontra guardada é o corpo de Santa Eulália de Mérida, padroeira da cidade de Oviedo, que repousa ali na catedral.
Rodeámos depois a Catedral num passeio pelas ruas do casco velho, atravessando a Plaza Corrada del Obispo, onde encontramos o teatro do Conservatorio Superior de Música e, de seguida, passámos pela Iglesia de Santa María de la Corte e pelo Monasterio de San Pelayo. Todos os edifícios desta zona apresentam o mesmo tipo de traça e quase sempre aquela cor de terracota que domina a cidade velha.


Caminhámos ainda por mais algumas ruas até à Plaza Porlier e, logo depois, chegámos de novo ao Teatro Campoamor, acabando assim esta breve visita ao centro da cidade de Oviedo, uma cidade da qual se regista a beleza singular dos seus edifícios, tanto os de estilo neoclássico que encontramos na zona do centro mais moderno, como aqueles que preenchem as ruas e praças, com aspeto quase medieval, da cidade velha.

No final, ficou a imagem de uma cidade agradável e bastante bonita, sobretudo pela beleza de alguns dos seus principais edifícios e monumentos… não será uma cidade fantástica, nem o local mais bonito do mundo ou com alguma atração espetacular imperdível, mas é certamente muito particular e com uma personalidade muito própria, completamente diferente de qualquer outra cidade espanhola, e isso é algo que deixa a sua marca.


Cangas de Onís

Saindo de Oviedo a caminho dos Picos de Europa chegámos à pequena cidade de Cangas de Onís, localizada no sopé desta cordilheira e que constitui uma das principais bases de apoio para todos quantos visitam esta zona montanhosa, que é um dos principais spots espanhóis para o chamado turismo de natureza.

A cidade não é claramente a maior atração para quem visita os Picos, que procura sobretudo os passeios de aventura em plena montanha e não aquilo que esta cidade poderá oferecer.

Assim, a nossa presença em Cangas de Onís acaba por ser meramente de passagem, mas, ainda assim, não deixamos de desfrutar de algumas das atrações que ali encontramos e também dos restaurantes de comida asturiana, que ali podemos experimentar.

A cidade dispõe-se ao longo de uma rua principal, paralela ao rio Río Güeña, que entronca depois num outro rio mais importante, o Rio Sella, que é atravessado pela principal atração da cidade, a sua Ponte Romana.
A cidade de Cangas de Onís foi mesmo a primeira capital do Reino de Astúrias e esta Ponte Romana é a sua principal referência e um dos símbolos mais representativos de todo o Principado. Apesar do nome da ponte e de ser possível que esta obra já existisse na época da ocupação romana da península, segundo os registos, o mais certo é que a atual Ponte Romana seja, na realidade, da época medieval, possivelmente do final do século XIII.

O seu desenho, estilizado e gracioso, remete à imagem do estilo românico, mas com um arco central muito grande, atravessando o Rio Sella de uma só vez, menos habitual nas pontes da era romana, mas que é o seu traço mais determinante e que dá à ponte a sua imagem de marca. O acesso sobre a ponte é estreito e íngreme e é usado como acesso pedonal, mas atualmente apenas por turistas, porque a ponte rodoviária fica logo ali ao lado e é muito mais fácil de atravessar.

No arco central pende uma reprodução da Cruz da Vitória, uma obra de ourivesaria do início do século X, cujo original está guardado na catedral de Oviedo.

Ao longo da cidade vamos encontrando outros pontos de interesse, como é o caso da Iglesia de Nuestra Señora de la Asunción de Santa María, a principal igreja da cidade, com uma arquitetura bastante interessante.
Encontramos também na cidade o chamado Dolmen y Capilla de la Santa Cruz que corresponde à reconstrução moderna, realizada em 1951, do monumento original, destruído durante a guerra civil espanhola.

A capela original remonta ao final do século VIII e é considerada a primeira igreja cristã construída nas Astúrias após a invasão muçulmana. No interior da sua cripta encontram-se os vestígios de um dólmen, uma sepultura com cerca de 3.000 anos que está ainda bastante bem conservado, e onde são visíveis gravuras e pinturas rupestres daquela época. Não visitámos o interior da capela, ficámo-nos apenas pelo seu exterior, apreciando as fachadas bastante bonitas, apesar da sua antiguidade, admitindo que reproduz fielmente o aspeto da construção original.
O facto desta cidade acolher durante todo o ano uma imensidão de turistas que visitam os Picos, desenvolveu bastante a oferta, quer de hotelaria quer de restauração. Assim, encontramos bastantes restaurantes com esplanadas de rua, que ficam razoavelmente ocupadas, sobretudo ao final da tarde e já à noite, na hora de jantar.

Assim, durante o serão, é normal que os caminhantes, depois de um dia inteiro a explorar as montanhas, façam ainda uns passeios ligeiros pelas ruas mais animadas da cidade, e apreciem também os seus principais monumentos, que se encontram devidamente iluminados, como a Iglesia de Nuestra Señora de la Asunción e, claro, a inevitável Ponte Romana, que à noite nos pareceu ainda mais bonita.




A gastronomia Asturiana

Terminamos a nossa experiência por terras das Astúrias fazendo uma referência à gastronomia local, que experimentámos ao longo dos quatro dias que por lá andámos, mas, principalmente, já nos restaurantes de Cangas de Onís.

Não é que esta gastronomia seja assim tão soberba, mas é diferenciada do que encontramos noutras regiões espanholas, com menos tapas e menos raciones. Aqui existem alguns pratos fortes, fazendo lembrar um pouco a nossa cozinha mais tradicional. E de todas essas opções, refiro-me aqui apenas a uma delas, a chamada Favada Asturiana, que, apesar do nome, não é com favas, mas sim com feijoca (é uma questão de tradução). Trata-se, portanto, de uma feijoada, direi mesmo, uma excelente feijoada, com chouriço, toucinho e morcela fritos à parte… uma coisa leve, já se vê, mas realmente bastante boa. Experimentámos mais do que uma vez, mas a minha favorita foi a do restaurante Los Arcos, no centro de Cangas de Onís.
Uma outra especialidade asturiana é a sidra, uma bebida alcoólica preparada com sumo fermentado de maçã e que é produzida em grande escala nesta região espanhola. Bebemos algumas, por estarmos na região demarcada, mas confesso que não aprecio particularmente, sabe a sumo de maçã meio azedo.

A particularidade desta bebida, que é usada como aperitivo e não tanto à refeição, é toda a mise-en-scène com que é servida, em que o garçon tenta formar um esguicho desde a garrafa, que é segurada a mais de um metro do copo, e tentando assim que o copo fique cheio, mas sem verter… normalmente quem executa este serviço consegue fazê-lo de forma imaculada. Este procedimento serve para introduzir algum gás na bebida e dar-lhe assim alguma vida, caso contrário iria parecer mesmo uma aguada choca com sabor a maçãs estragadas.

Mas o mais comum é trazerem as garrafas de sidra com um equipamento que substitui este efeito, quase como uma torneira de imperial, que confere à bebida a tal textura gasificada.

Termino assim a descrição da visita ao Principado das Astúrias, embora tenha deixado para uma outra crónica deste blog aquilo que realmente nos trouxe a esta zona do Norte de Espanha, e que foi a possibilidade de explorarmos a imensa cordilheira dos Picos de Europa. De qualquer forma, registo que gostámos bastante da cidade de Oviedo, que acabou por ser uma agradável surpresa, e também desta vila de montanha onde provámos alguns pratos da melhor gastronomia asturiana.


Carlos Prestes
Abril de 2022



Astúrias e Picos de Europa

A parte central da costa espanhola que fica a Norte da península, e que é banhada pelo chamado Golfo da Biscaia, é ocupada pelo Principado das Astúrias. O nome pomposo de Principado faz parecer que se trata de uma região diferente das demais regiões espanholas… mas não é assim, as Astúrias correspondem apenas a mais uma das regiões de Espanha, e é mesmo uma das mais pequenas, quer em área quer em população.

Esta região espanhola só adquiriu este nome de Principado por ter sido, em tempos longínquos, um território independente, o chamado Reino das Astúrias, mas, sobretudo, porque se convencionou atribuir ao príncipe herdeiro do trono espanhol, o título de Príncipe das Astúrias.

A região contém cerca de 200km de costa atlântica, duas grandes cidades, Gijón e Oviedo, e inclui também grande parte da imensa cordilheira dos chamados Picos de Europa, e que constituem a principal atração desta região, que visitámos seguindo os percursos assinalados neste mapa:

Nos atalhos seguintes apresentam-se as crónicas que descrevem a viagem que fizemos em abril de 2022 ao longo das Astúrias e pelos Picos de Europa:

quinta-feira, 14 de abril de 2022

A Coruña

Ao Norte da costa atlântica espanhola encontramos uma das mais bonitas cidades da Galiza, e que é também a principal província desta região. A cidade da Corunha tem uma série de características que a tornam especial, bem diferenciada da maioria das cidades espanholas. Neste caso a cidade tem uma outra personalidade, tirando partido da sua localização numa pequena península encaixada no mar, e aproveitando uma imensa praia de areia branca que acolhe as águas protegidas pela Enseada de Orzan, uma baía natural que é uma das imagens de marca desta cidade.
Foi exatamente por esta praia e pela imensa avenida marginal que começámos um percurso que nos iria levar a percorrer as zonas mais marcantes desta cidade. Saindo da praia fomos entrando gradualmente no centro histórico, que se desenvolve entre esta baía do lado Norte e uma outra baía a Sul, onde fica o Puerto de La Coruña, e onde encontramos uma marina de recreio e porto de pesca junto a uma outra marginal, esta bem típica e singular, com um conjunto de edifícios que ostentam fachadas envidraçadas, conhecidas localmente como as galerias da cidade.
A nossa caminhada pela cidade seguiu aproximadamente os percursos assinalados neste mapa, onde se identifica também a parte mais a Norte desta península, onde se encontra um dos mais marcantes vestígios históricos da cidade, a Torre de Hércules.
 


Junto à praia

Voltando à Baía de Orzán, localizada do lado Norte, encontramos a Playa de Riazor e a Playa de Orzán, entre as quais se ergue o chamado Monumento aos Heróis do Orzán.

Trata-se de monumento minimalista que surge na sequência de um episódio trágico ocorrido no Inverno de 2012, e que levou à morte de um jovem de 23 anos e de três polícias, também eles jovens, todos na casa dos 30 anos. Numa noite em que um grupo de estudantes do programa ERASMUS celebrava nesta praia o fim dos exames, antes do regresso aos seus países, um deles, de nacionalidade Eslovaca, aproximou-se da linha da praia e desapareceu no mar escuro. Cinco polícias que se encontravam no local foram entrando no mar para tentar ajudar o jovem e foram sendo também engolidos pelas ondas. No final, acabaram por morrer três desses polícias, para além do jovem estudante.

O monumento que hoje ali se ergue serve como memorial àqueles que perderam a vida para tentar salvar a vida de outros, e serve como um alerta, para que ninguém jamais esqueça o sucedido e ignore os perigos que estas águas traiçoeiras podem provocar.
Mas, nos dias de hoje, se não conhecermos a história dramática que é representada por esta escultura, nem faremos ideia de que aquele mar poderá ser assim tão perigoso, e acabamos apenas por disfrutar das bonitas paisagens que ali nos são oferecidas.



Pelo centro da cidade

No percurso seguinte, começámos na Praça de Pontevedra e atravessámos a parte da cidade que fica entre a praia e a marina, já na baía do lado Sul, por onde vamos encontrando um conjunto de edifícios com uma arquitetura neoclássica, mas também algumas ruas e praças mais modernas.



Já no lado oposto, chegamos aos Jardins de Mendez Nuñez, onde se exibem alguns edifícios monumentais, como o Kiosko Alfonso, hoje em dia uma sala de exposições, e que em tempos foi um cinema, ou o Obelisco, onde começa a rua principal da cidade velha, a Calle Real, e que difere dos muitos obeliscos que encontramos pelo mundo fora, por ter um relógio no seu topo.




Ao longo da marina

Depois da praça do Obelisco e continuando pela Av. da Marina ou variando pela Av. do Porto, atravessamos todo o Parque da Marina na envolvente do porto de recreio e de pesca, uma zona muito bonita e agradável, marcada sobretudo pela presença de um conjunto de edifícios que constituem uma das imagens de referência desta cidade, devido às suas fachadas envidraçadas que são conhecidas por Galerias de la Marina.

Os envidraçados que revestem as fachadas estão fixados em caixilhos brancos que formam pequenos quadrados e conferem à cidade uma identidade distinta das outras cidades espanholas do Norte, com o branco a dominar, em vez das habituais cores escuras dos edifícios antigos.

Aqui, as fachadas irradiam luz e dão a toda a envolvente da marina um brilho e uma imagem singular que jamais encontraremos noutros locais, não só em Espanha como também em qualquer outra cidade por todo o mundo.

Este é um dos principais cartões-postais da Coruña, com a imagem dos barcos de recreio e de pesca que ali repousam e a bonita praça, com zonas verdes, caminhos pedonais e parques infantis, sempre emoldurada pela primeira linha de edifícios com as suas inconfundíveis galerias.

Numa das extremidades da baía que acolhe a marina fica o Miradouro del Parrote, onde encontramos a estátua da Virgen del Carmen, e onde podemos desfrutar de algumas das mais bonitas imagens da cidade. De um lado vê-se a própria marina, em torno das galerias corunhesas e, do lado oposto, a vista sobre o castelo de Santo Antón, uma fortaleza que foi erguida naquela baía durante o século XVI para defesa da cidade e que é hoje o Museu Arqueológico da Corunha.



Na Cidade Velha

Entrámos no Casco Velho vindos do Miradouro del Parrote e passando junto à Igreja de Santiago, uma igreja românica do século XII. Logo depois atravessámos a Praça de Azcárraga até encontrarmos a Colegiada de Santa Maria do Campo, junto ao Museu de Arte Sacra, uma igreja do mesmo estilo e da mesma época da anterior.

Passámos depois pela praça e pelo convento de Santa Bárbara até mudarmos de direção e descermos uma escadaria que nos levou até à Plaza María Pita, a maior e mais importante praça da cidade.

O lado Norte da praça é ocupado pelo Palácio Municipal de La Coruña, um edifício majestoso construído no início do século XX, que acolhe a Câmara Municipal da cidade.

María Pita é uma personagem histórica da Corunha que viveu no século XVI, conhecida pela sua intervenção durante o cerco que os ingleses fizeram a esta cidade. Conta a história que, numa altura em que os ingleses se encontravam em claro domínio e a vencer a batalha de ocupação da cidade, Maria Pita consegue derrubar o soldado inglês que carregava a bandeira, e foi empunhando essa bandeira inglesa, que Maria Pita conseguiu motivar a população para uma luta transcendente, que acabaria por levar à derrota das tropas inglesas e à libertação da cidade da Corunha da ocupação estrangeira.

A memória desta mulher, uma espécie de padeira de Aljubarrota galega, é assinalada com a atribuição do seu nome à maior praça da cidade e com a estátua que a representa empunhando uma lança, que foi erguida nessa mesma praça.
À saída desta praça percorremos as ruas mais importantes da cidade velha, a Rua Riego de Agua, a Rua Galera e a Rua Real, com alguns trechos animados pelo comércio local, e outros ocupados por mesas e cadeiras das esplanadas que ali se formam, onde aproveitámos para parar e provar algumas das tapas e raciones locais que ali são oferecidas. À hora em que percorremos estas ruas a animação estava ainda um pouco fraca, certamente iria aumentar à medida que as lojas reabrissem e que os restaurantes fossem enchendo para os jantares.


Terminámos a visita à cidade velha e íamos agora voltar ao carro e rumar apenas alguns quilómetros para Norte até à pequena península onde iríamos encontrar um dos monumentos de referência desta cidade, a Torre de Hércules.


Torre de Hércules

Na parte Norte da península onde se insere a cidade da Corunha, sobre o mar do chamado Golgo da Biscaia, que se desenha entre o Norte de Espanha e a costa atlântica de França, avistamos, ainda ao longe, uma torre que nos parece ser só mais um farol que se ergue junto ao mar. Um farol bonito, com uma cor amarelada de terra, mas não mais do que isso.
Porém, estávamos enganados, não se trata apenas de mais um farol, dos muitos que protegem a Cuesta de la Muerte galega. A Torre de Hércules é mesmo um dos monumentos mais representativos de toda a Galiza, por ser o único farol romano em todo o mundo que ainda se encontra em funcionamento.

A sua construção remonta ao século II, com o objetivo de ajudar à navegação no período da presença romana na Península Ibérica e é, atualmente, considerado como Património Mundial da UNESCO.

A antiguidade deste monumento leva que se teorize muito sobre a sua história, existindo algumas lendas relacionadas com a sua origem. Uma delas diz que Hércules, o herói da mitologia grega, construiu esta torre como túmulo para o gigante Gerião, que ele iria derrotar. Outra conta que o mítico líder celta Breogán quis construir uma torre tão alta que fosse possível avistar a Irlanda, que havia sido colonizada por ele. Ambas as lendas estão ainda hoje bem presentes, desde logo pelo próprio nome do farol, a Torre de Hércules, mas também pela estátua de Breogán, que encontramos na base do monte onde se ergue o farol.

Esta pequena península tem ainda outros pontos de interesse, como a Rosa dos Ventos que fica no pavimento ao lado do farol, ou uma imitação de um site arqueológico, já um pouco mais longe, a cerca de um quilómetro para Este, onde encontramos os chamados Menires por la Paz, um conjunto de blocos de granito que representam uma família e que, apesar do seu aspeto ancestral, são, na realidade, esculturas bastante modernas feitas para embelezar esta área junto ao mar.

Mas uma das principais referências desta península em torno da Torre de Hércules são os pores do Sol míticos e mágicos que dali se avistam diariamente ao entardecer... consta que é assim, porque nós não tínhamos tempo para esperar mais umas horas até que o Sol se pusesse, é sempre assim nestas viagens, pela pressão de cumprir o planeamento. Neste caso, arrependemo-nos mesmo de não termos reservado o resto da tarde, e a própria noite, para ficarmos na cidade, aproveitando um pouco da animação noturna do casco velho e, claro, desfrutando da beleza anunciada do pôr-do-sol sobre as águas deste mar do Golfo da Biscaia.

Carlos Prestes
Abril de 2022





Costa de la Muerte

O litoral Norte da península que se estende entre Vigo e a Corunha é conhecido pelas condições agrestes com que o mar fustiga toda a costa, com registos de naufrágios durante séculos e até aos tempos mais recentes, e que faz com que esta zona seja conhecida como a Costa de la Muerte.

Esta introdução serve apenas para enquadrar a designação que os espanhóis dão a esta zona da Galiza, mas, na verdade, nem sequer estava mau tempo no dia que escolhemos para visitar alguns dos pontos mais notáveis desta zona da costa espanhola.

Estávamos na Galiza em abril de 2022 e não quisemos deixar de visitar o Cabo Finisterra, um símbolo daquela região e uma referência para séculos de história da navegação. Mas, saindo de Santiago de Compostela, resolvemos ainda fazer algumas paragens ao longo do chamado Caminho de Finisterra, o único Caminho de Santiago que é feito no sentido oposto da cidade santa, levando os peregrinos de Santiago até à costa de Finisterra, onde é suposto cumprirem um último ritual de purificação.

Seguimos assim o percurso assinalado neste mapa:
 


Ponte Maceira

A primeira paragem foi feita a cerca de 20 km de Santiago, num dos pontos de passagem habitual dos peregrinos, a aldeia de Maceira.
A aldeia é bastante bonita e é conhecida pela queda de água que ali se forma à passagem do rio Tambre e, sobretudo, pela belíssima ponte romana que atravessa o rio, composta por cinco arcos principais e dois arcos menores.

Nesta manhã de abril a aldeia estava envolvida por uma espessa camada de neblina, que conferia a este local um aspeto bucólico e quase misterioso.



Fervenza do Ézaro

Após um percurso de cerca de 50 km chegamos a Ézaro e à foz do rio Xallas, depois da albufeira da barragem de Santa Uxia. Do alto da colina que se ergue neste local encontra-se o Miradouro do Ézaro, que nos oferece as belas paisagens do vale que se desenvolve a jusante da barragem, mas, sobretudo, da baía que ali se forma, conhecida como Enseada de Ézaro, mostrando, ao fundo, a silhueta do Cabo Finisterra… com as águas surpreendentemente calmas, neste dia maravilhoso, considerando que aquela zona já faz parte da temida Costa de la Muerte.
Depois de uma descida abrupta por uma estrada em serpentina, chegámos à foz do rio Xallas, que cai sobre uma colina formando uma imensa cascata, que é designada por Fervenza do Ézaro.
Esta queda de água com 40m de altura desemboca na baía de Ézaro e encontra o mar um pouco mais adiante. A cascata fica junto a um pequeno canion que é acessível através de uma curta caminhada por um passadiço de madeira, e que é uma atração muito visitada por turistas.


Cabo Finisterra

Os romanos pensavam que este era o ponto mais ocidental de toda a terra e era aqui, portanto, que o mundo acabava… era o fim da terra ou 'finis-terrae'. Quando os romanos aqui chegaram presenciaram, pela primeira vez, o espetáculo grandioso do pôr-do-sol nas águas do oceano, sobre o mar do fim do mundo, num ambiente que envolveu este local, desde logo, num clima de misticismo, que perdura desde essa época e que ainda hoje se faz sentir.

E, ao longo dos séculos, várias lendas foram associadas a este local, reforçando uma carga mística que surge logo por se tratar simbolicamente de um lugar do fim do mundo, evocando mistérios indecifráveis da alma humana na busca dos desafios do infinito… mas também porque aqui se escondem os segredos da Costa da Morte, com séculos e séculos de naufrágios nunca descobertos.

E há ainda um outro misticismo, este mais cristão, associado ao Caminho de Santiago, que traz os peregrinos num derradeiro percurso vindos da Cidade Santa de Compostela, prolongando mais uns dias a sua caminhada para que, ao chegarem aqui a Finisterra, devolvam as conchas ao mar, entrem nas águas, queimem as roupas e obtenham assim a purificação final, enquanto observam o pôr do-sol, antes do regresso a casa.

São tantas as alusões à imensidão do oceano neste local e à sua ligação macabra com a morte, que a expetativa se torna impressionante… como se o mar não fosse igual em toda esta costa ocidental, de Finisterra a São Vicente.

Até porque, na realidade, o que lá vamos encontrar é apenas mais um farol, sobretudo num dia calmo como este em que não são visíveis quaisquer sinais de um lugar maldito, e foi mesmo um sítio bem simpático e acolhedor que nos recebeu naquela manhã de abril, sem quaisquer vestígios de fim do mundo.

Mas as alusões à morte não deixam de estar presentes, mesmo num dia soalheiro como este, o símbolo de um túmulo que se ergue na encosta da falésia, tira toda a leveza à paisagem e faz-nos sentir um arrepio gélido.
A atração principal deste cabo acontece em dias limpos no final da tarde, com a luz do entardecer a irradiar o horizonte, num pôr-do-sol intenso que nos poderá confundir, se este lugar não será mesmo um reflexo do fim do mundo.

Mas nós não tivemos essa sorte, visitámos o cabo ao final da manhã e perdemos essa parte do espetáculo. Assim, focámo-nos mais nas paisagens e na própria torre do farol, com 17 m de altura e situada a 143 m sobre o nível do mar, emitindo uma luz que vai guiar os navegantes até mais de 23 milhas náuticas. Porém, o alcance dos sinais emitidos por este farol pode não ser suficiente devido ao constante nevoeiro que se faz sentir nos invernos do cabo. Foi por isso que no ano de 1888 foi montada uma sirene, a chamada a Vaca de Finisterra, que permitisse orientar os marinheiros, afastando-os dos perigos existentes, mesmo em dias sem qualquer visibilidade.
Faltava ainda encontrar a alusão ao Caminho de Finisterra, o km 0,000 deste percurso derradeiro para tantos peregrinos que aqui chegam, cheios de fé, ou apenas numa busca interna, refletindo sobre a sua própria existência… no final, encontramos apenas um marco que nos orienta depois de uma longa caminhada, uma outra forma de farol para os nossos sentidos.
Neste dia claro e de águas tranquilas quisemos ainda apreciar a beleza das praias que se formam nas baías protegidas pelo cabo, lindíssimas com os seus areais brancos a águas de azul vivo.



Muxía

Partimos de Finisterra em direção a um dos mais importantes pueblos da Costa da Morte, a vila de Muxía, uma terra que faz parte das tradições ancestrais do Caminho de Santiago que atinge esta zona costeira da Galiza.

A importância que este local tem na tradição jacobeia resulta da lenda que narra um episódio marcante para a história de São Tiago. Na altura em que o Apóstolo pregava o evangelho na chamada Hispânia, e numa fase em que estaria desmoralizado e sem sucesso, pensando mesmo em desistir, surgiu a aparição da Nossa Senhora numa barca de pedra guiada por anjos, que encorajou São Tiago a continuar a sua missão apostólica.

Em 1544 foi construído no local da aparição o Santuário da Nossa Senhora da Barca (Santuario Virxe da Barca), que passou a ser um importante ponto de peregrinação, e também uma atração turística para quem visita o cabo da Punta da Barca, junto à povoação de Muxia.
Por detrás do Santuário e do farol da Punta da Barca, avista-se ao longe o Cabo Vilán, cujo farol marca um dos troços mais perigosos de toda a Costa da Morte, sobretudo pela existência de múltiplos rochedos submersos… apesar do seu aspeto neste dia, aparentemente calmo e pacífico.
Encontramos ainda neste local, junto ao santuário da Virxe da Barca, uma escultura de Alberto Bañuelos-Fournier, chamada 'La Herida', que presta homenagem aos voluntários que ajudaram na limpeza e descontaminação das praias e rochedos afetados pelo desastre ecológico que se verificou no Inverno de 2002, na sequência do naufrágio do navio Prestige.

No dia 13 de novembro de 2002, o petroleiro Prestige foi apanhado por uma tempestade ao largo da costa galega e partiu-se em dois, derramando 42 mil toneladas de crude e criando uma imensa maré negra, deixando uma ferida profunda em todo o litoral da Galiza.

A escultura ‘La Herida’, erguida em setembro de 2003, é composta por duas grandes pedras de granito, formando entre si uma falha que representa uma ferida aberta, atingindo uma altura de 11 metros e pesando 400 toneladas.

A obra foi feita para impedir que este desastre ecológico jamais possa cair no esquecimento, mas é sobretudo uma sentida homenagem aos milhares de voluntários que acorreram ao local para ajudar o povo galego, neste momento tão terrível para esta região e para toda a península.
Saindo do cabo da Punta da Barca e ainda antes de partirmos, visitámos a vila de Muxia, bastante interessante e animada, e encontrámos alguns locais simpáticos na sua envolvente, como é o caso da bonita Praia de Lourido, com a sua areia branca e com as águas de um azul quase turquesa.

Faltava-nos agora um último percurso de cerca de 90 km até chegarmos à capital da província, a cidade da Corunha, que iriamos, entretanto, visitar, deixando definitivamente para trás esta zona tão bonita, cheia de símbolos religiosos e com uma tremenda carga mística.

Carlos Prestes
Abril de 2022


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