Esta foi a nossa primeira visita às Baleares, ainda no século passado, quando a Ana estava grávida da Beatriz, no verão de 1998.
Foi uma viagem de uma semana e ficámos sempre alojados no mesmo hotel, em Magaluf. Essa opção acabou por se revelar pouco acertada, já que percorremos praticamente toda a ilha. Teria sido mais conveniente dividir a estadia entre dois ou até três hotéis, sobretudo na costa Oeste e na zona Norte, evitando assim deslocações tão longas - em alguns dias chegámos a fazer cerca de 200 km.
Naquela época, a internet ainda dava os primeiros passos em Portugal e preparar viagens não era tão simples como hoje. Muitas vezes só percebíamos realmente o que queríamos visitar quando já estávamos no destino, razão pela qual não tivemos a preocupação de reservar alojamentos em diferentes pontos da ilha.
Ainda assim, mal chegámos a Maiorca percebemos que não queríamos passar a semana inteira nas praias junto a Magaluf. Preferimos alugar um carro e explorar a ilha, que oferece locais verdadeiramente fascinantes, sobretudo pelas suas calas - algumas delas muito bonitas, com águas cristalinas em tons azul-turquesa e temperaturas excelentes, acima dos 25°.
Apesar disso, na própria baía de Magaluf as paisagens não deixam de ser também bastante interessantes, como é o caso desta imagem da Isla de Sa Porrassa, que fica logo ali em frente.
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Assim, mesmo sem termos pré-programado quaisquer percursos, acabámos por visitar grande parte da ilha, usando um carro alugado durante todo o tempo, mas partindo diariamente de Magaluf, o que nos levou a fazer alguns quilómetros, que seguiram aproximadamente os trilhos assinalados neste mapa:
Dias 1 e 2
Nestes primeiros dois dias decidimos ficar por perto do hotel, ou seja, nas praias e cidades que ficavam a menos de 20 km de Magaluf, começando pela própria praia que se estendia em frente ao hotel.
Magaluf
Esta é uma das zonas balneares mais conhecidas de Mallorca, destacando-se por uma longa praia de areia clara e por um ambiente turístico muito animado. A praia principal estende-se ao longo de uma ampla baía de águas azul-turquesa, geralmente calmas e pouco profundas, o que cria uma paisagem tipicamente mediterrânica e bastante agradável.
Mas é também uma daquelas praias que não apreciamos muito, cheias de chapéus de sol, e com um turismo em massa, com os milhares de pessoas que ocupam os hotéis que ali existem, a maior parte deles, ficam nas torres que se erguem junto ao mar ou logo na marginal. O nosso hotel era um desses, o que nos dava o privilégio de uma vista ampla sobre a baía.
Naquela altura, no final dos anos 90, e mesmo no verão, quando a praia se enche de turistas, não era nada parecido com o que passámos a encontrar 20 anos depois, com praias cheias em todo o lado, onde às vezes nem conseguimos entrar.
Aqui, aquilo que nos afastava destas zonas de praia era aquela presença permanente de turistas nas espreguiçadeiras, em bares de praia, ou praticando desportos aquáticos, alguns bastante barulhentos. Não deixa de ser giro, sobretudo ao final da tarde, quando o ambiente fica mais descontraído e festivo, mas procurámos sempre outras praias mais tranquilas… apesar disso, passámos aqui a primeira manhã, aproveitando os banhos de sol, nadando nas águas transparentes e mornas e percorrendo o areal de lés-a-lés, apreciando as belas paisagens da envolvente.
Um dos principais atrativos desta praia é a sua avenida marginal, que acompanha toda a frente marítima e constitui o centro da vida urbana de Magaluf - ladeada por palmeiras, hotéis, restaurantes, cafés e esplanadas voltadas para a praia - durante o dia é quase como um gigantesco apoio de praia, mas à noite é ainda mais procurada, quando toda a gente sai para jantar ou em busca de vida noturna caliente dos bares e discotecas.
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Ao partirmos de carro para o próximo destino, pudemos ainda contemplar a baía de Magaluf à distância, onde se salientam os tons azul-turquesa das águas, que disfarçam o contorno de prédios altos que forma toda a sua marginal.
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Calas Portals Vells
Descobrimos esta zona de praias encantadoras e, nessa altura, quase desertas, através de uns postais ilustrados que se vendiam nos quiosques. As imagens impressionaram-nos e perguntámos onde ficava, para assinalarmos no mapa... daqueles de papel, com que se viajava naquela época.
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A baía de Portals Vells, é um dos recantos naturais mais tranquilos e pitorescos do Sudoeste de Mallorca, conhecida pelas águas transparentes e pelas pequenas enseadas de areia clara e uma envolvente rochosa, coberta de pinheiros mediterrânicos - as chamadas Calas Portals Vells.
Ao contrário do ambiente mais urbano e animado de Magaluf, esta zona transmite uma sensação de refúgio natural e reservado, com uma paisagem mais preservada e serena.
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A principal atração da baía são as suas calas, com pequenas praias encaixadas entre formações rochosas, criando zonas de mar calmo e pouco profundo, ideais para nadar e relaxar. A transparência da água permite observar facilmente o fundo arenoso e as tonalidades variam entre azul-turquesa e o verde-esmeralda, especialmente nos dias de sol intenso.
As encostas suaves cobertas de vegetação, os caminhos naturais junto ao litoral e as praias quase desertas criavam uma atmosfera intimista e pouco turística. Foi precisamente essa tranquilidade que nos conquistou e nos levou a permanecer ali durante grande parte da tarde… mas temo que hoje em dia a concentração de turistas durante o verão, não permita reproduzir estas condições fantásticas que ali encontrámos.
Santa Ponça e Camp de Mar
Já não pretendíamos voltar a fazer praia nesta tarde, mas queríamos ainda conhecer um outro destino nesta parte Sudoeste da ilha - onde se encontra Santa Ponça, mais uma das estâncias balneares de referência de Mallorca.
Assim, limitámo-nos a percorrer o passeio marítimo que contorna a ampla baía em forma de meia-lua, apreciando a imagem da praia, com as águas calmas, e a sua envolvente marcada pela presença de hotéis, restaurantes e esplanadas voltadas para o mar.
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Um pouco depois, já numa outra baía, encontramos Camp de Mar, mais uma elegante estância balnear, conhecida pela sua pequena praia de águas cristalinas e ambiente tranquilo. A praia, de areia clara e mar azul-turquesa, encontra-se rodeada por vegetação mediterrânica e hotéis discretamente integrados na paisagem.
Um dos elementos mais emblemáticos de Camp de Mar é o Restaurant Illeta, situado numa pequena ilhota em frente à praia, ligado ao areal por um passadiço de madeira. Este cenário singular tornou-se um dos ex-líbris da localidade, pois chegou a ser utilizado na rodagem de algumas cenas cinematográficas, reforçando o carácter pitoresco e exclusivo desta zona costeira.
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Palmanova
Já no dia seguinte, continuámos na zona de Magaluf, mas numa outra baía, que é chamada de Palmanova.
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Trata-se de mais uma animada estância balnear, conhecida pelas suas extensas praias de areia clara, águas calmas e ambiente turístico descontraído. A localidade desenvolve-se ao longo de uma ampla frente marítima, marcada por passeios pedonais, palmeiras, hotéis, restaurantes e esplanadas.
Apesar da proximidade a Magaluf, Palmanova apresenta um ambiente mais familiar e tranquilo, menos associado à vida noturna e particularmente procurado por famílias que desejam conciliar praia, lazer e conforto. Ainda assim, encontrámos um areal excessivamente concorrido, o que acaba por retirar parte da beleza natural que a baía revela quando observada a partir das encostas envolventes.
Palma de Maiorca
A capital da ilha de Maiorca e da região das Baleares, a cidade de Palma, é um espaço animado onde o ambiente mediterrânico e turístico, se mistura com o peso da história e da cultura local.
Palma destaca-se pelas suas ruas elegantes, praças animadas e pela imponência da Catedral de Santa Maria de Palma, conhecida por Catedral La Seu (no dialeto local, que é uma espécie de catalão), e que domina toda a frente marítima da cidade.
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O centro histórico convida a passeios pelas ruas e praças empedradas, entre pátios senhoriais, edifícios góticos e mercados tradicionais, com paragens nas lojas de souvenires, nas esplanadas que ocupam as ruas, com restaurantes que oferecem o prazer da comida espanhola, para umas tapas e umas cañas, que nos ajudam a sentir o ritmo descontraído da vida insular.
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Entre o património histórico, a gastronomia local e as vistas sobre o Mediterrâneo, Palma oferece uma combinação equilibrada de autenticidade, sofisticação e atmosfera balnear, tornando-se um dos destinos mais cativantes do arquipélago das Baleares.
Dos vários atrativos do centro desta cidade, destaca-se, naturalmente, a sua majestosa Catedral, o principal símbolo da cidade, e que é também uma das mais impressionantes catedrais góticas do Mediterrâneo, destacando-se pela sua dimensão, pela rosácea monumental e pela localização junto ao mar, que permite um enquadramento paisagístico interessante, mostrando a catedral com a envolvente da cidade-velha e da marina.
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O porto de recreio de Palma de Maiorca é um dos mais prestigiados do Mediterrâneo, frequentado por iates, embarcações de luxo e uma animada zona marítima rodeada de restaurantes, bares e esplanadas.
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Referindo também outros monumentos da cidade de Palma, salienta-se o Palácio Real e os jardins medievais, chamados de S’Hort del Rei.
O Palácio Real ou Palau Reial de l’Almudaina, que fica na proximidade da catedral, foi construído no início do século XIV, no reinado de Jaime II, depois do domínio muçulmano, e é, ainda hoje, a residência oficial da família real - dos reis e das filhas menores - sempre que visitam a ilha.
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Os S’Hort del Rei eram, originalmente, jardins medievais na envolvente exterior do palácio real, e continham árvores de fruta, flores e arbustos. Em 1960 foram remodelados com introdução de elementos maiorquinos, de inspiração andaluza, o que melhorou a beleza dos jardins, tendo privilegiado as sombras que protegem os visitantes durante as horas de mais calor.
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Nas noites quentes e acolhedoras de verão, as ruas de Palma de Maiorca ganham uma atmosfera vibrante, com esplanadas repletas de gente e o ambiente descontraído de um estilo de vida tipicamente espanhol, de que tanto gostamos.
Entre as ruas estreitas do centro histórico e as avenidas junto à marina e ao mar, Palma combina o charme mediterrânico com uma elegante vivência cosmopolita, revelando uma beleza ainda mais especial quando os monumentos e as fachadas históricas se iluminam ao cair da noite.
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Dia 3
Neste dia resolvemos explorar a zona Oeste da ilha, onde iriamos encontrar algumas aldeias rústicas, mas também umas calas, para podermos fazer umas paragens para uns mergulhos.
O percurso era de cerca de 90 km para cada lado, mas passando por algumas estradas de montanha, que fizeram com que a viagem fosse demorada.
Valldemossa
Começámos por visitar a localidade de Valldemossa, situada no coração da serra de Tramuntana, e uma das vilas mais pitorescas e encantadoras de Maiorca. É conhecida pelas suas ruas empedradas, com casas em pedra adornadas com flores, numa envolvente bem tranquila, preservando o caráter tradicional e oferecendo vistas deslumbrantes sobre as montanhosas envolventes.
O seu maior símbolo é a Real Cartuja de Valldemossa, antigo mosteiro onde estiveram Frédéric Chopin e George Sand durante o inverno de 1838, tornando a vila num lugar marcado pela arte, história e romantismo.
Deià
A apenas 10 km de Valldemossa fica a pequena e elegante aldeia de Deià, conhecida pela sua beleza natural, e por um ambiente muito tranquilo. Rodeada por montanhas e com vistas magníficas sobre o Mediterrâneo, Deià encanta pelas casas tradicionais em pedra, ruas estreitas e uma atmosfera boémia que, ao longo dos anos, atraiu escritores, músicos e artistas de várias partes do mundo… como era caso, na altura ainda recente, do casal Zeta Jones e Michael Douglas, que tinham acabado de comprar ali uma villa para as suas férias.
A combinação entre paisagem, autenticidade e serenidade faz desta aldeia um dos locais mais exclusivos e inspiradores de Maiorca.
A cerca de 3 km da aldeia fica a sua praia, a Cala Deià. Trata-se de uma pequena enseada de enorme beleza natural, que vale principalmente pelo seu espelho de água belíssimo, de um azul-turquesa vivo, e pelo enquadramento impressionante entre o mar e as falésias da serra de Tramuntana.
Apesar de ser uma praia de calhaus, é um local muito agradável para nadar, relaxar e apreciar a paisagem mediterrânica em estado puro.
Podemos ainda complementar o bom ambiente aproveitando a presença de um restaurante junto ao mar, cuja esplanada sobre a água convida a desfrutar de uma bela paella enquanto se contempla a tranquilidade da enseada… e foi isso mesmo que fizemos.
À saída podemos aproveitar os trilhos que contornam as falésias da enseada, aproveitando para desfrutar das mais bonitas paisagens desta cala.
Porto de Sóller
Depois de mais 15 km de uma estrada de montanha, chegámos a Porto de Sóller, mais uma localidade costeira pitoresca, situada numa baía natural da serra de Tramuntana, conhecida pela marginal e pelas vistas sobre o Mediterrâneo.
Na praia e na marina, encontra-se um misto entre o ambiente descontraído de um turismo familiar e a tradição piscatória que é ainda visível.
A marginal é uma das principais atrações locais, com muita gente a fazer passeios ao longo da praia e da marina, usufruindo de um excelente ambiente, onde as esplanadas, restaurantes e as embarcações fundeadas na baía, criam um cenário tipicamente mediterrânico.
A ligação entre a praia e o centro de Sóller é assegurada por um elétrico histórico e que é uma das atrações locais.
Sa Calobra
O percurso de carro entre Port de Sóller e Sa Calobra é uma das viagens panorâmicas mais impressionantes de Maiorca, atravessando o coração da serra de Tramuntana, classificada como Património Mundial pela UNESCO. Ao longo do trajeto, a estrada serpenteia por entre montanhas escarpadas, vales profundos e miradouros naturais com vistas deslumbrantes sobre o Mediterrâneo e a paisagem rochosa da ilha.
Passamos primeiro pelo Mirante de Gorg Blau, com vista para o lago de uma albufeira da barragem do rio Torrente de Gorg Blau. Mas o ponto mais emblemático deste percurso é o Nus de sa Corbata, uma extraordinária obra de engenharia onde a estrada faz uma curva em laço de quase 360 graus, passando por baixo dela própria para vencer o desnível da montanha. Este troço tornou-se um verdadeiro símbolo de Maiorca, tanto pela ousadia da construção como pela beleza cénica envolvente, proporcionando uma experiência inesquecível a quem percorre esta estrada.
Sa Calobra é um dos cenários naturais mais impressionantes de Maiorca, conhecido pelas suas paisagens dramáticas entre montanhas escarpadas e mar cristalino. No final do percurso de montanha, encontra-se uma pequena enseada de águas transparentes e a impressionante foz do Torrent de Pareis – formada por uma praia de calhau rolado, envolvida por altas paredes rochosas que criam um ambiente especial e de grande beleza natural.
Mas aquilo que mais gostámos nesta cala tão inusitada, foi das suas águas, com um azul forte impressionante e uma transparência incrível - nunca tinha visto, nem voltei a ver, um fundo do mar com tanta visibilidade. Em alguns locais é quase como numa piscina, mas a razão desta transparência é a ausência completa de vida marítima, nem animais nem qualquer tipo de algas ou fitoplâncton. Assim, a experiência do snorkeling serve apenas para observarmos o fundo rochoso, os cascos dos barcos ali fundeados… e para vermos com clareza os outros mergulhadores.
Esta parte da Sa Calobra, chamada de Torrent de Pareis, é totalmente natural, e só é acessível por um trilho pedonal estreito. O local onde deixamos o carro fica junto ao Port De Sa Calobra, onde existe uma pequena cala, também de calhau, e igualmente bonita.
Dia 4
Neste dia fomos explorar o Norte da ilha, o que obrigou a uma viagem longa, cerca de 100 km para cada lado.
Alcúdia
A primeira paragem deste dia foi na Baía de Alcúdia, uma das zonas costeiras mais bonitas de Maiorca, conhecida por uma extensa língua de areia clara, sempre com águas calmas e transparentes.
Em toda a baía o ambiente é descontraído e tipicamente mediterrânico, com hotéis e restaurantes, mas também com zonas mais selvagens, com vegetação até à areia. Ao longe, são visíveis as montanhas da ponta Norte da ilha, o Cabo Formentor.
Apesar de ser um único areal numa mesma baía, está dividida em duas praias, a Playa de Alcúdia, que é enorme, e a Playa de Muro, que ocupa apenas a extremidade norte, formando uma pequena baía mais fechada, já perto da marina.
Ao longo da baía encontramos alguns trechos com uma faixa de areia mais larga, onde ficam as principais zonas de apoio de praia, com vários hotéis, restaurantes, esplanadas e um passeio marítimo junto à areia.
Noutros troços o areal surge integrado na natureza, envolvido pela vegetação mediterrânica, e formando uma praia bastante bonita e com um aspeto selvagem, com o mar cristalino e com dunas e pinhais que acompanham parte da costa. O ambiente é mais sereno e relaxado, ideal para desfrutar da paisagem e do mar num ambiente natural… sobretudo se estiver um dia de sol e sem vento.
Na extremidade Norte desta baía, fica a marina do Port d’Alcúdia, cheia de iates e embarcações de recreio, e com o ambiente normal deste tipo de portos, com vários restaurantes e com um excelente ambiente.
Há também a vila de Alcúdia, cujo centro histórico muralhado preserva o charme medieval da ilha, com ruas empedradas, pequenas praças e edifícios tradicionais. Pode ser um agradável ponto de visita, a um local bonito e que contraste harmoniosamente com a atmosfera balnear da costa.
Cap de Formentor
Seguimos depois por pouco mais de meia hora até ao cabo do extremo Norte da ilha, o Cap de Formentor. Trata-se de um dos locais mais emblemáticos e impressionantes de Maiorca, conhecido pelas falésias dramáticas, pelas vistas panorâmicas sobre o Mediterrâneo e pela estrada sinuosa que atravessa a península, e oferece paisagens de grande beleza natural e um ambiente quase selvagem.
Ao longo do percurso encontram-se vários miradouros sobre o mar azul profundo e as formações rochosas escarpadas, culminando no famoso farol de Formentor, suspenso sobre as arribas e rodeado por um cenário verdadeiramente inesquecível.
Playa de Formentor
Depois da visita ao cabo, regressámos pela mesma estrada de montanha até ao nível do mar, aproveitando as bonitas paisagens da baía, com o azul intenso do Mediterrâneo e o verde da vegetação que cobre a encosta.
Parámos junto à Playa ou Cala de Formentor, onde passámos grande parte da tarde - literalmente de molho - nestas águas calmas, mornas e cristalinas.
Já depois de estacionarmos o carro, encontramos uma baía com uma vegetação densa, sobretudo pinheiros, e apenas uma estreita faixa de areia branca, por vezes completamente ocupada por banhistas. Mas basta arranjarmos um pequeno espaço para esticar a toalha, e já nos permite ficar por ali, a maior parte do tempo dentro de água.
A praia encontra-se rodeada pela natureza da penínSula de Formentor, e distingue-se pela tranquilidade, pela beleza do enquadramento natural e pelas imagens lindíssimas sobre a baía… apesar da grande concentração de banhistas, num areal tão estreito.
Naquela altura, em certas zonas da baía, ainda havia algumas partes em que o areal estava mais vazio… e foi aí que ficámos, o que nos permitiu aproveitar bastante bem esta praia tão apetecível.
Terminámos mais um dia, desta vez regressámos a Magaluf, onde iríamos passar o serão e jantar, pois estivemos até ao final da tarde numa zona de floresta natural, onde não existe grande oferta de restaurantes.
Dia 5
Neste dia seguimos para o lado Oriental da ilha e, no final da tarde, iriamos visitar uma zona muito conhecida pela sua vida noturna. Mas de manhã, o objetivo era passarmos por umas bonitas praias, pelo que saímos na direção da Caló des Moro, num trajeto de cerca de 80 km.
Caló des Moro
No Sul da costa Este da ilha existem várias pequenas calas – enseadas que rasgam os rochedos, onde se forma um pequeno areal. Das várias possibilidades, escolhemos a Caló des Moro, uma dessas enseadas, escondida entre falésias e vegetação mediterrânica.
Famosa pelas águas incrivelmente transparentes e pelos tons intensos de azul-turquesa, esta cala oferece um cenário quase paradisíaco e uma atmosfera selvagem e bem preservada. Apesar das dimensões reduzidas e do acesso mais exigente, é considerada um dos recantos naturais mais deslumbrantes da ilha.
Playa Es Trenc
Esta foi a segunda praia do dia, a meia hora da Caló des Moro, encontramos a belíssima Playa Es Trenc. Se tivermos a sorte de apanhar um dia de sol e sem vento, esta playa, será certamente uma das praias mais paradisíacas de Maiorca, conhecida por uma extensa faixa de areia branca e pelo mar de águas cristalinas em tons azul-turquesa.
Está inserida numa área natural protegida e, por isso, mantém um ambiente preservado e selvagem, com dunas, vegetação mediterrânica e uma paisagem que recorda as praias das Caraíbas.
O areal desta praia é tão extenso - com mais de 2 500 metros - que mesmo que estejam muitos banhistas, será sempre natural que a praia se mantenha tranquila e sem grande confusão. E para além da longa faixa de areia, temos sempre um imenso espelho de água cristalina, perfeito para longos banhos e mergulhos relaxantes, enquanto se desfruta do sol intenso do Mediterrâneo e da temperatura quase morna e acolhedora do mar.
Podemos considerar que num dia com boas condições metrológicas, a tranquilidade do mar e a beleza natural da praia de Es Trenc, fazem deste local um dos spots turísticos mais emblemáticos da ilha para relaxar e desfrutar do Mediterrâneo em estado puro.
Playa de Cala Pi
Depois de uma manhã inteira a aproveitar as águas calmas e mornas das duas praias anteriores, saímos em direção à cala Pi.
Trata-se de mais uma enseada encaixada entre falésias, formando uma pequena praia tranquila e protegida. As águas calmas e transparentes em tons azul-esverdeados contrastam com o dourado da areia e com a vegetação mediterrânica que envolve a cala, criando um ambiente pitoresco. O acesso faz-se por uma longa escadaria que conduz até à praia, revelando ao longo do percurso vistas magníficas sobre a enseada e o mar.
Desta vez, já tínhamos uma manhã inteira de praia, pelo que decidimos apreciar a paisagem cá de cima, em vez de descermos a escadaria de acesso… que depois teríamos de subir.
El Arenal
Estávamos a meia hora da zona do Arenal, uma das zonas balneares mais animadas de Maiorca, conhecida pela longa praia de areia clara, pelo ambiente turístico vibrante e pela intensa vida noturna. Chegámos durante a tarde quando a praia está mais animada, porque de manhã está tudo a curar as respetivas ressacas.
Esta é uma zona muito procurada por visitantes alemães, que utilizam a tarde para passar na praia, e a noite para vaguear entre restaurantes e esplanadas junto ao mar, terminando em bares e discotecas… num ambiente festivo e descontraído que se prolonga até de madrugada.
Um dos espaços de entretenimento mais famosos e animados do El Arenal é o Megapark Mallorca, muito popular entre turistas alemães. Situado junto à praia, combina espaços de cervejaria, bares, música ao vivo, DJs e grandes festas, sempre num ambiente extraordinário que vibra durante toda a noite e só termina com o nascer do sol.
Dia 6
Este era o último dia completo em Maiorca, no dia seguinte já voltaríamos para casa. Escolhemos a zona Este da ilha, um pouco a Norte do destino do dia anterior, um espaço turístico em torno da marina da Cala d’Or.
Cuevas del Drach e Porto Cristo
Porém, começámos por uma atração algo inusitada, junto à vila e praia de Porto Cristo, chamada de Cuevas del Drach, umas grutas, a fazer lembrar as nossas grutas de Serra de Aire, ou outras do género.
Fizemos esta visita porque nos tinha sido recomendado, mas não é nada o nosso estilo e, apesar de referir nesta crónica, não recomendo particularmente.
A visita às Cuevas del Drach percorre várias grutas subterrâneas com formações calcárias com formas e cores espetaculares, que termina junto ao Lago Martel, um dos maiores lagos subterrâneos do mundo… é o que dizem, não sei se não se estarão a esticar.
No final da visita, as luzes diminuem e pequenos barcos surgem silenciosamente no lago, transportando músicos que interpretam peças clássicas ao vivo - normalmente obras de compositores como Frédéric Chopin, ou outros autores clássicos. Depois do concerto, os visitantes podem atravessar parte do lago num pequeno barco, criando uma atmosfera muito especial e quase irreal.
Espreitámos ainda a baía de Porto Cristo, uma praia familiar, na qual nem chegámos a ficar, parámos na marginal e seguimos para o próximo destino.
Descemos agora pela costa até à zona da Cala d’Or, que fica a cerca de meia hora de viagem.
Cala d'Or
Esta urbanização desenvolve-se em torno de várias enseadas, uma delas ocupada por uma marina de recreio, enquanto as restantes dão lugar a pequenas praias de águas calmas e transparentes, muito procuradas tanto pelos habitantes locais como pelos turistas que escolhem esta zona para férias - entre elas, estão a Cala Ferrera, Cala Esmeralda, Cala Gran e Cala Petita.
Todas estas praias da zona de Cala d'Or partilham características semelhantes: pequenas enseadas de areia clara, banhadas por um mar calmo de águas cristalinas azul-turquesa, enquadradas por falésias baixas e vegetação mediterrânica. Apesar da proximidade entre elas, cada cala possui a sua própria atmosfera, alternando entre ambientes mais tranquilos e recantos mais animados e familiares.
Como as praias são relativamente pequenas, nem sempre é fácil encontrar espaço no areal para estender a toalha, pelo que, por vezes, os rochedos acabam por ser a alternativa. Ainda assim, há sempre lugar para que todos desfrutem do mar.
Deixo aqui algumas fotografias destas calas, pela seguinte ordem: Cala Ferrera, Cala Esmeralda, Cala Gran e Cala Petita.
A zona da Cala d’Or mais distinta, é o seu porto de recreio. A Marina de Cala d'Or é um dos pontos centrais desta zona turística de Maiorca, distinguindo-se pelo ambiente elegante e descontraído. Rodeada por edifícios de arquitetura branca tipicamente mediterrânica, concentra restaurantes, bares e esplanadas com vista para os iates e embarcações de recreio. A marina ocupa uma das enseadas naturais da Cala d'Or e contrasta com as restantes calas da região, que são usadas como praias.
Voltámos à estrada para mais um percurso, desta vez de pouco mais de 20 minutos, até duas das praias de que mais gostámos em toda a ilha, que ficam na enseada chamada de Cala Mondragó.
Calas Mondragó e S'Amarador
Chegamos de carro até à Cala Mondragó, onde fica a primeira praia, mas percorremos depois a pé um trilho entre pinheiros e vegetação mediterrânica, que nos leva até à Cala S'Amarador, e essa sim, é a mais bonitas das duas.
De qualquer forma, ambas as praias são das mais bonitas e preservadas de toda a ilha de Maiorca. As duas praias destacam-se pela areia clara e fina e pelas águas cristalinas de tons azul-turquesa, o que é uma constante nesta ilha, mas neste caso encontra-se um ambiente natural e protegido.
Apesar da proximidade, a Cala Mondragó é mais acessível e movimentada, pois muitos visitantes não querem fazer a caminhada até à outra praia. Mas é também bastante bonita, e partilha as mesmas águas azuis-turquesa e as mesmas paisagens da envolvente.
Durante o caminho para a Cala S’Amarador começamos a apreciar as belas paisagens desta praia e a sentir uma atmosfera mais tranquila e selvagem.
Terminámos aqui este dia e também esta viagem por Mallorca, a maior das ilhas Baleares, que nos encantou e surpreendeu muito para além do que imaginávamos. Partimos com a ideia de encontrar praias extensas, cheias de gente, rodeadas por centros urbanos vibrantes e fortemente marcados pela vida noturna. Isso existe, de facto, mas a ilha revela muito mais do que desse ambiente frenético da noite. Descobrimos uma ilha feita de pequenos paraísos escondidos entre falésias, pinheiros e águas transparentes, onde cada cala parece guardar um segredo diferente.
Ao longo desta viagem fomos encontrando recantos de uma beleza quase irreal, com tons azul-turquesa e águas mornas que tantas vezes nos fizeram lembrar as Caraíbas, mas sempre com aquele charme mediterrânico tão próprio das Baleares. Cada enseada tinha a sua personalidade, o seu silêncio, a sua luz, e foi impossível não nos deixarmos conquistar por esta forma tão serena de viver o mar.
Foi aqui que nasceu o nosso fascínio pelas ilhas Baleares. Depois de Maiorca vieram Ibiza e Menorca, ilhas diferentes entre si, mas unidas pela mesma beleza mediterrânica, pelas praias deslumbrantes e pelas águas cristalinas. Para quem ainda não conhece este arquipélago, Maiorca é talvez o ponto de partida perfeito para começar essa descoberta.
Carlos Prestes
Junho de 1998
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