quinta-feira, 2 de maio de 2002

Maldivas (Uma semana de mergulho)

(Maio de 2002)


A Viagem:

Que melhores férias se poderão fazer do que a nossa própria lua-de-mel, uma viagem de sonho que queremos partilhar com quem escolhemos para partilhar toda a nossa vida…..e que melhor local para esse momento tão sedutor do que um paraíso na terra como o arquipélago das Maldivas.

Foi essa a nossa escolha….foi esse o palco do nosso encantamento. As Maldivas, um local paradisíaco que quisemos desfrutar neste momento tão importante da nossa vida, aproveitando tudo aquilo que este pequeno país nos podia oferecer.

Para além de ser o local ideal para namorar num cenário de lua-de-mel, esta escolha teve ainda um outro propósito. É que além de gostarmos imenso de luas-de-mel….naturalmente, gostamos também muito de praia e de mergulho e, nesse aspeto, não haverá melhor sítio no nosso planeta com praias tão maravilhosas e locais para mergulhar tão fantásticos. 

Assim, partimos uns dias depois de nosso casamento a 20 de Abril de 2002, num voo da Lufthansa com escala em Frankfurt, para fazermos cerca de 10 mil km até à cidade de Malé, capital do arquipélago das Maldivas, localizado em pleno Oceano Índico, a cerca de 500 km da Índia e do Sry Lanka.

Esperávamos passar pouco mais de uma semana numa lua-de-mel de sonho, que queríamos complementar com longas horas entre as águas transparentes e quentes, pintadas de azul-turquesa, do Índico, e as areias brancas de coral que formam as várias ilhas que se agrupam nos 26 atóis que formam o país.

Mas ainda mais que isso, queríamos também aproveitar a nossa presença naquele local para fazer uma semana completa com mergulhos diários, que deram uma dimensão muito especial a esta viagem, pois não é com frequência que encontramos locais com um fundo do mar tão espetacular, e é muito rara a oportunidade de podermos fazer parte daquele ambiente inacreditável, como se andássemos literalmente à procura de Nemo…..por entre centenas de familiares da Dori.
Inicialmente pensámos complementar esta viagem com uma extensão ao Sri Lanka, porque na época nem existiam problemas de segurança muito relevantes, mas considerámos que a viagem se tornaria demasiado cansativa com os voos locais e trocas de aviões, roubando tempo precioso para mergulhar e namorar. De qualquer forma se acrescermos ao tempo de viagem mais 2 a 4 dias, esta extensão pode ser bastante interessante porque permite uma oferta diferente do que apenas um destino de praia e mergulho, levando-nos a ambientes mais selvagens, dando assim uma outra dimensão às férias, embora o acréscimo de custo seja bastante significativo. Mas acabámos por nos confinar às Maldivas por um período total de 9 dias, sendo 2 inteiramente consumidos em viagens.

O País

A República das Maldivas é um pequeno país insular localizado em pleno Oceano Índico a Sudoeste do Sri Lanka e da Índia, constituído por 26 atóis onde emergem 1196 ilhas, das quais apenas 203 são habitadas. Os atóis, onde se formam cadeias de ilhas, são compostos por recifes de corais e bancos de areia, situados no topo de uma cordilheira submarina com 960 km de comprimento, que se ergue no Oceano Índico e se dispõe de Norte para o Sul. As ilhas que formam Maldivas resultam dos ligeiros afloramentos do recife, sendo por isso o país com a mais baixa altitude em todo o mundo, com o ponto mais elevado a 2,3 m acima do nível do mar e com uma altitude média de 1,5 m.

A linha do equador passa a sul do arquipélago, pelo que, naturalmente, o clima é tropical e húmido, intercalando momentos de céu limpo com um sol tórrido, com grandes chuvadas tropicais que, normalmente, nos chegam aos finais de tarde, antes do pôr-do-sol. 

Historicamente o país foi colónia portuguesa (desde 1558), holandesa (desde 1654) e britânica (desde 1887). Em 1965 tornou-se independente e depois disso foi instaurada uma república. 

Atualmente a população segue maioritariamente a religião islâmica, sendo o país menos populoso entre todos os países muçulmanos. É também o menor país e menos populoso de toda a Ásia.

Malé é a maior cidade e a capital das Maldivas, localizada no extremo Sudeste do Atol Kaafu, muito próxima da ilha vizinha onde se encontra o aeroporto internacional Ibrahim Nasir que recebe milhares de voos com turistas provenientes de todo o mundo. A cidade é fortemente urbanizada e tem cerca de 80 mil habitantes, o que, tendo em conta a sua pequena dimensão, a transforma numa cidade densamente povoada, ao contrário da grande maioria das restantes ilhas do arquipélago.
A cidade, tal como todas as ilhas do lado da costa Este do arquipélago, ou seja, do lado ocidental da ilha de Sumatra, foi sacrificada pelo tsunami que varreu aquela zona do Oceano Índico, quando as ondas altamente destrutivas, inundaram dois terços da cidade, no dia 26 de Dezembro de 2004. 

Felizmente a nossa viagem aconteceu cerca de dois anos e meio antes desta catástrofe. 

A maior parte das cerca de 200 ilhas que são habitadas, não têm qualquer povoação local residente, funcionando apenas como ilhas-hotel, totalmente ocupadas e geridas como resorts, muitos deles bastante luxuosos e, aproveitando a qualidade e beleza das águas, em alguns deles são construídos conjuntos de bungalows de alto luxo, em estacas de madeira cravadas sobre o mar. Existem hotéis ao longo de todo arquipélago e de todos os atóis. Os hotéis nas ilhas mais próximas de Malé permitem que as viagens de acesso se possam fazer de barco ou em pequenos hidroaviões. Os atóis mais distantes obrigam a viagens de aviões maiores até a alguns aeroportos e depois é feita a distribuição dos passageiros de barco. 

O hotel escolhido por nós foi o Holiday Island Resort, na Ilha de Dhiffushi, no Atol Alifu Dhaalu (também conhecido como South Ari Atoll), localizado a cerca de 100 km para Sudoeste de Malé, representado neste mapa, com todo o arquipélago e no mapa seguinte com destaque de apenas alguns dos atóis.

Fizemos a viagem em hidroavião, a baixa altitude, sobrevoando cerca de 100 km de mar e passando por diferentes ilhas, invariavelmente com paisagens extraordinárias, definindo o contraste entre as águas profundas, de azul mais forte, e os afloramentos de coral, responsáveis pelos azuis-claros…...e depois os bancos de areia branca que formam as praias e a vegetação intensa que cobre cada uma das ilhas, algumas ocupadas por resorts e outras totalmente desertas. A viagem seria de cerca de 35 a 40 minutos, mas com algumas amaragens, para deixar passageiros noutros hoteis, acabou por demorar cerca de uma hora.


O avião fez algumas descidas para deixar passageiros em vários resorts, o que nos permitiu observar de mais perto alguns dos complexos mais luxuosos do arquipélago.
Finalmente, chegámos ao nosso hotel……talvez menos exuberante do que alguns que tínhamos observado durante a viagem, mas viria a revelar-se bastante acolhedor e adequado aos objetivos da viagem.

O Hotel:

O Holiday Island fica localizado na extremidade Sul do Atol Alifu Dhaalu na Ilha de Dhiffushi, a apenas 97 km de Malé, que podem ser feitos de hidroavião, como neste caso, num aparelho da Trans Maldivan Airways, ou então em barcos rápidos, mas que se tornaria demasiado demorado.
A ilha tem cerca de 700 m de comprimento e 140 m de largura. Por entre uma vegetação tropical densa, encontra-se o complexo principal, onde fica o restaurante, rodeado por jardins integrados na vegetação. Existem também outros edifícios de uso público, como bares ou outras zonas de lazer e um cais localizado na extremidade do pier, que avança sobre o mar numa extensão 300 m.

Os quartos ocupam a primeira linha da periferia da ilha e são constituídos por bungalows individuais, localizados entre os coqueiros e outras árvores, de forma que, apesar de muito próximos do areal, estão de tal modo integrados na vegetação que mal são percetíveis a partir da praia.
Existem também umas palhotas de apoio às atividades de desportos náuticos, como a canoagem ou o snorkeling. Já as instalações da escola de mergulho têm um edifício próprio que nem sequer é gerido pelo hotel mas sim por uma equipa de instrutores da PADI que, naquela altura, eram todos italianos. 

Aliás, a ilha é especialmente ocupada por italianos, principalmente por casais ou grupos de adultos, ao contrário de outras ilhas, com ofertas de hotel mais apelativas para grupos de famílias, por exemplo. Nesta ilha não há sequer uma piscina nem aquela animação típica de hotel, o que é ótimo. Também não se vê ninguém a praticar desportos motorizados, como as motos de água, que são tão incomodativas. O que nos pareceu é que esta ilha é frequentada sobretudo por quem procura as saídas para mergulhar. 
Os bungalows estão praticamente encostados à praia e podemos ficar nos pátios privados à sombra dos coqueiros com os pés sobre aquela areia branca de coral, como se estivéssemos em pleno areal.

Quando ultrapassamos a área protegida pela vegetação não há hipótese de nos esticarmos ao sol, como fazemos habitualmente em qualquer praia, porque naquela zona dos trópicos, o sol, quando brilha, derrete tudo o que atinge. Assim, só saíamos da sombra quando queríamos entrar diretamente na água, quer fosse para nadar quer fosse para apanhar banhos de sol, porque a única solução era fazê-lo dentro de água.
A escolha do regime de hotel é importante, uma vez que não há absolutamente mais nada na ilha…..a ilha é o hotel e o hotel é a ilha. Portanto, não vale a pena pensar que se come alguma coisa em qualquer lado porque isso não existe. No entanto, o hotel não era daqueles do Tudo Incluído em que parece que o único propósito das férias é a comezaina. Mas tinha o regime de Pensão Completa que seria o mais conveniente, mas nem esse nós escolhemos. Como a ideia era ir mergulhar todos os dias e fazer ainda umas saídas adicionais para fazer snorkeling, era água a mais para se misturar com grandes almoçaradas. Assim optámos pela Meia Pensão…..e acabámos por ir comendo umas coisas bem mais ligeiras que se serviam nos bares do hotel, e fomos também degustando uns cocos que eu próprio apanhava subindo às árvores, como um artista de circo (confesso que eram daqueles coqueiros completamente deitados, com o tronco quase na horizontal). Com um almoço mais levezinho ganhávamos depois à hora do jantar porque vínhamos com o apetite ao rubro e atacávamos as muitas iguarias com que éramos brindados.

Não foi com o objetivo de comer muito e bem que para ali fomos, mas de facto, naquele restaurante, comia-se bastante bem e, quase sempre, muito. Os pratos eram sobretudo dentro dos paladares ocidentais, mas haviam sempre umas alternativas mais indianas, por vezes picantes, que eu nunca deixei de provar. As sobremesas eram também uma arte do chef que um dia nos recebeu com uma série de esculturas feitas em chocolate……nem sei se seriam para comer, mas impressionaram bastante. 

A Praia:

A praia é a essência daquelas ilhas……posso admitir que nem todos os visitantes sejam fãs de mergulho, que é algo muito específico e que obriga a alguma técnica e destreza, mas uma pessoa que não goste de praia, tem que fazer um favor a si própria, nunca ir para as Maldivas. Digo isto, que parece quase uma evidência de La Palice, mas porque tenho ouvido vários relatos de pessoas que escolhem este destino, sobretudo em lua-de-mel, mas que depois referem que não gostam muito de praia….que a areia atrapalha muito e o sol e a água, é tudo um tremendo incómodo. E há quem diga que não saiu da piscina……que sacrilégio, meu Deus!!!! Como é que é possível alguém trocar uma piscina por um mar azul-turquesa, com 28ºC, sobre uma areia finíssima de um branco que até encandeia……que praias magníficas estas, queria poder viver ali uma eternidade.

Felizmente nós os dois, eu e a Ana, somos fãs incondicionais de tudo aquilo que estas ilhas têm para oferecer, por isso viemos para o sítio certo e na altura certa…….adoramos estar na praia, na areia ou no mar, e ali estava aquela praia encantadora com águas mornas e cristalinas…...somos fãs de mergulho, e bem ali à frente tínhamos o fundo do mar mais belo e mais rico que alguma vez tínhamos visto……gostamos de degustar da boa cozinha, e os nossos jantares e pequenos-almoços, eram simplesmente magníficos…….e claro que adoramos namorar, e o namoro sob aquele sol e aquela lua, que para nós era de mel, foi ainda mais encantador e mais delicioso por todo aquele ambiente de sonho que nos rodeava.

Passar os dias na praia é muitas vezes um tédio, há quem diga. Mas para nós não, nadávamos horas a fio, parávamos para descansar nas espreguiçadeiras, líamos mais umas páginas dos livros que nos acompanhavam, voltámos a nadar, agora noutra zona da ilha, e voltámos a parar…….e era assim….uma grande maçada…..e tudo isto nestas paisagens de sonho, e ainda por cima com as praias completamente desertas, como se tivessem sido reservadas em exclusivo para a nossa lua-de-mel.

Para diversificar um pouco fazíamos uns passeios à volta da ilha, percorrendo toda a periferia pela beira-mar…..mas uns dias depois substituímos esse percurso por outro, ao longo da mesma periferia, mas desta vez por dentro de água e sempre a nadar. Outro percurso interessante, que repetíamos todas as noites depois de jantar, era chegar ao cais do ancoradouro através do passadiço de 300 m…..e depois tínhamos que regressar à praia…….uff, já estou cansado só de recordar tamanho esforço. 

O Mergulho:

O arquipélago das Maldivas é um dos destinos mais desejado e sonhado entre a comunidade de mergulho, com recifes coloridos, peixes pequenos com todas as formas e cores e peixes grandes……dos mais assustadores aos mais pacíficos, e ali está tudo aquilo ao nosso alcance…..entramos naquele admirável mundo e durante os minutos (perto de uma hora) em que o oxigénio nos vai deixando respirar, sentimo-nos como se pertencêssemos àquele universo deslumbrante.
Programámos fazer vários mergulhos, embora quiséssemos também conhecer o recife de águas mais superficiais a pouco mais de 1 km da ilha, onde se podia fazer snorkeling, numa experiência quase tão interessante como nos mergulhos de profundidade que fizemos.

Tínhamos programado um total de 5 mergulhos, uns mais madrugadores e outros à tarde, mas o primeiro contacto que tivemos com este mar magnífico foi explorando o recife fazendo apenas snorkeling, isto é, nadando com máscara, respirador e barbatanas. Tínhamos chegado nessa mesma manhã e fomos até ao apoio de praia onde nos forneceram o equipamento e nos indicaram a hora em que uma embarcação nos iria deixar sobre o recife para 40 minutos de surpresas. No último momento, antes de deixarmos o barco, e convém dizer que éramos apenas nós dois e o rapazinho que ficou no barco nossa espera, ele fez uma breve explicação. Comecem por aqui, sobre o recife, que encontram corais de formas e cores diferentes, muitos peixes coloridos e moreias. Vão depois chegando ao limite do recife onde o mar passa para profundidades muito maiores, e aí começam a aparecer alguns peixes maiores…..há tartarugas e alguns tubarões!!!!!! E esse final da frase ficou a ecoar na minha cabeça, já não consegui ouvir mais nada. Mas, como não somos de fugir, lá fomos mar adentro.

O que ele disse era mesmo o que nos esperava……mas a máquina fotográfica era fraquinha (ainda não existiam câmaras GoPro) e, por isso, a ideia transmitida fica muito aquém da beleza encontrada……mas dá para perceber alguma coisa do que nos foi passando pelo espírito naquela meia hora.
Começámos a explorar o recife e fomos avançando……
Encontrámos depois alguns cardumes, ainda muito à superfície, mas que atraem sempre mais predadores.



Por fim a profecia cumpriu-se, já próximo do limite da barreira de coral, onde se formam falésias de 30 ou mais metros de profundidade, as espécies maiores sobem até ao recife e ali estavam eles. Primeiro uma tartaruga, que é apenas uma fofura, face às piores expetativas.

E enquanto a Ana perseguia a dita tartaruga, num instante em que o sol deve ter sido encoberto por alguma nuvem escura, para tornar o cenário ainda mais medonho, apareceu o já esperado tubarão. Era um Whitetip Reef Shark, uma das espécies de tubarões que por ali circulam, que se identificam pela ponta branca da barbatana, e que, segundo dizem, é dos mais inofensivos….a questão é que, num local cheio de alimento, para que é que se iriam meter com um ser humano, tão grande e desajeitado?....mas essa é uma pergunta que só cada tubarão poderá responder em cada situação, e eu prefiro não esperar pela resposta. 
Depois do susto inicial, com a adrenalina a bombar, continuámos mais algum tempo e então apareceu-nos um Blacktip Reef Shark, com a barbatana preta, como diz o nome. Este mais encorpado e com cara de mau.
Com um tubarão ainda vai, mas com dois achámos que já estávamos a abusar da sorte…...e, de mansinho, sem grande estrilho e sem sequer olharmos para trás, lá fomos nadando até ao barco, onde o rapaz, que era o nosso único salvador em caso de SOS, dormia uma bela soneca.

Mal tínhamos acabado de aterrar e já tínhamos a adrenalina a mil. E nessas situações raramente queremos fugir da experiência, pelo contrário, temos é vontade de repetir……e era isso que iriamos fazer nos próximos dias.


No dia seguinte dirigimo-nos ao local de apoio às atividades de mergulho, uma escola com monitores italianos com a chancela da PADI Scuba Diving. 

Neste local é possível fazer um curso expedito para poder realizar o batismo de mergulho. Mas nesta ilha em concreto, pelo menos durante aquela semana, a maioria dos hóspedes que procuraram estas viagens eram já credenciados e com experiência, o que melhorou a escolha dos locais de mergulho, que está sempre dependente do nível dos mergulhadores que se conseguem juntar.

Eu e a Ana tínhamos certificados internacionais de mergulho obtidos em escolas PADI, e cadernetas de mergulho bastante carimbadas, no meu caso sobretudo devido aos mergulhos feitos na Madeira, enquanto a Ana vinha mergulhando há muito mais tempo e em vários locais.

Assim fomos integrados em grupos experientes e fizemos reservas para cinco dias, com um preço bastante relevante, de cerca de 80 € por pessoa para cada dia.

As saídas são feitas até diversos pontos de mergulho pré-identificados pela maior concertação de fauna marinha, localizados a distâncias diversas da nossa ilha, alguns próximos mas outros mais distantes, embora sempre dentro do mesmo atol.

As ilhas resultam dos afloramentos de barreiras de coral, cobertas por bancos de areia. No limite dessas barreiras formam-se desfiladeiros em coral que definem canais mais profundos entre as várias ilhas do atol. São exatamente esses canais, com profundidades diversas, que são escolhidos como locais de mergulho. Ali é possível encontrar na própria barreira de coral, em toda a sua profundidade, uma infinidade de espécies de pequenos peixes de mil cores, e logo ali ao lado, já em pleno canal, encontram-se as maiores espécies, que por ali vão circulando.

O que todos procuram são sobretudo as grandes espécies, principalmente as mantas e os tubarões baleia. Mas depois há sempre as tartarugas, os peixes napoleão e algumas espécies de tubarões, o withetip, o blacktip, o tubarão cinzento do recife e o tubarão martelo…..entre outros.

As mantas têm uma época específica para aparecerem e não é o mês de Maio, pelo que não vimos nenhuma. Também não vimos tubarões baleia nem os martelo……mas de resto vimos tudo o que tínhamos direito.

Só mais uma particularidade destes mergulhos…….como mergulhávamos nos canais que se formam entre os afloramentos das barreiras de coral, com os movimentos das marés, criavam-se correntes fortes. Assim, o barco largava-nos num determinado local e recolhia-nos a grande distância. Éramos arrastados pela corrente e assim contemplávamos aquelas maravilhas, sem sequer ser preciso bater as barbatanas, a não ser para nos aproximarmos ou afastarmos dos corais. 

Quando emergíamos, já com o oxigénio a atingir a reserva, não fazíamos ideia onde estaria o barco e ficávamos a aguardar que o piloto nos avistasse…….o que criava um certo desconforto, por estarmos alguns minutos a nadar num mar que já não conseguíamos ver, e que sabíamos estar infestado de tubarões. 

Para os mergulhos, propriamente ditos, já não pudemos levar a nossa câmara fotográfica, que não estava preparada para grandes profundidades, e aqui chegámos a atingir os 38 m. Assim pedimos algumas fotos que os monitores tiraram num dos mergulhos.

Qualquer mergulho começa sempre nos corais, onde gravitam pequenos peixes que aqui eram ainda mais bonitos……tal como o próprio coral, que por vezes é um espetáculo. 


Descendo para maiores profundidades ao longo do recife, fomos encontrando outras espécies de maior dimensão como o peixe napoleão, que encontrámos apenas duas vezes, e que é um bicho estranho, parece que se movimenta quase em câmara-lenta, e as tartarugas, que nos apareciam com alguma frequência.

Mesmo no fundo dos canais, a 30…..35 m de profundidade, já com a presença dos peixes maiores, o coral continuava a surpreender-nos, mas nessa zona a nossa atenção estava concentrada nos novos amigos que por ali se passeavam……os tubarões. Ainda as mesmas espécies que tínhamos visto no snorkeling, para além do tubarão cinzento do recife. Num total de 5 mergulhos, cruzámo-nos com 7 tubarões, e ainda hoje recordo a sensação que me assolava cada vez que que vislumbrava um novo espécime…..e que, por vezes, continuava ali pela zona, aproximando-se e afastando-se e, aparentemente, sempre sem nos passar bilhete nenhum….graças a Deus.

Mas em algumas situações, como estas, mesmo a profundidades mais superficiais, aqueles mares continuavam a surpreender……e os predadores continuavam a marcar presença.


Passeios de Barco:

Para além das várias atividades que a ilha nos oferecia e também dos vários momentos de ócio que foram sempre aproveitados da melhor forma, quisemos ainda fazer alguns passeios de barco, sem ser com o propósito de irmos mergulhar.

Escolhemos duas saídas, uma delas até à vizinha ilha de Maamigili, uma das ilhas com habitantes locais, a maioria trabalhará certamente nos resorts mais próximos, mas percebia-se que a pesca seria também uma das principais fontes de rendimento da população….que vive em condições muito parcas, embora não deva existir fome, com um mar tão rico por perto.

A viagem foi feita num barco tradicional que demorou apenas 15 minutos na travessia. Cruzámo-nos com um pequeno bote, o que nos permitiu perceber a forma de pesca artesanal que ali é praticada.

Percorremos a ilha livremente, contactando à vontade com a população, que nos tentava vender algum artesanato, mas que revelava sempre uma grande simpatia. Vivem sob um calor abrasador e nem sequer têm o hábito de tomar banhos de mar, o que daria para refrescar. As casas são pouco mais que barracas em forma de palhotas onde as temperaturas devem ficar ao rubro…..mas essa é a forma como vive a grande maioria da população do planeta, a nós é que tudo isso ainda nos impressiona bastante. 

A segunda saída de barco foi para uma pescaria ao pôr-do-sol e tivemos a oportunidade para confirmar a nossa inabilidade para esta tarefa. Toda a gente do barco ia sacando peixes e nós dois nem um peixinho….mais concretamente, pesquei apenas meio peixe, que terá sido apanhado a meio da subida por um tubarão.

Ainda assim não deixámos de participar no jantar que preparam com o peixe que tínhamos pescado…..que os outros tinham pescado, para ser mais exato. Fizeram um peixe grande, talvez um robalo, em prata sobre o carvão, mas o resultado final foi uma treta…..sem sabor nenhum, provavelmente por ser um peixe sem gordura devido às águas quentes. Fizeram ainda algum sushi e sashimi com os peixes apanhado e serviram com todos os preceitos japoneses. Entretanto, a Ana, sem se ter apercebido que tinham mudado a agulha para um ambiente japonês, viu uma tijela de wasabi e pensou que se tratava de um suculento guacamol, por isso encheu uma colher e engoliu sem hesitar. Como se pode imaginar, ia falecendo ali mesmo, e eu a ver-me viúvo em plena lua-de-mel. Porém, apesar do susto, o episódio acabou por ter um final feliz.

Uma visão do paraíso:

Refiro-me aos maravilhosos sunsets, que nos proporcionaram alguns dos momentos mais extraordinários destas férias……e que vivemos diariamente com toda a intensidade e paixão.

Enquanto caminhávamos até à zona do restaurante, ou nos preparávamos ainda para sair do bungalow, havia sempre um momento que que o céu nos presenteava com uma pintura inesquecível, e quase sempre diferente. 

Era nesses momentos, em que a paisagem e o silêncio nos esmagavam, que melhor entendíamos a profundidade dos sentimentos que nos uniam e que tínhamos acabado de selar. Pelo menos é assim que eu recordo as emoções ali vividas…..apesar de terem já passado tantos anos, é como se tivesse sido ontem. 

E não haverá melhor maneira de fechar a crónica desta viagem de sonho do que deixar aqui algumas dessas imagens…….ficam a faltar as emoções, porque essas são apenas nossas e não partilháveis. 





Carlos Prestes
Maio de 2002


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quarta-feira, 1 de agosto de 2001

Córsega

Sempre fui um apaixonado por tudo aquilo que tem a ver com o Mediterrânio, no princípio apenas devido a referências idílicas e imagens de filmes, mas, mais tarde, comecei a ter oportunidade de conhecer alguns lugares da costa mediterrânica continental, e também algumas ilhas, neste caso apenas as ilhas gregas e as baleares, e fui consolidando essa minha tendência para gostar de tudo o que vem das proximidades deste mar que banha as terras mais a Sul da Europa e mais a Norte do continente africano.

Foi assim que me fui ligando a tudo o que podemos encontrar nestas zonas, seja a sua história riquíssima, com uma ancestral presença romana; sejam as suas cores, das terras e do mar; os seus povoados, sempre típicos; ou os aromas e os paladares de uma gastronomia que me habituei a adotar como principal referência. Mas há também os próprios habitantes, sejam de que países forem, são sempre muito característicos, trazendo no sangue algo que vem do lugar onde vivem e deste mar que os cerca.

E não há lugar mais tipicamente mediterrânico do que este de que vos falo hoje, a Córsega. Trata-se de uma ilha montanhosa do Mediterrâneo, com algumas cidades costeiras, uma floresta densa e alguns picos escarpados e, sobretudo, umas praias que são um encanto, algumas são mesmo a imagem da perfeição, com areia branca e as águas mornas e transparentes, em tons de azul-turquesa, formando um conjunto quase paradisíaco.

A ilha faz parte de França desde 1768, mas mantém ainda uma ligação muito forte à cultura italiana, nomeadamente através do dialeto local, o corso, que se assemelha ao italiano. Além disso, a ilha tem mantido sempre um forte movimento separatista, que tem limitado a intervenção do poder francês. É por isso que existem lacunas ao nível do desenvolvimento local, tanto nas infraestruturas turísticas, com uma visível carência de hotéis e resorts, como ao nível das acessibilidades… em 2001 as estradas eram bastante limitadas e claramente insuficientes para a quantidade de carros que por ali circulam.

Em agosto de 2001 partimos para uma semana de férias na ilha da Córsega, uma viagem em família, na altura ainda só com três filhas, entre os três e os nove anos. E foi logo na marcação do voo que cometemos o primeiro equívoco, íamos para a zona de Porto-Vecchio e pareceu-me que o aeroporto mais conveniente seria o de Ajaccio, por ser ligeiramente mais próximo do que a outra alternativa, em Bastia. Mas estava enganado, Ajaccio fica na costa Oeste e nós íamos para o lado oposto, na costa Este, o que nos obrigou a percorrer a ilha de costa a costa atravessando a imensa cordilheira que divide a ilha ao meio, por estradas sinuosas e estreitas, que sobem e descem colinas entre bosques e escarpas rochosas. E, se tivéssemos escolhido Bastia, o percurso era feito ao longo da costa e seria bem mais fácil. Mas, com esta escolha, tivemos de assumir a travessia da montanha num percurso entre Adjaccio e Porto-Vecchio seguindo um dos trajetos assinalados neste mapa:
 
Se, por um lado, este percurso sinuoso nos atrasou a chegada à zona das praias de Porto-Vecchio, que era o nosso principal objetivo, e onde estávamos ansiosos para chegar, por outro lado, revelou-nos uma outra face da ilha, pelas paisagens naturais de montanha, mas também pelas aldeias pitorescas que fomos encontrando.

Neste primeiro trajeto registo apenas duas dessas aldeias, mas, mais tarde, no regresso a Ajaccio, vindos do Norte, passámos por mais algumas aldeias que também merecem ser assinaladas.


As aldeias Corsas

Sem estarmos à espera a estrada leva-nos logo a escalar uma montanha imensa coberta de um verde vivo, ainda com o mar por perto, e onde vão sendo visíveis, à distância, alguns picos mais altos, também verdes ou mostrando falésias rochosas em tons acinzentados, mas que, no inverno, irão ser pintados de branco, pelos nevões que não poupam esta ilha mediterrânica.
Assim, a paisagem atravessada vai sendo adornada pelo verde das encostas, pelos picos no topo das montanhas e, aqui ou ali, pela vista sobre o mar imenso… e também pelo aparecimento esporádico de algumas aldeias, que vão humanizando este trajeto magnífico. Neste texto vou apenas registar a passagem por duas dessas aldeias, Olmeto e Zonza, que observámos só à distância, para contemplar a sua beleza, sobretudo devido ao enquadramento paisagístico, que é sempre fantástico.

Uns dias mais tarde, já no final da semana que aqui passámos, tínhamos de voltar a Ajaccio para apanhar o avião que nos iria levar de volta a Paris. Tínhamos, entretanto, chegado até à cidade de Bastia, localizada a Norte, e foi daí que partimos cruzando de novo a cordilheira dorsal que divide a ilha, passando, desta vez, mais perto do maciço rochoso do Monte Cinto, o pico mais alto da ilha, com os seus 2.706 m.

O percurso foi penoso, pelas curvas e contracurvas que se sucediam, a ponto das miúdas começarem a enjoar, o que nos obrigou a fazer algumas paragens para evitar males maiores… mas sem grande sucesso, confesso.

Neste troço as aldeias escolhidas foram Soveria, Corte e Ghisoni, esta última obrigou mesmo a um pequeno desvio do caminho principal, como se regista no mapa anterior.




Porto-Vecchio:

Ficámos instalados na proximidade da cidade de Porto-Vecchio, que usávamos como base para todas as movimentações que fomos fazendo.

Não é uma cidade espetacular, aliás, aqui na Córsega, quase todas as povoações junto ao mar são semelhantes, simpáticas e agradáveis, mas nada exuberantes, embora bastante acolhedoras para um passeio de final de tarde, ou para um jantar num dos restaurantes na marginal junto à marina, que é o centro nevrálgico da cidade, ou mesmo na cidade velha, que ocupa o alto do morro sobre a baía onde se destaca a igreja velha, a Église Saint Jean-Baptiste.



As praias de Porto-Vecchio e Bonifácio

Mas quem vai para Porto-Vecchio não vai à procura das atrações que a cidade pode oferecer. Quem resolve escolher um alojamento nesta parte da ilha, pretende certamente explorar as praias magníficas que podemos encontrar nesta zona… e nós também, claro.

São várias as baías que aqui se formam, experimentámos algumas, e adotámos aquelas de que mais gostámos, e que vou aqui referir por uma ordem geográfica, do Norte para Sul.

Plage de Canella:

Como estávamos um pouco acima de Porto-Vecchio, começámos por experimentar umas praias a Norte, das quais salientamos a Plage de Canella, uma baía preciosa, que, de manhã cedo, se apresentava ainda totalmente vazia e bastante bonita.

A grande atração destas praias é sempre a mesma, uma areia branca, e as águas calmas, transparentes e mornas, de onde demoramos a sair a cada mergulho… e aqui não é diferente.

Santa Giulia:

Esta é de todas as praias que experimentámos, aquela de que mais gostámos… trata-se de uma praia perfeitamente fantástica.
É formada por uma faixa de areia branca que define o contorno de uma baía, quase em forma de ferradura, onde encontramos um espelho de água de cor azul-turquesa e completamente apetecível.

A faixa de areia desta praia é extensa, com mais de um quilómetro e meio, mas bastante estreita, em torno dos 10 m, embora seja mais ou menos estável ao longo do dia, por ter pouca afetação das marés, uma vez que estamos no Mediterrânio. Assim, é natural que o areal acabe por ficar completamente ocupado com turistas. Para fugirmos dessa confusão chegávamos à praia de manhã cedo, enquanto a maioria está ainda a dormir e aí pudemos escolher os melhores lugares e desfrutar de uma paisagem sublime.

Com o passar das horas e o aumento da quantidade de banhistas, a praia vai enchendo e vai ficando cada vez menos paradisíaca, e a melhor opção é fugirmos do areal e estarmos cada vez mais tempo dentro de água, que a temperatura é convidativa. E foi isso que fizemos, tanto os adultos, como as miúdas, na altura ainda crianças, mas já se refastelavam naquelas águas magníficas.

A praia é servida por vários restaurantes, bastante agradáveis, apesar dos preços serem elevados, mas permite uns snacks, umas saladas e umas bebidas frescas, num ambiente giríssimo e sempre emoldurado pelas imagens magníficas da baía de Santa Giulia.

Rondinara:

Um pouco mais a Sul encontra-se mais uma das melhores praias da ilha, a praia de Rondinara. É constituída por uma baía que forma quase um círculo completo, apenas com uma estreita abertura para o mar aberto, o que faz com que as águas sejam ainda mais calmas, um autêntico espelho de água azul-turquesa.

O truque será o mesmo, chegar cedo para usufruir das mais bonitas imagens, quando a praia ainda se mostra encantadora.

Depois é deixar que o dia vá passando lentamente, entre banhos de sol e longos banhos de mar… nunca nos cansamos de estar de molho em águas como estas, com 27º e com uma transparência quase inacreditável.

Entretanto vão chegando cada vez mais pessoas, e também mais barcos, que vão preenchendo esta baía, que é praticamente uma marina natural.


Plage du Petit Sperone:

Já num outro dia, que escolhemos para ir até Bonifácio, a cidade mais bonita, não só desta zona do Sul, mas talvez de toda a ilha, passámos a manhã em mais uma praia paradisíaca, a Plage du Petit Sperone.

Desta vez não encontrámos uma grande baía, como nos dias anteriores, a praia é bem mais pequena, a fazer lembrar algumas das calas das baleares, uma enseada apertada de águas transparentes com uma língua de areia branca, num conjunto magnífico.
A praia tem um acesso que obriga a uma pequena caminhada, de um dos lados há um trilho que segue junto a um campo de golf que ali existe, no outro lado, entramos pela zona de um site arqueológico, a Villa Romaine de Piantarella.


Bonifácio

Como já disse, esta é a cidade mais bonita da ilha, ou, pelo menos, aquela cuja imagem é mais rara e mais diferenciada.

E não é só a própria cidade que tem um aspeto singular, toda a sua envolvente é marcada pelas falésias íngremes de calcário branco, que vão desenhando paisagens lindíssimas no contraste que formam com o azul das águas.

E é no alto de um desses penhascos de mármore branco que surge, praticamente empoleirada sobre o rochedo e protegida pela sua cidadela, a belíssima cidade velha de Bonifácio… que se torna ainda mais bonita e mais especial, quando a contemplamos à distância.
No exterior da cidade velha, e ainda cá em baixo, ao nível do braço de mar que envolve o penhasco, forma-se uma baía natural que é usada como marina e encontra-se cheia de embarcações de recreio. Esta é uma das zonas mais agradáveis da cidade, cheia de vida e de turistas, com enorme oferta de bares e restaurantes, e sempre com a imagem da cidade, no alto da falésia, como um farol, e com o Forte da Cidadela em primeiro plano.
Depois de uma subida íngreme, feita a pé, claro, chegamos ao labirinto de ruas empedradas que forma o casco velho e encontramos um espaço bastante interessante e agradável, cheio de lojas e restaurantes típicos, num conjunto bastante bonito e muito pitoresco.

Parámos para jantar num destes restaurantes e aproveitámos o ambiente extraordinário de uma noite quente de agosto num local tão bonito como este. E regressámos depois pela colina abaixo até ao carro, não deixando de procurar pelos melhores pontos de observação para poder apreciar a silhueta da cidade com as cores do entardecer e depois já com a chegada da noite… que cidade fantástica.



Bastia

Antes de terminarmos estas férias, resolvemos largar as praias do Sul e fizemos toda a estrada que cobre a costa Leste a caminho de Bastia, a maior cidade do Norte da ilha.

A cidade não é fantástica, vive muito em torno de um porto comercial importante, que garante a entrada e saída de embarcações que fazem a ligação com o continente, mas o seu principal interesse concentra-se no seu centro histórico em torno do Porto Velho, o Vieux Port de Bastia, onde se destaca a principal igreja da cidade, a Église Saint Jean-Baptiste, que confere a este local um aspeto típico e pitoresco.
A cidade velha oferece aquilo que se espera de uma terra de pescadores que é frequentada por muitos turistas, ruas pedonais que chegam até à marina, o principal polo para onde toda a gente converge, e uma oferta diversificada de restaurantes e lojas, onde podemos desfrutar do ambiente envolvente, que é muito agradável, e também de uma oferta gastronómica variada, onde se incluem alguns pratos típicos da região.


Ajaccio

Depois do percurso feito pelas estradas de montanha, vindos do Norte, chegámos à capital da região da Córsega, que é também a sua maior cidade. Mas Ajaccio não parece nada ser uma grande cidade, na verdade tem apenas 70 mil dos 330 mil habitantes da ilha, o que não faz desta cidade uma grande metrópole.

Por isso, é apenas mais uma cidade simpática junto ao mar, esta com o lastro histórico especial por ter sido aqui que nasceu Napoleão Bonaparte, que é hoje uma figura de referência local, que dá mesmo o nome ao aeroporto da cidade.

Ajaccio vive em torno do mar, está encaixada no Golfo de Ajaccio, rodeada por praias, mas que, naturalmente, não são as melhores praias da ilha. Depois tem um imenso porto comercial, que recebe cargueiros e ferrys de França e de Itália, num vaivém constante.

Assim, a parte mais interessante desta cidade, e o seu centro histórico, gravitam em torno da Citadelle d'Ajaccio e da marina local, o Porto de Recreio Tino Rossi, cujas imagens são quase de uma aldeia pitoresca e bonita.


Comecei esta viagem referindo que sou fã de tudo o que tem a ver com o Mediterrânio, e termino agora, ao fim de uma semana de visita à Córsega, com a certeza de que esta ilha fantástica é talvez o melhor exemplo da essência mediterrânica.

Pelas montanhas, altas e rochosas, pelas aldeias, sempre pitorescas, pelos contrastes entre o verde das colinas e o azul do mar, por algumas das suas cidades, principalmente a belíssima Bonifácio, mas, sobretudo, pelas praias magníficas de areia branca e águas mornas e transparentes... por tudo isto, a ilha da Córsega constitui uma verdadeira marca mediterrânica... algo que não tem só a ver com um mar ou com as terras que são banhadas por esse mar, algo que é quase uma forma de estar e um modo de vida... e aqui na Córsega sentimo-nos permanentemente nessa onda mediterrânica. 


Carlos Prestes
Agosto de 2001