terça-feira, 7 de julho de 2015

Düsseldorf


Durante alguns anos, no fim do século XX, visitei a cidade de Dusseldorf para participar em reuniões de trabalho, e foi na companhia dos colegas alemães com quem trabalhava naquela época, que fui conhecendo o centro desta cidade. Na altura, o que mais me impressionou foi a vivência dos seus habitantes, que saem diariamente dos seus escritórios pouco depois das 16h, e enchem a Altstadt, a cidade velha, junto às mesas das esplanadas que preenchem, quase por completo, algumas das ruas deste bairro.

Para quem quiser viver essa experiência sugiro que apareça ao final da tarde para tomar uma cerveja numa esplanada, por exemplo, na Bolkerstraße, uma das ruas mais frequentadas e repleta de bares, restaurantes e cervejarias com mesas ao ar livre, sempre animadas e cheias de vida. Esta é uma das ruas pedonais que faz parte de um núcleo que é designado por “längste Theke der Welt” - que significa, “a maior bancada de bar do mundo”.
Mas Dusseldorf não é só cerveja e bares de ruas, é uma cidade com uma história rica e que desempenha um papel importante na atual Alemanha.

Düsseldorf nasceu à beira do seu rio, o Reno, a partir de um pequeno povoado de pescadores. Em 1288, após a Batalha de Worringen, recebeu oficialmente o estatuto de cidade, marcando o início da sua história urbana. Durante toda a Idade Média, cresceu como centro comercial e administrativo, beneficiando da sua posição estratégica junto ao rio.

No século XVII, sob o governo do príncipe-eleitor Johann Wilhelm II, Düsseldorf viveu um período de grande esplendor, atraindo artistas e arquitetos e foi assim que se consolidou como centro cultural.

No século XIX, já integrada no Reino da Prússia, ganhou força como polo industrial ligado às siderurgias e indústria química. Ao mesmo tempo, consolidou a sua vocação como cidade de feiras e exposições internacionais.

A Segunda Guerra Mundial trouxe a destruição provocada pelos bombardeamentos aliados, mas, no pós-guerra, Düsseldorf foi rapidamente reconstruída e transformada numa cidade moderna, mas sem perder alguns dos seus marcos históricos.

Hoje, a cidade é a capital do estado da Renânia do Norte-Vestfália, a região mais populosa e economicamente poderosa da Alemanha, e reconhecida como centro financeiro e de negócios.

De vila medieval à beira do Reno, Düsseldorf representa hoje uma metrópole internacional e um dos motores económicos e culturais da Alemanha contemporânea.

Em 2015 voltei à cidade quando descia o rio Reno, numa viagem pelo Benelux e o Vale do Reno e, desta vez, tive oportunidade para seguir um roteiro mais organizado, passando pelas principais atrações da cidade, e não ficando apenas no centro, aproveitando o tal bar de rua que é o maior do mundo. E foi este o roteiro que seguimos enquanto visitávamos a cidade de Dusseldorf:
 
Desta vez, deixámos o carro numa das extremidades da cidade, perto da ponte de Rheinknie, e começámos a nossa caminhada pela marginal que se forma ao longo da margem direita do Reno.

Começámos o passeio pelo Rheinturm e a Rheinkniebrücke, uma torre de telecomunicações e uma ponte, que, em conjunto, formam um dos cartões-postais mais reconhecidos da cidade.

A Rheinturm é uma torre de telecomunicações com 240m de altura, que funciona também como miradouro panorâmico, de onde se alcança uma vista incrível sobre o Reno, chegando até à cidade vizinha de Colónia nos dias mais claros.

Quanto à ponte, a Rheinkniebrücke, é uma das duas pontes que atravessam o Reno na zona da cidade, mas esta tem uma imagem diferenciada, com o seu mastro central e os tirantes que fixam o tabuleiro.
Seguimos depois pela marginal, a Rheinuferpromenade, que é um dos espaços mais agradáveis da cidade para passear, relaxar e sentir o ritmo local. Trata-se de uma longa avenida junto ao Reno, reservada a peões e bicicletas, construída nos anos 1990 quando parte da autoestrada que cortava a zona foi desviada para um túnel, devolvendo a frente ribeirinha às pessoas.

Ao caminharmos por esta marginal, temos sempre o rio Reno de um lado e, do outro, cafés, bares e restaurantes com esplanadas convidativas. O ambiente é descontraído, com famílias, turistas, ciclistas e artistas de rua.
Quando por aqui andei, algumas vezes era até Inverno, as esplanadas exibiam enormes aquecedores a gás para atenuar o frio, mas não deixavam de estar sempre cheias de alemães, que queriam usufruir deste estilo de vida ao ar livre que aqui é tão aproveitado.

Mas neste dia de julho, inesperadamente quente, com temperaturas acima dos 35ºC, este passeio pedonal estava quase transformado numa zona de praia. Para além dos espaços relvados, que estavam cheios de gente a apanhar banhos de sol, havia algumas zonas junto às esplanadas com areia branca  e mesmo recipientes de água onde alguns clientes se deixavam ficar com os pés de molho. Nas esplanadas, várias mangueiras deixavam sair esguichos de água que pulverizavam o ar para refrescar quem passava, fazendo lembrar o hábito andaluz nas tórridas “calles” de Sevilha.
Ao final da tarde, quando o calor começa a abrandar, esta marginal continua atrativa para quem quiser contemplar as cores do entardecer, nestas bonitas paisagens.
De seguida fizemos um pequeno desvio na direção do coração histórico da cidade, até chegarmos à praça do município, a Marktplatz, onde está o edifício da Rathaus, a Câmara Municipal da cidade.

No centro da praça encontra-se a estátua de Jan Wellem, o príncipe-eleitor que transformou Düsseldorf num importante centro cultural e político no final do século XVII, e um dos símbolos da cidade.

À volta dispõe-se o belo edifício do Rathaus, que foi erguido em 1573 em estilo renascentista e que foi sendo ampliado e remodelado ao longo dos anos, mantendo ainda hoje um aspeto clássico, todo em tijolo à vista, que contrasta com a Düsseldorf mais moderna.
Votando de novo até à margem do rio, encontramos o Schifffahrt Museum, que está instalado numa antiga torre da cidade, a Schlossturm.

O Schifffahrt Museum é o Museu da Navegação de Düsseldorf, e é dedicado à história do Reno e à importância da navegação fluvial para a cidade e para a região.

O museu está instalado no Schlossturm, a antiga torre do palácio dos condes de Berg, e foi construída no século XIII, mantendo ainda alguns elementos medievais.

No interior, o museu apresenta exposições sobre a evolução da navegação ao longo dos séculos, desde barcos medievais, comércio e transporte no Reno, até à tecnologia moderna e o impacto económico da navegação. Há também modelos de navios, instrumentos de navegação e recursos multimédia interativos.
Bem pertinho desta torre ergue-se a Basílica de St. Lambertus, uma igreja que foi construída no século XIII em estilo gótico, e que é famosa pela sua torre torcida, um dos símbolos da cidade.

A torre ganhou essa forma peculiar após um incêndio no século XIX, e durante a reconstrução, com a madeira ainda húmida, a estrutura acabou por entortar com o tempo, criando a silhueta retorcida que hoje distingue a igreja e alimenta várias lendas locais… uma das lendas mais conhecidas diz que a torre se endireitará no dia em que uma noiva virgem se casar nesta igreja, algo que, segundo os locais, ainda não aconteceu.
O interior da igreja é sóbrio e ao mesmo tempo imponente, com elementos góticos e barrocos, destacando-se o altar-mor e os túmulos dos duques de Berg.

Embora a torre da Basílica de St. Lambertus seja visível do lado da marginal direita do rio, se quisermos apreciar devidamente a sua imagem, será melhor atravessarmos o rio até à margem esquerda, de onde podemos ter uma panorâmica completa desta zona da igreja.
Na proximidade da basílica encontramos o Stadterhebungs Monument, uma escultura moderna que conta a história da fundação da cidade em 1288.

Trata-se de um monumento artístico, inaugurado em 1988, ano em que a cidade celebrou os 700 anos da sua fundação oficial, ocorrida em 1288. A escultura foi criada pelo artista Bert Gerresheim e é um verdadeiro “quadro em bronze” que narra, de forma dramática e expressiva, a história da Batalha de Worringen, uma batalha que ocorreu em 1288 e foi decisiva para a fundação da cidade, após a vitória do conde de Berg e dos cidadãos aliados, o que resultou na fundação de Düsseldorf com o estatuto de cidade.

O monumento apresenta figuras em movimento, cenas de combate, personagens históricos e símbolos religiosos, criando uma composição densa e cheia de detalhes que podemos explorar. É ao mesmo tempo uma obra de arte contemporânea e um memorial histórico, lembrando como uma pequena povoação de pescadores se tornou numa cidade livre e com identidade própria.
Continuámos pela Mühlenstraße, uma rua que liga a zona velha do Altstadt ao Reno, onde se sente o ritmo local, com as suas e lojas e cafés.

Nesta rua encontra-se a fachada principal de um dos hotéis de referência da cidade, o The Wellem. Trata-se de um hotel de luxo instalado no edifício de um antigo tribunal. Mesmo não ficando ali hospedados, a arquitetura é impressionante e é uma boa desculpa para entrarmos e tomarmos um café num dos seus espaços elegantes… se quisermos ser assaltados pelo que nos vão cobrar por um café. Se não nos quisermos arriscar, podemos ficar apenas pelo exterior, apreciando a fachada principal, imponente e clássica, com grandes colunas e um portal majestoso, refletindo o antigo edifício do tribunal.
Continuando um pouco mais para o interior vamos chegar ao German Oper am Rhein, a casa de ópera da cidade, que tem todos os anos uma programação de renome. Se não formos assistir a um espetáculo, pelo menos devemos passar por ali para admirar o edifício modernista e o ambiente cultural ao seu redor.
Daqui, rumamos à Galeria Düsseldorf Königsallee, um enorme e sofisticado centro comercial, que fica na avenida mais famosa da cidade, a Heinrich-Heine-Allee.
Muito perto deste shopping entramos na Königsallee, a rua das lojas de luxo e dos cafés chiques, e do canal arborizado, o Stadtgraben, por onde passeámos sem pressa, entre as vitrines das ruas e as pontes elegantes que cruzam o canal.
Voltámos de novo à cidade velha, o Altstadt, e chegámos à Carlsplatz Market, um mercado histórico cheio de bancas de flores, queijos, vinhos e pratos típicos, que é um ótimo lugar para almoçar ou petiscar.
E para terminar voltámos às principais ruas de comércio, como a Mittelstraße, e às ruas de bares e restaurantes, que formam o já mencionado “maior bar do mundo”, de que faz parte a Berger Straße, ou a Bolkerstraße, esta última com cerca de 300m pedonais ocupados por mais de 50 bares, restaurantes e esplanadas, ligados continuamente como se fosse sempre o mesmo bar… o tal que é apelidado do maior do mundo.


Acabámos aqui este dia de visita à cidade de Dusseldorf, e terminámos também a viagem que fizemos ao longo do vale do Reno. Faltava agora percorrer os 230km até chegarmos a Amesterdão, primeiro ao aeroporto para entregarmos o carro alugado, e depois, já de transportes públicos, com destino à capital dos Países Baixos, onde iríamos passar os próximos três dias que nos restavam desta viagem.


Carlos Prestes
Julho de 2015




segunda-feira, 6 de julho de 2015

Colónia


Saindo de Bona e continuando o trajeto ao longo da descida do rio Reno, iríamos agora visitar a maior das cidades alemãs desta zona, trata-se da cidade de Köln, ou Colónia.

Fizemos o check-in num hotel perto da Estação Central, e da imensa e majestosa catedral, que coincide com a entrada no centro histórico, onde as pessoas enchem as ruas, praças e os espaços verdes junto às margens do rio, num ambiente animadíssimo.

A primeira imagem deste centro histórico foi uma recordação nostálgica da minha primeira paragem nesta cidade, quando ali estive há muitos anos atrás, chegando de comboio à Hauptbahnhof, a grandiosa estação de caminho-de-ferro, localizada junto à praça da catedral. Nessa altura, era ainda madrugada, enquanto o comboio onde vinha, de Munique para Amesterdão, fazia ali uma paragem noturna. Resolvi dar um salto até à porta da estação e fiquei estarrecido com a imponência daquela imensa catedral que ali se erguia totalmente iluminada. Foi uma imagem que guardei como algo quase místico que me tinha aparecido inesperadamente a meio da noite, mal tinha acabado de acordar, quase sem saber se aquilo era realidade ou era a construção de algum sonho. E durante muitos anos guardei essa imagem difusa daquela grande catedral a surgir ali à porta da estação, imaginando se seria mesmo verdade ou se tudo teria sido distorcido, pelo sono e pelas trevas. Mas não, ao fim de todo este tempo pude confirmar que à porta da estação está ali mesmo aquela imensa catedral, quase fantasmagórica, que nos oprime quando a contemplamos dali de baixo.
Colónia é uma cidade que combina um lastro histórico milenar com uma atmosfera animada e descontraída. Situada junto às margens do mítico rio Reno, foi fundada pelos romanos no ano 50 d.C. e, desde então, tornou-se um ponto de encontro de culturas, comércio e tradições. O seu grande símbolo é a sua imponente Catedral, um dos monumentos góticos mais impressionantes da Europa, que levou séculos a ser concluída e hoje encanta milhões de visitantes. Ao longo dos séculos, Colónia sobreviveu a guerras, ocupações e destruições, mas sempre renasceu com energia renovada. Depois da devastação da Segunda Guerra Mundial, a cidade foi reconstruída e transformou-se num centro moderno e acolhedor, onde a herança histórica convive com a vida cosmopolita. Atualmente, Colónia é famosa pela animação que se encontra nas suas ruas, mas também pela sua arquitetura majestosa, bem visível quando apreciamos a silhueta do seu centro histórico a partir da margem direita do Reno.
Voltando ao ano de 2015, começámos a nossa visita à cidade exatamente no mesmo local onde a tinha visto pela primeira vez, na Kölner Hauptbahnhof, a Estação Central de Colónia, que é uma das mais movimentadas estações ferroviárias da Alemanha, por onde passam diariamente mais de 300 mil viajantes… grande parte deles vêm de Sudeste, através da ligação sobre a ponte de Hohenzollern que cruza o rio Reno, também ela um dos principais símbolos da cidade.
O edifício da estação é ainda uma importante obra de engenharia, concebido com várias naves de grandes dimensões, com cúpulas construídas em estrutura metálica, que lhe conferem uma dimensão majestosa.
À saída da estação para o seu pátio principal, estende-se uma escada de nos leva diretamente até à magnífica Catedral de Colónia, e é a partir daí que começa o nosso percurso, passando pelos pontos principais da cidade, que se representam neste mapa:
 
A grande catedral da cidade e o seu principal símbolo, a Kölner Dom, é um monumento considerado pela UNESCO como património da humanidade, e é também a terceira igreja mais alta do mundo. Atualmente atrai mais de seis milhões de turistas por ano, o que lhe dá o estatuto do local turístico mais visitado da Alemanha. A sua principal fachada é algo perfeitamente colossal e merece ser observada detalhadamente, para que seja possível entendermos a preciosidade dos pormenores que ali foram esculpidos.
A construção desta igreja, que é católica e dedicada a São Pedro e à Nossa Senhora, foi feita em estilo gótico e começou no século XIII, tendo demorado mais de 600 anos para ser acabada. A sua nave central tem um comprimento de 144m e uma largura de 86m, e as duas torres têm 157m de altura. Quando foi concluída, em 1880, era o edifício mais alto do mundo.
Na Segunda Guerra Mundial a catedral sofreu 14 ataques de bombardeamentos aéreos por parte dos aliados, mas, ainda assim, nunca caiu completamente, ao contrário da vizinha ponte ferroviária, a Hohenzollernbrücke, que ficou completamente destruída.
    
De qualquer forma, esta igreja foi sujeita a obras de reconstrução profundas no pós-guerra, que foram acabadas apenas em 1956, quando a Catedral adquiriu o aspeto que apresenta nos dias de hoje, embora seja frequentemente sujeita a trabalhos de restauro, o que acaba por perturbar a sua imagem com os sempre inconvenientes andaimes que forram os monumentos mais emblemáticos das grandes cidades por essa Europa fora.

O interior da Catedral impressiona tanto quanto a sua grandiosa fachada. Ao entrarmos somos imediatamente envolvidos pela dimensão daquele espaço, com as naves altíssimas e as colunas esbeltas que se parecem elevar até ao céu. A luz que atravessa os magníficos vitrais, alguns deles medievais e outros modernos, cria um ambiente místico e colorido.

Segundo uma lenda que envolve esta Catedral, no seu interior estará guardado o relicário de ouro com os restos mortais dos Três Reis Magos - Baltazar, Belchior e Gaspar. Conta a história que, em 1164, foram trazidas de Milão as supostas ossadas dos Três Reis Magos e que as mesmas estarão guardadas atrás do altar, numa arca de ouro e prata, ornamentada com pedras preciosas. A arca está lá, as ossadas talvez também lá estejam, agora se são ou não dos Reis Magos, isso já dependerá da fé de cada um.
No pátio de entrada da Catedral destacam-se duas obras de arte relevantes. O chamado Kreuzblume, que é uma reprodução à escala natural do pináculo de cada uma das duas torres; e a magnífica porta gótica da entrada da igreja.
    
Saindo da catedral atravessámos a Praça Domplatte e entrámos no posto oficial de vendas da Água-de-colónia 4711, embora o edifício original da perfumaria desta marca fique na rua Glockengasse, justamente no nº 4711, a apenas 600m da Domplatte. Comprámos um frasquinho desta famosa água-de-colónia, um tipo de perfume mais suave, composto por uma solução de óleos de perfume, entre 2% e 4%, diluídos em etanol. Quando foram testados pela primeira vez, estes novos aromas eram bastante inovadores, pois tratavam-se de fragrâncias muito frescas, em comparação com os aromas bastante mais fortes dos perfumes que se usavam à época. A criação deste líquido de aroma suave aconteceu exatamente na cidade de Colónia, o que lhe deu o nome que ainda hoje se mantém de água-de-colónia.

A marca da flagrância Nº 4711, a água-de-colónia da empresa alemã Mäurer & Wirtz GmbH & Co, obteve a denominação da empresa e respetiva marca devido à morada do edifício da sua loja original, na Rua Glockengasse nº 4711, bem no centro da cidade de Colónia.
Saímos da Domplatte na direção do rio, passando pelo complexo que inclui o Museum Ludwig e a Cologne Philharmonie, dois dos grandes marcos culturais de Colónia, localizados lado a lado.

O Museum Ludwig é um dos mais importantes museus de arte moderna e contemporânea da Europa. A sua coleção é especialmente famosa pelo vasto conjunto de obras de Pablo Picasso, um dos maiores fora de Espanha. O museu acolhe também exposições temporárias de grande relevância, além de obras de mestres como Dalí, Miró e Kandinsky, tornando-se um ponto de encontro essencial para os amantes da arte moderna.

Logo ao lado, encontra-se a Cologne Philharmonie, uma sala de concertos inaugurada em 1986, com arquitetura moderna e uma acústica de excelência. O seu programa é diversificado, desde grandes concertos de música clássica até ao jazz.
Atravessámos o rio através da Hohenzollernbrücke, a ponte ferroviária mais utilizada em toda a Alemanha, que cruza o rio Reno junto à estação e que é também um dos principais símbolos da cidade de Colónia, funcionando num conjunto harmonioso com a catedral, pelo enquadramento paisagístico e porque o alinhamento central da ponte coincide exatamente com o eixo central da nave da catedral.
Originalmente, a ponte era já ferroviária, mas também rodoviária, no entanto, após a sua destruição em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e após a posterior reconstrução, passou a ser exclusiva para o transporte ferroviário e tráfego pedonal. A ponte foi construída em 1911 e é formada por três vãos em arcos formados por treliças metálicas, de onde se suspendem as lajes dos tabuleiros, que acomodam quatro vias férreas e dois passadiços pedonais.
Os passadiços pedonais são caracterizados pelos muitos milhares de cadeados que estão presos aos guarda-corpos interiores de cada um deles, num gesto que muitos casais de namorados escolheram para selar o seu amor, prendendo à ponte um cadeado que simboliza a ligação entre eles e deitando a chave ao rio e, dessa forma, garantindo que essa ligação jamais se irá romper… mas é bom que não confiem apenas nos cadeados e façam mais alguma coisa no dia-a-dia para manter a relação forte e unida… digo eu.
Depois de atravessar o rio percorremos a margem Sul onde se destaca, sobretudo, o chamado Boulevoir do Reno, ou Rheinboulevard.

É um dos espaços mais agradáveis e animados de Colónia para se passear à beira-rio, ou permanecer nos degraus da imensa bancada que ali foi construída, observando as pontes que cruzam o Reno e as paisagens do centro histórico, com as suas torres góticas.

Esta infraestrutura tinha sido inaugurado em 2015, o ano em que visitámos a cidade, disponibilizando zonas ajardinadas, ciclovias, cafés e os tais degraus de pedra que descem em direção à água, criando um autêntico anfiteatro urbano. Nos dias de sol, o local enche-se de moradores e turistas que relaxam, conversam, fazem piqueniques ou simplesmente apreciam o pôr-do-sol sobre a cidade.

Junto a esta marginal fica uma bonita igreja ortodoxa, a Alt St. Heribert. Foi construída no início do século XI como parte de um mosteiro beneditino, erguido em honra de São Heriberto, arcebispo de Colónia e chanceler do Sacro Império Romano-Germânico, que faleceu em 1021 e foi canonizado pouco depois.
Voltámos de novo para a margem esquerda, onde fica o centro histórico, cruzando dessa vez a Deutzer Brücke, uma ponte rodoviária que atravessa o Reno. Ao longo deste percurso somos acompanhados permanentemente pelas mais belas paisagens que podem ser contempladas em Colónia, que enquadram as maiores atrações arquitetónicas desta cidade.

Para além da ponte ferroviária, são visíveis os contornos da Cidade Velha, de onde se destaca a igreja de Sankt Martin e, claro, a imponente Catedral de Colónia.
Chegados à margem Norte entramos no coração da Cidade Velha, com as suas casas típicas e os espaços verdes junto ao rio, na zona do Fischmarkt. Mais atrás fica o Alter Markt e a praça da Câmara Municipal da cidade, o Historisches Rathaus.

Bem no meio do aglomerado de casas que formam a cidade velha, sobressai a Gross Sankt Martin, a grande Igreja de Saint Martin, uma igreja românica católica cuja origem dos atuais edifícios remonta ao século XII. A igreja foi muito danificada na Segunda Guerra Mundial tendo sido sujeita a trabalhos de restauração profundos que foram concluídos em 1985.
Toda esta envolvente da cidade velha é uma zona bastante animada, cheia de restaurantes, bares e esplanadas, onde se misturam habitantes e turistas, e onde se destacam algumas casas coloridas, que são uma marca desta parte do centro histórico que é conhecida como o Old Fish Market.
Por detrás da cidade velha, surgem uma série de ruas mais modernas que são atualmente uma espécie de centro comercial contínuo, estando quase totalmente preenchidas por lojas, principalmente das grandes marcas de roupa.

De todas essas ruas destacam-se a Schildergasse e a Hohe Straße, a principal rua comercial de Colónia, que constitui o trajeto pedonal entre o centro de comércio e a zona da catedral.

No meio destas ruas do centro encontrámos agora o Nº 4711 da Rua Glockengasse, onde fica o edifício original da perfumaria da Água-de-Colónia 4711, um belo edifício de uma referência local, e uma fragrância que foi associada ao nome da própria cidade.
Neste dia a cidade estava diferente do habitual, preparava-se uma festa do orgulho-gay e, por isso, as ruas estavam muito animadas e preenchidas de uma forma um bocadinho peculiar, com muita cor, muitas bandeiras arco-íris e com muita gente… digamos que, “orgulhosa”.
Saímos de novo do centro até à praça Domplatte, junto à Catedral, onde terminámos a visita à cidade.

Voltámos ainda durante a noite e jantámos numa das cervejarias locais, onde experimentámos a típica comida alemã, como as salsichas ou os schnitzels. Quanto às cervejas, aqui na Alemanha costumo escolher a weizenbier, uma cerveja de trigo que foi sempre a minha escolha preferida, mas aqui em Colónia há uma especialidade local que devemos experimentar, a kölsch, uma cerveja local que será a escolha natural para que visite a cidade, e é também a preferência dos seus habitantes.

Depois disso, e porque aqui em julho a noite demora a chegar, deixámo-nos ficar até perto da meia-noite para conseguirmos assistir a um pôr-do-sol verdadeiro, de modo a que a escuridão da noite se instalasse, fazendo realçar algumas imagens lindíssimas que a noite de Colónia nos oferece, com os principais monumentos iluminados, sobretudo a igreja de Sankt Martin, e o conjunto formado pela Catedral e pela ponte metálica­­ Hohenzollernbrücke, proporcionando uma paisagem magnífica.


Feita uma avaliação à posteriori desta viagem pelo Vale do Reno, considero que Colónia é claramente a cidade mais interessante deste percurso ao longo do rio e aquela que nos oferece um conjunto mais rico de atrações, desde logo a sua magnífica catedral, mas é também a cidade mais animada e mais acolhedora.


Carlos Prestes
Julho de 2015




domingo, 5 de julho de 2015

Bona


Ao fim de cerca de 90 km pelo Vale do Reno, acompanhando o rio na sua descida até ao mar, chegámos à cidade de Bona, a antiga capital da República Federal Alemã, antes da reunificação que se verificou após a queda do muro de Berlim em 1989.

Percorremos o centro histórico da cidade, que não é mais do que um conjunto de edifícios monumentais, dispostos em meia dúzia de praças e ruas bastante bonitas, mas semelhantes às da maioria das cidades alemãs... embora, neste caso, sejam visíveis várias alusões à sua figura maior, o compositor Ludwig van Beethoven.

Resolvemos percorrer a pequena teia de ruas e praças da cidade, com destaque para o seu centro histórico e para a Münsterplatz, onde encontramos a estátua de Beethoven… que nos recebe como anfitrião de quem ali chega.
O percurso que fomos fazendo durante esta tarde começou justamente nas margens do Reno, que tínhamos vindo a seguir de Sul para Norte. Entrámos depois no centro da cidade e seguimos aproximadamente os trajetos representados neste mapa:
 

Mas ainda antes de começar a descrição daquilo que encontrámos nesta cidade, vou recordar um pouco da sua história.

Bona é uma cidade encantadora às margens do Reno, com mais de dois mil anos de história. A sua origem remonta ao tempo dos romanos, que fundaram aqui um acampamento militar por volta do século 11 a.C. Mais tarde, durante a Idade Média, Bona tornou-se residência dos príncipes-eleitores de Colónia e ganhou destaque com a construção do Bonner Münster, uma das catedrais mais antigas da Alemanha.

Nos séculos seguintes floresceu como cidade barroca, enriquecida pelos seus palácios elegantes como o Kurfürstliches Schloss e o Poppelsdorfer Schloss.

No entanto, o nome de Bona ficou especialmente ligado à música, por ter ali nascido, em 1770, o compositor Ludwig van Beethoven, tornando a cidade num destino imperdível para os amantes da cultura.

No século XIX, a cidade reforçou o seu papel académico com a fundação da Universidade, que ainda hoje lhe dá vida e juventude.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Bona teve um papel inesperado na história moderna, quando, entre 1949 e 1990, foi decretada como capital da República Federal da Alemanha. Mesmo após a reunificação, e quando Berlim recuperou esse estatuto, Bona manteve-se como “cidade federal”, acolhendo ministérios e organismos internacionais, incluindo agências da ONU.

Hoje, Bona é uma mistura única de passado e presente, combinando ruínas romanas, igrejas medievais e palácios barrocos, com a atmosfera de uma cidade universitária e cosmopolita… mas é sobretudo um lugar onde a música de Beethoven se encontra com a política, a ciência e a vida tranquila que se aprecia junto às margens do seu belo rio, o Reno… por onde começámos o nosso percurso, junto à Ponte Kennedy.
Ainda nas margens do rio o passeio começa junto ao Teatro de Ópera de Bona - Opera House, um dos marcos culturais da cidade, conhecido pelas produções de ópera, concertos e espetáculos de ballet. Uma breve passagem pela praça em frente ao edifício permite admirar a sua arquitetura moderna.

Seguimos depois até à Friedensplatz, uma das praças mais movimentadas e conhecidas da cidade, com espaços pedonais cheios de lojas e preenchidos por esplanadas de cafés e restaurantes. O nome significa “Praça da Paz” e remete à reconstrução da cidade após os difíceis anos da Segunda Guerra. Hoje, é sobretudo um espaço de encontro e de vida quotidiana, e funciona como ponto de passagem para quem circula pelo centro histórico.
A praça também recebe feiras, mercados sazonais e eventos culturais, o que a torna um lugar dinâmico e agradável, tanto para moradores como para visitantes.

Na envolvente deste espaço, que está sempre animado e cheio de comércio de rua, encontramos uma pequena fortaleza, que é chamada de Sterntor Bonn Innenstadt. O Sterntor é um portão histórico construído originalmente em 1244 como parte das muralhas medievais da cidade.
O próximo trajeto é feito pelo Dreieck Bonn, que inclui as ruas comerciais mais animadas do centro da cidade, e fica localizado em torno da Friedensplatz e da Münsterplatz, fazendo parte do coração pedonal de Bona, e onde se concentram várias lojas, cafés e restaurantes.
Na verdade, o nome Dreieck, que significa literalmente “triângulo”, não é o nome oficial de uma rua única, mas sim de um quarteirão de comércio de forma triangular.

Neste conjunto de ruas encontra-se uma mistura de estilos arquitetónicos, entre os prédios modernos, edifícios clássicos e até uma casa de enxaimel, aquelas casas medievais com ripas de madeira nas fachadas.
Saindo deste conjunto de ruas entramos na Münsterplatz, uma das praças centrais mais movimentadas de toda a cidade.

No centro da praça destaca-se a famosa estátua de Beethoven, inaugurada em 1845 por ocasião do 75.º aniversário do nascimento do compositor. Foi um evento histórico, celebrado com a presença de figuras ilustres da época, incluindo a Rainha Vitória do Reino Unido e o compositor Franz Liszt, que apoiou financeiramente a iniciativa.

Por detrás da estátua do mais famoso compositor alemão fica o Altes Postamt Bonn, um edifício amarelo que é o antigo prédio dos correios de Bona. Foi construído em meados do século XVIII, em estilo barroco e foi usado inicialmente como residência de um oficial da corte, mas, mais tarde, foi adquirido pelos serviços postais da cidade.
O nome desta praça vem do Bonner Münster, a imponente catedral românica que se ergue ali perto e que marca fortemente a identidade da cidade.

A catedral Bonn Minster, ou Bonner Münster, é a catedral da cidade e a sua principal igreja católica. Foi construída entre os séculos XI e XIII e é uma das mais antigas igrejas da Alemanha, considerada como um exemplo da arquitetura românica alemã.

Trata-se de um dos monumentos mais importantes e impressionantes de Bona e, mais do que um local religioso, representa um símbolo da cidade, testemunhando mais de 900 anos de história, e tendo sobrevivido a guerras e reconstruções, continuando a ser um espaço de espiritualidade, cultura e identidade para os habitantes locais.

No interior desta igreja, os visitantes encontram um ambiente solene, com belos vitrais, esculturas medievais e a cripta, que guarda relíquias e memórias da sua história.

Mas o seu exterior é muito mais impressionante, sobretudo quando o observamos do lado da Martinsplatz, com as suas torres altas e as fachadas sólidas em pedra, que lhe conferem um ar imponente e austero.
A praça que envolve a igreja, a Münsterplatz, é um ponto de encontro muito animado e um dos principais espaços da vida urbana de Bona… juntando ainda a belíssima imagem desta catedral.
Saímos pela Martinsplatz, seguindo na direção de uma outra praça da cidade, a Remigiusplatz. Esta pequena praça é conhecida sobretudo pela escultura que ali se ergue, chamada de "Mean Average", um monumento de bronze com seis metros de altura, que foi criado pelo escultor britânico Tony Cragg, em 2014.
Pouco depois entramos em mais uma das praças históricas da cidade, a Markt. Desde a Idade Média que esta praça funciona como ponto de encontro e espaço de comércio, onde se realizavam feiras e mercados que animavam a vida da cidade. Ainda hoje mantém essa tradição e, de manhã, a praça enche-se de bancas de frutas, flores, queijos e produtos regionais, criando uma atmosfera típica.

Além das bancas que ocupam o centro da praça, nos edifícios qua a contornam encontram-se cafés, restaurantes e lojas, tornando este espaço num lugar ideal para fazer uma pausa e observar o movimento.

Numa das suas extremidades fica o edifício mais emblemático da Markt, o Altes Rathaus (antiga Câmara Municipal), construído no século XVIII em estilo barroco, com a sua elegante fachada branca e dourada e a escadaria onde já foram recebidas várias personalidades históricas.
Saindo da Markt estamos muito próximo de um dos principais jardins do centro de Bona, o Hofgarten. Trata-se de um espaço amplo ajardinado, que fica localizado entre dois edifícios clássicos e uma igreja.

No lado superior fica o Kurfürstliches Schloss, um imenso palácio de estilo barroco do século XVIII que hoje é utilizado pela Universidade de Bona. A sua fachada imponente e a localização, junto ao relvado do jardim, central fazem dele um dos cartões-postais da cidade.
Do lado oposto do amplo relvado fica o edifício do Instituto de Arqueologia e Museu Académico de Arte da Universidade de Bona.

Numa das laterais deste jardim ergue-se a Evangelische Kreuzkirche Bonn. Foi inaugurada em 1871 e é a maior igreja protestante da cidade, com capacidade para 1.200 pessoas. Foi construída em estilo neogótico com tijolos vermelhos, contendo três naves e uma torre frontal. Foi severamente danificada durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi depois reconstruída, já na década de 1950.

Além de espaço de culto, esta igreja tornou-se numa referência cultural e comunitária, conhecida pelos concertos de órgão, música sacra e outros eventos, como o Festival de Beethoven, que ali têm lugar. 
O percurso seguinte foi bastante mais longo, até chegarmos ao Poppelsdorf Palace. Este elegante palácio é hoje um centro de investigação universitária e encontra-se rodeado por um jardim botânico, formando um conjunto bastante bonito.

Trata-se de um edifício barroco construído entre 1715 e 1740 por ordem do príncipe-eleitor Joseph Clemens, da Baviera, que desejava uma residência de Verão fora das muralhas da cidade. A partir do século XIX, o edifício deixou de ter funções residenciais e passou a ser utilizado para fins académicos, contendo várias coleções científicas como minerais, fósseis e exemplares zoológicos.
O nosso percurso continuou depois até ao LVR-LandesMuseum Bonn, o Museu Regional de Bona, onde se encontram exposições de arqueologia, arte e história cultural, desde a pré-história até à atualidade.

A origem deste museu é das mais antigas da Alemanha, tendo sido fundado em 1820 com uma coleção que abrange mais de 400.000 anos de história cultural, desde a pré-história até à atualidade. Entre os destaques encontram-se vestígios arqueológicos da Idade da Pedra, do período romano e da Idade Média, bem como obras de arte desde o Renascimento até ao século XXI.

O museu é especialmente conhecido por peças únicas como o esqueleto do Neandertal de Oberkassel, considerado um dos mais antigos achados de Homo Neanderthalensis na Europa, datado há cerca de 14.000 anos atrás.

Além dos conteúdos deste riquíssimo museu, destacam-se também as belas fachadas, modernistas e envidraçadas, do atual edifício.
Voltámos agora de novo ao Centro Histórico e seguimos depois até à Beethoven-Haus, a casa-museu do compositor, onde pudemos visitar algumas das relíquias do espólio de um dos criadores mais marcantes da história da música.

Ludwig van Beethoven nasceu em Bona em 1770 e desde cedo revelou o seu talento musical. Filho de uma família modesta, recebeu as primeiras lições de piano e violino ainda em criança e, rapidamente, destacou-se como um prodígio. Na juventude trabalhou como músico na corte dos príncipes-eleitores de Colónia, mas foi em Viena que desenvolveu a sua carreira brilhante, tornando-se num dos maiores compositores da história da música. Apesar de enfrentar a surdez progressiva a partir dos 30 anos, criou ainda, depois disso, algumas das obras mais célebres da tradição clássica, como a Nona Sinfonia e a Missa Solemnis.

Beethoven morreu em 1827, mas a sua música continua a ser símbolo universal de genialidade e emoção.
O museu da Beethoven-Haus reúne uma das maiores coleções do mundo dedicadas ao compositor, incluindo instrumentos originais, manuscritos, cartas e objetos pessoais que permitem conhecer de perto a sua vida e obra. Além da exposição permanente, a Beethoven-Haus conta também com uma sala de concertos e um centro de pesquisa, mantendo viva a ligação entre a cidade e o seu filho mais ilustre.

Beethoven ficou conhecido, tanto pela sua magnífica obra, como pela sua surdez, aparentemente incompatível com a criação musical, mas que, neste caso, não o impediu de continuar a compor. Registo, por exemplo, que, na sua última década de vida, numa fase em que já estaria completamente surdo, conseguiu ainda compor 44 obras musicais.

Mas a visita ao museu não nos leva à dimensão do compositor, aliás, nada nos poderia transportar até à grandeza de tal figura a não ser a sua própria música. Por isso, nada será melhor para nos aproximarmos de Ludwig van Beethoven do que escutar atentamente alguma das suas composições, só assim conseguiremos um conhecimento mais profundo sobre o autor de obras-primas como o Hino à Alegria, que faz parte da 9ª sinfonia, ou o concerto para piano Für Elise.
Antes de voltarmos à ponte que atravessa o Reno, junto à qual tínhamos deixado o carro, passámos ainda por mais uma igreja, a Stiftskirche de Bona, uma das igrejas católicas mais antigas e importantes da cidade. O nome significa literalmente “Igreja do Colégio (ou Colegiada)”, porque esteve ligada durante séculos a um capítulo de uma comunidade religiosa formada por cónegos.

O edifício foi construído no período do chamado gótico tardio, entre os séculos XIV e XV, no local de uma antiga capela medieval. Originalmente a igreja era dedicada a São João Evangelista e São João Batista. Ao longo dos séculos a igreja passou por várias transformações, incluindo ampliações e reformas barrocas, mas preservando sempre a sua estrutura gótica e os suas nbelas torres.

Foi assim que terminámos a nossa visita à antiga capital administrativa da chamada República Federal Alemã, ou Alemanha Ocidental. Foi uma paragem curta, estivemos apenas durante uma tarde completa, mas pareceu-me ser o suficiente para conhecer um pouco daquilo que a cidade tem para oferecer. 

O seu centro histórico é bastante interessante, embora muito semelhante a outras cidades alemãs… mas aqui destaca-se particularmente presença da sua figura mais ilustre, o compositor Ludwig van Beethoven, que é a alma omnipresente desta cidade.


Carlos Prestes
Julho de 2015