quarta-feira, 10 de junho de 1998

Maiorca


Esta foi a nossa primeira visita às Baleares, ainda no século passado, quando a Ana estava grávida da Beatriz, no verão de 1998.

Foi uma viagem de uma semana e ficámos sempre alojados no mesmo hotel, em Magaluf. Essa opção acabou por se revelar pouco acertada, já que percorremos praticamente toda a ilha. Teria sido mais conveniente dividir a estadia entre dois ou até três hotéis, sobretudo na costa Oeste e na zona Norte, evitando assim deslocações tão longas - em alguns dias chegámos a fazer cerca de 200 km.

Naquela época, a internet ainda dava os primeiros passos em Portugal e preparar viagens não era tão simples como hoje. Muitas vezes só percebíamos realmente o que queríamos visitar quando já estávamos no destino, razão pela qual não tivemos a preocupação de reservar alojamentos em diferentes pontos da ilha.

Ainda assim, mal chegámos a Maiorca percebemos que não queríamos passar a semana inteira nas praias junto a Magaluf. Preferimos alugar um carro e explorar a ilha, que oferece locais verdadeiramente fascinantes, sobretudo pelas suas calas - algumas delas muito bonitas, com águas cristalinas em tons azul-turquesa e temperaturas excelentes, acima dos 25°. 

Apesar disso, na própria baía de Magaluf as paisagens não deixam de ser também bastante interessantes, como é o caso desta imagem da Isla de Sa Porrassa, que fica logo ali em frente.
Assim, mesmo sem termos pré-programado quaisquer percursos, acabámos por visitar grande parte da ilha, usando um carro alugado durante todo o tempo, mas partindo diariamente de Magaluf, o que nos levou a fazer alguns quilómetros, que seguiram aproximadamente os trilhos assinalados neste mapa:   


Dias 1 e 2

Nestes primeiros dois dias decidimos ficar por perto do hotel, ou seja, nas praias e cidades que ficavam a menos de 20 km de Magaluf, começando pela própria praia que se estendia em frente ao hotel.

Magaluf

Esta é uma das zonas balneares mais conhecidas de Mallorca, destacando-se por uma longa praia de areia clara e por um ambiente turístico muito animado. A praia principal estende-se ao longo de uma ampla baía de águas azul-turquesa, geralmente calmas e pouco profundas, o que cria uma paisagem tipicamente mediterrânica e bastante agradável.

Mas é também uma daquelas praias que não apreciamos muito, cheias de chapéus de sol, e com um turismo em massa, com os milhares de pessoas que ocupam os hotéis que ali existem, a maior parte deles, ficam nas torres que se erguem junto ao mar ou logo na marginal. O nosso hotel era um desses, o que nos dava o privilégio de uma vista ampla sobre a baía.

Naquela altura, no final dos anos 90, e mesmo no verão, quando a praia se enche de turistas, não era nada parecido com o que passámos a encontrar 20 anos depois, com praias cheias em todo o lado, onde às vezes nem conseguimos entrar. 

Aqui, aquilo que nos afastava destas zonas de praia era aquela presença permanente de turistas nas espreguiçadeiras, em bares de praia, ou praticando desportos aquáticos, alguns bastante barulhentos. Não deixa de ser giro, sobretudo ao final da tarde, quando o ambiente fica mais descontraído e festivo, mas procurámos sempre outras praias mais tranquilas… apesar disso, passámos aqui a primeira manhã, aproveitando os banhos de sol, nadando nas águas transparentes e mornas e percorrendo o areal de lés-a-lés, apreciando as belas paisagens da envolvente.

Um dos principais atrativos desta praia é a sua avenida marginal, que acompanha toda a frente marítima e constitui o centro da vida urbana de Magaluf - ladeada por palmeiras, hotéis, restaurantes, cafés e esplanadas voltadas para a praia - durante o dia é quase como um gigantesco apoio de praia, mas à noite é ainda mais procurada, quando toda a gente sai para jantar ou em busca de vida noturna caliente dos bares e discotecas.
Ao partirmos de carro para o próximo destino, pudemos ainda contemplar a baía de Magaluf à distância, onde se salientam os tons azul-turquesa das águas, que disfarçam o contorno de prédios altos que forma toda a sua marginal.

Calas Portals Vells

Descobrimos esta zona de praias encantadoras e, nessa altura, quase desertas, através de uns postais ilustrados que se vendiam nos quiosques. As imagens impressionaram-nos e perguntámos onde ficava, para assinalarmos no mapa... daqueles de papel, com que se viajava naquela época.
A baía de Portals Vells, é um dos recantos naturais mais tranquilos e pitorescos do Sudoeste de Mallorca, conhecida pelas águas transparentes e pelas pequenas enseadas de areia clara e uma envolvente rochosa, coberta de pinheiros mediterrânicos - as chamadas Calas Portals Vells.

Ao contrário do ambiente mais urbano e animado de Magaluf, esta zona transmite uma sensação de refúgio natural e reservado, com uma paisagem mais preservada e serena.
A principal atração da baía são as suas calas, com pequenas praias encaixadas entre formações rochosas, criando zonas de mar calmo e pouco profundo, ideais para nadar e relaxar. A transparência da água permite observar facilmente o fundo arenoso e as tonalidades variam entre azul-turquesa e o verde-esmeralda, especialmente nos dias de sol intenso.


As encostas suaves cobertas de vegetação, os caminhos naturais junto ao litoral e as praias quase desertas criavam uma atmosfera intimista e pouco turística. Foi precisamente essa tranquilidade que nos conquistou e nos levou a permanecer ali durante grande parte da tarde… mas temo que hoje em dia a concentração de turistas durante o verão, não permita reproduzir estas condições fantásticas que ali encontrámos.

Santa Ponça e Camp de Mar

Já não pretendíamos voltar a fazer praia nesta tarde, mas queríamos ainda conhecer um outro destino nesta parte Sudoeste da ilha - onde se encontra Santa Ponça, mais uma das estâncias balneares de referência de Mallorca.

Assim, limitámo-nos a percorrer o passeio marítimo que contorna a ampla baía em forma de meia-lua, apreciando a imagem da praia, com as águas calmas, e a sua envolvente marcada pela presença de  hotéis, restaurantes e esplanadas voltadas para o mar.
Um pouco depois, já numa outra baía, encontramos Camp de Mar, mais uma elegante estância balnear, conhecida pela sua pequena praia de águas cristalinas e ambiente tranquilo. A praia, de areia clara e mar azul-turquesa, encontra-se rodeada por vegetação mediterrânica e hotéis discretamente integrados na paisagem.

Um dos elementos mais emblemáticos de Camp de Mar é o Restaurant Illeta, situado numa pequena ilhota em frente à praia, ligado ao areal por um passadiço de madeira. Este cenário singular tornou-se um dos ex-líbris da localidade, pois chegou a ser utilizado na rodagem de algumas cenas cinematográficas, reforçando o carácter pitoresco e exclusivo desta zona costeira.


Palmanova

Já no dia seguinte, continuámos na zona de Magaluf, mas numa outra baía, que é chamada de Palmanova.
Trata-se de mais uma animada estância balnear, conhecida pelas suas extensas praias de areia clara, águas calmas e ambiente turístico descontraído. A localidade desenvolve-se ao longo de uma ampla frente marítima, marcada por passeios pedonais, palmeiras, hotéis, restaurantes e esplanadas.

Apesar da proximidade a Magaluf, Palmanova apresenta um ambiente mais familiar e tranquilo, menos associado à vida noturna e particularmente procurado por famílias que desejam conciliar praia, lazer e conforto. Ainda assim, encontrámos um areal excessivamente concorrido, o que acaba por retirar parte da beleza natural que a baía revela quando observada a partir das encostas envolventes.



Palma de Maiorca

A capital da ilha de Maiorca e da região das Baleares, a cidade de Palma, é um espaço animado onde o ambiente mediterrânico e turístico, se mistura com o peso da história e da cultura local.

Palma destaca-se pelas suas ruas elegantes, praças animadas e pela imponência da Catedral de Santa Maria de Palma, conhecida por Catedral La Seu (no dialeto local, que é uma espécie de catalão), e que domina toda a frente marítima da cidade.
O centro histórico convida a passeios pelas ruas e praças empedradas, entre pátios senhoriais, edifícios góticos e mercados tradicionais, com paragens nas lojas de souvenires, nas esplanadas que ocupam as ruas, com restaurantes que oferecem o prazer da comida espanhola, para umas tapas e umas cañas, que nos ajudam a sentir o ritmo descontraído da vida insular.
Entre o património histórico, a gastronomia local e as vistas sobre o Mediterrâneo, Palma oferece uma combinação equilibrada de autenticidade, sofisticação e atmosfera balnear, tornando-se um dos destinos mais cativantes do arquipélago das Baleares.

Dos vários atrativos do centro desta cidade, destaca-se, naturalmente, a sua majestosa Catedral, o principal símbolo da cidade, e que é também uma das mais impressionantes catedrais góticas do Mediterrâneo, destacando-se pela sua dimensão, pela rosácea monumental e pela localização junto ao mar, que permite um enquadramento paisagístico interessante, mostrando a catedral com a envolvente da cidade-velha e da marina.
O porto de recreio de Palma de Maiorca é um dos mais prestigiados do Mediterrâneo, frequentado por iates, embarcações de luxo e uma animada zona marítima rodeada de restaurantes, bares e esplanadas.
Referindo também outros monumentos da cidade de Palma, salienta-se o Palácio Real e os jardins medievais, chamados de S’Hort del Rei.

O Palácio Real ou Palau Reial de l’Almudaina, que fica na proximidade da catedral, foi construído no início do século XIV, no reinado de Jaime II, depois do domínio muçulmano, e é, ainda hoje, a residência oficial da família real - dos reis e das filhas menores - sempre que visitam a ilha.
Os S’Hort del Rei eram, originalmente, jardins medievais na envolvente exterior do palácio real, e continham árvores de fruta, flores e arbustos. Em 1960 foram remodelados com introdução de elementos maiorquinos, de inspiração andaluza, o que melhorou a beleza dos jardins, tendo privilegiado as sombras que protegem os visitantes durante as horas de mais calor.
Nas noites quentes e acolhedoras de verão, as ruas de Palma de Maiorca ganham uma atmosfera vibrante, com esplanadas repletas de gente e o ambiente descontraído de um estilo de vida tipicamente espanhol, de que tanto gostamos.

Entre as ruas estreitas do centro histórico e as avenidas junto à marina e ao mar, Palma combina o charme mediterrânico com uma elegante vivência cosmopolita, revelando uma beleza ainda mais especial quando os monumentos e as fachadas históricas se iluminam ao cair da noite.


Dia 3

Neste dia resolvemos explorar a zona Oeste da ilha, onde iriamos encontrar algumas aldeias rústicas, mas também umas calas, para podermos fazer umas paragens para uns mergulhos.

O percurso total foi de cerca de 90 km para cada lado, mas passando por algumas estradas de montanha, que fizeram com que a viagem fosse bastante demorada.

Valldemossa

Começámos por visitar a localidade de Valldemossa, situada no coração da serra de Tramuntana, e uma das vilas mais pitorescas e encantadoras de Maiorca. É conhecida pelas suas ruas empedradas, com casas em pedra adornadas com flores, numa envolvente bem tranquila, preservando o caráter tradicional e oferecendo vistas deslumbrantes sobre as montanhosas envolventes.
O seu maior símbolo é a Real Cartuja de Valldemossa, antigo mosteiro onde estiveram Frédéric Chopin e George Sand durante o inverno de 1838, tornando a vila num lugar marcado pela arte, história e romantismo.


Deià

A apenas 10 km de Valldemossa fica a pequena e elegante aldeia de Deià, conhecida pela sua beleza natural, e por um ambiente muito tranquilo. Rodeada por montanhas e com vistas magníficas sobre o Mediterrâneo, Deià encanta pelas casas tradicionais em pedra, ruas estreitas e uma atmosfera boémia que, ao longo dos anos, atraiu escritores, músicos e artistas de várias partes do mundo… como era caso, na altura ainda recente, do casal Zeta Jones e Michael Douglas, que tinham acabado de comprar ali uma villa para as suas férias.

A combinação entre paisagem, autenticidade e serenidade faz desta aldeia um dos locais mais exclusivos e inspiradores de Maiorca.

A cerca de 3 km da aldeia fica a sua praia, a Cala Deià. Trata-se de uma pequena enseada de enorme beleza natural, que vale principalmente pelo seu espelho de água belíssimo de um azul-turquesa vivo, e pelo enquadramento impressionante entre o mar e as falésias da serra de Tramuntana.
Apesar de ser uma praia de calhaus, o local revela-se extremamente agradável para se desfrutar de uns mergulhos, relaxar ao som do mar e contemplar uma paisagem mediterrânica em estado puro.
Podemos ainda apreciar este bom ambiente, aproveitando a presença de um restaurante junto ao mar, cuja esplanada sobre a água convida para uma bela paella enquanto se contempla a tranquilidade da enseada… e foi isso mesmo que fizemos.

À saída podemos aproveitar os trilhos que contornam as falésias da enseada, desfrutando, uma vez mais, das mais bonitas paisagens desta cala.

Porto de Sóller

Depois de mais 15 km de uma estrada de montanha, chegámos a Porto de Sóller, mais uma localidade costeira pitoresca, situada numa baía natural da serra de Tramuntana, conhecida pela marginal e pelas vistas sobre o Mediterrâneo.
Na praia e na marina, encontra-se um misto entre o ambiente descontraído de um turismo familiar e a tradição piscatória que é ainda visível.

A marginal é uma das principais atrações locais, com muita gente a fazer passeios ao longo da praia e da marina, usufruindo de um excelente ambiente, onde as esplanadas, restaurantes e as embarcações fundeadas na baía, criam um cenário tipicamente mediterrânico.
A ligação entre a praia e o centro de Sóller é assegurada por um elétrico histórico, que é uma das atrações locais.

Sa Calobra

O percurso de carro entre Port de Sóller e Sa Calobra é uma das viagens panorâmicas mais impressionantes de Maiorca, atravessando o coração da serra de Tramuntana, classificada como Património Mundial pela UNESCO. Ao longo do trajeto, a estrada serpenteia por entre montanhas escarpadas, vales profundos e miradouros naturais com vistas deslumbrantes sobre o Mediterrâneo e a paisagem rochosa da ilha.

Passamos primeiro pelo Mirante de Gorg Blau, com vista para o lago de uma albufeira da barragem do rio Torrente de Gorg Blau. Mas o ponto mais emblemático deste percurso é o Nus de sa Corbata, uma extraordinária obra de engenharia onde a estrada faz uma curva em laço de quase 360 graus, passando por baixo dela própria para vencer o desnível da montanha. Este troço tornou-se um verdadeiro símbolo de Maiorca, tanto pela ousadia da construção como pela beleza cénica envolvente, proporcionando uma experiência inesquecível a quem percorre esta estrada.

Sa Calobra é um dos cenários naturais mais interessantes de Maiorca, conhecido pelas suas paisagens dramáticas entre montanhas escarpadas e mar cristalino. No final do percurso de montanha, encontra-se uma pequena enseada de águas transparentes e a impressionante foz do Torrent de Pareis – formada por uma praia de calhau rolado, envolvida por altas paredes rochosas que criam um ambiente especial e de grande beleza natural.

Mas aquilo que mais gostámos nesta cala tão inusitada, foi das suas águas, com um azul forte impressionante e uma transparência incrível - nunca tinha visto, nem voltei a ver, um fundo do mar com tanta visibilidade. Em alguns locais é quase como numa piscina, mas a razão desta transparência é a ausência completa de vida marítima, nem animais nem qualquer tipo de algas ou fitoplâncton. Assim, a experiência do snorkeling serve apenas para observarmos o fundo rochoso, os cascos dos barcos ali fundeados… e para vermos com clareza os outros mergulhadores.
Esta parte da Sa Calobra, chamada de Torrent de Pareis, é totalmente natural, e só é acessível por um trilho pedonal estreito. O local onde deixamos o carro fica junto ao Port De Sa Calobra, onde existe mais uma pequena cala, também de calhau, e igualmente bonita.


Dia 4

Neste dia fomos explorar o Norte da ilha, o que obrigou a uma viagem longa, cerca de 100 km para cada lado, mas, mais uma vez, valeu bem a pena.

Alcúdia

A primeira paragem deste dia foi na Baía de Alcúdia, uma das zonas costeiras mais bonitas de Maiorca, conhecida por uma extensa língua de areia clara, com águas transparentes e calmas, se não estiver muito vento.

Em toda a baía o ambiente é descontraído e tipicamente mediterrânico, com hotéis e restaurantes, mas também com zonas mais selvagens, com vegetação até à areia. Ao longe, são visíveis as montanhas da ponta Norte da ilha, o Cabo Formentor.

Apesar de ser um único areal numa mesma baía, está dividida em duas praias, a Playa de Alcúdia, que é enorme, e a Playa de Muro, que ocupa apenas a extremidade Norte, formando uma pequena baía mais fechada, já perto da marina.
Ao longo da baía encontramos alguns trechos com uma faixa de areia mais larga, onde ficam as principais zonas de apoio de praia, com vários hotéis, restaurantes, esplanadas e um passeio marítimo junto à areia.
Noutros troços o areal surge integrado na natureza, envolvido pela vegetação mediterrânica, e formando uma praia bastante bonita e com um aspeto selvagem, com o mar cristalino e com dunas e pinhais que acompanham parte da costa. O ambiente é mais sereno e relaxado, ideal para desfrutar da paisagem e do mar num ambiente natural… sobretudo se estiver um dia de sol e sem vento.
Na extremidade Norte desta baía, fica a marina do Port d’Alcúdia, cheia de iates e embarcações de recreio, e com o ambiente normal deste tipo de portos, com vários restaurantes e com um excelente ambiente.
Há também a vila de Alcúdia, cujo centro histórico muralhado preserva o charme medieval da ilha, com ruas empedradas, pequenas praças e edifícios tradicionais. Pode ser um agradável ponto de visita, a um local bonito e que contraste harmoniosamente com a atmosfera balnear da costa.

Cap de Formentor

Seguimos depois por pouco mais de meia hora até ao cabo do extremo Norte da ilha, o Cap de Formentor. Trata-se de um dos locais mais emblemáticos e impressionantes de Maiorca, conhecido pelas falésias dramáticas, pelas vistas panorâmicas sobre o Mediterrâneo e pela estrada sinuosa que atravessa a península, e oferece paisagens de grande beleza natural e um ambiente quase selvagem.
Ao longo do percurso encontram-se vários miradouros sobre o mar azul profundo e as formações rochosas escarpadas, culminando no famoso farol de Formentor, suspenso sobre as arribas e rodeado por um cenário verdadeiramente inesquecível.


Playa de Formentor

Depois da visita ao cabo, regressámos pela mesma estrada de montanha até ao nível do mar, aproveitando as bonitas paisagens da baía, com o azul intenso do Mediterrâneo e o verde da vegetação que cobre a encosta.

Parámos junto à Playa ou Cala de Formentor, onde passámos grande parte da tarde - literalmente de molho - nestas águas calmas, mornas e cristalinas.
Já depois de estacionarmos o carro, encontramos uma baía com uma vegetação densa, sobretudo pinheiros, e apenas uma estreita faixa de areia branca, por vezes completamente ocupada por banhistas. Mas basta arranjarmos um pequeno espaço para esticar a toalha, e já nos permite ficar por ali, a maior parte do tempo dentro de água.
A praia encontra-se rodeada pela natureza da península de Formentor, e distingue-se pela tranquilidade, pela beleza do enquadramento natural e pelas imagens lindíssimas sobre a baía… apesar da grande concentração de banhistas, num areal tão estreito.

Naquela altura, ainda existiam algumas zonas mais resguardadas da baía onde o areal estava mais vazio. Foi precisamente aí que decidimos ficar, longe da maior confusão, o que nos permitiu aproveitar a praia com mais tranquilidade e usufruir ao máximo daquele cenário tão convidativo e apetecível.

    
Terminámos mais um dia, desta vez regressámos a Magaluf, onde iríamos passar o serão e jantar, pois estivemos até ao final da tarde numa zona de floresta natural, onde não existe grande oferta de restaurantes.


Dia 5

Neste dia seguimos para o lado Oriental da ilha e, no final da tarde, iriamos visitar uma zona muito conhecida pela sua vida noturna. Mas de manhã, o objetivo era passarmos por umas bonitas praias, pelo que saímos na direção da Caló des Moro, num trajeto de cerca de 80 km.

Caló des Moro

No Sul da costa Este da ilha existem várias pequenas calas – enseadas que rasgam os rochedos, onde se forma um pequeno areal. Das várias possibilidades, escolhemos a Caló des Moro, uma dessas enseadas, escondida entre falésias e vegetação mediterrânica.

Famosa pelas águas incrivelmente transparentes e pelos tons intensos de azul-turquesa, esta cala oferece um cenário quase paradisíaco e uma atmosfera selvagem e bem preservada. Apesar das dimensões reduzidas e do acesso mais exigente, é considerada um dos recantos naturais mais deslumbrantes da ilha.


Playa Es Trenc

Esta foi a segunda praia do dia, a meia hora da Caló des Moro, encontramos a belíssima Playa Es Trenc. Se tivermos a sorte de apanhar um dia de sol e sem vento, esta playa, será certamente uma das praias mais paradisíacas de Maiorca, conhecida por uma extensa faixa de areia branca e pelo mar de águas cristalinas em tons azul-turquesa.

Está inserida numa área natural protegida e, por isso, mantém um ambiente preservado e selvagem, com dunas, vegetação mediterrânica e uma paisagem que recorda as praias das Caraíbas.
O areal desta praia é tão extenso - com mais de 2 500 metros - que mesmo que estejam muitos banhistas, será sempre natural que a praia se mantenha tranquila e sem grande confusão. E para além da longa faixa de areia, temos sempre um imenso espelho de água cristalina, perfeito para longos banhos e mergulhos relaxantes, enquanto se desfruta do sol intenso do Mediterrâneo e da temperatura quase morna e acolhedora do mar.

Podemos considerar que num dia com boas condições metrológicas, a tranquilidade do mar e a beleza natural da praia de Es Trenc, fazem deste local um dos spots turísticos mais emblemáticos da ilha para relaxar e desfrutar do Mediterrâneo em estado puro.

Playa de Cala Pi

Depois de uma manhã inteira a aproveitar as águas calmas e mornas das duas praias anteriores, saímos em direção à cala Pi.

Trata-se de mais uma enseada encaixada entre falésias, formando uma pequena praia tranquila e protegida. As águas calmas e transparentes em tons azul-esverdeados contrastam com o dourado da areia e com a vegetação mediterrânica que envolve a cala, criando um ambiente pitoresco. O acesso faz-se por uma longa escadaria que conduz até à praia, revelando ao longo do percurso vistas magníficas sobre a enseada e o mar.

Desta vez, já tínhamos uma manhã inteira de praia, pelo que decidimos apreciar a paisagem cá de cima, em vez de descermos a escadaria de acesso… que depois teríamos de subir.

El Arenal

Estávamos a meia hora da zona do Arenal, uma das zonas balneares mais animadas de Maiorca, conhecida pela longa praia de areia clara, pelo ambiente turístico vibrante e pela intensa vida noturna. Chegámos durante a tarde quando a praia está mais animada, porque de manhã está tudo a curar as respetivas ressacas.

Esta é uma zona muito procurada por visitantes alemães, que utilizam a tarde para estar na praia, e a noite para vaguear entre restaurantes e esplanadas junto ao mar, terminando em bares e discotecas… num ambiente festivo que se prolonga até de madrugada.

Um dos espaços de entretenimento mais famosos e animados do El Arenal é o Megapark Mallorca, muito popular entre turistas alemães. Situado junto à praia, combina espaços de cervejaria, bares, música ao vivo, DJs e grandes festas, sempre num ambiente extraordinário que vibra durante toda a noite e só termina com o nascer do sol.


Dia 6

Este era o último dia completo em Maiorca, no dia seguinte já voltaríamos para casa. Escolhemos a zona Este da ilha, um pouco a Norte do destino do dia anterior, um espaço turístico em torno da marina da Cala d’Or.

Cuevas del Drach e Porto Cristo

Porém, começámos por uma atração algo inusitada, junto à vila e praia de Porto Cristo, chamada de Cuevas del Drach, umas grutas, a fazer lembrar as nossas grutas de Serra de Aire, ou outras do género.

Fizemos esta visita porque nos tinha sido recomendado, mas não é nada o nosso estilo e, apesar de referir nesta crónica, não recomendo particularmente.

A visita às Cuevas del Drach percorre várias grutas subterrâneas com formações calcárias com formas e cores espetaculares, que termina junto ao Lago Martel, um dos maiores lagos subterrâneos do mundo… é o que dizem, não sei se não se estarão a esticar.
No final da visita, as luzes diminuem e pequenos barcos surgem silenciosamente no lago, transportando músicos que interpretam peças clássicas ao vivo - neste caso tocaram peças de Frédéric Chopin, mas podem ser de outros compositores clássicos. Depois do concerto, os visitantes podem também atravessar parte do lago num pequeno barco, criando uma atmosfera especial e quase irreal.

Espreitámos ainda a baía de Porto Cristo, uma praia familiar, na qual nem chegámos a ficar, parámos na marginal e seguimos para o próximo destino.
Descemos, entretanto, pela costa até à zona da Cala d’Or, que fica a cerca de meia hora de viagem.

Cala d'Or

Esta urbanização desenvolve-se em torno de várias enseadas, uma delas ocupada por uma marina de recreio, enquanto as restantes dão lugar a pequenas praias de águas calmas e transparentes, muito procuradas tanto pelos habitantes locais como pelos turistas que escolhem esta zona para férias - entre elas, estão a Cala Ferrera, a Cala Esmeralda, a Cala Gran e a Cala Petita.

Todas estas praias da zona de Cala d'Or partilham características semelhantes: pequenas enseadas de areia clara, banhadas por um mar calmo de águas cristalinas azul-turquesa, enquadradas por falésias baixas e vegetação mediterrânica. Apesar da proximidade entre elas, cada cala possui a sua própria atmosfera, alternando entre ambientes mais tranquilos e recantos mais animados e familiares.

Como as praias são relativamente pequenas, nem sempre é fácil encontrar espaço no areal para estender a toalha, pelo que, por vezes, os rochedos acabam por ser a alternativa. Ainda assim, há sempre lugar para que todos desfrutem do mar.

Deixo aqui algumas fotografias destas calas, pela seguinte ordem: Cala Ferrera, Cala Esmeralda, Cala Gran e Cala Petita.



A zona da Cala d’Or mais distinta é o seu porto de recreio. A Marina de Cala d'Or é um dos pontos centrais desta zona turística de Maiorca, distinguindo-se pelo ambiente elegante e descontraído. Rodeada por edifícios de arquitetura branca tipicamente mediterrânica, concentra restaurantes, bares e esplanadas com vista para os iates e embarcações de recreio. A marina ocupa uma das enseadas naturais da Cala d'Or e contrasta com as restantes calas da região, que são usadas como praias.

Voltámos à estrada para mais um percurso, desta vez de pouco mais de 20 minutos, até duas das praias de que mais gostámos em toda a ilha, que ficam na enseada chamada de Cala Mondragó.

Calas Mondragó e S'Amarador

Chegamos de carro até à Cala Mondragó, onde fica a primeira praia, mas percorremos depois a pé um trilho entre pinheiros e vegetação mediterrânica, que nos leva até à Cala S'Amarador, e essa é a mais bonitas das duas.

De qualquer forma, ambas as praias são das mais bonitas e bem preservadas de toda a ilha de Maiorca. As duas praias destacam-se pela areia clara e fina e pelas águas cristalinas de tons azul-turquesa, o que é uma constante nesta ilha, mas neste caso encontra-se um ambiente ainda mais natural e protegido.
Apesar da proximidade, a Cala Mondragó é mais acessível e movimentada, pois muitos visitantes não querem fazer a caminhada até à outra praia. Mas é também bastante bonita, e partilha as mesmas águas azuis-turquesa e as mesmas paisagens da envolvente.

Durante o caminho pedonal que fazemos até à Cala S’Amarador começamos a apreciar as belas paisagens desta praia e a sentir uma atmosfera mais tranquila e selvagem.


Terminámos aqui este dia e também esta viagem por Mallorca, a maior das ilhas Baleares, que nos encantou e surpreendeu muito para além do que imaginávamos. Partimos com a ideia de encontrar praias extensas, cheias de gente, rodeadas por centros urbanos vibrantes e fortemente marcados pela vida noturna. Isso existe, de facto, mas a ilha revela muito mais do que esse ambiente frenético da noite. Descobrimos uma ilha feita de pequenos paraísos escondidos entre falésias, pinheiros e águas transparentes, onde cada cala parece guardar um segredo diferente.

Ao longo desta viagem fomos encontrando recantos de uma beleza quase irreal, com tons azul-turquesa e águas mornas que tantas vezes nos fizeram lembrar as Caraíbas, mas sempre com aquele charme mediterrânico tão próprio das Baleares. Cada enseada tinha a sua personalidade, o seu silêncio, a sua luz, e foi impossível não nos deixarmos conquistar por esta forma tão serena de viver o mar.

Foi aqui que nasceu o nosso fascínio pelas ilhas Baleares. Depois de Maiorca vieram Ibiza e Menorca, ilhas diferentes entre si, mas unidas pela mesma beleza mediterrânica, pelas praias deslumbrantes e pelas águas cristalinas. Para quem ainda não conhece este arquipélago, Maiorca é talvez o ponto de partida perfeito para começar essa descoberta.


Carlos Prestes
Junho de 1998

quarta-feira, 11 de março de 1998

Florida

No Inverno de 1998, aproveitando uma promoção da British Airways, completamente imprevisível mas também totalmente imperdível, partimos em direção à Florida para uma aventura no Disney World. Desta vez fomos em família, eu a Ana Lúcia e as minhas filhas mais velhas, a Alice e a Madalena, na altura com 7 e 5 anos, e também o Zé Amorim, com a Rosário e o Nuno.

(7 dias em Março de 1998)

Dia 1:
Voámos via Londres e chegámos ao aeroporto de Orlando numa tarde quente de Março, Inverno em Portugal mas praticamente Verão naquela zona da Florida. Depois de alugarmos uma van de 7 lugares, partimos à descoberta do admirável mundo do Disney World.
A sensação foi fantástica, como acontece sempre que embarcamos num clima invernio e, passadas apenas algumas horas, aterramos já em pleno Verão, não que estivéssemos no hemisfério Sul, porque não estávamos, mas sim pela proximidade face ao Golfo do México e ao mar das Caraíbas. Mais tarde concluiríamos que não iria ser sempre assim…..às vezes há surpresas.

Mas assim que chegámos ao hotel corremos a disfrutar de um banho de piscina de águas quase mornas, com que nem sequer sonharíamos ainda uma semana antes.

Foi desta forma que terminámos um dia enorme, com a travessia do atlântico, do Norte para o Sul, de Leste para Oeste e do Inverno para o Verão……tudo num único dia. 

Amanhã começamos a aventura.

Dia 2:
O Disney World é constituído por três parques principais, para além de outro tipo de atrações, (como parques aquáticos, com escorregas de água, por exemplo), mas também uma rede de hotéis e restaurantes, que servem de apoio a todo o complexo. As várias infraestruturas e os vários parques são ligados entre si por uma rede de estradas e uma linha de comboio monorail.
Os principais parques Disney são o Epcot Center, o MGM Studios (atualmente designado por Disney Studios) e o Magic Kingdom, a verdadeira terra dos sonhos.

No primeiro dia começámos pelo Epcot Center. Com a sua imagem dominada por uma esfera gigante, com a aparência de uma bola de golfe, este é o parque do futuro, com atrações diversas que recorrem às tecnologias mais vanguardistas à época (de notar que estávamos em 1998, ainda antes do início da nossa Expo, que nos veio mostrar algumas dessas novidades tecnológicas, até então desconhecidas).
O dia no parque foi deslumbrante, até mais para os adultos do que para as crianças. O parque é enorme e tem sobretudo duas grandes áreas, uma relacionada com vários países que aqui são homenageados e a outra área que comporta as atrações futuristas, com recursos tecnológicos de vanguarda.
Na área envolvente ao enorme lago dispõem-se pavilhões inspirados em vários países, e é como se fossemos percorrendo cada uma dessas zonas, pelos edifícios e réplicas de monumentos, mas também pelos cheiros, que resultam das comidas típicas nos restaurantes temáticos, ou pelas músicas que ecoam das colunas de som.

Mas a parte forte deste parque são as atrações que usam a tecnologia mais avançada, relacionadas com os vários ambientes do nosso planeta, os mares e a terra, e também sobre o espaço, e ainda as zonas designadas por Universe of Energy e Imagination, onde se encontram vários simuladores e se apresentam espetáculos com efeitos especiais e tecnologias de vanguarda. 

No Universe of Energy destaco uma viagem ao mundo dos dinossauros, numa floresta tropical que parecia real, pela vegetação e até pelo ambiente, quente e húmido. E de vez em quando éramos surpreendidos pela presença de alguns daqueles gigantes, como se fossem verdadeiros e ameaçadores. Era a tecnologia dos animatrónicos, uns bonecos com mecanismos robóticos que lhes permitem movimentar-se como se fossem reais. Como dizia a minha filha Alice, na altura com 7 anos: pai, tens que reconhecer que isto é muito assustador……e era mesmo, mas também completamente incrível.
Não faço aqui a descrição pormenorizada do parque, também porque já não me recordo dos detalhes, mas sobretudo porque estes parques vão evoluindo e, atualmente, certamente que serão bastante diferentes (por exemplo, não faz sentido referir os preços dos ingressos, já que hoje serão completamente diferentes). 
Ao final de cada dia a noite é aproveitada como elemento decorativo e as luzes vão dando nova roupagem aos ambientes, culminando num espetáculo de luz, imagem, som e fogo de artifício, que se realiza sobre as águas do lago.

Dia3:
O segundo parque escolhido, os Estúdios da MGM, aproxima-se mais do mundo da fantasia Disney, embora ainda com uma série de atrações associadas aos efeitos especiais utilizados na rodagem de filmes, mas já inclui um conjunto de espetáculos que reproduzem alguns dos desenhos animados de referência. 
A entrada no parque faz-se pela Hollywood Boulevard e sentimos logo que entrámos num ambiente dos estúdios de cinema.
A primeira atração chama-se The Great Movie Ride e leva-nos ao mundo do cinema com referências ao imaginário dos filmes de toda uma vida, tanto para as crianças, com as produções mais recentes, como era o caso do filme Mulan, que estava ainda na fase de produção dos desenhos de animação, como para os adultos, com referências aos filmes eternos, como Feiticeiro de Oz, Singing in the Rain ou Casablanca.
Ainda no ambiente da rodagem de filmes passámos pelas zonas de filmagens com efeitos especiais de dois dos clássicos da MGM.

O Indiana Jones, com uma cena cheia de tiros e explosões rodada ali bem perto de nós.
O Terramoto, onde fomos envolvidos no interior da simulação de um tremor de terra, com a destruição a acontecer no momento, provocando explosões e o rebentamento de um tanque, com as águas em enxurrada ameaçando perigosamente a nossa zona de observação.
O parque tem depois umas zonas com teatros onde passam espetáculos que são mini musicais do estilo Broadway, sempre com os temas dos filmes da Disney.

Assistimos à Pequena Sereia, à Bela e o Monstro e ao Crocunda de Notredame, o mais recente filme naquela época, que foram os momentos altos do dia, sobretudo para as miúdas.

Para os mais corajosos havia a Torre do Terror, onde nos levam sentados num elevador por uma casa assombrada, sujeitos a todo o tipo de aparições fantasmagóricas e que, de repente, dispara em queda livre pela torre abaixo, deixando os nossos estômagos lá em cima.
O final do dia neste parque é também celebrado com um espetáculo de encerramento fantástico, com música, luzes e fogos-de-artifício.

Dia 4:
Faltava ainda o parque dos sonhos, o Magic Kingdom, dominado pela presença do imenso palácio da Cinderela, com uma beleza que nos leva de imediato até ao mundo de fantasia de Walt Disney.
Foi um dia espantoso para as crianças, que deliraram em corrida atrás das personagens principais dos seus filmes favoritos, a quem lhes pedem autógrafos, como o caso da Pequena Sereia, a escolha mais apreciada, e neste caso nem foi preciso correr atrás dela mas antes esperar numa fila à entrada da gruta onde estava esticada, por razões óbvias de falta de mobilidade. Mas num parque Disney as figuras mais relevantes serão sempre a de Mickey Mouse e a sua Minnie, que também nos deram os respetivos autógrafos.
Entrámos pela Main Street, a rua principal, com o castelo ao fundo, a partir da qual chegamos a todos os locais da magia. 
É desta rua que, diariamente, começa a parada dos personagens Disney, que percorre todo o parque com carros alegóricos, cada um com o tema de cada filme animado……e que constitui uma das principais atrações do parque, sobretudo para os miúdos.
O Magic Kingdom é o parque das atrações mais clássicas da Disney, com referências, por exemplo, à Branca de Neve, à Alice no País das Maravilhas, ao Pinóquio, ao Peter Pan….com vários tipos de diversões, como carrosséis, montanhas russas ou circuitos que se fazem no interior dos ambientes recriados de cada filme de animação. Todas estas diversões estão localizadas em áreas temáticas distintas: Adventureland, Liberty Square, Tomorrowland, Frontierland e Fantasyland.
Dentro desta terra de sonhos é no Fantasyland que se encontram os sonhos de criança e onde estão as atrações que nos levam ao imaginário Disney mais infantil.

No Tomorrowland encontramos uma das montanhas russas mais famosa de todo o Disney World, o Space Mountain. O Frontierland é também bastante interessante, e recria um ambiente entre o Farwest e o Rio Mississipi, com referências aos cowboys e ao mundo de Mark Twain, com os seus heróis, Tom Sawyer e Huckleberry Finn.


À medida que o sol se vai pondo, o parque adquire novas cores. A parada da noite, ou Electrical Parade, é uma festa de luz e cor inesquecível…….e precede o espetáculo de encerramento mais fascinante de todos os três parques, com as luzes e o fogo de artifício enquadrados com a imagem do castelo da Cinderela, recriando um ambiente que parece ser magia de verdade.



O último dia de diversões terminou, depois de termos percorrido tudo o que havia para percorrer, depois de uma exaustão quase inacreditável, com o acumular destes três dias, mas o que se guarda, acima de tudo, é uma satisfação quase indescritível.


Neste último dia tivemos uma mudança súbita do clima, uma grande surpresa, que vou aqui referir apenas para alertar que os planos nem sempre saem perfeitos, e temos que nos saber adaptar a realidades diferentes. Neste caso tínhamos ouvido na véspera nos telejornais que existia uma onda de frio na costa Leste dos Estados Unidos. Por exemplo, em Chicago, o aeroporto estava fechado devido ao gelo, e na Florida previam-se temperaturas mínimas de 31o Fahrenheit.

Ui….pensámos nós, 31º F devem ser p’raí uns 15º Celcius, se calhar é melhor levar umas sweats na mochila…..mas para mim não é necessário nada, eu vou de calções que não tenho frio nas pernas. Mas 31ºF não são 15 Celcius, são -1º. Por isso o dia foi incrivelmente frio e não estávamos preparados. Tivemos que recorrer ao merchandising disponível para tentar comprar tudo o que nos pudesse aquecer. Só as minhas pernas é que eu não consegui tapar, mas foi bem merecido……reconheço.

Dia 5:
Ainda nos sobravam mais dois dias livres até ao regresso. Assim, neste dia iríamos visitar a cidade de Orlando e chegaríamos até à costa do Atlântico.

Mas a principal atração do dia seria a visita a Cape Canaveral, de onde os americanos fazem sair os seus foguetões com aeronaves e Space Shuttles, para o espaço e, em tempos, mesmo até à lua. 
Saímos de manhã em direção a Orlando para uma visita rápida. A cidade não acrescentou absolutamente nada, parámos no downtown e percebemos que não se tratava de uma grande cidade e não justificava uma visita mais demorada.

Chegados depois a Cape Canaveral, fizemos a visita turística ao complexo, numa zona onde se expõem naves e foguetões antigos e se conseguem ver, a uma certa distância, os locais de lançamento que são atualmente utilizados.

A principal atração é um Space Shuttle, onde podemos entrar e visitar o espaço que tem albergado os astronautas nas principais missões espaciais das últimas décadas. Depois de terem acontecido dois acidentes com a destruição dos respetivos Space Shuttles e com a morte de todos os tripulantes, o governo americano suspendeu as missões com este tipo de aeronaves. Há também um conjunto de outro tipo de naves espaciais que estão expostas nos espaços exteriores do complexo.


É estranho porque nos custa a acreditar que aquelas geringonças, ou outras semelhantes, tenham alguma vez ido até ao espaço e não sejam meros adereços de filmagens para Hollywood. De qualquer forma e apesar dessa sensação de que nada daquilo é real, para quem vier ao Disney World, esta é uma visita imperdível porque, na verdade, foram mesmo naquelas latinhas, ou noutras semelhantes, que os astronautas se lançaram espaço fora.


Seguimos depois pela costa da Florida, numa zona a norte, sem o interesse turístico das praias de Miami ou Palm Beach. Ao longo da costa fomos percorrendo várias zonas de praia, embora o clima não nos tenha ajudado, com as nuvens que cobriam a zona tudo se tornou completamente cinzento, em vez das cores de azul vivo que seriam previsíveis encontrar naquelas águas. 

Descemos a costa até à Indian Harbour Beach, tendo regressado depois à zona do hotel no Disney World.

Dia 6:
Aproveitámos este último dia para visitar um outro parque de diversões, fora do mundo Disney, embora na mesma zona de Orlando.

A opção mais lógica seria escolher o parque da Universal Studios, que é um parque fantástico, com uma oferta que tenta competir com a liderança natural da Disney, e que tem mesmo algumas diversões que superam as mais famosas atrações dos parques da Disney. 

Contudo, achámos que seria mais do mesmo e tentámos um dia mais calmo, de forma a que sobrasse também algum tempo para compras.….que é quase um vício para quem visita os Estados Unidos. 

Assim, optámos pelo Sea World.
Trata-se de um imenso parque de vida marinha, ao estilo do Zoomarine do Algarve, mas muito maior e muito mais fantástico. Tem os habituais shows de golfinhos e leões-marinhos, enormes aquários, espaços para interação com os animais e algumas diversões semelhantes a montanhas russas.
Os grandes tanques de aquário têm um acesso privilegiado através de um túnel de vidro, que nos permite observar aquele mundo marinho como se fizéssemos parte dele……chegámos mesmo a estar rodeados de tubarões numa das zonas do tanque.
Mas este parque tem uma atração muito especial, o show das orcas. Semelhante ao dos golfinhos, este show é feito com enormes orcas, as chamadas baleias assassinas, o que faz com que o espetáculo esteja associado a um clima de algum risco, em que os tratadores adquirem o estatuto de domadores de leões. (registo que, em 2010, uma orca macho, a maior do parque, atacou e matou a sua treinadora em pleno espetáculo). Neste caso, o show correu na perfeição, sem quaisquer sustos, a menos da parte em que uma baleia gigante, que era apresentada como tendo entrado nos filmes da sequela, Libertem a Willy, molhava propositadamente a metade inferior da bancada. Num dia normal de Verão até seria agradável para nos refrescar, mas face à onda de frio que estávamos a viver, quem ficou molhado não gostou nada.

O parque tem depois imensas diversões, mas tinha várias zonas em obras, adivinhando-se a abertura de novas atrações em pouco tempo. Por isso, não vou descrever tudo o que vimos naquela altura porque, certamente estaria muito desatualizado.

Mas refiro-me apenas às atrações mais interessantes à época, para além do show das orcas e do aquário dos tubarões, gostámos muito da zona da Antártida, chamada o Império dos Pinguins, onde sentimos um frio polar passando junto dos pinguins imperadores, que nos pareciam estar perfeitamente no seu habitat natural.
Gostámos também das zonas de leões-marinhos e de golfinhos, que pareciam quase naturais de tão bem integrados na paisagem, onde podíamos interagir com os aninais livremente, por exemplo, chegámos a fazer festas no dorso dos golfinhos.


A meio da tarde saímos do parque e partimos para mais uma diversão típica nos Estados Unidos……as compras, sobretudo os outlets.

Pelo caminho, ao longo da International Drive, encontrámos uma casa museu perfeitamente incrível, construída como se tivesse sido arrancada pelas fundações e virada ao contrário.
No outlet escolhido existiam duas mega lojas que me fizeram perder a cabeça, as lojas da Calvin Klein e, sobretudo, da Gant.

Naquela época o dólar estava em baixa e os preços da maioria dos artigos eram espantosamente baratos. A oferta das lojas era incrível, todas as cores, todos os tamanhos…….queria trazer tudo para Portugal, a grande dificuldade foi saber parar e ter que fazer escolhas. 

Registo apenas que não sou propriamente adepto dos outlets americanos. Aliás, nas outras visitas que fiz aos Estados Unidos nunca me deixei levar pela loucura das compras…….mas há que reconhecer que uma megastore Gant a preços incrivelmente baixos, é de fazer qualquer um perder a cabeça.



Havia apenas mais uma noite para aproveitar, porque as noites eram sempre um ponto alto de cada dia…..para os adultos, porque as crianças fizeram o pleno, dormindo em todos os restaurantes onde as levámos.

Mas é indiscutível que aquela zona nos oferece uma outra atração, como em todo o país, que é o conjunto de restaurantes com a típica comida americana, que nada tem a ver com fast-food, mas muito mais com influências dos paladares mexicanos…..os nachos, as enxilhadas, mas também os hamburgers de “pounds” à escolha, as baby ribs e muito mais. Sempre com a típica cerveja americana, a Bud Weiser (mais tarde apenas designada por Bud, devido às guerras de patentes com a marca original, da República Checa).
Alguns dos restaurantes na envolvente do mundo Disney são, eles próprios, parte do cenário de fantasia, e foram sobretudo esses que acabámos por escolher para os nossos jantares. 
Um dos mais emblemáticos é o Planet Hollywood, dentro de um enorme globo terrestre……onde fomos neste último dia para nos despedirmos em beleza.
Terminámos o dia e terminámos também esta viagem fantástica, com um extraordinário efeito surpresa, porque não foi minimamente uma decisão planeada com tempo, foi tomada por impulso, de um dia para o outro…..até as miúdas estavam em aulas, e tiveram que faltar.


Viajámos pela terra dos sonhos, as crianças deliraram, porque são crianças e nós, os adultos, delirámos também, porque este mundo de fantasia nos fez voltar outra vez a ser crianças……e não há melhor sensação. No dia seguinte partiríamos, primeiro para Londres e depois para Lisboa……para o Norte, para o frio, para o Inverno, para as nossas escolas, os nossos trabalhos…….para fora do mundo dos sonhos entrando definitivamente no mundo real, de onde tínhamos fugido numa escapadela que ficou gravada nas nossas memórias e nos nossos corações, onde perdurará por muito tempo.

Carlos Prestes
Março de 1998